Papão recupera lugar no G4

POR GERSON NOGUEIRA

Imperatriz e Paysandu duelaram no Frei Epifânio, no Maranhão

O script foi cumprido à risca. Contra o pior time da competição, o PSC se impôs e garantiu os três pontos necessários para retomar o quarto lugar na classificação do grupo A e seguir com chances de classificação à próxima fase da Série C. O começo foi de almanaque: Marlon, estreante no ataque bicolor, abriu o placar com um chute de fora da área.

Contra um adversário cambaleante, mesmo jogando em seus domínios, o estádio Frei Epifânio d’Abadia, o Papão partiu então para consolidar a vitória. Mesmo sem maior esforço e com desfalques na defesa, o time paraense tomou conta da partida com extrema facilidade.

O segundo gol veio aos 22 minutos, através de Nicolas, que voltou a marcar depois de cinco rodadas. Do lado maranhense, apenas muito esforço, mas pouquíssimo jeito na construção de jogadas. O time do Imperatriz, já rebaixado, empenha-se para mostrar dignidade nas rodadas finais do campeonato, mas não oferece riscos aos adversários.

Aos 30 minutos, sem forçar muito, o Papão fechou o placar, com o volante PH marcando o terceiro gol. Na etapa final, praticamente não aconteceu mais nada de relevante. O PSC administrava a posse de bola, sem ser importunado pelo Imperatriz.

O nível técnico foi de treino coletivo, pois ao Papão, claramente se poupando, a preocupação era evitar jogadas mais ríspidas e levar o jogo até o final sem intercorrências. O objetivo foi alcançado plenamente.

Enfim, uma voz inquieta e politizada no futebol

A mobilização antirracista Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), apoiada fortemente por atletas negros americanos e do mundo todo, teve uma voz brasileira se manifestando desde o início dos protestos. Voz solitária: a do atacante Richarlison, do Everton da Inglaterra. O jogador foi às redes sociais se posicionar. Utilizou uma caricatura do negro George Floyd Jr. vítima de violência policial nos Estados Unidos, ao lado do menino João Pedro, baleado por forças policiais numa batida realizada em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.

No panorama tradicionalmente alienado do esporte no Brasil, onde um grito de protesto (Carol Solberg) é imediatamente reprimido pela principal Corte do país, a atitude de Richarlison chama atenção e abre esperança quanto a um avanço da conscientização política entre atletas.

Richarlison foi além da questão racial. Tem utilizado sua força nas redes sociais (mais de 3,3 milhões de seguidores) para enfatizar o valor da ciência no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. Reivindica o fim das queimadas criminosas no Pantanal e ainda cobra justiça por Mariana Ferrer, blogueira vítima de estupro e humilhada em audiência na Justiça catarinense.

O ativismo de Richarlison é um contraponto saudável e necessário à desmobilização geral entre os boleiros brasileiros. Neymar, o maior jogador do país, só vai às redes sociais para divulgar artigos de moda e faturar em cima disso. Os outros se limitam a postagens com a família ou em feéricas baladas.

Sem receio de patrulhas ideológicas, ele é o jogador de futebol que mais expõe opiniões e críticas nas redes sociais, inspirado no jovem Rashford, atacante do Manchester United, que é um dos mais respeitados defensores de causas sociais na Inglaterra.

E Richarlison abre o verbo: “Pessoas fazem de tudo para ganhar as eleições, mas uma vez no poder elas só trabalham pelos seus próprios interesses. E quem acaba sendo o maior prejudicado é o Brasil. Gostaria de deixar claro para as autoridades, mais uma vez, que estamos preocupados com nosso país e a sua natureza”, disse ao jornal “The Player’s Tribune”.

Titular da Seleção Brasileira nas três primeiras partidas das Eliminatórias da Copa 2022, ele é peça de confiança de Tite. Que continue a entrar firme em todas as divididas, sem medo da repressão.

Fenômeno Azul coloca o “paredão” na Câmara

Vinícius é um exemplo de profissional. Irrepreensível quanto a comportamento extracampo e quase sempre brilhante como jogador, o goleiro confirmou nas urnas a vocação vitoriosa. Foi escolhido pelo Fenômeno Azul para ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de Belém, com mais de 7 mil votos.

É um feito importante e raro. Jogadores de futebol perderam apelo nos últimos anos e poucos conseguem se eleger a cargos públicos. A torcida do Remo escolhe sazonalmente alguém para premiar com mandatos legislativos. Foi assim com o ponteiro Neves nos anos 1970 e, nos anos 80, com o atacante Mesquita.

Unanimidade até entre torcedores rivais, Vinícius fez por merecer a honraria. E já deixou claro, a quem se mostrou preocupado com a conciliação de atividades, que irá cumprir o mandato sem afetar a vida de atleta. Partindo de quem tem crédito, não há como duvidar.

Fogão perde após novo assalto dentro de casa

Não foi só ontem, tem sido assim durante todo o campeonato. O Botafogo começa atacando com todo ímpeto, faz gol, logo em seguida sofre o empate. A partir daí, vem o descontrole. Perde gols em sequência. Time cansa, árbitro/VAR inventa pênalti contra. Um penal a favor é ignorado pelo soprador de apito e pelo VAR.

Rotina de derrotas, empates e assaltos – em casa. A CBF se vinga no apito da oposição da diretoria nas discussões sobre a volta do futebol após a quarentena. O clube se posiciona com notas oficiais, que em nada resultam.

O fato é que, além dos repetitivos erros de arbitragem ou não, o Botafogo coleciona atuações ruins, como a de ontem. Vai mal em todos os setores, tem lampejos de organização, mas logo cai na falta de intensidade. O Bragantino é ruim, mas o Bota conseguiu ser pior.

Resumo da ópera: Ramón Díaz terá que operar milagre ou o rebaixamento será quase inevitável. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 17)

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