Um drama que podia ser evitado

POR GERSON NOGUEIRA

Manaus-AM 1×1 Remo (Wellington Silva)

O jogo começou estranho para o Remo. Um apagão da zaga permitiu a Elivélton e Gabriel Davis manobrarem à vontade até o toque final de Diego Rosa para as redes, logo aos 6 minutos. Em qualquer circunstância, sofrer gol assim de cara complica bastante os planos de jogo, mas havia tempo para se recompor e reagir.

Ofensivo, buscando o jogo pelos lados com Marlon e Wellington, o Remo criou lances de perigo. Quase empatou com Lucas Siqueira, perdeu chances com Wallace e Augusto. Descuidos na marcação permitiam ao Manaus algumas boas chances em contra-ataque.

O problema maior estava nos avanços de Pingo, que tentava chegar à frente junto com Lucas. A subida dos dois volantes abria um buraco no meio-campo, por onde Gabriel Davis organizava o Manaus.

Quase ao fim do primeiro tempo, Bonamigo ajustou mais as linhas de marcação, mas o ataque não conseguia se ajustar. As bolas não chegavam a Augusto, Wallace era marcado com rispidez e Hélio parecia ainda longe do condicionamento ideal e sem conexão com Wellington Silva.

Na etapa final, Kevem quase empatou cabeceando rente ao poste. Wallace também esteve perto de marcar, mas o Manaus se defendia bem, não permitindo espaços à entrada da área.

Aos 10 minutos, a história começou a mudar. Tiago Spice, que havia batido à vontade no 1º tempo, deu uma cotovelada em Hélio e foi expulso. Abria-se um cenário extremamente favorável ao Remo na partida.

Com gramado pesado, os times sentiam o desgaste, mas a bola estava sempre em poder dos azulinos. Aí ficou clara a ausência de um planejamento ofensivo, que valorizasse a troca de passes em velocidade e as jogadas pelos lados. As melhores manobras eram quase sempre com Wellington, que virou ala na parte final do jogo.

O Manaus se multiplicava em campo, muito em função da marcação bem posicionada, priorizando setores e não o corpo a corpo. Em contra-ataques, ameaçava seguidamente. O lado curioso disso é que, com a vantagem de um homem a mais, o Remo levou menos perigo do que quando a partida estava numericamente igual.

Faltava ideia e capacidade de elaboração no meio-campo. Felipe Gedoz, responsável pela criação, andou arriscando alguns chutes, mas sempre descalibrados. Chegou com perigo numa tentativa pela linha de fundo, mas tomou a decisão errada, finalizando ao invés de passar para Augusto.

Quando o desespero já batia forte, uma jogada despretensiosa nascida na intermediária abriu caminho para o empate, aos 43’. Gedoz lançou Lucas e este passou para Dioguinho, que não havia acertado nenhuma tentativa até então. O meia bateu em direção ao gol, a bola resvalou no goleiro e sobrou para Wellington chutar para as redes.

Depois desse lance, Augusto podia ter feito o segundo gol, mas disparou em cima do goleiro e desperdiçou grande oportunidade.

O drama final do confronto deu a medida das dificuldades que o Remo teve em campo, pela ausência de entrosamento em vários setores da equipe e o baixo rendimento de peças importantes, como Marlon e o próprio Lucas.

Superar essas deficiências, sem dispor de um banco de suplentes confiável, será o maior desafio para Paulo Bonamigo no jogo da volta, antecipado para quinta-feira à tarde, no Mangueirão. O Manaus não é superior ao Remo, mas em alguns momentos se mostrou mais organizado e consciente do que precisava fazer em campo.

Apesar dos efeitos danosos da covid para o condicionamento físico e da visível perda de força ofensiva, Bonamigo acredita na evolução técnica dentro da competição. A conferir.

Escaramuças do VAR e garfadas em série contra o Fogão

O VAR marcou presença na rodada de ontem da Série A. Corinthians e Vasco, adversários de Flamengo e Internacional, reclamaram muito das marcações. Fica mais evidente esse tipo de erro no momento de definição do campeonato ao mesmo tempo que torna o rebaixado Botafogo completamente invisível, inclusive quanto aos erros grosseiros que seguem se repetindo contra o time.

Contra o Goiás, no sábado, o volante Caio Alexandre sofreu pênalti claro, mas o árbitro deixou rolar. Faltas invertidas, rigor excessivo nos cartões a jogadores alvinegros. Um filme velho, repetitivo.

É claro que, pelas regras não escritas do futebol, quem está em fase descendente não pode nem reclamar de nada. Uma reles analista de arbitragem do Sportv se sentiu encorajada a dizer que as queixas do Botafogo no jogo não passavam de chororô.

O clube alvinegro assinou a sentença prévia de morte ao se posicionar, correta e corajosamente, contra a volta antecipada do futebol durante a pandemia, tanto no Covidão RJ quanto no Campeonato Brasileiro. Desafiou interesses poderosos.

A briga com a cartolagem da Ferj foi encampada pelos patifes da CBF com requintes de perversidade. A entidade, refém do discurso negacionista do presidente da República, castigou sem pena o Botafogo neste Brasileiro, tirando-lhe entre 15 e 20 pontos, por baixo. Desconfio que os árbitros ganhavam até elogios a cada nova garfada.

Importante: nada disso diminui a incompetência criminosa da cartolagem nas contratações, na gastança inútil com bondes internacionais e na mão podre para escolher técnicos. Mas, obviamente, não era campanha para rebaixamento; o time é fraco, mas num campeonato absurdamente ruim está no mesmo nível de metade de seus adversários.

Anotei aqui alguns dos clubes que não têm elenco superior e nem jogam em nível técnico flagrantemente acima do Botafogo: Sport, Atlético-GO, Goiás, Vasco, Coritiba, Fortaleza, Corinthians, Atlético-PR e Bahia. A maioria conseguiu se salvar porque teve mais aplicação, apostou em técnicos competentes e não enfrentou arbitragens seletivas. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 15)

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