Intercept: Lava Jato fingiu investigar FHC para dar impressão de “imparcialidade”

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Um trecho do chat privado entre Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol revela que o ex-juiz discordou de investigações sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na Lava Jato porque, nas palavras dele, não queria “melindrar alguém cujo apoio é importante”. O diálogo ocorreu em 13 de abril de 2017, um dia depois do Jornal Nacional ter veiculado uma reportagem a respeito de suspeitas contra o tucano.

Naquele dia, Moro chamou Deltan Dallagnol em um chat privado no Telegram para falar sobre o assunto. O juiz dos processos da Lava Jato em Curitiba queria saber se as suspeitas contra o ex-presidente eram “sérias”. O procurador respondeu acreditar que a força-tarefa – por meio de seu braço em Brasília – propositalmente não considerou a prescrição do caso de FHC e o enviou ao Ministério Público Federal de São Paulo, segundo ele, “talvez para [o MPF] passar recado de imparcialidade”. (…)

À época, a Lava Jato vinha sofrendo uma série de ataques, sobretudo de petistas e outros grupos de esquerda, que a acusavam de ser seletiva e de poupar políticos do PSDB. As discussões haviam sido inflamadas meses antes, quando o então juiz Moro aparecera sorrindo em um evento público ao lado de Aécio Neves e Michel Temer, apesar das acusações pendentes de corrupção contra ambos.

HC foi citado na Lava Jato pelo menos nove vezes (1234 e 5678 e 9). Caso fossem investigados e comprovados, nem todos os possíveis crimes cometidos pelo ex-presidente estariam prescritos.

Naquele dia, antes de responder a Moro, Dallagnol encaminhou a dúvida do juiz para um chat em grupo chamado Conexão Bsb-CWB, no qual estavam procuradores das duas cidades. Foi de Brasília, onde o caso tramitava, que ele recebeu a resposta de que a documentação foi encaminhada a São Paulo sem a análise sobre a prescrição. (…)

Em julgamento-show, STJD mantém pontos do Palmeiras

Por 9 votos a 0, o Pleno do STJD manteve o resultado da partida entre Palmeiras e Botafogo, com a vitória da equipe alviverde. O resultado foi festejado pelos palmeirenses, embora já houvesse a expectativa de que o tribunal não iria alterar o placar de campo. A questão técnica alegada pelo Botafogo, sobre se o árbitro autorizou o recomeço do jogo antes de consultar o VAR (como de fato ocorreu), não foi levada em conta pela corte desportiva. Prevaleceu a tese, questionável, de que o juiz não acionou o apito dando reinício ao jogo. As imagens mostram que ele autorizou com um aceno.

O julgamento aconteceu nesta terça à tarde, na Faculdade Baiana de Direito, em Salvador (BA), com direito a plateia e um esquema de “show”. Com a manutenção da vitória, o Alviverde chega a 25 pontos e fica cinco à frente do vice-líder Santos. Agora, o STJD irá comunicar o resultado à CBF. Assim que a entidade máxima do futebol brasileiro for comunicada, a tabela com os pontos do Palmeiras será atualizada.

Os auditores foram Arlete Mesquita, Mauro Marcelo de Lima e Silva, João Bosco Luz, Décio Neuhaus, José Perdiz e Antônio Vanderler, além do vice-presidente administrativo Ronaldo Piacente, o vice-presidente Otávio Noronha, sub-procurador Leonardo Andreotti e do presidente Paulo César Salomão Filho. Todos votaram contra a anulação da partida.

O Botafogo pedia a impugnação da partida, que terminou em vitória do Palmeiras por 1 a 0, alegando que o VAR foi usado de forma indevida, o que representa um erro de direito e possibilitaria anular o jogo segundo a regra 5 da FIFA e protocolo 8.12 do VAR. O clube carioca ainda pode recorrer ao Tribunal de Apelação, na Suíça.

Agende aí: estreia amanhã na Netflix

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“Foram dias intermináveis pelos bastidores de Brasília. Dias e noites. Meses, talvez. Limpar as lentes e ajustar o foco faziam parte de uma espécie de ritual diário para registrar nossa vertigem. Estamos todos ansiosos para mostrar o resultado desses três anos de trabalho. ‘Democracia em Vertigem’ estreia quarta na Netflix!”. Palavras de Petra Costa, no Facebook, a respeito da estreia do documentário.

Remo abre a venda de ingressos para o clássico

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O Remo iniciou nesta terça-feira a venda de ingressos para o Re-Pa de domingo. Como de praxe, serão 17.500 bilhetes do lado A do estádio,  destinado à torcida azulina. As diretorias de PSC e Remo fecharam acordo com relação ao preço das entradas: cada lugar na arquibancada custa R$ 40,00, enquanto o setor de cadeiras está sendo comercializado a R$ 60,00. A venda acontece em 12 pontos espalhados pela Região Metropolitana de Belém.

O torcedor azulino pode optar por comprar ingressos nos cartões de crédito ou débito, apenas nas lojas oficiais do Remo, com acréscimo de 3% (débito) e 5% (crédito). No dia da partida, os bilhetes serão vendidos nas bilheterias do ginásio Mangueirinho, das 12h às 18h30. Os portões do estádio serão abertos às 15h de domingo. Os bilhetes de meia-entrada serão reservados pelo site do MeuBilhete na sexta-feira (21), a partir das 08h.

A insana defesa da política armamentista

O cidadão que vai às redes sociais defender uma campanha intitulada “Armas pela vida” é um representante típico desses tempos doentios e intolerantes. Inverte completamente a lógica das coisas, pois passa a ideia de que armas existem para garantir a vida, preservar a paz. Os fatos mostram justamente o oposto dessa crença: quanto mais armas, menos vida. Armas significam morte e violência, não o contrário.

Empresários financiaram disparos em massa pró-Bolsonaro no WhatsApp, diz jornal

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Empresas brasileiras pagaram uma agência de marketing com sede na Espanha para fazer disparos de mensagens de Whatsapp a favor de Jair Bolsonaro, segundo uma reportagem da Folha de S.Paulodivulgada nesta terça-feira. Áudios obtidos pelo jornal com uma fonte mantida em sigilo mostram Luis Novoa, diretor da espanhola Enviawhatsapps, afirmar que “empresas, açougues, lavadoras de carros e fábricas” do Brasil financiaram a compra de um software produzido por ele para disparar mensagens em massa durante a campanha. Segundo a reportagem, não existem indícios de que Bolsonaro soubesse das ação, que podem configurar  crime eleitoral. Pela manhã, o presidente comentou o conteúdo da reportagem em um evento em Brasília. “Teve milhões de mensagens a favor da minha campanha e talvez alguns milhões contra também.”

As informações publicadas pelo jornal nesta terça trazem novos elementos para uma suspeita trazida pelo jornal em agosto do ano passado, e que levaram a abertura de uma investigação no Tribunal Superior Eleitoral. Na ocasião, a Folharevelou que empresas brasileiras fecharam contratos de até 12 milhões de reaispara financiar disparos em massa no WhatsApp, a principal rede usada na campanha pelos bolsonaristas. Os destinatários eram usuários da base de dados da própria campanha de Bolsonaro ou de banco de dados vendidos por terceiros (esta segunda modalidade é proibida por lei). Um dos empresários por trás do esquema foi Luciano Hang, dono da rede Havan. Existem indícios de que apoiadores do PT usaram o mesmo expediente no WhatsApp.

Novoa, dono da Enviawhatsapps, afirmou ao jornal que não tinha conhecimento da utilização irregular de seu aplicativo até que o Whatsapp suspendeu algumas das linhas de sua empresa. “Estávamos tendo muitíssimos cortes, fomos olhar os IPs [endereço de Internet], era tudo do Brasil, olhamos as campanhas, eram campanhas brasileiras”, disse o empresário no áudio. De acordo com o jornal, brasileiros compraram cerca de 40 licenças de software da agência espanhola, que, em conjunto,permitiam até 20.000 disparos de mensagens de campanha por hora nas últimas eleições. O jornal ainda aponta que a licença para um mês, segundo o site da Enviawhatsapps, custa 89 euros (386 reais), a anual custa 350 euros (1.518 reais), e o WhatsApp Business API, voltado especificamente a empresas, sai por 500 euros ao ano (2.169).

A mesma empresa espanhola foi responsável por campanhas de disparos em massa de WhatsApp na Espanha. As contas dos partido de esquerda Podemos e PSOE acabaram suspensas pelo aplicativo, por violação das regras de uso, já que o WhatsApp não permite disparos em massa. O mesmo aconteceu no Brasil durante as presidenciais do ano passado.

A campanha de 2018 foi marcada pela disseminação de conteúdo falso nas redes sociais e em grupos de Whatsapp. O candidato derrotado Fernando Haddad (PT) acusou a equipe de Bolsonaro de estar por trás e de não coibir essas práticas. Em algumas mensagens o petista teve seu nome associado à pedofilia e a uma mamadeira com formato de pênis que, segundo o texto, teria sido enviada para creches durante a gestão de Haddad na prefeitura de São Paulo. Por sua vez, simpatizantes do PT espalharam notícias falsas afirmando que o programa Bolsa Família iria acabar caso o candidato do PSL fosse eleito. Inquéritos abertos para apurar irregularidades ainda não tiveram grandes avanços no TSE.

A relação de empresários com mensagens pró-Bolsonaro também já haviam sido apontadas pelo EL PAÍS Brasil em agosto de 2018. Hang, o dono da Havan que meses depois cometeria irregularidades financiando disparos em massa no Whatsapp, pagou para impulsionar mensagens favoráveis ao militar da reserva no Facebook. A prática é ilegal, uma vez que apenas representantes oficiais das campanhas podem contratar impulsionamento de conteúdo eleitoral nas redes. De acordo com o TSE isso seria “terceirização da propaganda”, algo vedado pela nova legislação eleitoral. Após a reportagem, o Tribunal ordenou que Hang removesse o conteúdo de suas páginas, depois que o vídeo postado pelo empresário já tinha alcançado mais de um milhão de pessoas. (Transcrito do El País)

Platini é detido em investigação sobre escolha do Catar para sediar Copa-2022

Por Jamil Chade

Suspeito de corrupção, o ex-presidente da Uefa e um dos principais jogadores da história da França, Michel Platini, foi detido nesta terça-feira. As informações foram reveladas pelo site, Mediapart, e confirmadas pelo blog. O ato estaria relacionado com uma investigação sobre corrupção envolvendo a escolha da sede da Copa do Mundo, em 2022 no Catar. A escolha, realizada em 2010, também levantou suspeitas sobre cartolas sul-americanos, principalmente sobre o papel de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF. Na Suíça, o brasileiro é alvo de investigações relacionadas com seu apoio ao Catar.

Preliminary Draw of the 2018 FIFA World Cup in Russia

De acordo com os franceses, o ex-secretário-geral do presidente Nicolas Sarkozy, Claude Guéant, também foi levado a prestar depoimento. Mas não foi detido. Outro alvo é Sophie Dion, uma ex-conselheira do governo e ex-deputada. Ela teria ligações próximas com o país sede da Copa e foi a presidente do grupo parlamentar França-Catar. Uma cátedra que ela lidera numa das universidades francesas também seria financiada pelo Catar.

O Ministério Público da França investiga eventuais pagamentos aos cartolas e mesmo políticos por parte do Catar para garantir que o país fosse escolhido como sede da Copa. Ao blog, o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, voltou a afirmar há dois meses que a escolha havia sido uma decisão tomada em Paris, justamente num jantar entre o emir do país do Golfo, Tamim Ben Hamad Al Thani, Sarkozy e o próprio Platini.

O encontro ocorreu no dia 23 de novembro, no Palácio do Eliseu. Ali, Sarkozy teria instruído Platini a votar pelo Catar, alertando sobre as implicações econômicas positivas que o gesto teria. O encontro ainda contava com o então primeiro-ministro e chanceler Hamad Ben Jassem.

Pouco depois da vitória do pequeno país na Fifa, emissoras da Catar comprariam os direitos do campeonato francês e não demoraria mais que oito meses para que o PSG passasse para as mãos do emir, por menos de US$ 100 milhões. A compra do time de Paris envolveu ainda pagamentos a um aliado de Sarkozy, Sebastian Bazin, que controlava o clube. Outro foco dos investigadores é o pagamento da emissora Al-Jazeera à Federação Francesa de Futebol.

Mesmo contratos de defesa estariam no pacote, assim como a garantia de que serão empresas francesas que farão a segurança da Copa, em 2022. Depois do voto, outros acordos ainda foram anunciados: a Catar Airways escolheu a Airbus para fornecer 50 novos aviões, fabricados na França, e o filho de Platini ganhou um cargo numa empresa do país. Em 2016, as autoridades francesas já tinham aberto uma investigação sobre corrupção e tráfico de influência, colaborando com a Justiça dos EUA e da Suíça.

Em 2017, Blatter foi alvo de um questionamento e, agora, a Justiça francesa quer voltar a interroga-lo. Platini, que por anos havia sido contra o Catar e defendido a candidatura dos EUA, surpreendeu a todos quando mudou de posição e levou consigo os votos da Uefa ao país do golfo. Em 2010, seria essa mudança que teria garantido a vitória do Qatar sobre a candidatura favorita dos EUA.