A volta gloriosa da Águia

POR GERSON NOGUEIRA

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Eu comecei a conhecer a Tuna por força dos comentários de meu pai José, quase todo dia, lá em Baião. Não entendia aquilo e do alto de meus oito anos perguntava o motivo de tanta paixão. Meu pai sorria generosamente, como a dizer que ninguém explica as coisas do coração.

O tempo foi passando e acompanhei a Tuna vencer o campeonato estadual de 1970, com um time cheio de jovens, dirigido por Aluísio Brasil. Meu pai exultava, como a dizer em silêncio: “Olha aí, sou campeão”. O time tinha Omar, Marinho, Abel, Antenor, Acari, Écio, Valtinho, Leônidas.

Eu custei a entender aquele amor, embora tivesse nascido em 1958, ano de Tuna campeã. Meu pai morou em Belém quando jovem e daí nasceu esse vínculo afetivo com a Águia do Souza. Transmitiu esse sentimento a meu irmão Edmilson.

Pois a Tuna, depois de sete penosos anos, está de volta à elite do futebol paraense. Nesse período, comeu o pão que o capeta amassou. Perdeu a fama de grande reveladora de craques (Mesquita, Giovanni, Paulo Henrique Ganso) e mergulhou numa espiral de apostas equivocadas e projetos fracassados.

Sob o comando de Robson Melo, encarou a Segundinha com a seriedade devida e colheu os resultados. Foram seis vitórias, um empate e uma derrota. No confronto de ontem pela manhã, no estádio Jornalista Edgar Proença, a Lusa superou o Sport Real por 1 a 0.

Não precisava vencer, pois ganhou o primeiro jogo da semifinal por 2 a 0. Mas, fiel ao espírito de competição, o time perseguiu a vitória e chegou ao gol no finalzinho. Bambelo foi o herói da vitória.

Discretamente, como é próprio da natureza tunante, a conquista foi festejada em diversos pontos da cidade – e em Baião, certamente. Uma bandeira tremulava, altaneira, sobre um carro nas ruas de São Brás. Há tanto tempo não se via tal cena em Belém.

Sei que os idiotas da objetividade irão pensar que a celebração é exagerada para um feito tão modesto. Mas cada qual com sua régua. A Tuna, centenária e vitoriosa, está de volta. O simples acesso já é motivo de muita comemoração. O futebol do Pará devia se rejubilar com essa ressurreição, afinal ele já se beneficiou grandemente das virtudes cruzmaltinas.

A Tuna na elite reabre as esperanças de novas crias talentosas a serviço do futebol paraense e brasileiro. A gestão atual começa a abrir olhos para a importância da formação de jovens boleiros, e ninguém faz isso como a Tuna.

Quanto à campanha nesta Segundinha, méritos para o treinador. Robson Melo teve a clarividência de reunir um punhado de jogadores comprometidos. Nada daqueles ‘catadões’ que atrapalharam a Lusa em anos recentes. Trouxe jogadores que estavam a fim de jogo.

Deu certo. A partir de um trio mais experiente – goleiro Jader, meia-atacante Lukinha (que o Remo não quis) e atacante Paulo Rangel –, ele estruturou uma equipe competitiva e guerreira.

Na inchada Segundinha, com 20 participantes, a Tuna se destacou sempre. Foi superando obstáculos, chegou à semifinal após um susto diante do Fonte Nova. Lukinha, com gols preciosos, e futebol de qualidade liderou a equipe em campo.

A grande final será no domingo, às 9h30, contra o Gavião, o outro classificado, igualmente merecedor de elogios. Acordei cedo para acompanhar a transmissão da Rádio Clube e fiquei muito emocionado com a classificação.

Pela Tuna, pelo meu pai.

(Foto: Carlos Lira)

Barrichello dá o troco, na medida certa

Rubinho Barrichello virou sinônimo, injustamente, de piloto que chega sempre atrasado. Por força de uma carreira que foi boa, mas que se projetou muito mais ambiciosa, virou meme obrigatório na internet. Ontem, ele se vingou de todos que o sacaneiam.

Nas redes sociais, postou, com bom humor, um meme tirando onda de quem o chama de lento. “Rubinho Barrichello mora nos EUA e vai se vacinar antes de você. Fim de uma era de piadas”, escreveu. E arrematou: “#chupamundo”.

É verdade. A vacinação nos Estados Unidos já começou e o ex-piloto tem uma casa lá. No Brasil, a campanha deve começar em fevereiro de 2021, e olhe lá. Se os trapalhões daqui cumprirem a palavra, talvez em março a população comece a se vacinar.

Direto do mundo livre do Twitter

“Ah, futebol é ópio do povo. Sim. E se tem um ano em que tá faltando ópio pro povo é 2020. Eu, por exemplo, adoro ser totalmente ludibriado pela singela doçura do autoengano que é o futebol e seus resultados. Me vê uma caixa de ópio do povo aí, por favor”.

Lucas Berti, jornalista

Outro grande profissional que se vai

O rádio e a publicidade paraenses perderam uma voz monumental. Nosso amigo Nelson Forte, o Nelsão, partiu ontem. Estava internado, com familiares, para tratamento da covid-19. Era cerimonialista, com trabalhos marcantes em programas de rádio, comerciais e campanhas eleitorais, ele deixa um legado de profissionalismo e seriedade.

A última vez que nos falamos, por ironia, foi quando ele telefonou para publicar um anúncio no DIÁRIO sobre a morte de seu tio, Messias. Um grande homem, inclusive no sentido literal, bom amigo e professor de prestígio. A coluna é dedicada a ele.

A pandemia, que cretinos insistem em chamar de gripezinha e rejeitar o uso da vacina, está avançando. E está nos dizimando, nas palavras certeiras do amigo Guilherme Guerreiro. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 17)

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