Papão reabre os trabalhos

POR GERSON NOGUEIRA

O tempo é neste momento o maior obstáculo ao PSC para adquirir o ritmo de competição necessário para encarar o Cuiabá pela final da Copa Verde 2019. Os 10 dias de folga concedidos ao elenco um dia depois das semifinais contra o Remo terão que ser recuperados com muito treino e, se possível, jogos contra equipes profissionais.

Ontem pela manhã, na Curuzu, diante da Tuna, o técnico Hélio dos Anjos teve a oportunidade de fazer observações valiosas. Fez experiências e viu a equipe se impor, sem grandes embaraços. O primeiro gol saiu aos 15 minutos: Elielton aproveitou cruzamento baixo de Bruno Collaço.   

O Papão era melhor e dominava as ações. Tony ainda desperdiçou um pênalti, bem defendido por Paulo Wanzeller. Foi também de Bruno Collaço o cruzamento para o segundo gol da partida. Desta vez, o meia-armador Tiago Luís apareceu para estufar as redes tunantes. Além de marcar o reaparecimento do camisa 10 entre os titulares, o gol foi o primeiro desde que Tiago voltou ao clube.

Como a prioridade era observar os jogadores, Hélio fez mudança quase completa para a segunda etapa, colocando em ação dez jogadores, a maioria oriunda da base alviceleste, preservando nos dois tempos o volante Yure. Além de Tiago, outro que voltou a se movimentar foi Leandro Lima, que havia saído do time por contusão.

A Tuna não é propriamente um adversário capaz de oferecer grande resistência, mas ao Papão o que interessa é movimentar os jogadores, a fim de que cheguem ao primeiro confronto da decisão (dia 14) em pé de igualdade com o Cuiabá. Nesse sentido, o teste foi inteiramente válido. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)

Afinal, o que houve com o S. Raimundo?

Dez anos se passaram da maior conquista da história do São Raimundo, de Santarém. Conquistou em 2009 a Série D do Campeonato Brasileiro, que foi lançado naquele ano. Com um time bem regional, o Pantera superou adversidades e limitações, encarou oponentes de qualidade e bateu o Macaé na decisão.

Desde então, o time teve poucos motivos para comemorar, frustrando seguidamente sua apaixonada torcida nos compromissos pelo Campeonato Paraense e na Copa do Brasil. Hoje, nem na Segundinha de acesso ao Parazão o timee conseguiu entrar.

Torcedores ficam a se perguntar o que tirou o São Raimundo dos trilhos. A combinação nefasta de administrações ruins e contratações desastrosas é a hipótese mais provável para a débâcle santarena.

Sair do fundo do poço é um desafio que os desportistas que amam o Pantera precisam abraçar com seriedade e urgência.

Em tempos de VAR, cartolagem alopra nas queixas

Os dirigentes de futebol no Brasil perdem oportunidades preciosas de manter silêncio. Ontem, o presidente do Ceará avisou que vai protocolar ofício na CBF vetando árbitros cariocas e mineiros nos jogos do time. A medida é uma reação à arbitragem da partida com o Palmeiras, no sábado, quando o alvinegro cearense reclama da anulação de um gol de Felipe Baixola, aos 41 minutos do 2º tempo. Tem razão quanto ao lance. O atacante tinha condição, mas o VAR apontou impedimento milimétrico.

A revolta é normal e aceitável, mas não permite bobagens desse tipo. A CBF pode até atender o pleito do Ceará, mas se esse tipo de pressão funcionar o campeonato ficará praticamente inviabilizado. O Ceará tem 33 pontos e na briga contra o rebaixamento tem como concorrentes diretos Cruzeiro, Atlético-MG, Fluminense e Botafogo.

Não é possível que questões geográficas possam se tornar motivo de impedimento ou restrição na escala de árbitros. Além dos times cariocas e mineiros, o Ceará luta também com CSA, Fortaleza e Avaí. Nesse caso, logo será necessário vetar também árbitros alagoanos, cearenses e catarinenses.

Em plena era do VAR, todos os times têm razões de sobra para sair reclamando de injustiça e prejuízos provocados pelas arbitragens. Ocorre que, sair carimbando todos os juízes como inidôneos, é algo injusto e que beira o absurdo.

A velha ‘miguelada’ como arma para fugir ao vexame

Fiquei observando o jogo do Flamengo com o Corinthians e, além do baile do primeiro tempo, os alvinegros de São Paulo ainda sofreram baixas inesperadas, típicas de momentos. Nem bem o Fla meteu o terceiro, o goleiro Cássio começou a reclamar de dores no quadril. Estranho.

Dez minutos depois do quarto gol, Fagner sente um mal-estar e também pede substituição. Mais estranho ainda. São líderes de elenco, símbolos da raça corintiana, coisa e lousa etc. Como é que, de uma hora para outra, sem motivo nenhum, ambos pulam fora do barco?

Quem já jogou uma simples pelada sabe o que significa aplicar uma boa miguelada. Cássio e Fagner mostraram naquele momento, de maneira inequívoca, que receavam uma surra histórica, que só não se confirmou porque Vitinho tem péssima pontaria e Bruno Henrique cansou.  

Atitude que profissionais não podem ter. Deixar o time e o técnico na mão em jogo tão importante é algo sempre reprovável. Não há confirmação plena de que os jogadores simularam contusão, mas a maneira como pediram substituição levanta muitas dúvidas.

Fábio Carille caiu em consequência da goleada e também pelo conjunto da obra, mas é espantoso como o futebol dito moderno ainda comporta atitudes como as de Cássio e Fagner.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 04)

Um comentário em “Papão reabre os trabalhos

  1. Quando o paraense Dewson Freitas anulou um gol do Fluminense contra o Goiás, na primeira rodada do atual Brasileirão, o mundo midiático desabou sobre o apitador, alegando que o jogador do Flu que estava entre a trajetória da bola e o goleiro não teria atrapalhado a visão do arqueiro goiano.
    Alguns meses depois, o atacante Marco Reus, do Dortmund, cruza a pequena área sem sequer participar do lance, mas o árbitro anula o gol sofrido pelo Monchengladbach sob a mesma alegação, por sinal, justificada pelos jornalistas da Fox Sports, muitos deles partícipes do jogral espinafrando o paraense.
    Com efeito, bagunça pseudo analítica e péssimo nivel das arbitragens no Brasil nos são apresentadas semanalmente, estranhamente depois que Leonardo Gaciba, um dos melhores juízes que vi apitar, assumiu o comando do setor.
    Vivemos, sim, o predomínio do árbitro branco, sulino, sudestino, parrudo, auto suficiente e sutilmente preconceituoso em seus atos, daí a geração de um cipoal de dúvidas quanto suas respectivas competências.
    Sábado último, o árbitro ignorou falta tão escandalosa do Igor Rabelo(Atlético) em André Luís(Fortaleza), interferindo diretamente no resultado final da partida. Como não houve interferência do VAR, fica a torcida com a nítida certeza que a justificativa íntima do soprador de apito autor da iniquidade foi a possibilidade de evitar a expulsão do atleticano e a consequente situação do time mineiro terminar a partida com 9 jogadores, jogava com 10 porque Geuvânio tinha tomado o vermelho no início do 2º tempo.
    Lance isolado? Jamais. Reúna lances protagonizados por todos esses similares físicos do Daronco e constate que deve haver uma média de um lance deplorável desse a cada rodada. E nem o recurso eletrônico salva.

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