Um reforço inesperado – e qualificado

POR GERSON NOGUEIRA

O anúncio foi criativo e inusitado, despertando atenção de sites esportivos de todo o país. Douglas Packer foi repatriado pelo Remo e seu retorno ganhou a aprovação da torcida. Com razão. Foi um dos melhores jogadores do time no primeiro semestre do ano passado, responsável pela condução do meio-campo na era Márcio Fernandes.

Foi tão importante que, quando saiu, atraído por proposta do futebol de Malta, deixou um vazio que não foi preenchido nem mesmo com a chegada e Eduardo Ramos. Coincidentemente, o Remo caiu de rendimento e perdeu a invencibilidade quando Packer se desligou da equipe.

A expectativa agora é que volte a jogar no mesmo nível, organizando as ações no meio e botando a bola no chão. Técnico e com boa visão de jogo, Packer tem ainda a virtude de cobrar bem faltas, qualidade que o Remo não teve em nenhum de seus jogadores na reta final da Série C.

Com sua chegada, Eduardo Ramo pode ter a posição de titular ameaçada, até porque ambos já estão na faixa dos 33 anos. É provável que, dependendo da situação de jogo, apenas um deles possa atuar naquela faixa do campo, ao lado de Robinho ou Lukinha ou Laílson.

A vantagem de contar com um jogador já ambientado ao clima regional e à estrutura do clube é que não haverá muita necessidade de adaptação, como ocorre com outros contratados.

Neguete, o defensor também confirmado ontem, é uma aposta de Rafael Jaques. Ex-jogador do Juventude, ele pode atuar na área ou pelo lado direito da defesa. Outro polivalente, como Rafael Jansen.

Torcida quer vitórias, mas com diversão e arte

Desembarcou em Belo Horizonte, ontem, o técnico Rafael Dudamel. Há 10 anos, seria praticamente improvável ver um venezuelano dirigindo um time da primeira divisão brasileira. Não pelas qualidades do profissional, mas pela baixíssima tradição de seu país de origem. A Venezuela era o saco de pancadas do futebol no continente, ocupando sempre a lanterna de qualquer competição entre seleções.

Nos últimos anos, a situação mudou. No 25º lugar do ranking de seleções da Fifa, a Venezuela passou a ter presença mais destacada nas Eliminatórias Sul-Americanas e na Copa América, encarando a disputa de maneira digna e competitiva. Tudo isso tem a ver com Dudamel, que foi um bom goleiro e depois encaminhou bem sucedida carreira de técnico.

Formou seleções muito interessantes nas divisões de base, revelou bons jogadores (Farinez, Soteldo) e assumiu o comando da seleção principal. Foi esse trabalho que chamou atenção do Atlético-MG, que buscava um técnico inovador e de perfil mais jovem. Por isso, Dudamel foi o escolhido.

A opção do Galo não é isolada no cenário atual do futebol brasileiro – muito pelo contrário. É uma tendência cada vez mais forte. O Inter já apresentou o argentino Coudet. O Santos contratou o português Jesualdo Ferreira e o Flamengo segue de braços dados com Jesus.

A vinda de Dudamel e dos outros estrangeiros representa uma guinada que significa eia ameaça aos treinadores nacionais mais acomodados e adeptos do infame futebol de resultados. Figuras como Felipão, Mano Menezes, Carille, Jair Ventura, Marcelo Oliveira, Oswaldo de Oliveira, Celso Roth, Vagner Mancini, Cuca, Dunga, Ricardo Gomes. Todos desempregados.

Como estão em faixas salariais muito altas – de R$ 250 mil a R$ 700 mil –, sem merecer, diga-se, passaram a ser mais questionados e comparados com técnicos de outros países. Os resultados de campo deixaram de ser o principal item de avaliação.

O fato é que os clubes (e suas torcidas) não querem apenas ver um time vencedor, como o Palmeiras de 2018. Não se contentam com resultados. Querem diversão e arte.

Aí é que entra a importância de Jorge Jesus e Jorge Sampaoli, dois desbravadores. Em situações diferentes e projetos desiguais, ambos brilharam em 2019 e recolocaram a beleza plástica do jogo como um aspecto fundamental para o torcedor.

Portanto, mais do que o currículo em idioma estrangeiro, o que importa neste momento é o serviço oferecido. Os técnicos nacionais terão que reaprender a montar times com características ofensivas, casso queiram voltar a predominar – e a ganhar rios de dinheiro.

Experiência deve ser o diferencial no Papão

O Papão começando o período de pré-temporada com exames e testes físicos na Curuzu. A fase de treinos com bola vai acontecer em Barcarena. Hélio dos Anjos tem destacado a experiência dos cinco reforços já confirmados. A maioria tem mais de 30 anos. Não fica claro, ainda, se essa prioridade é para o Campeonato Estadual ou se será a tônica para a disputa da competição mais importante, a Série C.

Quando se estende a questão etária para o elenco atual de 24 atletas, a média de idade cai para 26,6 anos, pela participação dos jogadores promovidos da base. O problema é que, na prática, todo mundo sabe, a garotada entra no anúncio oficial, embora quase nunca tenha chances reais de aproveitamento. Vide casos recentes, como Wylliam e Calbergue.

Que a prática desta temporada seja diferente. A conferir.

(Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)

A pergunta do dia

“Por que manter uma base de um time que nada ganhou ano passado? Foi o quarto do campeonato paraense, perdeu duas ‘decisões’ na mesma situação e aproveitou 30% somente dos 31 contratados? O PSC está formando um time para quase chegar?”.

Rui Guimarães, comentarista da Rádio Clube, sobre a formação do elenco do PSC para 2020

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 07)

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