Leve e feliz como Ringo

Por André Forastieri

Quer ser feliz no trabalho? Não faça um trabalho exageradamente bem feito. É o conselho do meu filósofo de cabeceira, Michel de Montaigne, decifrado em um de meus livros favoritos, “How To Live”, da inglesa Sarah Bakewell, aqui “Como Viver”. 

Montaigne estava sossegado, fazendo seus banhos curativos e turismo pela Itália há um ano e meio (!) quando foi convocado pelo rei a voltar para a França e assumir como prefeito de Bordeaux. O capítulo conta como ele lidou com essa responsabilidade inesperada – e com a peste que atacou a cidade.

Sarah transforma a história do mestre em vinte perguntas sobre a vida, respondidas pela história e obra do próprio Michel. É um livro inspirador, especialmente se você tem inclinações céticas, estóicas, ou pelo menos sossegadas. Excelente introdução aos “Ensaios”, que não requerem nenhuma formação filosófica para serem compreendidos e apreciados.

Montaigne, pai do ensaísmo, é também bisavô da auto-ajuda, e principalmente da filosofia pop, “auto-ajudista”, aplicada ao cotidiano, ao corriqueiro. Ninguém é melhor nisso que Alain de Bottom e sua turma, School of Life. Curto, sem babar ovo. Tem vários livrinhos desta coleção lançados no Brasil.

Não tenho tutano pra filósofos hardcore, “porque existe o ser e não o nada” etc. Sarah Bakewell também fala desses, Heidegger e Arendt, Sartre e Simone e Merleau-Ponty, no imperdível, porque fofoqueiro, “At The Existentialist Cafe”.

Gosto é de filosofia sobre cozinhar, descobrir satisfação no trabalho mesmo que chato, usar a privada, cuidar da mãe coroca e bagunçar a educação dos sobrinhos. Ah, e morrer. Como faziam aqueles romanos velhos.

Lembrei do livro vendo Ringo Starr celebrando seus 80 anos ao vivo, sentado ali na bateria, arrecadando grana pro Black Lives Matter. Ringo, baterista mediano, compositor nem isso, zero de voz, poucos discos próprios, mas também Sir Richard Starkey, MBE, lenda do rock, 350 milhões de dólares no banco.

Ringo tem um jeito que ganha a gente, e já ganhava os fãs quando entrou pros Beatles em 1962. Carisma? Hmm, talvez o contrário de carisma. Ringo nunca está se esforçando demais. Ringo parece sempre grato por tudo de bom que a vida traz, talvez pela sua infância dura, pobre, sempre doente. Depois de sofrer criança, tudo são flores.

E Ringo quase morreu várias vezes, já Beatle aposentado. De acidente de carro. De peritonite. De alcoolismo.

Já tem três décadas que excursiona por aí com outros dinossauros, karaokê de luxo com sucessos do passado. Trabalha porque precisa de grana? For fun. Mas ganha o seu, claro.

Sempre os óculos escuros, a simpatia, e o sinal de paz-e-amor. Ringo vem fazendo seu trabalho direitinho, e nada mais que isso, faz quase sessenta anos. Tá lá nas baquetas, octogenário, de boa. 

Se esse Ringo sempre relax é fingimento, não sei. Todo mundo tem seus problemas e mr. Starkey não escapa. Mas tem gente que lida com eles com mais sabedoria, delicadeza, tranquilidade.

Sei é que Ringo não não pesa. Que eu chegue aos 80 anos leve como Ringo, feliz no trabalho como Ringo. E você também.

E EU SAÍ NO ESTADÃO

Numa big matéria do Bruno Capelas sobre a megaexplosão do LinkedIn. Porque eu, modéstias às favas, sou um dos caras por aí que mais entendem de fazer o LinkedIn dar resultado.

Não consigo mais dar consultoria pessoal – até pra isso, inventei o Homework, pra dar vazão a uma parte desta demanda. É só pra organizações – empresas, ONGs.

Minha consultoria vai bem além de LinkedIn. Não faço sozinho. Meu time é bom de soluções de comunicação em geral. Só trabalho com fera. E só trabalho pra gente legal. Que a vida é curta.

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