Pandemia sem ambrosia

Por Heraldo Campos (*)

Como é boa uma ambrosia bem feitinha, caseira, sem grandes perfumarias culinárias ou com receitas de metidos gourmets.

Para uma receita de ambrosia não existe muita dúvida. Para a ambrosia é preciso de água, ovos, leite, canela, cravo, raspa e suco de limão, com as proporções variando dependendo da quantidade.

Existem boas receitas, bem simples de serem executadas, que podem ser encontradas na internet, ao gosto do freguês.

Agora, tem uma coisa, assistindo a TV no feriado prolongado de 7 de setembro de 2020, até esse doce caseiro, feito na beira do fogão, durante a quarentena, anda desandando, deixando a gente numa pandemia sem ambrosia.

Com as praias urbanas lotadas ao longo do extenso litoral brasileiro, parece que não existe mais dúvida de que não estamos no meio de uma pandemia do coronavírus que matou mais de 127 mil pessoas. Parece que essa pandemia passou e todo mundo foi vacinado. Ninguém mais é potencial reservatório do coronavírus para transmitir para seu compatriota. Essa é a impressão que fica vendo as imagens pela TV.

Será que foi essa uma das mensagens, de certa fora bem aceita por um monte de gente, que o atual governo militar passou, quando insistia em querer empurrar goela abaixo a tal da cloroquina, como a verdadeira salvadora da pátria?

Aglomerações desse tipo, vistas aos borbotões pela TV, durante o feriado prolongado, quem sabe, um dia, poderão existir com um risco reduzido, se a maioria da população estiver vacinada. E, convenhamos, não temos a data, ainda, para que esse esperado e festejado dia aconteça.

Se essa gente toda que foi para praia no feriado prolongado resolvesse protestar contra o governo, como fizeram algumas torcidas organizadas num passado recente, teríamos alguma esperança de mudança política nesse nosso sofrido país. Será que a maioria do povo tem essa dúvida?

“Aprendi que coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas o que conquista esse medo”. (Nelson Mandela).

(*) Heraldo Campos é Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e Doutor em Ciências (1993) pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo – USP. Pós-doutor (2000) pelo Departamento de Ingeniería del Terreno y Cartográfica, Universidad Politécnica de Cataluña – UPC e pós-doutorado (2010) pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento, Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo – USP. 

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