Sem foco, Remo cai na estreia

POR GERSON NOGUEIRA

Com um time mesclado, quase todo formado por reservas, o Remo se deu mal ao estrear ontem na Copa Verde 2019. Permitiu-se descer ao nível de um adversário limitado tecnicamente, com jogadores semiamadores e que de início até respeitava o chamado peso da camisa azulina. Curiosamente, após a derrota, o técnico Márcio Fernandes repetiu o discurso decorado de que os jogadores não renderam o esperado.

Ao criticar o rendimento coletivo e individual contra um oponente de Série D, o técnico esquiva-se de responsabilidades. Como se nada (ou pouco) tivesse a ver com a atuação do time. As coisas não são assim. Técnicos formatam a equipe e formulam a maneira de jogar. Mas, quando o time não funciona, obviamente há problema com os jogadores e com o técnico.

Depois de um primeiro tempo sem emoções, o Sobradinho resolveu ser mais audacioso na etapa final. Passou a arriscar chutes de média distância e jogadas pelos lados do campo. O Remo, apesar dessa discreta ameaça, seguiu do mesmo jeito. Parecia um grupo reunido para aquelas peladas de fim de semana, sem maior compromisso com o placar.

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Marcão Assis, que no primeiro tempo havia perdido uma boa chance, voltou a desperdiçar outro lance precioso na área. É um exemplo típico do critério errático nas contratações. O Remo precisava de um centroavante, saiu procurando e, diante das dificuldades de mercado, optou por Marcão, que tinha contra si a má passagem pelo PSC há dois anos.

Nem isso impediu sua aquisição pelo Remo. Quando está em campo, Marcão entrega mais ou menos o mesmo rendimento dos tempos de Papão, o que significa rigorosamente nada. É um jogador de muita luta e comprometimento, mas não funciona como fazedor de gols – algo previsto aqui neste espaço.

Com mudanças feitas por Márcio Fernandes, o Remo inicialmente pareceu mais ágil nas ações ofensivas, superando até as precárias condições do campo do estádio Abadião. Emerson Carioca e Hélio Borges substituíram a Marcão e Alex Sandro, mostrando mais rapidez e busca de chegada pelos lados. Ronaell entrou na lateral esquerda e parecia que o time finalmente ia engrenar no jogo.

O problema é que não havia produção criativa no meio-campo. Zotti lançou algumas bolas no primeiro tempo, mas na etapa final acabou se resignando em tocar para os lados e acompanhar o festival de ligações diretas sem efeito prático para o time.

Nos minutos finais, meio aos trancos e barrancos, o Sobradinho foi mais eficiente e chegou ao gol através de Carlos Henrique, aos 41 minutos. Não havia mais tempo para reagir e nem o Remo demonstrava disposição para isso.

É claro que a desvantagem pode ser revertida no jogo de volta, marcado para 21 de agosto, mas ficou a sensação de que (com titulares ou reservas) o Remo parece ter perdido o foco e o rumo. Mesmo tardiamente, talvez seja oportuno um choque de gestão.

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Em maré positiva, Papão valoriza o emocional

O Papão, que tem um compromisso difícil amanhã em Lucas do Rio Verde, administra um momento oposto ao dos azulinos. Curiosamente, a paz voltou a reinar nos arraiais bicolores depois do triunfo no primeiro clássico Re-Pa da Série C.

Já comandado por Hélio dos Anjos, aquele jogo operou uma mudança de atitude e mentalidade dentro do grupo de jogadores do Papão. A parte anímica, tão fragilizada até então, passou a responder por um dos pilares da recuperação do time na competição.

Hélio, pelo conhecimento adquirido como técnico dos dois rivais em outras temporadas, soube ler perfeitamente a chance de dar um salto no campeonato. A maneira como o PSC se lançou ao jogo estabeleceu a diferença que norteia até agora a caminhada dos dois times no torneio.

Enquanto o Remo mergulhou em incertezas, condição aguçada pela perda de peças importantes (Douglas Packer, Carlos Alberto, Jansen e Garré), o PSC encaminhou um trajeto mais confiante e seguro.

Não por acaso, Hélio segue valorizando o ambiente e demonstrando até publicamente o quanto o cuidado com o elenco pode ser determinante para êxitos em série. A invencibilidade não se deve somente à subida de rendimento técnico. Tem muito a ver com a percepção de que o emocional também é decisivo.

Após os primeiros jogos na direção técnica, Hélio cuidou de enaltecer as atuações de Tiago Primão e Elielton. Ambos decolaram a partir desse momento. Essa prática se repete a cada rodada.

Depois de empatar com o São José na penúltima partida, o destaque foi para Higor Silva, que não havia atuado bem. Como reflexo disso, contra o Atlético, o mesmo Higor tomou conta do jogo. Parece coincidência, mas é apenas valorização dos jogos mentais.

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Seel abre oportunidade para desportistas de fé

O programa Vida Ativa na Terceira Idade, da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel) acaba de reabrir inscrições para preenchimento de vagas distribuídas em quatro núcleos. O período de matrículas dos alunos novos vai até 16 de agosto. As aulas começam no próximo dia 20.

As inscrições podem ser feitas nos polos da Associação dos Servidores da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Asalp), localizado na rodovia Mario Covas, em Ananindeua, e na sede da Tuna, situada na avenida Almirante Barroso.

O programa Vida Ativa oferece hidroginástica, natação, caminhada, ginástica, aerodança, dança folclórica, alongamento, voleibol, ioga, xadrez e memorização, para pessoas acima dos 50 anos, totalmente gratuito.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 14)

2 comentários em “Sem foco, Remo cai na estreia

  1. Considerando que esse time reserva é o que treina quase que diariamente com os titulares, podemos dizer então que esse seria um dos problemas do maus resultado do Remo nos últimos jogos?

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  2. Talvez seja Lucilo. Quando o sparring (como diriam no boxe) é fraco, imagino que time principal sinta a diferença quando encara uma equipe mais arrumada.

    Quanto ao texto do Gerson, se não me engano o Márcio tratou o 1o clássico como um “jogo normal”, ao contrário do Hélio, o que talvez até pesou para a vitória do PSC. Será que o 1o clássico influiu tanto na campanha das duas equipes no 2o turno?

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