Aos trancos e barrancos, Leão avança

POR GERSON NOGUEIRA

Remo foi pressionado pelo Independente ao longo de toda a partida

O Remo é o representante do Pará que restou na Copa Verde. Passou às semifinais após vencer o Independente na cobrança de penalidades, por 3 a 0. Havia perdido por 3 a 1 no tempo normal e a decisão ficou empatada, pois o Leão havia vencido o jogo de ida, por 2 a 0.

A equipe azulina se classificou, mas a aparente frieza tática para valorizar o resultado da primeira partida caiu por terra com os gols sofridos no 2º tempo. Reforçou também a impressão de um time desconjuntado após o surto de covid e o desmanche parcial do elenco.

O Independente era favorito para o confronto em Tucuruí porque era previsível que a equipe fosse mais agressiva, explorando a velocidade contra um Remo que mostra incômodo para encarar jogo de maior movimentação. Mesmo com a presença de jovens atletas no time, há uma evidente carência de entrosamento.

Na partida de ontem, o Remo começou de forma dispersiva e foi piorando. Era um amontoado de jogadores, ora pelo meio, ora pelos lados, mas sem conseguir impor superioridade técnica sobre o Galo. Falhas individuais também atrapalharam bastante o desenvolvimento de jogadas.

O Galo foi sempre agressivo. Teve chances com Marcus, Fagner e Railson, em cobrança de falta que testou os reflexos de Vinícius. Pelo lado azulino, somente Wallace levou perigo, aos 22 minutos.

Depois de um sofrível 1º tempo remista, com pressão permanente do Independente, o gol saiu logo no reinício. Sem dificuldades, o veterano Joãozinho conseguiu marcar de cabeça em meio à alta zaga remista. O descontrole defensivo se manteria ao longo da etapa final.

A reação foi rápido e Felipe Gedoz empatou a partida, mas o setor defensivo dormiu no ponto e Paulinho fez 2 a 1. Em desvantagem, o time de João Neto se atrapalhava nas saídas para o ataque e abria espaços para o Galo manobrar. Foi então que o Remo produziu dois bons ataques, pelos pés de Gedoz, que chegou a botar uma bola na trave. Mas, quase ao final, Marcus fez o terceiro gol, forçando a decisão nas penalidades.

O resultado dos 90 minutos foi justo, refletindo a boa atuação do Independente, mas foi desastroso para o Remo, que viu de perto por alguns minutos o risco da eliminação. Na cobrança de penalidades, porém, o Galo murchou e acabou desperdiçando as três primeiras tentativas.

O Leão, ao contrário, não perdeu nenhuma penalidade. Vinícius defendeu a batida de Raygol. Rafael Vioto e Yuri chutaram para fora. Gedoz, Wellington e Rafael Jansen converteram e garantiram a classificação.

A derrota não eliminou o time, mas a temporada 2021 tem reservado resultados preocupantes para os azulinos, principalmente na Copa Verde, contra Gama e Independente, equipes mais modestas que não deveriam ter criado tantos problemas. É algo que faz pensar. (Foto: Lindoberto Filho/Ascom Remo)

Jovem time do Papão é superado pelo Manaus

O PSC custou a acordar para o jogo. Parecia ter encarnado o espírito de desistência da competição, proposto pela diretoria com a tal regra da minutagem. Só reagiu quando o placar era de 2 a 0 para o Manaus e não havia tempo para reviravolta. A eliminação em casa foi a primeira do clube nas quartas de final da Copa Verde. Nos anos em que não chegou à decisão, só havia deixado a competição nas semifinais.

Não que o Manaus fosse uma maravilha em campo, mas jogava com mais interesse, explorando os lados com Jackie Chan e Tiago Costa. Na primeira chegada, com Márcio Passos, quase os amazonenses abriram o placar. Luís Fernando e Douglas Lima também arriscaram bons chutes.

Aos 38 minutos, por pura insistência, o Manaus chegou lá. Em escanteio, o atacante Flávio subiu e marcou contra o próprio time. O segundo tempo veio com os times jogando exatamente do mesmo jeito. Aí o Manaus se organizou mais e marcou o segundo e mais bonito da tarde. Gabriel Davis limpou o lance na entrada da área e mandou no canto esquerdo.

As mexidas de Ailton Costa no Papão surtiram efeito. Debu entrou bem, atacando pela direita, com cruzamentos e boas finalizações, mas o gol só saiu graças a uma canelada do zagueiro Luís Fernando. Quis sair jogando e deu um presente para Marlon.

Nos instantes finais, os garotos do Papão até se esforçaram, mas o Manaus encheu o time de defensores e preservou a vantagem. Ficou a certeza de que a decisão administrativa de poupar os melhores do elenco contribuiu bastante para a baixa produção da equipe.

Jeito envelhecido de jogar derruba o Palmeiras  

A derrota para o Tigres do México não pode (nem deve) colocar o Palmeiras na mesma prateleira de Internacional e Atlético-MG, eliminados do Mundial Interclubes para times bem inferiores, Mazembe e Raja Casablanca, respectivamente. O que ocorreu foi um choque de realidade. O futebol do Brasil, dominado por times que importam jogadores sem mercado na Europa, sofre quando encara adversários que atacam organizadamente e com rapidez.

Desta vez, o jogo não foi decidido num descuido. Não houve zebra. O Tigres foi superior ao Palmeiras na maior parte do tempo e mereceu a vitória. Criou várias situações perigosas, transformou o goleiro Weverton no melhor homem em campo e mereceu a classificação. Que atacante bom é esse Gignac. Não há ninguém no futebol brasileiro como ele.

O Palmeiras se atrapalhou nas próprias pernas. Pouco ameaçou as traves mexicanas. Lembrou a atuação opaca diante do Santos na final da Libertadores. Pouco aplicado, com ideias envelhecidas e sem inspiração para mostrar a tal superioridade sul-americana.

Vejo alguns analistas passando pano e acatando a tese do cansaço como desculpa para o fracasso. Bobagem. Elencos qualificados não podem fraquejar quando disputam títulos importantes. Fica mais bonito aceitar que os mexicanos foram melhores, mais competitivos. Verdão saiu no lucro, Tigres podia ter goleado.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 08)

Um comentário em “Aos trancos e barrancos, Leão avança

  1. O que acontece no Paysandu de hoje é o mesmo que aconteceu com o rival a anos atrás.
    Virá o fundo do poço, talvez as “famosas” partidas amistosas caça níqueis pelos interiores, será que a diretoria Bicolor esqueceu dos passeios de barco de quando caíram pela primeira vez para a série C e ficaram sem calendário?
    Triste realidade para um time de massa.
    Deveriam ter aprendido com o rival mas infelizmente preferiram imitá-los até então.
    Não vejo com bons olhos o futuro do Paysandu, acredito que 2021 será uma temporada de apuros seja financeiro seja em derrotas para o rival.
    Espero estar enganado, mas não dá pra confiar mais numa diretoria que jogou por terra a última oportunidade de levantar algo significante após a eliminação na série C.
    Além da queda agora é aguardar o coice!

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