Os 35 anos de Calvin & Haroldo

Por André Forastieri

Em 2020, celebramos os 35 anos da criação de Calvin e Haroldo, e um quarto de século do seu fim. A tira foi lançada nos EUA no dia 19 de novembro de 1985.

Bill Watterson produziu essas histórias encantadoras por um pouquinho mais que uma década. Começou aos 27 anos, parou aos 37.

Nunca mais publicou nada. Nunca mais deu as caras ou entrevistas. Vive tranquilo, em Ohio, pintando e, imagino, matutando – 60 anos completos.

As tiras clássicas são repetidas desde então, nos poucos jornais que ainda publicam tiras, nos poucos jornais que ainda restam. As páginas coloridas, dominicais, só nos álbuns.

Foi o último gênio desta arte tão poderosa e popular no século que passou. Combinação única, escrevia com a delicadeza dos melhores, como seu ídolo Charles Schulz; ilustrava com a expressividade dos maiores da HQ.

Peça rara, Bill proibiu todo tipo de merchandising e extensão de marca. Nada de boneco, lancheira, desenho animado ou game do Calvin. Nem autógrafo dava. Não queria desvalorizar os personagens, nem culto à personalidade.

Rasgou dinheiro. Conquistou com isso uma aura muito pura e exclusiva para seus heróis. Se você quer ter um pedacinho do menino e seu tigre, a única coisa a comprar são os livros, poucos.

Estão por aí e são obrigatórios. As edições brasileiras trazem o selo da Conrad, que tenho orgulho de ter co-fundado. Negociávamos os direitos quando eu deixei a editora, em 2005. O primeiro volume é este aqui. 

Ou você pode comprar a coleção completa do Calvin em inglês. 

Calvin foi a última tira que aguardávamos em massa, mundo afora, mais de 2.400 jornais. Hoje a cultura popular não tem mais um centro, tem infinitas dimensões. Ganhamos mais que perdemos. As perdas doem.

Calvin vive. E com ele Haroldo, que nome simpático… mas adotemos o original, Hobbes. Porque Bill Watterson o batizou assim em homenagem ao filósofo, que tinha “uma visão pouco otimista do ser humano.” Confira estas descrições que ele faz dos personagens, no seu antiquadão site oficial. 

Siga no Twitter o perfil @Calvinn_Hobbes. Ele reproduz tiras e páginas de Calvin. É um segundinho de alegria, todo dia. Sugiro que te dês o mesmo presente.

Mas antes, vou te dar outros três.

Esta homenagem foi feita por dois grandes talentos dos quadrinhos.

O escritor Brian Azzarello e o ilustrador Lee Bermejo, conhecidos por suas violentas recriações de super-heróis clássicos, acertaram exatamente no ponto ao recriar Calvin e Hobbes como Lex Luthor e Coringa.

A história foi feita para um gibi da DC Comics, por enquanto publicado só nos EUA. Milagrosamente, Brian consegue capturar os espíritos do menino e seu tigre, e também os dos arquiinimigos de Batman e Super-Homem.

E Lee, bem, se Bill quiser passar o nanquim para alguém, já achou herdeiro… mas não vai. E é melhor que seja assim. 

Mais um presentinho…

Gavin Aung Tham criou este site, o Zen Pencils. Transforma frases de outros, famosos ou nem tanto, em pequenos cartuns, ou às vezes histórias em quadrinhos. 

Esta é do Bill Watterson. Combina bem com a primeira semana do ano. Gavin não é gênio, mas sabe reconhecer e homenagear um. É uma história singelinha? Uma frase meio piegas? É lição muito difícil de seguir. 

E esta é a tira de despedida de Calvin e Hobbes. Foi publicada no dia 31 de dezembro de 1995, último dia desta dupla querida e de um distante ano.

É, o ontem se foi, só nos resta este momento mágico – este instante de decisão, de prazer, de poder.

Vamos juntos?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s