Ânimo para levantar a taça

POR GERSON NOGUEIRA

Remo realizou treino nesta quarta-feira, no Baenão — Foto: Samara Miranda

A entrevista de Paulo Bonamigo, ontem, foi esclarecedora e trouxe bons sinais em relação à disputa do título da Copa Verde. Depois de entregar docilmente a taça da Série C, pelo descumprimento irresponsável dos protocolos contra a covid-19, o Remo tem a obrigação de lutar pelo título inter-regional que nunca conquistou.

“Perdemos 15 jogadores, principalmente para essa Copa Verde, que o Remo ainda não tem. Temos dificuldades, mas estamos motivando o grupo com o maior apetite possível pela importância de se ganhar uma Copa, até porque não conseguimos ganhar a Série C”, disse. Assim é que um técnico de time popular fala.

“Vamos transformar isso em motivação especial, sabendo que o grupo está bem restrito com muitos jogadores jovens, com pouca minutagem, mas estamos tentando mostrar a importância que representa. Sabemos que copa não se joga; se ganha com o coração, com raça e dedicação”, arrematou.

As palavras do técnico constituem um alento para o torcedor remista, que viu escapar entre os dedos a possibilidade de conquista do bicampeonato da Série C. Depois do acesso tão duramente buscado, a derrota fragorosa na competição nacional foi decepcionante.

Ao reafirmar a vontade de ganhar a Copa Verde, Bonamigo afina o discurso com o sentimento do torcedor. E demonstra fé na possibilidade de levantar o título, apesar das baixas que tornaram o time mais vulnerável. Se há essa dificuldade, é preciso notar que os adversários não vivem situação tão superior ao Remo, o que permite crer no êxito da campanha.

O confronto de amanhã com o Manaus, na capital amazonense, vai dar a medida da força e disposição azulina nesta fase final de CV. Pela primeira vez no torneio, o Remo terá um time mais encorpado e contará com o comando de seu técnico, o que representa um tremendo reforço, como observei na coluna de ontem.

Ao mesmo tempo, o clube já se movimenta para montar um time competitivo para a disputa da Série B. Por conta disso, deverá ter uma formação bem mais consistente já no Campeonato Paraense. Quatro jogadores já foram integrados à equipe – os laterais Wellington e Tiago Ennes, o volante Uchôa e o atacante Renan Gorne.

É preciso considerar as imensas dificuldades que o mercado da bola apresenta a esta altura. O Remo terá que competir com clubes das três divisões na busca por reforços e sofre a concorrência de competições atraentes no início da temporada, casos dos campeonatos de S. Paulo e Rio.

Pelas palavras do treinador, o Remo deverá montar um time para o Parazão e outro para o Brasileiro. Apesar de questões financeiras e até culturais, que atrapalham algumas negociações, confia em ter um time forte, competitivo, do jeito que a torcida espera e gosta.

Os critérios, segundo ele, estão bem claros. O Remo quer jogadores com intensidade, com qualidade técnica e “minutagem alta”. Não quer jogador come-dorme, exige comprometimento e entrega. Para o bem do clube, os ajustes devem ser finos, para evitar erros em apostas furadas.

Alguns apontamentos sobre outro Mundial meia-boca

Como na edição passada, o nível técnico do Mundial de Clubes 2020 foi horroroso, parecendo competição de fim de semana, um peladão ordinário. Até o Bayern, favoritíssimo em todas as bolsas de apostas, por pouco não se submeteu a uma prorrogação com o franco-atirador Tigres.

No fim das contas, o título foi conquistado de maneira burocrática. É fato que os clubes europeus não dão muita bola para o torneio, que precisa urgentemente ser qualificado. Já é tempo de botar na roda campeões e vices da Europa e da América do Sul, levantando o nível da disputa.

Em determinados momentos do jogo de ontem, o Bayern parecia entediado, quase bocejando, doidinho para ver o jogo acabar. O título foi uma questão protocolar, de novo. É triste ver uma competição tão avacalhada, justo a que deveria ser a mais importante entre os clubes do planeta.

O Tigres fez o que lhe cabia. Jogou com vontade, raça, empenho. Contra o Palmeiras atrapalhado de domingo, essa disposição funcionou. Contra os campeões da Europa não foi suficiente.

Para complicar, o gol alemão teve toque na mão do artilheiro Lewandowski antes do disparo final, mas o VAR confirmou e atestou que funciona muitíssimo bem em lances de impedimento. Para capturar infrações com a bola em movimento, o monitoramento quase sempre erra feio. (Como naqueles penais não marcados para o River na semifinal da Libertadores).

Muito além do previsível título do Bayern (o 6º na temporada), cabe avaliar o comportamento ridículo do campeão sul-americano neste Mundial. O Palmeiras podia ter poupado seu torcedor da infame trajetória no Qatar.

Como se não bastasse a merecida derrota frente ao Tigres, o time ontem caiu diante do inexpressivo Al-Ahly, com direito a 90 minutos inúteis e cobranças toscas de penalidades na série decisiva, coroada com um chute do notório Felipe Melo, o rei dos fanfarrões.

Acompanhei as análises da sempre trepidante imprensa paulistana, obcecada com a superioridade de seus clubes, sem deixar de perceber a tentativa de passar pano para a vexatória atuação do Palmeiras. Sai do Mundial sem vencer ninguém e sem marcar um mísero gol.

Pela primeira vez na história da competição, um campeão de Libertadores humilha-se com um quarto lugar. E ainda há quem meça palavras para dizer que não foi um vexame. É meio assim como redesenhar o significado da palavra. Foi vexaminoso, sim.

A não ser que alguém entenda que o modesto time egípcio é um novo gigante do futebol mundial. Mais constrangedor ainda foi ver as patacoadas do técnico português Abel Ferreira e de Felipe Melo depois do fiasco.

Por outro lado, mais que um mico exclusivamente alviverde, a pífia participação é um retrato do baixo nível do futebol praticado no Brasil, escancarando o erro da política de trazer veteranos em fim de carreira e apostar tudo em jogadores já descartados pela Europa. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 12)

Papão anuncia 2 reforços e negocia com zagueiro do Londrina

Zagueiro Jeferson Bahia está próximo de acerto com o Paysandu — Foto: Londrina EC

Um dos alvos do PSC para a temporada é o zagueiro Jefferson Bahia, capitão do Londrina na Série C do Brasileiro. O jogador teria recebido uma proposta e teria aceitado, mas pertence ao Portimonense, de Portugal, até junho de 2022 e o clube ainda avalia o empréstimo ao Papão. Jefferson, por sinal, teve uma treta recente com a torcida bicolor. Após a derrota do Londrina por 3 a 2 para os bicolores, no Mangueirão, pela 3ª rodada do quadrangular da Terceirona, o zagueiro declarou que não viu “nada de extraordinário” no adversário.

O comentário irritou a torcida do PSC, que invadiu a conta pessoal do atleta no Instagram para responder e até xingar. O defensor chegou a retrucar dizendo “aqui nos veremos”, fazendo referência ao jogo de volta no Estádio do Café, que terminou empatado em 0 a 0.

Pelo Londrina, Jefferson atuou em 23 partidas das 24 partidas do clube na Série C, todas como titular, marcando um gol. A única fez que ficou de fora da equipe foi por suspensão pelo terceiro cartão amarelo. Além do PSC, ele tem propostas do Paraná, Novo Hamburgo e um clube paulista.

Júnior chega para a lateral-direita bicolor — Foto: Agência Paysandu

Foram anunciados nesta sexta-feira dois reforços para a sequência da temporada de 2021: o lateral-direito Júnior, de 29 anos, ex-Santa Cruz, e o atacante Ari Moura, de 24 anos, que disputou a Série B pelo Confiança-SE.

Júnior trabalhou com o técnico bicolor Itamar Schulle no Santa Cruz, na última Série C. Foram 16 jogos pela equipe pernambucana. Em 2017, no Paraná, garantiu o acesso à Série A. No currículo, o jogador ainda vestiu as camisas de ASA e CRB. Já Ari Moura, que joga pelos lados do campo, fez 38 partidas pelo Confiança em 2020 e marcou três gols.

Ari Moura trabalhou com o técnico Itamar Schulle no Santa — Foto: Agência Paysandu