Dallagnol vai deixar comando da Lava Jato em meio a denúncias de irregularidades

Rodrigo Tacla Duran e Deltan Dallagnol

A decisão do procurador Deltan Dallagnol de deixar o comando da Lava Jato foi recebida com ironia pelo advogado Rodrigo Tacla Duran, que denunciou irregularidades na operação, incluindo a tentativa de extorsão para que ele fosse blindado nas investigações. Em tweet, Tacla Duran ironizou o anúncio da saída de Dallagnol: “Essa é a famosa saída de fininho”, escreveu Duran.

De acordo com publicação do Correio Braziliense, Dallagnol deverá passar tempo com sua filha durante um tratamento médico. Em consequência, ao procurador-geral da República, Augusto Aras, caberá escolher uma nova equipe para a operação em Curitiba, ou não.

Dallagnol ficou conhecido na operação, em particular durante investigações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com destaque para o escandaloso caso do Power Point, pelo qual ele foi denunciado ao CNJ. Dallagnol é a favor da continuação do trabalho da força-tarefa, que vê como necessária para o efetivo combate à corrupção.

Ainda segundo a mídia, Dallagnol tem observado retrocesso no combate à corrupção nos últimos meses, o que seria resultado de possíveis interferências no trabalho da Polícia Federal, assim como desentendimentos internos entre as equipes do órgão nos estados com a Procuradoria-Geral da República.

Lava Jato: polêmica e contestação

Iniciada em 2014, a Operação Lava Jato envolve uma série de investigações contra suspeitas de um grande esquema de lavagem de dinheiro e corrupção, envolvendo principalmente políticos, funcionários públicos e empresários. Mais de mil mandados de busca, apreensão, prisão temporária, prisão preventiva e condução coercitiva já foram feitos ao longo das dezenas de fases operacionais.

Ao mesmo tempo, boa parte da indústria nacional de peso foi dizimada pela operação. Os casos mais óbvios são os da indústria naval e da construção civil. No campo político, a Lava Jato interferiu decisivamente no processo que resultou no golpe contra Dilma Rousseff e na posterior eleição de Jair Bolsonaro, cujo principal adversário, Lula, foi impedido de se candidatar por força de uma condenação sem provas, a partir de investigações até hoje muito questionadas.

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