Os desafios de Brigatti

POR GERSON NOGUEIRA

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À medida que a segunda fase da Série C se afunila, iniciando o momento de definição, o PSC encara um problema sério no meio-campo. Faltam volantes e opções para o técnico João Brigatti formatar o setor mais importante do time. O problema explodiu porque nos últimos jogos ocorreram desfalques causados por lesões e atos de indisciplina, como a expulsão de Serginho no Re-Pa.

Curioso que justamente quando o time mais precisa de jogadores de marcação no meio, os melhores estão sem condições de jogo. É o caso de Anderson Uchoa e PH, há duas semanas em tratamento de lesões.

Para o confronto decisivo deste sábado (26), contra o Londrina, no estádio Jornalista Edgar Proença, Brigatti tem algumas alternativas. Pode escalar Wellington Reis e Willyam ou Alan Calbergue. Tem, ainda, a opção de improvisar o zagueiro Wesley Matos na função de volante. Outro que já atuou, emergencialmente, por ali foi o lateral Diego Matos.

Na criação, outro problema. Entre Juninho, Luiz Felipe e Alex Maranhão, o técnico tende a optar por Mateus Anderson, como já aconteceu nesta Série C. O atacante sabe jogar pelo meio, mas não é um especialista na função.

Com isso, as carências do elenco se escancaram no meio-campo. Não significa que o time não possa alcançar seus objetivos na competição, mas seguramente os caminhos ficam mais difíceis e tortuosos sem os jogadores certos para posições tão estratégicas.

No clássico de domingo, quando o time perdeu Serginho, essa ausência de substitutos se revelou extremamente prejudicial ao rendimento do time. Juninho foi recuado para recompor a linha de marcação e Nicolas ficou na armação, mas o desfecho da partida mostra que as limitações do elenco atrapalham os planos de Brigatti.

Leão de Mazola foi reinventado por Bonamigo

O Remo tem o Ypiranga-RS como adversário do próximo domingo, no Mangueirão. Na liderança do grupo D, o time azulino vive uma situação tranquila, mas a pressão pelo acesso faz com que o clima seja de natural ansiedade. Em meio a isso, a importância do trabalho de Paulo Bonamigo é ressaltada a todo instante, com inteira justiça.  

Como o futebol é dinâmico e os jogadores mudam bastante de camisa ao longo da carreira, as opiniões sobre ex-técnicos costumam ser protocolares e respeitosas, mesmo quando a realidade cobre outra postura.

Em entrevista, o volante Lucas Siqueira, que trabalhou com Mazola Jr. no começo da Série C, evitou críticas ao antigo comandante, alegando que o Remo atual tem algum tipo de influência dele.

Na prática, Mazola conquistou 11 pontos e deixou o Remo no G4, mas foi o sistema tático e os atletas escalados por Bonamigo que garantiram a sustentação da campanha e a classificação à fase de grupos.

O fato é que, com as famigeradas duas linhas de quatro, como Mazola escalava a equipe, o Remo podia até empatar bastante, mas jamais teria chegado à condição atual. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)

Reviravolta e pontos cegos no episódio de injúria racial

Do mesmo jeito que a coluna se solidariza com todas as manifestações que buscam condenar atos racistas e discriminatórios, é fundamental que todos os pontos referentes a uma denúncia sejam devidamente apurados, como mandam as regras do jornalismo responsável.

Sobre a acusação de injúria racial feita pelo jogador Gerson, do Flamengo, contra o colombiano Índio Ramirez, do Bahia, começam a surgir novas informações, a partir de laudos periciais contratados pelos dois clubes.

O Bahia, tradicionalmente engajado nas lutas libertárias, divulgou o resultado dos exames de leitura labial revelando que o atacante Bruno Henrique teria xingado o colombiano, que não usou a expressão “seu negro”.

Segundo o especialista contratado, Ramirez disse “Tá quanto?” para o camisa 27 rubro-negro, como provocação de jogo. Bruno Henrique, então, teria respondido: “Gringo de merda”.

A outra denúncia, de Gerson, que teria sido insultado por Ramirez com a expressão “Cala a boca, negro”, continua de pé, embora o colombiano negue ter ofendido o rubro-negro.

Em entrevista divulgada pelo Flamengo, ontem, Gerson afirmou que nunca inventaria um episódio grave de racismo e aproveitou para lamentar que episódios de preconceito sejam rotineiros na sociedade brasileira. Disse, ainda, que vai levar o caso até o fim.

Com a acusação de Ramirez a Bruno Henrique, a situação pode também se voltar contra o Flamengo. São os ossos do ofício. Quem clama contra preconceito não pode insultar ninguém.

Para o Castanhal, a temporada 2021 já começou  

É interessante a movimentação que o Castanhal vem fazendo nos últimos dias, reforçando o elenco para a temporada 2021. Um gesto raro entre os clubes interioranos, que normalmente saem em busca de reforços às vésperas das competições oficiais.

O Castanhal foge ao lugar-comum e vai encorpando o elenco, preocupado em fazer boa figura nas três competições que terá no próximo ano – Campeonato Estadual, Copa do Brasil e Brasileiro da Série D. Além do experiente Fidélis, o clube renovou com Fazendinha e recontratou Lucão.

A presença do técnico Artur Oliveira, que dirigiu o time no Parazão deste ano, é a garantia de continuidade do projeto que o clube desenvolve. Os objetivos estão bem definidos: brigar pelo título estadual, caminhar bem na Copa do Brasil e classificar à Série C. 

(Coluna publicada na edição do Bola de quinta, 24, e sexta-feira, 25)

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