Problemas na terra do meio

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo enfrentou contra o Tombense, no Mangueirão, o drama de perder um jogador de meio (Guilherme Garré) logo no começo da partida e sofreu muito em função disso, terminando por ser derrotado. Dias antes, o PSC havia passado pela mesma situação, ficando sem Tiago Primão nos primeiros minutos. Em consequência, amargou novo tropeço em casa.

As duas situações comprovam a importância da organização de meio-campo no futebol e a extrema carência de jogadores habilidosos nos times paraenses que disputam a Série C. Depois de 74 contratações de ambos os lados, soa esquisito que as escolhas tenham sido tão infelizes.

Para agravar o que já era preocupante, o Remo perdeu ao longo do campeonato dois jogadores importantes, Douglas Packer e Carlos Alberto. O primeiro saiu para o futebol internacional e o segundo ficou impossibilitado após diagnóstico de anemia grave.

No PSC, o mais regular dos meias do elenco é Tiago Primão. Pouco efetivo nos tempos de Brigatti e Condé, ele que chegou a ser dado como dispensável, mas foi resgatado por Hélio dos Anjos a partir do Re-Pa do turno. De sua cadência no meio depende hoje a funcionalidade do sistema adotado pelo PSC. Quando sai de campo, como na segunda-feira, surge um problema sério para recompor o setor.

Leandro Lima, o predileto de Hélio, não conseguiu se estabilizar como titular. Tiago Luís, aposta da diretoria e contratado a um custo acima da média da Série C, não adquiriu condicionamento para ser utilizado. Tomas Bastos, o mais novo contratado, vem evoluindo e representa a esperança de redenção para a meia-cancha bicolor.

No Remo, Eduardo Ramos virou andorinha solitária. Tem que articular, avançar, marcar e aparecer na frente para finalizar. Obviamente, não consegue dar conta de tantas tarefas, nem poderia. O plano de jogo da equipe exige um jogador posicionado logo atrás para distribuir passes e fechar a marcação ao lado dos volantes.

zotti-2

Zotti poderia ser a opção, mas ficou estigmatizado por erros capitais. Sua distração na saída de bola resultou em dois gols quando o Remo vencia Tombense e Boa Esporte. O técnico Márcio Fernandes admitiu a pessoas próximas que pensou em lançar Zotti no lugar de Garré, na quinta-feira, mas receou que a torcida hostilizasse o meia-armador.

É possível, porém, que Zotti tenha que ser escalado. A três jogos do fim da fase classificatória, Fernandes não tem opções criativas para armar o meio-campo. A não ser que aposte tudo em Eduardo Ramos cercado de volantes, terá que recorrer ao único especialista disponível para a criação de jogadas.

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Balotelli: novo projeto de problemas para o Flamengo

Insaciável na busca por reforços, o Flamengo mira novamente no mercado internacional. Como dinheiro não é problema, depois de importar o técnico Jorge Jesus e os jogadores Rafinha e Filipe Luís, o clube confirma interesse no atacante italiano Mario Balotelli serviu para agitar o mercado, deu assunto para as mesas-redondas e serviu também para desviar o foco da peia sofrida pelo time de Jorge Jesus na Arena Fonte Nova, domingo.

Livre para buscar clubes, Balotelli tem 28 anos, mas parece um veterano em fim de carreira. Tudo em função das muitas confusões em que se meteu, construindo uma imagem de jogador problemático. Perdeu valor de mercado, a ponto de ter seu nome recentemente rejeitado pela torcida do modesto Hellas Verona.

O que pode facilitar o negócio com o Flamengo é a ausência de multa rescisória, permitindo que um bom acerto salarial resolva a situação. Com passagens pela Inter de Milão, Milan e Manchester City, Balotelli surgiu cercado de grandes expectativas. Forte, rápido e de bom chute, manteve boa média de gols, mas perdeu espaço pelas brigas com os técnicos e pelos problemas criados fora de campo.

O chamado “pacote Balotelli” é visto com tranquilidade pela diretoria do Flamengo, cuja prioridade é internacionalizar a marca do clube, nem que seja trazendo jogadores sem mercado no futebol europeu. Com Gabigol e Bruno Henrique para o ataque, Balotelli seria o centroavante de ofício que Jesus não consegue ver em Gabriel.

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Os melhores são mesmo tão melhores assim?

Sempre achei que a escolha dos indicados para o prêmio de Melhor do Mundo da Fifa é mais aleatória do que justa, contaminada pelo cartaz dos nomes envolvidos e quase sempre incoerente com a produção dos jogadores na temporada. Pois Pep Guardiola, mordido com a ausência de nomes do Manchester City, também investiu publicamente contra os critérios de escolha.

Bernardo Silva, português que foi o motorzinho do City em 2018-2019, foi ignorado pelos selecionadores. “Talvez tenhamos que ganhar cinco ou seis títulos, ou chegar aos 250 pontos na classificação para ser considerado”, apontando a injusta valorização da Liga dos Campeões, mais ou menos o que reclamam os técnicos e jogadores fora do eixo europeu.

Em tempo, os indicados são: Cristiano Ronaldo (Juventus), De Jong (Ajax, Barcelona), Hazard (Chelsea, Real Madrid), De Ligt (Ajax-Juventus), Kane (Tottenham), Mane (Liverpool), Mbappé (PSG), Salah (Liverpool), Messi (Barcelona), Van Dijk (Liverpool).

Alisson, aposta entusiasmada da pachequista mídia do Sul e Sudeste, foi ignorado na escolha final. Enquanto isso, seu companheiro de time Van Dijk desponta como um dos favoritos para a premiação.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 06)