Pelo fim do discurso vazio

POR GERSON NOGUEIRA

Virou uma espécie de clichê. Técnicos da dupla Re-Pa incluem como item principal do planejamento para a temporada seguinte a inclusão de jogadores revelados nas divisões de base. O discurso é quase sempre pomposo, bonito e impressiona marinheiros de primeira viagem.

A realidade mostra que quase todas as promessas resultam em decepção. Há pelo menos dez anos que a situação não sofre mudança relevante. Os jogadores trazidos de fora acabam conquistando os espaços e detêm a confiança dos técnicos.

Mesmo quando o garoto da base mostra qualidades parece prevalecer uma desconfiança – talvez preconceito – contra a pé-de-obra local. São inúmeros os exemplos a respaldar essa afirmação.

Kevem (foto), revelado na base, só entrou no time por uma situação emergencial. O zagueiro Mimica sofreu uma lesão grave no primeiro clássico Re-Pa do campeonato estadual deste ano, abrindo vaga para o jovem zagueiro.

Com atuações impecáveis ao longo da competição, marcando até gol de bicicleta, Kevem se destacou e terminou negociado com empresários. O Remo ganhou dinheiro, preservou um percentual de direitos e o jogador teve acesso ao futebol europeu – está no Paços de Ferreira, de Portugal.

Dificilmente teria sido notado não fosse o acontecimento infeliz com Mimica. Como ele, o lateral Rony, ora em briga judicial com o clube, também teve uma oportunidade na Copa Verde porque o titular (Cesinha) precisou ser substituído. Ainda assim, continuou a entrar apena por alguns minutos, como no Re-Pa da semifinal da CV.

Na Curuzu, a situação não é diferente. O lateral-esquerdo Diego Matos, 22 anos, que se sobressai desde o ano passado, volta e meia fica fora dos planos, mesmo quando o titular é apenas razoável. Chuta muito bem, apoia o ataque e sabe trabalhar como defensor.

Com Alan Calbergue, meio-campista que despontou há três anos, a má vontade fez com que fosse emprestado a outros clubes, voltando a ter chance após provar qualidades no Bragantino. Entrou em algumas partidas, sob o comando de João Brigatti, mas logo perdeu espaço.

Wylliam, outro egresso das divisões de base, também é pouco aproveitado, passando mais tempo como terceiro suplente na povoada função de volante, cuja preferência dos técnicos é invariavelmente pelos que vêm de fora.

E pensar que não faz tempo que o PSC revelou Rodrigo Andrade, aos trancos e barrancos, superando até a histórica ojeriza dos treinadores pela prata-de-casa. Depois de um ano como titular, foi negociado com o Vitória.

Que esses exemplos sirvam de farol e referência para os técnicos, a fim de que o discurso deixe de ser mera retórica e para valorizar de fato o trabalho de formação, que deveria ter prioridade absoluta nos clubes.

Papão anuncia o segundo melhor reforço para 2020

Nicolas foi o melhor jogador do PSC nesta temporada. Marcou gols importantes, foi o principal goleador e funcionou como termômetro do rendimento da equipe. Quando ele não teve boa atuação, invariavelmente o time foi mal. Por outro lado, o Papão sempre foi bem sucedido quando Nicolas teve um dia inspirado.

Sua renovação chegou a estar ameaçada por sondagens de outros clubes, além das dificuldades financeiras do clube, mas a notícia divulgada na sexta-feira confirmou o êxito dos esforços para manter o jogador.

Depois de Hélio dos Anjos, maior contratação do PSC em 2019, Nicolas é peça importante para que o time não perca o ponto de equilíbrio que permitiu a invencibilidade de 21 jogos e a chegada a decisões importantes, como a disputa do acesso à Série B e a final da Copa Verde.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração, a partir das 22h30 na RBATV, logo depois da exibição do jogo da NBA. Na mesa de debates, Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião.

Memórias do coração

“Melhor que todas as suas crônicas! Cheguei a ficar emocionado quando li a homenagem  que você fez ao seu irmão no rodapé da página que você escreve no Bola (Diário do Pará). Obrigado por não deixar morrer o romantismo familiar. Valeu!”.

Francisco Lourenço de Sousa, de Marituba.

Matemática crava que o Flamengo é quase campeão

Os estudiosos da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getúlio Vargas já projetam quando o provável título de campeão brasileiro de 2019 deverá ser conquistado pelo Flamengo. As 100 mil simulações feitas revelam 21,7% de chance de o clube rubro-negro sagrar-se campeão até a 34ª rodada do Campeonato Brasileiro. Se isso ocorrer, o Fla entra para o rol dos clubes que precisaram de menor número de rodadas para levantar a taça, juntando-se ao Cruzeiro (2013) e ao São Paulo (em 2007).

Os rubro-negros têm 93,3% de chances de pelo menos igualar o recorde da era dos pontos corridos, estabelecido pelo Cruzeiro, em 2003, ao conquistar 72% dos pontos possíveis. Ao mesmo tempo, o estudo diz que o Fla, ainda que apresente queda de rendimento, ainda é favoritaço ao título. Nesse cenário, as probabilidades de ser campeão seriam de 55,5% devido à campanha e à vantagem estabelecida até o momento – 8 pontos em relação ao vice-líder Palmeiras. 

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 03)

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