Viva Belém, 405 anos!

Do encontro de várias águas surgiu uma terra de formato peninsular porque as emoções alongam a alma. Antes de nascer já existia nas ocas dos tupinambás que preferiram ter o coração atravessado pela espada a ceder seu território. Recebeu um nome: Belém do Grão-Pará. Pleonasmo bílingue – pará, em tupi, quer dizer grande rio – mas não de todo sem sentido. Aqui, na natureza desmesurada, tudo é grandioso, inclusive os amores. Não por acaso gosta de óperas e revoluções. Abrigo das ideias fora da lei, terra onde tudo treme, Belém é assombrada pelos poemas de tocaia na Cidade Velha e explode solar nos ritmos de suas baixadas. Seu teatro é de pássaros, seus dramas tem as cores do arco-íris. Vista de cima é pedaço de céu transbordando a floresta. Pelo chão é caminho de vagalumes orientando viajantes. Dizem que Belém se encontra para além dos rios da utopia, mas, nem mesmo lá será encontrada. O badalar de sinos de seu nome indica perpétuo movimento. Os mais antigos dizem que saiu da terra andando, há mais de quatrocentos anos. Da outra 
margem, os guerreiros disparam suas flechas em direção ao sol. Hoje é o seu aniversário. 

 Luiz Arnaldo Campos, cineasta

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