Por Jamil Chade
Suspeito de corrupção, o ex-presidente da Uefa e um dos principais jogadores da história da França, Michel Platini, foi detido nesta terça-feira. As informações foram reveladas pelo site, Mediapart, e confirmadas pelo blog. O ato estaria relacionado com uma investigação sobre corrupção envolvendo a escolha da sede da Copa do Mundo, em 2022 no Catar. A escolha, realizada em 2010, também levantou suspeitas sobre cartolas sul-americanos, principalmente sobre o papel de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF. Na Suíça, o brasileiro é alvo de investigações relacionadas com seu apoio ao Catar.

De acordo com os franceses, o ex-secretário-geral do presidente Nicolas Sarkozy, Claude Guéant, também foi levado a prestar depoimento. Mas não foi detido. Outro alvo é Sophie Dion, uma ex-conselheira do governo e ex-deputada. Ela teria ligações próximas com o país sede da Copa e foi a presidente do grupo parlamentar França-Catar. Uma cátedra que ela lidera numa das universidades francesas também seria financiada pelo Catar.
O Ministério Público da França investiga eventuais pagamentos aos cartolas e mesmo políticos por parte do Catar para garantir que o país fosse escolhido como sede da Copa. Ao blog, o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, voltou a afirmar há dois meses que a escolha havia sido uma decisão tomada em Paris, justamente num jantar entre o emir do país do Golfo, Tamim Ben Hamad Al Thani, Sarkozy e o próprio Platini.
O encontro ocorreu no dia 23 de novembro, no Palácio do Eliseu. Ali, Sarkozy teria instruído Platini a votar pelo Catar, alertando sobre as implicações econômicas positivas que o gesto teria. O encontro ainda contava com o então primeiro-ministro e chanceler Hamad Ben Jassem.
Pouco depois da vitória do pequeno país na Fifa, emissoras da Catar comprariam os direitos do campeonato francês e não demoraria mais que oito meses para que o PSG passasse para as mãos do emir, por menos de US$ 100 milhões. A compra do time de Paris envolveu ainda pagamentos a um aliado de Sarkozy, Sebastian Bazin, que controlava o clube. Outro foco dos investigadores é o pagamento da emissora Al-Jazeera à Federação Francesa de Futebol.
Mesmo contratos de defesa estariam no pacote, assim como a garantia de que serão empresas francesas que farão a segurança da Copa, em 2022. Depois do voto, outros acordos ainda foram anunciados: a Catar Airways escolheu a Airbus para fornecer 50 novos aviões, fabricados na França, e o filho de Platini ganhou um cargo numa empresa do país. Em 2016, as autoridades francesas já tinham aberto uma investigação sobre corrupção e tráfico de influência, colaborando com a Justiça dos EUA e da Suíça.
Em 2017, Blatter foi alvo de um questionamento e, agora, a Justiça francesa quer voltar a interroga-lo. Platini, que por anos havia sido contra o Catar e defendido a candidatura dos EUA, surpreendeu a todos quando mudou de posição e levou consigo os votos da Uefa ao país do golfo. Em 2010, seria essa mudança que teria garantido a vitória do Qatar sobre a candidatura favorita dos EUA.