O longo jejum das torcidas

POR GERSON NOGUEIRA

Família é fator determinante no crescimento de torcidas de futebol ...

A indefinição de calendário, causada pelas medidas de isolamento social em tempos de novo coronavírus, costuma ser analisada a partir dos interesses de clubes, jogadores, federações e patrocinadores, mas há um quinto elemento que não pode ser ignorado: o torcedor, pedra que move a engrenagem. É o gerador das paixões e também o principal cliente do negócio.

No mundo todo, a preocupação das grandes corporações do esporte se concentra no futuro das competições. Há a consciência de que o sistema sairá profundamente modificado da pandemia. Clubes que têm rendimentos derivados das fortunas dos proprietários, como os ingleses e italianos, provavelmente sentirão um impacto menor.

Poderão até manter a política de contratações estelares, como projeta o dono do PSG, já movimentando grana para renovar o contrato de Neymar até 2025. Os portentos espanhóis, Barcelona e Real Madri, também têm ativos e meios para continuar gigantescos.

Mas, estendendo o olhar pelo resto do mundo, poucos poderão seguir essa linha de conduta. A adequação aos novos tempos vai forçar um mergulho na simplicidade e nos bons hábitos administrativos. Austeridade passa a ser item obrigatório de qualquer gestão.

Os maiores campeonatos internacionais já trabalham com a perspectiva de que o jogo terá que ser repensado até que uma vacina contra a covid-19 seja descoberta, o que é improvável que ocorra antes de 2021. Esqueçam tudo o que existia até março de 2020. A OMS, através de seu diretor de operações, Michael Ryan, defende um “novo normal na sociedade até termos soluções mais permanentes”.

A OMS deverá orientar um retorno gradual e seguro das competições, sempre cercadas de muito planejamento. A organização avalia que entidades e governos precisarão avaliar formas de adaptação futura, adaptando medidas possíveis à vida prática. “Temos de ter um novo contrato social para compartilhar os riscos”, afirmou Ryan, em entrevista na sexta-feira.

Nisso tudo, o futebol – a mais importante das coisas desimportantes – precisará focar principalmente na obtenção de receita para sobreviver. A previsão de jogos sem torcida avança até outubro, pelo menos, e já é dada como inevitável pelos dirigentes brasileiros.

Passa a ser quase que uma certeza o distanciamento entre futebol e torcida, com as consequências financeiras óbvias. Os adeptos terão que se acostumar ao jejum prolongado e se contentar com a transmissão via TV, espetáculo que esfria bastante sem os gritos e imagens de gente nas arquibancadas.

É claro que há a questão da segurança dos profissionais envolvidos, assunto que a coluna expôs na sexta-feira (24). Jogos sem torcida dependem de um bem costurado acordo que leve em conta a segurança de atletas, técnicos e demais trabalhadores envolvidos no jogo. O lado bom é que teremos muito tempo ainda para voltar a este assunto.

Bola na Torre

Lino Machado apresenta o programa de hoje, a partir das 23h15, na RBATV, com a participação de Saulo Zaire e Mariana Malato. Comentários em home office de Guerreiro, Tommaso e deste escriba de Baião.

Papão convoca a torcida Fiel para o #JogodaVida

Já tem nova data a programação do #JogodaVida, com reprise da final da Copa dos Campeões 2002, entre PSC e Cruzeiro. Será no dia 17 de maio, às 14h, no Facebook oficial do Papão. A live traz lances da final da Copa dos Campeões narrada pela Rádio Lobo, participações em vídeo dos jogadores que integravam o time e presença da Banda SambaPapão.

Qualquer pessoa pode ter acesso à live, mas o torcedor bicolor poderá comprar um ingresso simbólico para ajudar financeiramente o clube em meio à crise provocada pela Covid-19. O ingresso será enviado por e-mail. Como estímulo, a diretoria está convocando a Fiel para bater os recordes de público (torcida única) do Mangueirão!

O ingresso custa R$ 7,00 e pode ser adquirido neste endereço: bit.ly/livejogodavida (boleto, cartão de crédito ou débito).

A escolha da partida contra o Cruzeiro, realizada em Fortaleza e vencida pelo Papão por 4 a 3 no tempo normal e 3 a 0 nas penalidades, leva em conta a importância da conquista, a maior da história do clube.

Rádio Clube reaviva lembranças de jogos espetaculares

Dentro da série especial “Jogos Memoráveis” e da semana do 92º aniversário da quarta emissora fundada no país, a Rádio Clube do Pará reconstitui três páginas gloriosas do futebol brasileiro, a partir das 15h. A abertura será com a partida Vasco 1 x Remo 1, no estádio de São Januário, que marcou a participação do Remo na Copa do Brasil de 1991. A reconstituição é de Ronaldo Porto.

Em seguida, vem o título do Papão na Copa dos Campeões 2002, com a narração histórica do saudoso Geo Araújo no triunfo de 4 a 3 (3 a 0) sobre o Cruzeiro. Por fim, a relembrança do lendário Re-Pa 690, de 2006, clássico vencido pelo Remo por 3 a 1, com narração reconstituída por Guilherme Guerreiro.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 26)

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