Vencer ou sofrer, eis a questão

POR GERSON NOGUEIRA

Remo 2x1 Ferroviário-CE (Lucas Siqueira e Tcharlles)

O Remo vive um momento auspicioso na retomada do futebol. Fez cinco jogos, venceu os cinco. Quase nenhum outro time brasileiro tem esse cartel para exibir. Comissão técnica e jogadores justificadamente colhem os louros dessa campanha até aqui impecável.

A rigor, ninguém poderia criticar o Leão de Mazola Junior. Está fazendo o que 90% da torcida apreciam incondicionalmente: conquistando vitórias. Mais que isso. São vitórias que garantem a liderança nos dois campeonatos disputados. Passou à frente pela primeira vez no Parazão, com 26 pontos ganhos, e lidera o grupo A da Série C, com 6 pontos.

Não é garantia de triunfo certo no final das disputas, mas representa passos importantes na caminhada. Ainda assim há quem reclame e critique. Povo insensível, chato. Coisas do futebol, que encanta, emociona e divide opiniões como quase nenhum outro tema desimportante.

A crítica se dirige à maneira de jogar. Mazola desenha a equipe com duas linhas de quatro. Uma fica à frente do goleiro Vinícius, com Jansen, Mimica, Fredson e Marlon (Mandai). A outra guarnece a zaga: Charles, Julio Rusch, Gelson e Lucas Siqueira. Só depois disso vem o ataque, com dois jogadores, com Eduardo Ramos e Zé Carlos.

Em quatro dos cinco jogos, o time roeu uma pupunha para alcançar o triunfo. Foi assim com o Águia, na reestreia, quando virou o marcador a partir dos 36 minutos do 2º tempo. Contra o Castanhal, vitória parecia fácil, mas o final foi angustiante. Frente à Jacuipense, vitória arrancada aos 49’ do 2º tempo. E, domingo, outro embate tenso.

A proposta óbvia é: defender primeiro, atacar só bem depois. O propósito de defender aqui é levado às últimas consequências. Contra o Ferroviário-CE, domingo, o time deu um ataque a gol nos primeiros 45 minutos. Levou um sufoco para conter as triangulações e boas finalizações do visitante.

Só na etapa final, com um homem a menos, o esquema permitiu aventuras ofensivas, em tese quando já deveria estar apenas resguardando o empate. Quis o destino que, de uma tacada só, o técnico Mazola  substituísse o improdutivo Zé Carlos por Djalma reposicionando a meia-cancha.

Djalma, que vivia no banco de reservas, aproveitou a oportunidade. Entrou como um dínamo, cobrindo a ala direita e aparecendo no ataque para escapadas até às proximidades da área. Sua movimentação beneficiou Gelson, que corre melhor pela faixa direita, e deixou Lucas mais à vontade pela esquerda, além de liberar Eduardo Ramos para ser atacante.

A entrada do estreante Tcharlles deu ao ataque uma lufada de ar revigorante. O time ganhou alguém que sabe controlar a bola, prender o jogo e arremeter em direção ao gol adversário.

Com um a menos, o Remo ganhou o jogo com essa mexida pontual e de consequências múltiplas. Em Jacuípe (BA), na estreia, o time também terminou com um a menos e jogando melhor. Seria a sina do novo Leão? Não se sabe. A questão é que, quando a bola rola, o torcedor se cerca de remédios para o coração, ciente dos sustos que estão por vir.

A vitória vem no final, mas sofrer é desconfortável, incompatível com a alegria buscada no jogo. O Remo de Mazola supera adversários, mas precisa encontrar um jeito de não maltratar os corações azulinos.

Boatos sacodem o Japiim, mas a crise já foi debelada

O Castanhal faz uma campanha bonita no Parazão. Classificou-se às semifinais com extrema competência e méritos. Alcançou a meta de garantir vaga na Série D 2021 e tem um dos ataques mais positivos da competição. Tudo isso deveria ser motivo de festa e alegria. Só que não.

Nos últimos dias, depois da derrota para o Remo na primeira semifinal, o trabalho do técnico Artur Oliveira passou a ser alvo de questionamentos. Tudo porque o treinador optou por uma escalação diferente da habitual, barrando o artilheiro Pecel (8 gols no campeonato), o meia Dioguinho e o lateral Léo Rosa. A derrota confirmou o erro de estratégia.

Para piorar as coisas, Pecel e o técnico Artur bateram boca à beira do gramado, à vista de todos, escancarando diferenças. Depois da partida, Artur observou que o atacante não voltou bem após a paralisação do futebol paraense e de um rápido giro pelo Boavista (RJ).

Pecel, por seu turno, replicou que o técnico “parece diferente”, após as novas contratações efetuadas pelo clube. Ficou no ar um quê de discórdia envolvendo justamente as duas peças mais importantes de toda a caminhada, o comandante e o goleador.

Ontem, um boato malicioso indicava a possível saída de Artur. Felizmente, no final da tarde, veio a informação de que os dois litigantes fumaram o cachimbo da paz e o ambiente respira paz. O Japiim não pode abrir mão de ambos na luta por uma virada no confronto de quinta-feira.

Erros atormentam Papão, cuja zaga ainda não achou o rumo

Não há sinal de providências quanto a novas contratações no PSC. O grupo segue o mesmo do início da retomada, mesmo com visíveis problemas atormentando a equipe desde a primeira apresentação, contra o Paragominas, na 9ª rodada do Parazão. A vitória foi elástica (4 a 0), mas o futebol aquém das possibilidades do time.

Os jogos seguintes confirmaram a tendência declinante. Vitória (4 a 1) sobre o Itupiranga, igualmente enganosa, pois o time interiorano foi superior na metade do confronto. Depois, na semifinal, a derrota para o Paragominas explicitou as deficiências acumuladas.

No Brasileiro, um empate e uma derrota. Nenhuma argumentação utilizada até agora responde aos questionamentos da torcida, que vive angústias em duas frentes – o Estadual e a Série C.

Algo precisa mudar, talvez não quanto a nomes, mas basicamente quanto a posicionamento. A defesa marcando alto é uma invenção que não funcionou e a insistência pode ter consequências drásticas.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 18)

Um comentário em “Vencer ou sofrer, eis a questão

  1. Realmente o torcedor azulino não merece passar por tanto sofrimento, o alento é que o próprio Mazola disse que essa escalação se dá em virtude das várias ausências que o Remo vem sofrendo durante essa volta da quarentena, vamos aguardar que com todas as peças à disposição, possamos ver um time com mais proposição e não passando por tantos sufocos, pois não é possível ter uma “vida útil” grande jogando este futebol apresentado até então.

    No Castanhal, Artur faz um grande trabalho mais uma vez confirmando ser um grande treinador, seu grande pecado é o temperamento, algo que já tinha sido visto no Remo, muitos jogadores ficaram descontentes com a forma na qual ele gritava e xingava à beira do campo, o resultado foi uma passagem curta e desastrosa, espero que ele reflita sobre isso para alçar vôos maiores em sua carreira.

    Quanto ao Hélio dos Anjos, o mesmo parece ter passado a quarentena assistindo os jogos do Flamengo e decidiu reproduzir a linha alta de Jorge Jesus em seu time, porém esquece ele que a lenta zaga do Paysandu vira alvo frágil para contra-golpes adversários, principalmente Micael que é pesado e não mais um garoto, a expectativa é que o técnico reveja seus conceitos e não seja cabeça dura, pois com esse esquema não dá!

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