Restauração de aquíferos

Por Heraldo Campos, especial para o blog

A contaminação dos solos e das águas, sejam águas superficiais ou subterrâneas, por elementos, compostos ou organismos que possam prejudicar a saúde do homem, de animais e da vegetação podem ocorrer tanto no meio urbano ou rural e são umas das grandes preocupações do mundo moderno.

Quando a contaminação não tem origem natural, provocada por constituintes dissolvidos de minerais constituintes das rochas e dos solos, ela é proveniente de atividades humanas e acabam atingindo os mananciais.

A restauração de aquíferos contaminados, ou de determinados volumes de águas armazenados nos reservatórios subterrâneos, somente acontece quando ocorre a sua integral reparação e as águas subterrâneas voltarem a apresentar os mesmos parâmetros de qualidade química natural, sem apresentar vestígios de contaminação de origem antrópica.

Mas, para que ocorra uma restauração, um dos pontos chave no entendimento dessa complexa questão, diz respeito à dominialidade das águas subterrâneas. As águas subterrâneas localizadas nos aquíferos não são uma extensão da superfície do solo e, portanto, esses reservatórios não pertencem aos proprietários das terras ou aos superficiários.

Nesse ponto, como as águas subterrâneas são consideradas bens de domínio público dos Estados da Federação por força do Artigo 26, Inciso I, da Constituição Federal, competem aos Estados a sua gestão.

Em outras palavras, competem aos Estados da Federação a fiscalização dos agentes contaminadores durante a execução dos trabalhos de restauração do reservatório subterrâneo contaminado, envolvendo estudos hidrogeológicos e hidrogeoquímicos, complementados com sondagens, geofísica, amostragens e análises de água, visando o monitoramento da contaminação e reunindo dados científicos para a modelação conceitual e matemática, durante o processo de gestão.

No entanto, pela política ambiental predadora desse governo federal, tomando como referência o desmonte do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), o efeito dominó que essa política pode causar nos órgãos ambientais estaduais pode ser devastador e comprometer o processo de gestão dos aquíferos contaminados e as suas respectivas restaurações.

“Quando o sangue nas tuas veias regressar ao mar, e a rocha nos teus ossos regressar ao solo, talvez então te lembres que esta terra não te pertence, és tu quem pertence a esta terra.” (Provérbio Nativo Americano).

*Heraldo Campos é Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e Doutor em Ciências (1993) pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo – USP. Pós-doutor (2000) pelo Departamento de Ingeniería del Terreno y Cartográfica, Universidad Politécnica de Cataluña – UPC e pós-doutorado (2010) pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento, Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo – USP.

Remo anuncia ex-bicolor como reforço para a temporada

O Clube do Remo mantém a política de contratações para a temporada 2021. Na tarde desta segunda-feira, 8, foi anunciado o quarto reforço e o nome surpreendeu: é o atacante Renan Gorne, que já defendeu o PSC. Ele tem 24 anos, é natural de Campo Grande-MS e começou a carreira nas categorias de base do Botafogo-RJ. Tem no currículo passagens por clubes como North Carolina FC (EUA), Paysandu e Volta Redonda. Em 2020, defendeu o Confiança-SE na Série B.

A passagem pelo PSC foi apagada, mas a diretoria remista aposta no jovem atacante, que teve bom rendimento no Confiança, marcando 10 gols no Brasileiro. Em declaração ao site oficial do clube, Gorne afirmou que está “feliz com essa oportunidade de vestir a camisa do Clube do Remo. Time de muita história e uma torcida mais do que apaixonada. Venho muito motivado e com muita ambição de ajudar o clube a voltar à elite do Brasileiro e, claro, chegar bem em todas as competições da temporada também. Mal posso esperar pra estar em campo dando meu melhor pelo Rei da Amazônia”, revelou.

Renan Gorne desembarca em Belém na noite desta terça, 9, onde passará por exames médicos para ser integrado ao elenco azulino. Outros três atletas já foram confirmados para o elenco azulino: o volante Anderson Uchôa e os laterais direitos Wellington Silva e Tiago Ennes, este também ex-jogador do Confiança.

Aos trancos e barrancos, Leão avança

POR GERSON NOGUEIRA

Remo foi pressionado pelo Independente ao longo de toda a partida

O Remo é o representante do Pará que restou na Copa Verde. Passou às semifinais após vencer o Independente na cobrança de penalidades, por 3 a 0. Havia perdido por 3 a 1 no tempo normal e a decisão ficou empatada, pois o Leão havia vencido o jogo de ida, por 2 a 0.

A equipe azulina se classificou, mas a aparente frieza tática para valorizar o resultado da primeira partida caiu por terra com os gols sofridos no 2º tempo. Reforçou também a impressão de um time desconjuntado após o surto de covid e o desmanche parcial do elenco.

O Independente era favorito para o confronto em Tucuruí porque era previsível que a equipe fosse mais agressiva, explorando a velocidade contra um Remo que mostra incômodo para encarar jogo de maior movimentação. Mesmo com a presença de jovens atletas no time, há uma evidente carência de entrosamento.

Na partida de ontem, o Remo começou de forma dispersiva e foi piorando. Era um amontoado de jogadores, ora pelo meio, ora pelos lados, mas sem conseguir impor superioridade técnica sobre o Galo. Falhas individuais também atrapalharam bastante o desenvolvimento de jogadas.

O Galo foi sempre agressivo. Teve chances com Marcus, Fagner e Railson, em cobrança de falta que testou os reflexos de Vinícius. Pelo lado azulino, somente Wallace levou perigo, aos 22 minutos.

Depois de um sofrível 1º tempo remista, com pressão permanente do Independente, o gol saiu logo no reinício. Sem dificuldades, o veterano Joãozinho conseguiu marcar de cabeça em meio à alta zaga remista. O descontrole defensivo se manteria ao longo da etapa final.

A reação foi rápido e Felipe Gedoz empatou a partida, mas o setor defensivo dormiu no ponto e Paulinho fez 2 a 1. Em desvantagem, o time de João Neto se atrapalhava nas saídas para o ataque e abria espaços para o Galo manobrar. Foi então que o Remo produziu dois bons ataques, pelos pés de Gedoz, que chegou a botar uma bola na trave. Mas, quase ao final, Marcus fez o terceiro gol, forçando a decisão nas penalidades.

O resultado dos 90 minutos foi justo, refletindo a boa atuação do Independente, mas foi desastroso para o Remo, que viu de perto por alguns minutos o risco da eliminação. Na cobrança de penalidades, porém, o Galo murchou e acabou desperdiçando as três primeiras tentativas.

O Leão, ao contrário, não perdeu nenhuma penalidade. Vinícius defendeu a batida de Raygol. Rafael Vioto e Yuri chutaram para fora. Gedoz, Wellington e Rafael Jansen converteram e garantiram a classificação.

A derrota não eliminou o time, mas a temporada 2021 tem reservado resultados preocupantes para os azulinos, principalmente na Copa Verde, contra Gama e Independente, equipes mais modestas que não deveriam ter criado tantos problemas. É algo que faz pensar. (Foto: Lindoberto Filho/Ascom Remo)

Jovem time do Papão é superado pelo Manaus

O PSC custou a acordar para o jogo. Parecia ter encarnado o espírito de desistência da competição, proposto pela diretoria com a tal regra da minutagem. Só reagiu quando o placar era de 2 a 0 para o Manaus e não havia tempo para reviravolta. A eliminação em casa foi a primeira do clube nas quartas de final da Copa Verde. Nos anos em que não chegou à decisão, só havia deixado a competição nas semifinais.

Não que o Manaus fosse uma maravilha em campo, mas jogava com mais interesse, explorando os lados com Jackie Chan e Tiago Costa. Na primeira chegada, com Márcio Passos, quase os amazonenses abriram o placar. Luís Fernando e Douglas Lima também arriscaram bons chutes.

Aos 38 minutos, por pura insistência, o Manaus chegou lá. Em escanteio, o atacante Flávio subiu e marcou contra o próprio time. O segundo tempo veio com os times jogando exatamente do mesmo jeito. Aí o Manaus se organizou mais e marcou o segundo e mais bonito da tarde. Gabriel Davis limpou o lance na entrada da área e mandou no canto esquerdo.

As mexidas de Ailton Costa no Papão surtiram efeito. Debu entrou bem, atacando pela direita, com cruzamentos e boas finalizações, mas o gol só saiu graças a uma canelada do zagueiro Luís Fernando. Quis sair jogando e deu um presente para Marlon.

Nos instantes finais, os garotos do Papão até se esforçaram, mas o Manaus encheu o time de defensores e preservou a vantagem. Ficou a certeza de que a decisão administrativa de poupar os melhores do elenco contribuiu bastante para a baixa produção da equipe.

Jeito envelhecido de jogar derruba o Palmeiras  

A derrota para o Tigres do México não pode (nem deve) colocar o Palmeiras na mesma prateleira de Internacional e Atlético-MG, eliminados do Mundial Interclubes para times bem inferiores, Mazembe e Raja Casablanca, respectivamente. O que ocorreu foi um choque de realidade. O futebol do Brasil, dominado por times que importam jogadores sem mercado na Europa, sofre quando encara adversários que atacam organizadamente e com rapidez.

Desta vez, o jogo não foi decidido num descuido. Não houve zebra. O Tigres foi superior ao Palmeiras na maior parte do tempo e mereceu a vitória. Criou várias situações perigosas, transformou o goleiro Weverton no melhor homem em campo e mereceu a classificação. Que atacante bom é esse Gignac. Não há ninguém no futebol brasileiro como ele.

O Palmeiras se atrapalhou nas próprias pernas. Pouco ameaçou as traves mexicanas. Lembrou a atuação opaca diante do Santos na final da Libertadores. Pouco aplicado, com ideias envelhecidas e sem inspiração para mostrar a tal superioridade sul-americana.

Vejo alguns analistas passando pano e acatando a tese do cansaço como desculpa para o fracasso. Bobagem. Elencos qualificados não podem fraquejar quando disputam títulos importantes. Fica mais bonito aceitar que os mexicanos foram melhores, mais competitivos. Verdão saiu no lucro, Tigres podia ter goleado.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 08)