A noite de glorificação dos Ramones

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Devidamente caracterizado para a ocasião, Eddie Vedder fez a saudação aos Ramones na festa de introdução do grupo punk no Rock’n’Roll Hall of Fame, no dia 18 de março de 2002, no hotel Waldorf Astoria, em Nova York. Amigo dos integrantes da banda, Vedder trabalhou como roadie dos Ramones antes de se tornar vocalista do Pearl Jam.

O reconhecimento aos pais do punk teve como ponto alto o discurso de Vedder. CJ Ramone, sentado na plateia e fora da programação oficial da organização, foi citado pelo cantor do Pearl Jam. No papel de fã, Vedder reconheceu a relevância de CJ, sua influência para os fãs de hardcore e puxou a fila nos aplausos ao músico.

ROCK HALL, NEW YORK, USA

Johnny Ramone, de braços cruzados, parecia desconfortável com a situação. Ele, aliás, ao final do discurso citou o ex-presidente americano George W. Bush enquanto Dee Dee, caricato como sempre, agradeceu a si mesmo.

Já o ex-baterista e produtor Tommy Ramone, único membro fundador ainda vivo, destacou a importância que este tipo de homenagem tinha para o já falecido vocalista Joey Ramone. Reafirmou o quanto eles gostavam uns dos outros apesar das muitas brigas. Depois da festa, os casais Johnny & Linda Ramone, Eddie & Jill Vedder, Kirk Hammett e amigos se reuniram para um jantar fechado.

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A frase do dia

“O chefe da máfia estatal, o “trombadinha da elite do atraso”, Sérgio Moro, que opera com meios milicianos: fraude, mentira, chantagem e extorsão, foi exposto. A hora da verdade chegou: retomamos a civilidade ou a máfia se apropria de vez do Estado. Qual o seu lado?”. 

Jessé Souza, escritor e sociólogo

Crimes contra jornalistas, radialistas e blogueiros aumentam 30% no Brasil em 2018

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Graves violações contra comunicadores, como jornalistas, radialistas e blogueiros, aumentaram cerca de 30% em 2018 se comparado com o ano anterior no Brasil, de acordo com relatório divulgado pela organização internacional Artigo 19.

Segundo o estudo “Violações à liberdade de expressão”, foram registrados 35 graves violações, sendo 26 ameaças de morte, quatro homicídios, quatro tentativas de homicídio e um sequestro no ano passado. Em 2017, a Artigo 19 registrou 27 casos.

O ano de 2018 repetiu o número registrado em 2012 e 2015, anos com a maior quantidade de casos. É a sétima vez que a organização publica esse relatório. A Artigo 19 é uma organização internacional de direitos humanos que atua na defesa e promoção da liberdade de expressão e do acesso à informação pública.

As informações apuradas no relatório dizem respeito somente às graves ocorrências. No entanto, também são monitoradas outras formas menos graves de violações, que servem de subsídio para o levantamento.

Segundo o estudo, o ano de 2018 foi internacionalmente reconhecido como violento para jornalistas. No Brasil, o perfil mais vulnerável é o do comunicador que atua em cidades pequenas, 19 casos (54%).

Os jornalistas foram os mais atingidos por graves violações em 2018, correspondendo a 17 casos (49%), sendo a maioria dos casos de ameaças de morte, em 14 ocorrências. Em segundo lugar, aparecem os radialistas, com 12 casos (34%), o maior número já registrado pela Artigo 19 de violações contra essa categoria.

Dos quatro assassinatos, dois casos foram de radialistas, um em Goiás, outro do Pará. Relatório do Ministério Público mostrou que, entre 1995 e 2018, 64 jornalistas, profissionais de imprensa e comunicadores foram mortos no exercício da profissão no Brasil.

Dos 35 comunicadores, 27 relataram ter sofrido algum tipo de violação anterior, como agressões verbais, intimidação, processos judiciais dentre outras. Dez contaram já ter recebido ameaças de morte em razão de sua atuação.

O relatório também identificou 5 casos de atentados a redações ou sedes de veículos em 2018. Em alguns casos, blogueiros e outros comunicadores trabalham em suas casas.

Em 2018, houve 11 casos de violações online, quando alguma ferramenta online serviu de meio para a veiculação de ameaça de morte, como aplicativos de mensagens, mídias sociais ou e-mails. Oito jornalistas foram alvos online. O relatório chama atenção para as subnotificações, já que muitos jornalistas não relatam essas ameaças.

Onde ocorrem as violações

A região Nordeste segue com o maior número de graves violações, com 13 casos, seguida pelo Sudeste, 8 casos, onde está a maior parte dos veículos de comunicação do Brasil, e 7 no Norte, dentre eles dois assassinatos.

São Paulo continua como o estado com mais casos, 5, repetindo o número de 2016 e 2017. Em seguida, aparecem Bahia e Paraíba, com 4 casos cada.

Apesar de as cidades pequenas concentrarem o maior número dos casos, houve crescimento nos registros ocorridos em cidades grandes (com mais de 500 mil habitantes): de 2 para 8 violações.

Quem comete?

Dentre as pessoas que mais cometem as violações estão políticos, policiais e agentes públicos em todos os anos levantados pelo relatório: 18 (51%) foram cometidas por agentes do estado, das quais 15 tiveram políticos por trás.

Os comunicadores são mais perseguidos após fazerem denúncias: 26 dos casos apurados (74%). A organização também chama a atenção para o alto número de casos em que os autores não se encaixam em nenhum perfil específico. “Trata-se do que uma das vítimas apontou com preocupação: a ascensão do cidadão comum como agressor. Alguns desses casos possuem um autor específico responsável pela ameaça, enquanto em outros há uma variedade de agressores”, diz o relatório.

“Outro traço dos ataques online é o ataque à figura pessoal da comunicadora ou comunicador. Dentre todos os tipos de motivação aqui listados, notamos ofensas e ataques direcionados à pessoa, não apenas ao conteúdo de sua produção. Este nível de personalização da agressão é preocupante, em especial quando a fronteira entre perfil pessoal e profissional de comunicadores em redes sociais muitas vezes não existe”, completa.

A principal motivação segue sendo a realização de denúncias, o que se nota em 26 dos casos apurados (74%).

“Os casos de graves violações em 2018 demonstram dois aspectos do cenário de violência. Primeiro, se reforçam as tendências históricas de ataques de pessoas poderosas, especialmente políticos, contra comunicadores em cidades pequenas que realizam denúncias contra ações realizadas por essas pessoas. Em segundo lugar, fica evidente um cenário que já vinha se desenhando nos últimos anos: os ataques online contra comunicadores têm se intensificado e impactado a vida e o trabalho de comunicadores inclusive fora da esfera virtual, de modo que novos desafios no enfrentamento da violência são colocados”, afirma Thiago Firbida, assessor de Proteção e Segurança da Artigo 19 e responsável pelo relatório. (Publicado no G1)

IstoÉ ou QuantoÉ?

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Por Kiko Nogueira, no DCM

A Istoé fez uma matéria no padrão IstoÉ para defender o ministro Sergio Moro.

O autor é o veterano jornalista Germano Oliveira, assessor informal da República de Curitiba, autor do famoso post de janeiro de 2018 comemorando a condenação de Lula com outros colegas.

“Essa turma eh da pesada e se reuniu hoje na sede do TRF4, em Porto Alegre, quando os desembargadores condenaram Lula por 3 a 0 a 12 anos e 1 mês de cadeia. Ainda da psra confiar na Justiça”, escreveu nas redes.

Segundo a peça de propaganda, os diálogos são “fruto da violação de celulares de autoridades brasileiras”, que é a versão oficial lavajatista. Carluxo poderia assinar a coisa tranquilamente.

A conta Xadrez Verbal, do Twitter, fez um bom trabalho desmontando a porcaria toda:

Uma hipótese comentada é a do uso do Telegram para desktop, ou ainda um vazamento interno. 

Aí diz que “jornalista Glenn Greenwald, dono do site The Intercept Brasil”. Não, Greenwald é editor, o dono do Intercept é Pierre Omidyar, fundador do eBay. 

É um erro tão grosseiro quanto dizer que o William Bonner é o dono da Globo.

Segue: “Em 2013, Snowden se aproximou dos irmãos bilionários Nikolai e Pavel Durov”. Não, Snowden, já asilado na Rússia, recebeu uma oferta de emprego por Pavel Durov como manobra publicitária. Eles nunca trabalharam juntos. 

Novamente, o “Pelé dos hackers” teria sido contratado pela merreca de 300 mil dólares “em bitcoins (a moeda virtual)”. Sim, “A” moeda virtual, caro internauta.

“O dinheiro teria circulado pelo Panamá antes de chegar a Anapa, na Rússia, onde foi transformado em rublos”. (…)

Aí vem a ideia de que os irmãos Durov, fundadores do Telegram, estariam apoiando Greenwald por “motivações puramente ideológicas. Adeptos do islã, eles teriam ficado enfurecidos com a proverbial predileção do presidente Jair Bolsonaro por Israel”.

Não há nenhum indício de que algum dos irmãos seja muçulmano tirando o fato de serem residentes de Dubai (uma cidade com 85% da população de origem estrangeira).

O matemático Nikolai se dizia ateu e Pavel frequentemente fazia trollagens sobre o pastafari, a religião paródia do Monstro do Espaguete Voador. Além disso, o Instagram de Pavel não é o mais adequado ao pudor religioso. 

Aí Germano Oliveira diz “Não custa lembrar que Greenwald e Snowden foram parceiros num trabalho desenvolvido em 2013” e que, por isso, “Greenwald se refugiou no Brasil, casando-se com o brasileiro David Miranda”. 

Tudo errado. Greenwald está com Miranda desde 2005. Teve matéria com a casa deles na Caras até! 

O texto continua ligando os vazamentos a “hackers profissionais” até fazer uma ligação com uma operação da PF, chamada Chabu, que prendeu integrantes da PF.

Por vazarem dados INTERNOS da polícia, não por saíram hackeando as pessoas, é uma ligação sem pé nem cabeça. Termina falando numa conexão Brasil-Rússia-Dubai que mais parece vôo da Emirates do que jornalismo.

Para complementar e ficar mais fácil para quem ler essa thread. 

O hacker citado é um dos mais famosos do mundo, é um “alvo fácil” pra acusar e 300 mil dólares é muito dinheiro pra mim e pra você; para contratar alguém que deu um golpe de mais de 20 milhões de dólares? Ainda mais para hackear pessoas importantes? Não é um valor razoável

Sobre rublos: russos não confiam no rublo, uma moeda fraca, poupam em dólar ou em euro sempre que podem. Faria ainda menos sentido um hacker usar rublos. 

Além disso, notem que a matéria não possui nenhuma aspa, nenhuma declaração, nada. Ou frases do Moro perante o Senado e o único nome citado é “Sob a coordenação do diretor-geral Maurício Valeixo, a PF acredita ter se aproximado dos hackers”. 

Oras, claro que é sob coordenação de Maurício Valeixo, ele é chefe da PF. 

É isso. Pode ter hackers? Sim. Podem ser hackers russos? Sim. Os irmãos Durov podem ter se tornado “muçulmanos malvadões”? Vai saber.

A matéria tem algo de concreto? Não. Tem um monte de erros? Sim.

Possui nenhuma aspa, nenhuma declaração, nada. Ou frases do Moro perante o Senado e o único nome citado é “Sob a coordenação do diretor-geral Maurício Valeixo, a PF acredita ter se aproximado dos hackers”.

Em maré baixa, Fernando Torres anuncia aposentadoria aos 35 anos

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O atacante espanhol Fernando Torres anunciou hoje, através de suas redes sociais, a aposentadoria do futebol após 18 anos de carreira. “Chegou o momento de pôr um ponto final à minha carreira”, disse Torres, que estava no Sagan Tosu, do Japão, em um vídeo de um minuto de duração divulgado através do seu perfil no Twitter.

Após uma série de imagens que refletem seus “apaixonantes 18 anos” de carreira, com passagens pelo Atlético de Madri, Liverpool, Chelsea e Milan, Torres afirmou que no próximo domingo dará uma entrevista coletiva onde vai informar todos os detalhes de sua decisão.

Fernando Torres, de 35 anos, chegou ao Japão em julho de 2018, com um contrato de ano e meio, onde tinha previsão de permanecer até dezembro, com a opção de renovar por mais uma temporada. Pelo clube japonês, “El Niño” Torres disputou 28 partidas, marcando somente três gols. O Sagan Tosu atualmente é o lanterna da J-League.

Natural de Fuenlabrada (Madri), Torres começou jogar futebol em equipes da sua cidade. Na temporada 1994-95, ele entrou nas categorias de base do Atlético de Madri. Pela seleção espanhola, Fernando Torres conquistou o bicampeonato da Eurocopa (2008 e 2012) e a Copa do Mundo de 2010, disputada na África do Sul. (Do UOL)

O governo mais ideológico da história?

Por Rudolfo Lago

Talvez para todo o sempre – mas certamente até aqui -, o modelo que segue administrando nossa correlação de forças política ainda é o criado após o fim da ditadura de Getúlio Vargas em 1945. Naquele momento, e até o golpe militar de 1964, fomos regidos por um triunvirato formado por PSD, PTB e UDN. A UDN era o partido conservador, de direita, surgido com a ascensão da classe média urbana e de seus profissionais liberais. O PTB era o partido trabalhista, de esquerda, que unia sindicatos e movimentos de trabalhadores, braço do getulismo. E o PSD a grande conformação de centro, que unia os caciques regionais. Brilhantemente retratado no livro da cientista política Lucia Hippolyto – “PSD, de Raposas e Reformistas” -, era o partido que garantia a governabilidade, impedia maiores arroubos e mantinha a fórmula estável.

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A ditadura militar acabou com os partidos pós-1945. Quando houve a redemocratização, surgiram novas legendas. Houve uma maior diluição, e a criação de partidos que não são absolutamente nada, não têm ideologia nenhuma e atuam como parasitas a sugar a seiva de quem quer que chegue ao poder. Mas, por trás dessa geleia, parece sobreviver o espírito do triunvirato PSD, PTB e UDN. A UDN está em todas essas conformações de direita. Não por acaso, num momento em que a direita ascende, há gente aí inclusive tentando ressuscitar a sigla. O PTB está no espírito trabalhista dos nossos principais partidos de esquerda. O PDT como herdeiro original, o PT tentando inicialmente fazer um contraponto ao antigo trabalhismo, para, na prática, não ser lá tão diferente.

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Mas é principalmente o PSD que parece estar no cerne do espírito da busca da coalizão para a manutenção da governabilidade. E, aqui, não falamos necessariamente da coalizão distorcida. Da governabilidade mantida a partir do toma-lá-dá-cá, do fisiologismo, do “É dando que se recebe”. Mas da coalizão saudável. Da necessidade de concertação diante dessa multidão de partidos, numa sociedade multifacetada.

Até a eleição de Jânio Quadros, o PSD deu um jeito de manter a governabilidade apesar dos arroubos da direita extremada doida para dar um golpe. Quando Jânio se elegeu, imprevisível, o arranjo de concertação foi pro vinagre, e deu no que deu.

Não são poucos agora os que sentem um cheiro de Jânio no ar. Além do grau de imprevisibilidade parecido, soma-se agora a extrema casca ideológica do núcleo duro no poder. Possivelmente, temos hoje o governo mais ideológico da nossa história – incluídos aí os governos das ditaduras. O que tem feito bater na trave todas as tentativas de moderação vindas do centro. O resultado não poderia ser outro: instabilidade crônica.

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Os episódios das demissões do general Santos Cruz da Secretaria de Governo e de Joaquim Levy da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) são fortes exemplos disso. Na campanha, Bolsonaro elegeu-se com o discurso da necessidade de retirar da vida das pessoas a influência ideológica. Afirma que isso acontece nas escolas, que é assim nas universidades, etc. Mas, na melhor das hipóteses, o presidente apenas trocou uma ideologia por outra. Na pior, e que está se mostrando mais provável, introduziu na nossa rotina uma ideologia forte como nunca antes se viu.

O fato de Joaquim Levy ter sido ministro da Fazenda de Dilma Rousseff é um exemplo claro de que ideias mais conservadoras podiam habitar no universo anterior. Essa, aliás, foi a grande crítica que então se fez a Levy e a Dilma: ela passou a campanha dizendo que não havia crise, e botou um cara para fazer o choque fiscal da maneira mais conservadora possível na economia. Levy não foi parar como um clandestino na equipe de Paulo Guedes. Levy sempre foi muito mais próximo ao pensamento de economistas como Guedes do que da turma da esquerda.

Mas Levy cai somente por causa dessa sua vinculação passada. Porque Bolsonaro sonhou com uma devassa nas contas do BNDES, que mostraria monstruosas irregularidades cometidas com o nosso dinheiro. Levy não entregou a tal devassa. Agora, veremos se não fez isso por alguma lealdade aos antigos patrões ou porque não encontrou mesmo nada de tão grave assim. Levy sai do governo elogiado por Rodrigo Maia e outras figuras do centro.

Já Santos Cruz era junto com Hamilton Mourão o retrato de uma moderação militar que ninguém esperava muito antes da eleição. Era ele quem evitava na Secretaria de Governo que imperasse uma relação radical, que elegesse a imprensa como inimiga, só falasse com blogs amigos e jogasse o equilíbrio às favas. Ou seja: uma radicalização a um grau extremo de algo que os governos petistas ensaiaram, principalmente nos seus últimos momentos: imprensa como inimiga e ajuda aos blogs amigos.

Assim como aconteceu com o imprevisível e bagunçado Jânio, o centro faz agora ensaios de afastamento. Ou de ser afastado, o que neste momento parece ser a leitura mais correta. Na manhã desta terça-feira, faziam na Câmara do Rio uma homenagem a Mourão, e Carlos Bolsonaro deixou a sessão em protesto.

Na época de Jânio, o afastamento do centro representado pelo PSD desequilibrou a fórmula e permitiu a ascensão dos radicais, de um lado e de outro. O que levou ao golpe militar e a ausência de democracia por vinte anos nas nossas vidas.

Deus queira que nada de parecido aconteça agora. Mas o Brasil certamente não são os 15% mais radicais que aplaudem os posts incompreensíveis de Carlos Bolsonaro ou que riem das piadas escatológicas de Olavo de Carvalho. Se é verdade que o país precisa das reformas estruturantes, como a da Previdência, a aprovação delas passa pelo centro. Pelo PSD diluído hoje no Congresso e comandado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. A fórmula que nos mantém estáveis permanece a mesma. (Transcrito de Os Divergentes)

Em busca do melhor arranjo

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POR GERSON NOGUEIRA

Da crise pode nascer a oportunidade de redenção. Este é o mote que embala as expectativas do Papão a três dias do clássico com o Remo. Pressionado, o time de Hélio dos Anjos faz campanha pouco convincente na Série C, semeia dúvidas na cabeça dos torcedores e não vence há seis rodadas. Em quarto lugar na classificação, antes do começo da 9ª rodada, o PSC está cinco pontos atrás do maior rival.

Historicamente, porém, o Re-Pa é marcado por resultados que desmentem favoritismos e supostas vantagens técnicas. É comum que o clássico favoreça equipes que chegam desacreditadas.

Como é uma partida marcada por duelos de ordem técnica, muita marcação e sujeita a influências emocionais, o choque-rei raramente tem favoritos. É exatamente o cenário que se desenha desta vez.

Apesar de fatores que não podem ser desconsiderados – como o bom posicionamento na Série C, a conquista do Campeonato Paraense e o encaixe de um plano de jogo –, o Remo não tem uma superioridade tão ampla que permita prognóstico certeiro.

Com problemas até para montar o sistema defensivo, pois não dispõe dos laterais especialistas pelo lado direito, Hélio dos Anjos testa eventuais substitutos e deixa no ar a possibilidade de repetir meio-campo e ataque escalados contra o Luverdense.

Difícil imaginar que se arrisque a ter Tiago Primão e Tiago Luís lado a lado na composição de meia-cancha. Ambos marcam muito pouco e é natural que a preparação para o clássico inclua cuidados com o bloqueio defensivo.

Diante do Luverdense, Uchoa foi o único volante, mas contra o Remo é provável que Hélio dos Anjos use também Caíque ou Johnny Douglas, com a provável entrada de Leandro Lima para fazer a articulação.

Nessa configuração, Tiago Luís seria utilizado como meia-atacante, atuando próximo a Nicolas e Vinícius Leite ou Paulo Rangel. Aliás, acompanhando o baixo rendimento do time, Nicolas nunca mais conseguiu ser o jogador decisivo de outras jornadas.

Nos treinos desta semana, Elielton chegou a ser observado como ala defensivo, o que deu a impressão de que o técnico considerou a hipótese de usar uma linha de três zagueiros – Micael, Perema e Vítor Oliveira – e cinco homens (Elielton, Uchoa, Caíque, Tiago Luís e Diego Matos).

O que desaconselha um eventual 3-5-2 é o temor de desmontar o sistema defensivo, que vem funcionando bem, tendo sofrido somente quatro gols em oito partidas.

Mesmo que passe a ideia de mistério excessivo, Hélio dos Anjos tem lá seus motivos para guardar a sete chaves a formatação de time para o jogo, principalmente se tiver alguma ousadia em mente. E é preciso entender que para o PSC o jogo vale mais do que para o rival, que não corre riscos de sair do G4 se for derrotado.

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Messi na seleção argentina: solidão sem fim

Quando a Argentina joga, a sensação é de que os deuses da bola parecem estar na bronca com Lionel Messi. Aclamado como maior craque em atividade no futebol mundial, o camisa 10 mostra abandono e isolamento no fraquíssimo time treinado por Lionel Scaloni.

Sem companheiros que tornem aquele amontoado algo próximo da ideia de uma seleção, Messi se desloca, corre por todos os setores do campo e oferece alternativas para ser lançado, mas nada acontece.

O vazio de ideias é uma das marcas do selecionado, que veio para esta Copa América com o mesmo desinteresse mostrado na Copa de 2018.

Messi é, indiscutivelmente, um fora-de-série. Ganhou uma pilha respeitável de Bolas de Ouro. Absoluto, comanda o Barcelona esbanjando qualidades e encantando o mundo.

Anteontem, contra o modesto Paraguai, Messi teve seus esforços frustrados na tentativa de dar ao time feições competitivas. O único momento de discreta alegria foi na hora de cobrar o pênalti e vencer Gatito Fernandez com um chute seco e indefensável no canto esquerdo.

Receio que seja a única vez que tenhamos visto um sorriso de Messi no torneio. Sem esquecer que, em 2014, no Mundial de Futebol, ele acabou eleito o craque da competição sem ter sido nem sombra do genial meia-atacante do Barcelona. O Brasil parece que não combina com La Pulga.

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Decisão do STJD instituiu a “lei do apito”

A decisão que beneficiou o Palmeiras no julgamento do recurso do Botafogo, apontando erro de direito do árbitro do jogo entre os dois times, foi ainda pior do que o flagrante desconhecimento das regras do VAR pelo apitador. Paulo Roberto Alves Jr. não poderia reiniciar o jogo com o lance em análise pelo VAR, mas depois do lance na área botafoguense ele fez um gesto com o braço mandando o jogo reiniciar. No julgamento-show armado pelo STJD em Salvador, o juiz disse que não apitou, como se isso provasse que não autorizou o reinício. As imagens da TV o desmentem.

Apesar dos protestos do Botafogo e de um dos auditores do tribunal, é pouco provável que Paulo Roberto seja punido. Fica valendo a filigrana técnica de que só o apito confirmaria o reinício do jogo. O placar da votação (9 a 0) prova que o tribunal preferiu fingir que acreditou na versão do árbitro a ter que mudar o resultado de campo.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 21)