Novidades para reavivar o Leão

POR GERSON NOGUEIRA

A crise de criatividade que se abateu sobre o Remo desde a derrota para o São José há cinco rodadas, minando a boa pontuação do primeiro turno, obriga o técnico Márcio Fernandes a executar as mudanças que ele mesmo chegou a projetar, logo após o empate diante do Luverdense, sábado.

Vai para o jogo com o Ypiranga, amanhã à noite, com um time completamente modificado, em parte por força de suspensões – Fredson, Emerson Carioca e Daniel Vançan – e lesões – Rafael Jansen.

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Por conta disso, Mimica volta ao time depois de longa inatividade, iniciada no primeiro Re-Pa da temporada, ainda valendo pelo Campeonato Paraense. Outro retorno é o de Ronaell à lateral esquerda. E Gabriel é a estreia confirmada na lateral direita.

No meio de campo, onde se localiza a maior dificuldade criativa, Fernandes deve optar por uma formação diferenciada, que pode propiciar a utilização de um falso centroavante. Guilherme Garré deve ser o parceiro de Yuri, Ramires e Eduardo Ramos, tendo Gustavo e provavelmente Alex Sandro na frente.

A novidade pode ser a utilização de Eduardo Ramos como o atacante-surpresa, aproveitando a facilidade que ele tem para a finalização dentro da área. O gol marcado contra o LEC confirma essa virtude, que anda escassa entre os dianteiros à disposição de Fernandes.

Como Marcão Assis está com um incômodo na perna, é improvável que entre de cara no jogo. Independentemente disso, a sua presença diante do LEC desaconselha a manutenção como titular, a não ser que o Remo produza jogadas adequadas para as características do centroavante.

O fato é que, com Eduardo Ramos avançado ou não, o Remo está formatado para fazer um jogo de espera, explorando o contragolpe e isso deve ficar a cargo de Alex Sandro e Gustavo (ou Danilo Bala).

São apostas e desenhos que Márcio Fernandes precisa tirar da cartola para tentar fugir à mesmice e recolocar o time no caminho das vitórias.

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Uma (outra) grande noite do Furacão Rony

Reclamação generalizada, tumultos, irritação de jogadores com decisões erradas dos árbitros, demora na cobrança de penalidades, expulsão injusta. A rodada de ontem da Copa do Brasil foi assim, rica em problemas que nada dignificam o jogo. Em contrapartida, pouquíssimo futebol de qualidade.

Dentre os raros momentos de habilidade a serviço do espetáculo, destaca-se a inspirada atuação de Rony, o atacante paraense que puxa os ataques do Atlético-PR. Decisivo, foi dele o gol de empate do rubro-negro do Paraná que levou o jogo para os penais.

Outro belo gol foi o de Patrick, do Internacional, contra o Palmeiras. Um disparo certeiro de fora da área, sem defesa. Gol também fundamental por ter provocado a série de penalidades, com o triunfo colorado. Se bem que antes disso Cuesta marcou um gol normal, mas o VAR anulou.

Foram decisões empolgantes, como a que classificou o Grêmio em Salvador, e o Cruzeiro no Horto, mesmo perdendo por 2 a 0 para o Galo.

Diante de mais uma atuação desassombrada e brilhante, dou razão ao amigo bragantino Cláudio Guimarães, que costuma perguntar: quem disse que Everton Cebolinha é melhor que Rony? Concordo inteiramente. Pena que não tenha a badalação midiática do gremista.

E a Copa do Brasil vê sair de cena uma dupla de clubes milionários. Um Palmeiras com um time de R$ 35 milhões e um Flamengo com orçamento para o futebol beirando R$ 50 milhões mensais, tendo até um técnico importado para chamar de seu.

As características do torneio permitem que grandes favoritos fiquem pelo caminho, ao contrário do sistema de pontos corridos, infalível e chato na premiação à regularidade. Por conta disso, a Copa do Brasil se firma como a competição mais empolgante em atividade no país – e ainda teremos as semifinais e as finais.

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Recuerdos da Copa de 1994, a menos festejada de todas

Leio que os atletas campeões mundiais de 1994 fizeram uma festa ontem, confraternizando pelos 25 anos da conquista. Dunga, Viola, Jorginho, Bebeto, Aldair e outros marcaram presença. Não duvido que as matérias de TV e internet a respeito do evento registrem aqueles resmungos tradicionais de Dunga, irritado com tudo e com todos, principalmente os que elogiam a Seleção de 1982 e relativizam a conquista do tetra.

Não estou no time dos detratores do escrete de Parreira em 1994. Mas, ao mesmo tempo, não sou fã. Não consigo gostar daquela bola pragmática e centrada na marcação, com poucas variações criativas. Nem mesmo o brilho de Romário e Bebeto me faz esquecer jogos terrivelmente ruins, como contra os Estados Unidos e a Suécia.

Lembro, com riqueza de detalhes, da jornada épica em campos espanhóis, ocorrida 12 anos antes. Zico, Falcão, Sócrates, Junior e Éder jogaram muito mais do que a maioria dos canarinhos de 1994. Não levantaram a taça, mas deixaram marcas indeléveis. Jamais serão esquecidos.

Na verdade, há 25 anos, vibrei muito com o tetra, como todo mundo. Não foi uma comemoração orgulhosa. Fiquei meio sem jeito com aquele título ganho na cobrança de penais, como nunca havia ocorrido antes.

Admito que acabei por gostar mais do triunfo de 2002, no Mundial da Ásia. Havia mais craque emoldurando a conquista. Tínhamos os Ronaldos e, principalmente, Rivaldo. Só esse trio já compensa as presenças estranhas de Polga e Kleberson, invenções de Felipão.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 18)

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