Copa Verde: Remo sofre, mas arranca bom resultado na casa do adversário

O Remo conquistou um bom resultado diante do Manaus pela semifinal da Copa Verde. Empatou em 1 a 1, após sofrer um gol logo aos seis minutos de jogo em falha coletiva da defesa. Pressionado pelo placar adverso, o time lutou muito, mas a dificuldade que o ataque teve para finalizar a melhor jogada produzida na segunda etapa dá a dimensão dos problemas apresentados pelo time de Paulo Bonamigo na tarde deste sábado, na Arena da Amazônia. O lance aconteceu aos 43 minutos, quando os azulinos lutavam para chegar ao empate. Dioguinho recebeu excelente passe de Felipe Gedoz, mas chutou em cima do goleiro. A bola passou e encontrou Wellington Silva livre na pequena área para completar em direção às redes.

A rápida jogada do Manaus logo aos 6 minutos surpreendeu o sistema defensivo do Remo. Após erro de Marlon, Elivélton trocou passes com Gabriel Davis, que passou para Diego Rosa finalizar, quase caindo. A bola entrou no canto direito de Vinícius, que saltou e quase evitou o gol. A partir daí, o Leão se lançou ao ataque, mas patinava nos próprios erros e na incapacidade de superar o jogo truncado, cheio de faltas.

Manaus x Remo

Felipe Gedoz manobrava com certa liberdade, mas errava passes e chutes a gol. Na lateral esquerda, Marlon não reeditava suas melhores atuações. Na direita, Wellington Silva se movimentava bem, mas Hélio Borges enfrentava marcação dupla. Um grande momento foi a chegada em cruzamento da esquerda para cabeceio de Lucas Siqueira, com grande perigo. Depois, Augusto foi lançado duas vezes e quase marcou.

Nos contra-ataques, o Manaus ameaçava, com jogadas bem construídas por Douglas Lima e avanços de Elivélton. Vinícius Barba quase marcou o segundo em arremate bem defendido pelo Vinícius remista.

Para a segunda etapa, o Remo veio com tudo. Kevem cabeceou rente à trave desviando falta cobrada por Gedoz. Depois, Wallace recebeu livre e bateu rasteiro para grande defesa de Rafael. Aos 10 minutos, Tiago Spice, que já havia distribuído pontapés à vontade no primeiro tempo, acertou cotovelada em Hélio Borges e foi expulso.

A partir daí, o confronto se transformou em ataque (do Remo) contra defesa (Manaus). O problema é que faltava serenidade e organização aos azulinos, que erravam passes e precipitavam jogadas. O Manaus, mesmo inferiorizado numericamente, defendia-se com competência, encurtando espaços, fechando setores e aproveitando a afobação remista.

Sem sofrer muitos riscos na defesa, o time ainda ameaçava com finalizações de fora da área. O Remo já tinha Dioguinho em campo, mas Augusto parecia cansado e sem inspiração. Gedoz tentou chegar aos 36′ com dribles junto à linha de fundo, mas bateu em cima do goleiro. Finalmente, aos 43′, em jogada improvável pelo meio da povoada zaga, Dioguinho, chutou e Wellington Silva aproveitou o rebote de Rafael para deixar tudo igual.

Ainda houve chance de virada. Aos 46′, Augusto trocou passes com Marlon e invadiu pela esquerda, mas tentou a finalização direta e facilitou a defesa do goleiro.

A partida de volta será na quinta-feira, às 16h, no estádio Jornalista Edgar Proença, em Belém.

(Fotos: João Normando)

Mamata sem fim: além de picanha e cerveja, verba pública pagou bacalhau e uísque para militares

Forças Armadas

Por Marina Oliveira, no Congresso em Foco

Além das mais de 700 toneladas de carne para churrasco e 80 mil cervejas bancadas com dinheiro público, documentos obtidos pelo Congresso em Foco mostram que as Forças Armadas também compraram mais de nove mil quilos de filé de bacalhau, 139 mil quilos de lombo do mesmo peixe, além de dez garrafas de uísques 12 anos para o Comando do Exército e de 660 de conhaque para o Comando da Marinha.

O deputado federal Elias Vaz (PSB-GO), que reuniu os novos processos identificados no Painel de Preços do Ministério da Economia, afirmou que “o lombo é o corte mais nobre do bacalhau, usado para pratos requintados e caros em restaurantes sofisticados, algo muito distante do cardápio da maioria dos brasileiros. É revoltante saber que esses processos correram em plena crise, quando falta o básico para muitas famílias e os recursos deveriam ser aplicados no combate à pandemia”.

Ao analisar cada processo, o deputado constatou indícios de superfaturamento. Um dos pregões é para a aquisição 1.195 quilos de bacalhau salgado eviscerado, ou seja, a peça inteira, sem cabeça e pele, para o Comando da Marinha. O preço estipulado por quilo é de R$86,88.

“Os valores causam estranheza porque na peça vem tudo, não só a parte nobre, não justifica o preço estipulado. Além de ser um luxo inadmissível para ser pago com recursos públicos, ainda há sobrepreço. Esse dinheiro deveria ser aplicado na Saúde e na Educação e não nessas regalias”, destaca o parlamentar. Outro exemplo é o processo para compra de 40 quilos de bacalhau desfiado para o Comando do Exército ao custo de R$127,93 o quilo.

Elias Vaz está discutindo com um grupo de mais nove parlamentares do PSB a apresentação de pedido para instalar na Câmara uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as compras do governo federal.

Além de Elias Vaz, assinam o documento Alessandro Molon (RJ), Lídice da Mata (BA), Aliel Machado (PR), Bira do Pindaré (MA), Camilo Capiberibe (AP), Denis Bezerra (CE), Gervásio Maia (PB), Marcelo Nilo (BA) e Vilson Luiz da Silva (MG).

Israel vacina jogadores, vence negacionismo e planeja futebol com torcida só para imunizados

Por Rafael Reis

Pedro Petrazzi atua no futebol de Israel, país que é exemplo na vacinação contra covid-19 - Divulgação

Enquanto o Brasil ainda dá os primeiros passos na imunização para conter a pandemia da covid-19 e sofre com a escassez de doses até mesmo para profissionais de saúde e idosos, Israel já começou a vacinação dos jogadores profissionais de futebol. Não que os atletas do esporte mais popular do planeta tenham tido algum privilégio e puderam furar a fila de prioridades. Mas é que o país que se tornou exemplo no uso de vacinas para combate ao coronavírus já atendeu à demanda dos grupos mais necessitados e agora estendeu sua campanha para o restante da população.

“Olha, até chegaram a discutir a possibilidade de dar alguma prioridade aos jogadores, já que estamos em campo e não podemos trabalhar de máscara. Mas a produção da vacina por aqui foi tão rápida que, antes de decidirem se ia ter ou não essa prioridade, Israel já estava vacinando as pessoas jovens e sem nenhuma comorbidade”, afirmou o brasileiro Pedro Petrazzi, em entrevista por telefone ao “Blog do Rafael Reis”.

O meio-campista do Hapoel Nof HaGalil, da segunda divisão, faz parte dos cerca de 40% da população israelense que já receberam pelo menos uma dose das vacinas da Pfizer, da Moderna ou da AstraZeneca/Oxford e conta os dias para entrar no grupo dos 20% que foram picados pela segunda vez e estão imunizados. O jogador, que começou a carreira no Comercial, de Ribeirão Preto (SP), e atua no exterior desde 2009, só lamenta que nem todos os seus companheiros de time estejam com a mesma pressa para entrar na fila de vacinação.

“É até difícil acreditar, mas acredita que tem atletas do meu time que não querem tomar vacina? Eles falam que têm medo porque não sabem o que pode acontecer daqui dois ou três anos. E o pior é que não são poucos jogadores. Mais ou menos metade do time está nessa.” Só que os jogadores do Hapoel Nof HaGalil e também dos outros clubes do país que pensam dessa forma têm sido pressionados pelos dirigentes a rever essa posição e aceitar as doses anti-covid.

Afinal, a entidade que organiza o Campeonato Israelense condicionou o retorno da presença de torcedores nos estádios (e a consequente volta da arrecadação com bilheterias) a uma vacinação completa nos clubes de futebol do país. O projeto é bem simples: os times que estiverem com 100% do elenco e da comissão técnica devidamente imunizados (com duas doses) poderão ter público em seus jogos como mandante. Mas esses torcedores só poderão entrar nas arenas se comprovarem, com seus cartões de vacinação, que já estão protegidos do coronavírus.

“O primeiro-ministro [Benjamin Netanyahu] comprou insumos para aplicar 10 milhões de doses [a população do país é de 8,8 milhões de pessoas]. Aqui, trataram a vacinação como prioridade, coisa que o Bolsonaro não está fazendo”, completou.

Forasta News: como enfrentar turbas com tochas

Por André Forastieri

Regridem rápido as liberdades nos Estados Unidos. O retrocesso tem apoio resoluto do establishment acadêmico, veja só, de tradicionais instituições de defesa dos direitos civis, imagine, e dos mais prestigiosos bastiões da imprensa, acredite se quiser.

São diários os julgamentos sumários nas redes sociais. Raros rendem muito no noticiário. Virou rotina por lá, como jovens psicopatas fuzilando coleguinhas nas escolas.

Os casos se multiplicam. O roteiro entedia, porque se repete.

Turbas com tochas digitais exigem a punição de supostos pecadores por supostos crimes,  a maioria de impossível apuração. O réu têm julgamento sumário, fundamentado exclusivamente em chocantes depoimentos de testemunhas. Do condenado se exige sempre a mais abjeta confissão, que não o livrará da mais dura pena possível.

O caso mais recente, e particularmente repulsivo, é a demissão de Donald McNeil, premiado repórter de saúde do New York Times, que em 2020 fez muito sucesso com sua cobertura da pandemia.

Foi resultado de um abaixo-assinado de 150 de seus colegas, menos de 10% da redação. A direção do jornal em princípio o defendeu. Pusilânime, cedeu à pressão da turba. 

O grande crime de McNeil: em 2019, respondendo à pergunta de um estudante adolescente sobre o uso de uma “palavra proibida” por um colega, usou esta mesma palavra. 

Sinceramente, dá nojo de entrar nos detalhes. É uma história de tamanha sordidez, e uma performance tão pusilânime do New York Times, que desanima ter esta profissão, fazer parte desta espécie e viver nestes tempos.

Mas estou lendo tudo sobre isso, e você precisa saber desta história. Para que ela não se repita? Não, porque ela vai se repetir, e vai se repetir aqui.

Este artigo diz quase tudo que precisa ser dito, na minha opinião (e do Álvaro, que o compartilhou no seu twitter).

este outro o New York Times preferia que você não lesse. 

Os Estados Unidos são o campo de batalha pelo futuro da liberdade – e sim, dramaticamente vamos assumir que esta é a questão. O país com a cultura mais influente do planeta, com uma legislação avançada na proteção dos direitos civis, e defesa radical da liberdade de expressão na sua própria constituição.

Borboleta que voa lá causa furacão mundo afora. É confortável e ilusório concluir que esses enfrentamentos são frescurite de americano, fru-fru de país rico e livre, “classe média sofre”. Há evidências de que a caça às bruxas se internacionaliza.

Como se já não fosse problema suficiente a manutenção da maior parte da humanidade sob regimes de censura e opressão. Como se não víssemos a ascenção econômica da imperial China, que jamais fingiu ter qualquer interesse pela democracia.

Entre os britânicos há longa tradição de universidades e jornalismo livres. Mas uma passada de olhos na seção de opinião do The Guardian, o mais lido jornal em língua inglesa do mundo, “de esquerda”, não dá razão para otimismo.

A Europa resiste mais no continente. A França está batendo de frente. Macron aproveita o gancho pra cantar de galo e fazer média à direita, pátria do iluminismo etc. 

Os franceses não engolem vozes americanas passando pano pra bombardeio de cartunista e degola de professor de história. Fazem muito bem. Aqui no Brasil mesmo, na época do Charlie Hebdo, deu ânsia de vômito ver gente influente com discurso na linha de “eles fizeram por merecer, precisam respeitar os valores do Islã”.

Os europeus se mataram durante milênios ininterruptos. Têm crimes de guerra, raciais e coloniais que jamais pagarão. Sua união deu um basta institucional a picuinhas regionais e étnicas.

Estão aprendendo que vivem em um megacontinente que vai de Gibraltar ao Cabo da Boa Esperança a Vladivostok, onde valorizar semelhanças em vez de estimular diferenças é estratégia chave de convivência e sobrevivência. Lá, mais que nos EUA, há grande risco no fundamentalismo “woke” balcanizador.

Essa patrulha puritana e histérica é um câncer, e a metástase está aí, à vista. Há método por trás de tanta loucura.

É preciso fiscalizar o discurso, para que corra solta a exploração. É importante estimular a falsa transformação social, para que não busquemos a verdadeira transformação econômica. É preciso dividir para conquistar.

Não é por outra razão que aqui mesmo nos nossos melancólicos trópicos todas as atenções se voltem para a milésima edição do reality show. O cast é escolhido a dedo para causar, o programa pautado e editado para gerar o máximo de revolta nas redes sociais.

Lacrar dá clique, “monetiza”, e enquanto se debate os xingamentos na casa dos brothers, esquecemos dos 33 milhões de brasileiros sem trabalho, da reação caótica e bárbara ao Covid, da violência sem fim, da nojeira cotidiana de milicianos, corruptos e fundamentalistas no poder.

Se não há pão, dê circo; e se dá para levar os próprios espectadores a se odiarem e digladiarem, melhor ainda. 

Uma multidão de jovens cresceu com estes valores distorcidos, lá e aqui. Ainda é uma minoria? Aumenta a cada dia. Abomina o debate livre, aberto, informado. Influi, pauta o discurso dominante na mídia e normaliza a caça às bruxas.

As turbas encontram coragem na certeza de que são guiados por uma missão sagrada de justiça contra os impuros. Historicamente, têm sido derrotadas. Mas a História tem idas e vindas e atalhos e desvios. 

O que nos cabe? O arroz com feijão, bem temperadinho.

Façamos o possível para enfrentar a sanha de sangue na academia e imprensa. São duas instituições que, por sua própria natureza, precisam da liberdade para vicejar. 

Vamos valorizar nossa humanidade em comum e enfrentar as patrulhas que nos dividem. Vamos insistir em enfrentar os desafios da liberdade com mais liberdade, nunca com menos.

E jamais nos esqueçamos de que nenhuma pessoa deve ser desvalorizada por sua raça, gênero, pátria, religião, idade. E nenhuma deve ser valorizada, exatamente pela mesma razão. O que contam são nossas ações, não o que a gente “é”.

Uma antiga lição, mais presente que nunca…

CBF muda data do 2º jogo entre Remo e Manaus pela Copa Verde

Remo 1×0 Manaus-AM (Fredson e Wallace)

A CBF alterou a data e o local do jogo de volta entre Remo e Manaus (AM), válido pela semifinal da Copa Verde 2020. Antes marcado para sábado (20/02), no Mangueirão, o confronto foi antecipado para a próxima quinta-feira (18). O local e o horário da partida seguem os mesmos: Mangueirão, às 16h.

O primeiro jogo entre as equipes será neste sábado (13), às 17h (de Belém), na Arena da Amazônia, na capital amazonense. É a segunda vez que os times se encontram em uma edição da competição regional. Em 2018, o Gavião levou a melhor jogando em casa (2 a 0) e empatando em Belém (1 a 1).

Pressão funciona e Ministério da Saúde vai enviar doses extras de vacina ao Pará

Ampolas de vacina no Instituto Butantan

O Ministério da Saúde planeja enviar doses extras de vacina contra à Covid-19 ao estado do Pará assim que o próximo lote estiver disponível. Auxiliares do ministro Eduardo Pazuello disseram à CNN que, assim como o Amazonas, o Pará também vai receber uma cota adicional de 5%, além da fração a que o estado tem direito.

No fim de janeiro, diante do aumento de casos de Covid-19  no país e do comprometimento do sistema de saúde dos estados, o Fórum dos Governadores e o ministério discutiram a criação de um fundo permanente de vacinas para socorrer as unidades da federação que enfrentam maior pressão. A proposta, segundo a CNN apurou, era a de fazer uma reserva de 5% de doses disponíveis para esses locais.

De acordo com relatos feitos à CNN, o ministério comandado por Pazuello pretende acelerar a vacinação no Pará para tentar conter o avanço na nova cepa do coronavírus na região.

A decisão da Saúde de destinar mais vacinas ao Pará acontece em meio a uma pressão do governador Helder Barbalho (MDB). Na terça-feira (9), ele enviou um ofício a Pazuello cobrando um quantitativo maior ao estado. No documento, Barbalho disse que o ministério ignora o impacto do colapso do Amazonas sobre o Pará.

“A região paraense do Baixo Amazonas foi, inicialmente, a mais afetada, e hoje enfrenta situação de lockdown, justificada, por exemplo, na disponibilidade limitada de leitos hospitalares, na dificuldade, em razão da distância e da necessidade de utilização de diferentes modais de transporte, de transferência de pacientes para outros hospitais estaduais e na circulação, já confirmada, da nova variante do coronavírus”, diz o texto.

O governador também afirma a Pazuello que o seu estado ocupa “a última colocação, em termos de percentual de doses recebidas por habitantes, entre todos os entes estaduais, tendo sido agraciado com quantidade suficiente para imunizar apenas 2,10% de sua população passível de ser vacinada”.