Círio de Nazaré, um rio de fé e tolerância

Todo ano a grande festa se repete. É, como disseram nossos velhos poetas, o Natal dos paraenses. É uma celebração única, popular e intensa, magnífica e superior aos ritos oficiais e clericais. Nossa Senhora de Nazaré une os paraenses. Não há quem fique indiferente à festa, que é religiosa, mas é profana também – no que o termo tem de mais saboroso. É um festival, na verdade, com comilança, cheiros, sons e sabores.

Nasci numa imensa e ruidosa família católica de Baião. Lá, nosso padroeiro é Santo Antonio, em homenagem ao paraibano que fundou e deu nome à cidade. As festas, em escala menor, eram muito parecidas com a de Nazaré. Foguetes na alvorada, gente feliz nas ruas, cânticos e comida.

Sei que este é um cenário que e repete no Brasil todo, aquele país maravilhoso e rico em esperança que se alegra muito além das convicções religiosas. Não há neste Brasil festivo espaço para intolerantes e fascistas.

É claro que, volta e meia, dá para perceber um ranço aqui, outro acolá, mas no geral a liberdade de culto é exercida plenamente, a ponto de a festa ser aberta a todas as crenças, indistintamente. Além de católicos, evangélicos, adventistas, umbandistas, macumbeiros e espíritas são acolhidos com o mesmo carinho e generosidade.

Toda festa deveria ser assim, sem exigência de crachá ou atestado de antecedentes. Obrigado, Nossa Senhora de Nazaré, por permitir que a tolerância seja bem exercitada.

Feliz Círio a todos!

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