A primeira decisão do ano

POR GERSON NOGUEIRA

Pelos sinais vindos da Curuzu, o Papão vai usar força máxima desde o começo da partida de hoje à noite contra o Paragominas, válida pela semifinal do Campeonato Paraense. Em desvantagem na disputa, precisando reverter a diferença de um gol (perdeu o primeiro jogo por 3 a 2), não pode haver hesitações e nem experiências.   

A dúvida é se o técnico Helio dos Anjos vai insistir com o sistema de marcação adiantada da defesa, como nos últimos jogos. A exposição excessiva aos contra-ataques custou caro ao PSC contra times que têm armadores competentes e atacantes rápidos.

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Houve desconforto contra o Paragominas logo na reabertura do campeonato, mas o triunfo por 4 a 0 não permitiu ver a gravidade do problema. Diante do Itupiranga, nova goleada, 4 a 1, mas as falhas de marcação ficaram bem mais evidentes.

Aí veio a semifinal e as vulnerabilidades da zaga apareceram por inteiro. O Paragominas soube explorar o adiantamento dos zagueiros Perema e Wesley, usou seus atacantes mais ágeis (Aleilson e João Neto) e alcançou uma vitória tão inesperada quanto justa.

Nos primeiros 45 minutos, a superioridade do PFC foi tão acentuada que, além de dois gols marcados, criou três outras situações claras para marcar. No final da partida, teve forças para ir buscar o gol da vitória em nova escapada rápida pelo centro da defesa alviceleste.

Apesar da evidente crise técnica no time, o esquema foi gloriosamente mantido diante do Vila Nova-GO, no sábado passado, pela Série C. Logo aos 5 minutos, a zaga aberta permitiu o primeiro gol do jogo, que terminaria com derrota bicolor por 2 a 0.

Nenhuma explicação foi dada até agora para a mudança de postura do sistema defensivo, que também envolve a marcação do meio-campo. Antes da paralisação do futebol, o PSC tinha na defesa o setor mais sólido e entrosado, herança ainda da boa participação na Série C 2019.

Tanto Perema quanto Micael (que volta hoje) mostram pouca familiaridade com a marcação alta, endeusada no país depois que Jorge Jesus brilhou no Flamengo. O sistema exige qualidades técnicas que os zagueiros do Papão não demonstram ter, como velocidade e bom passe.

O goleiro Gabriel Leite tem se constituído num homem-linha até eficiente em várias partidas desta nova etapa, mas isso ainda é pouco para garantir êxito a uma defesa que se adianta.

Para que os resultados apareçam é fundamental diminuir o índice de erros na troca de passes. O posicionamento avançado inclui também a participação dos volantes e meias. Contra o PFC, hoje, Hélio deve montar o meio-campo com Uchoa, Serginho e Luís Felipe.

É uma tentativa de dar leveza e dinâmica a um setor que se mostra lento e burocrático. O ataque terá Mateus Anderson, Nicolas e Vinícius, jogadores rápidos e que podem levar o PSC a uma vitória que garanta classificação, apesar dos gols desperdiçados por Nicolas nos últimos jogos.

Ao mesmo tempo em que se torna mais ofensiva, a equipe fica mais aberta e exposta a situações perigosas. De qualquer maneira, a primeira decisão do ano exige riscos e um mínimo de ousadia.

PSG ganha com Neymar mais jogador e menos popstar

A Ásia está finalmente na elite do futebol europeu. Explica-se: pela primeira vez na história da Liga dos Campeões, a decisão terá um clube bancado com dinheiro oriundo de um país asiático. Com o 3 a 0 categórico de ontem sobre o RB Leipzig, em Lisboa, o Paris Saint-Germain chegou à decisão da maior competição interclubes do mundo.

Desde 2011, o governo do Qatar, país-sede da Copa do Mundo de 2022, está à frente do PSG, após adquirir o controle acionário do clube através do fundo Qatar Sports Investment, investimento de capital público que visa explorar o esporte como forma de promover e divulgar o nome do país.

O Qatar não poupou esforços para fazer do PSG um dos maiores do planeta. Torrou 1,3 bilhão de euros (R$ 8,5 bilhões) e deu competitividade a um time que era visto como terceira força na Europa.

A contratação de Neymar junto ao Barcelona, a mais cara da história, deixou claro que o investimento era pesado. Kylian Mbappé, revelação francesa, foi outro reforço importante. Antes deles, o PSG só havia conquistado dois títulos franceses.

Desde então, passou a ser um colecionador de títulos no país de Napoleão. Foi campeão sete vezes nos últimos oito anos e ganhou 18 edições de Copas e Supercopas. Faltava a cereja do bolo: brilhar no torneio mais importante. É justamente o que Neymar & cia. vêm fazendo.

Aliás, a presença de Neymar revela um cruzamento de interesses. O clube queria um craque de primeira linha. O jogador buscava um lugar onde pudesse ser protagonista. Até 2019 isso parecia incompatível. O próprio astro brasileiro pediu para ser negociado de volta com o Barcelona.

Neymar escapou de boa e tem feito por merecer as realizações que busca. O craque que preferia posar de popstar descobriu a tempo que ganha mais respeito ao ser um jogador de verdade. Participativo, focado e atento ao jogo coletivo, tem a primeira grande oportunidade de chegar ao topo, podendo ganhar a Liga e – quem sabe? – o troféu de melhor do mundo.

Direto do blog campeão

“Zé Carlos (Remo) e Alex Maranhão (PSC) são ícones da categoria sub-40, de ex-jogadores em atividade, que há décadas tem mercado no futebol paraense, a evidenciar que os dirigentes dos respectivos clubes estão muito longe de uma mínima perspectiva de profissionalização e gestão eficaz”.

George Carvalho, cansado de apostas na velha guarda

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 19)

3 comentários em “A primeira decisão do ano

  1. Hoje veremos se Hélio dos Anjos voltará a apostar na linha alta suicida que vem implementando no Paysandu até então ou se adotará uma tática mais condizente com as peças que ele possui no elenco, caso ocorra a primeira opção creio que ele estará cavando sua própria cova, pois fica evidente que Perema e Micael não são defensores com características para marcação avançada, caso opte pelo feijão com arroz, a tendência é que mesmo em crise o time bicolor obtenha um placar que assegure a classificação com certa tranquilidade, pois ficou evidenciado a fragilidade do Paragominas mesmo na partida onde saíram vitoriosos, mas vale destacar que Robson Melo demonstrou ser um grande técnico ao adaptar seu estilo de jogo para explorar as fraquezas do adversário, com contra-ataques rápidos de no máximo 2 toques na bola, promessa de um jogo interessante hoje à noite, talvez com pitadas de dramaticidade.

    Na Europa, o bilionário PSG finalmente chega a uma final de liga dos campeões, a falta da pressão da torcida parisiense que cobrava muito os jogadores após seguidos fracassos e um Neymar interessado somente em jogar bola foram fatores primordiais para o triunfo, vale ainda salientar que o PSG enfrentou equipes teoricamente mais fáceis, dando sorte no chaveamento, mas afinal de contas um time campeão também se faz com um pouco de sorte, do outro lado ainda é possível colocar o Bayern como o maior candidato ao título, não só pela imponente goleada sobre o Barcelona, mas por todo a trajetória irretocável ao longo da Champions, evidentemente não devemos descartar o Lyon neste campeonato que está sendo “diferente” por conta da pandemia, mas ao se desenhar o script normal, a tendência é que os bávaros ergam a taça no final.

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  2. Ontem o Treze foi garfado com a marcação de um pênalti inexistente dando a vitória ao Santa Cruz.
    O Paysandu terá na série C um adversário difícil e que sabe jogar em velocidade no contra ataque.
    Em relação a hoje, não tenho tanta fé na classificação, o time perdeu a pegada que existia na defesa com o Hélio dando uma de professor Pardal.
    Não tem como jogar com marcação alta por vários motivos, mas destaco, a zaga pesada e lenta além dos excessivos erros de passe que geram os contra ataques adversários.
    E a ataque bicolor reeditando a série C de 2019, perde muitas oportunidades de gol.
    Muita coisa tem que ser arrumada se quiser se manter na série C para 2021.

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  3. Uma observação: a zaga não estava aberta, estava na área do adversário no escanteio e o rebote ficou com o time do Vila, Tony que estava a meio metro do jogador goiano que fez o lançamento foi incompetente porque deveria ter parado a jogada.
    Diante disso, acho um equívoco responsabilizar unilateralmente a zaga por sua postura avançada, certamente por orientação do treinador. Não só o Flamengo do Jorge Jesus, mas em qualquer lugar onde se pratica futebol, não é o caso brazuca atualmente, as linhas de zaga jogam adiantadas.
    O buraco é mais em cima, pois, pois, se os jogadores da linha de frente não entenderem suas obrigações defensivas nem uma defesa formada por Domingos da Guia, Luís Pereira, Geromel ou seja lá quem for, conseguirá deter o contrataque adversário.
    No jogo anterior contra o Paragominas, a responsabilidade direta pelo primeiro gol do Paragominas foi do Nicolas, que não soube proteger a bola, perdeu o domínio e não deu combate, claro que o avante bicolor não é nenhum Salah, Firmino ou Mané, mas o figurino é o mesmo, então cabe a ele não permitir que a zaga do inimigo em campo saia jogando sem ser incomodado.

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