Quem vai parar o Flamengo?

POR GERSON NOGUEIRA

Um interessante artigo de César Grafietti, no Infomoney, levanta uma questão que devia estar preocupando os demais clubes brasileiros: quem pode parar o Flamengo¿ Economista, especialista em banking e gestão & finanças do esporte, com mais de 27 anos de mercado financeiro, ele não está falando propriamente de futebol, mas de negócios.

Ele historia o esforço do clube carioca, a partir de 2013, com vários erros cometidos pelo caminho. Finalmente, neste ano da graça de 2019, irrompem os efeitos em campo do processo de reestruturação financeira. Neste exato momento, o Fla passa também à condição de inimigo a ser batido, dentro e fora das quatro linhas.

O time de Jorge Jesus tem potencial para amealhar R$ 1 bilhão em receita, o que deve fazer com que aumente ainda mais a distância para os perseguidores mais próximos – Palmeiras e Grêmio, nas atuais circunstâncias.

Grafietti, com a cabeça pautada em números, recomenda que ninguém perca tempo com aqueles argumentos de arquibancada para justificar o gigantismo econômico do Flamengo. Para os clubes, importa mesmo é ir direto ao que interessa: devem se organizar, observar quem está trabalhando direito nessa área e traçar planos bem direcionados.

Cita o benchmark, variável de clube para clube e dependente do modelo de sucesso buscado. Segundo Grafietti, alguns clubes brasileiros só precisam de pequenos ajustes, outros precisarão se reinventar. Junto com o Flamengo, ele enumera Palmeiras, Grêmio, Bahia e Athletico-PR como clubes que já têm uma condição superior aos demais, pois estão no rumo certo.

Dos que estão abaixo da linha de segurança, alguns até podem se ajustar rapidamente, outros levarão tempo. “Algumas soluções serão simples enquanto outras demandarão mudanças radicais na estrutura de controle, porque somente virando empresa alguns clubes conseguirão arejar a gestão, trazer dinheiro novo e impulso de retomar o crescimento”, ensina.

O artigo contraria também aquele raciocínio cego de que, nas ricas ligas europeias, só os gigantes se dão bem. Nas cinco principais ligas, hoje, aparecem intrusos onde antes só havia espaço para os ricos. Na Alemanha, o Bayern leva sufoco dos emergentes. Na Inglaterra, o Leicester novamente se salienta. Na Itália, Lazio e Cagliari ocupam lugares que tradicionalmente seriam de Napoli e Milan. Espanha e França, porém, ainda mantêm o status quo.

Esse cenário ensina que pode até haver grande diferença de receitas, mas se a grana for bem utilizada, com política correta de contratações e treinador capacitado é possível fazer frente aos gigantes.

Há também a velha questão da divisão do dinheiro da TV. Como se sabe, na Europa, a partilha é mais democrática. Ocorre que, mesmo com recursos bem distribuídos, alguns clubes se distanciaram em conquistas. Na Espanha, Barcelona e Real se revezam no doce esporte de levantar taças. O Bayern venceu os últimos sete campeonatos alemães, a Juve ganhou oito na Itália e a Inglaterra teve quatro campeões diferentes nos últimos 15 anos.

Grafietti alerta, ainda, que a TV é importante, mas que os clubes não podem depender 100% de seus recursos. Quanto mais eficiência na gestão do negócio e da marca, menos dependência haverá em relação à televisão.

A boa notícia é que ninguém está impedido de ingressar no grupo de clubes que brigam por títulos. Parte dessa possibilidade pode estar no sistema de Fair Play Financeiro, que deve ser implantado no Brasil, a fim de levar os clubes ao equilíbrio individual.

Afinal, estar bem equilibrado financeiramente abre um leque de oportunidades. Permite maior poder de barganha nas negociações com a TV, pois os contratos são individuais (vide Athletico e Palmeiras em 2019) dando mais liberdade para planejar.

Como segundo pilar de uma indústria competitiva, alguns clubes terão que virar empresa. Nesse caso, ensina Grafietti, os dirigentes precisarão abrir mão do futebol: “Há necessidade de dinheiro novo, para colocar a casa em ordem, estabilizar as finanças, iniciar um trabalho mais eficiente de gastos e de valorização da marca. No fundo, os clubes precisam de uma nova ordem interna, em maior ou menor grau”.

Volante abre a nova fase de contratações no Remo

Além de Dudu Mandai, que deve ser confirmado nos próximos dias, o Remo anunciou ontem a contratação do volante maranhense Xaves, que foi um dos destaques do Imperatriz no Brasileiro da Série C. Aos 33 anos, com carreira que inclui atuações pelo Paraná Clube, Atlético-MG, Ceará, Atlético-PR, Botafogo-PB e Ponte Preta, o meio-campista já é comparado no Baenão a Agnaldo Jesus, que fez história pelo clube.

Tem características de liderança e é o volante de perfil guerreiro que a torcida tanto aprecia. Foi contratado logo depois do anúncio oficializando o acordo com Rafael Jacques, o que permite acreditar que teve o aval do novo comandante azulino.

Outro que pode ter seu futuro definido no clube nos próximos dias é o meia-atacante Guilherme Garré, que ainda negocia a renovação de contrato. Até a apresentação do elenco, no dia 9 de dezembro, devem ser anunciados mais nove aquisições (dois atacantes de lado, um centroavante, um zagueiro de área, dois volantes, dois laterais e um meia-armador).

Papão tem base sólida, mas ainda discute renovações

Com 22 jogadores no elenco que termina a temporada, o PSC deve ter uma base bem reforçada para o começo das competições do próximo ano. Alguns jogadores ainda não definiram permanência na Curuzu – casos de Giovanni, Vítor Oliveira, Thomaz Bastos e Elielton –, mas a grande interrogação envolve a situação do volante Caíque Oliveira.

Apesar da cobrança extravagante do penal decisivo na Copa Verde, Caíque é defendido pelo técnico Hélio dos Anjos, pelo menos publicamente, mas não há certeza absoluta quanto à sua permanência. Há o receio de que o atleta, que não é titular absoluto, venha a sofrer hostilidades quando entrar em campo.  

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 26)

Um comentário em “Quem vai parar o Flamengo?

  1. Há um certo mistério nessa propalada reestruturação financeira adotada pelo Flamengo, cantada em prosa e verso, mas que ninguém explica como realmente foi feita. O clube ainda conta com uma dívida milionária, majoritária em impostos, ao mesmo tempo que partiu para contratações de medalhões que ganham também salários milionários e inflaram exponencialmente a folha de pagamentos do clube, que não se limita apenas aos que correm atrás da bola. Quais, quanto e de onde vem as receitas além das provenientes das cotas de TV? Ninguém sabe precisar. A fartura de dinheiro nos cofres do clube propiciou a ele montar um time a peso de ouro com jogadores famosos, mas já sem mercado no futebol europeu, comandados por um técnico de segunda linha no futebol de lá, mas anos-luz em competência em relação aos daqui. Quanto ao nosso futebol, outrora formador de talentos, se entrar nessa pilha de pagar fortunas a jogadores rodados ou próximos da aposentadoria para alavancar conquistas, continuará célere em sua caminhada rumo a insignificância.

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