Mídia internacional destaca êxito da primeira greve geral contra Bolsonaro

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O estrondoso êxito da greve geral contra a reforma da Previdência e os cortes de investimentos na educação pública não teve maior destaque na grande mídia brasileira, mas repercutiu intensamente em outras latitudes, em meios de comunicação de diferentes continentes, que destacam o fato de que, embora o atual governo de Jair Bolsonaro já tenha enfrentado protestos de estudantes e professores, no mês passado, esta é a primeira mobilização organizada pelos trabalhadores durante o seu mandato.

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Nos Estados Unidos, o Washington Post e o New York Times republicaram a mesma nota da agência Associated Press, que explica: “por que se realiza uma greve geral no Brasil?”.

O texto informa que “a greve nacional promete mobilizar os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal, e é a primeira desde a chegada ao poder do presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro. Embora a maioria dos manifestantes esteja protestando contra uma reforma previdenciária que tramita no Congresso, outros estão nas ruas contra os cortes orçamentários na Educação Pública, contra uma economia lenta e a agenda conservadora do governo”. Finalmente, prevê que “a participação deve ser particularmente forte no Nordeste, o bastião histórico do Partido dos Trabalhadores, principal partido da oposição”.

Entre os meios europeus, o jornal espanhol Público relata que “os sindicatos vêm esquentando os motores da greve desde 1º de maio, dia em que ela foi anunciada”. A matéria do meio ibérico também comenta que a greve é “organizada por organizações politicamente distantes, mas que nunca estiveram tão unidas: a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical. E ambas fazem previsões otimistas”.

Na França, a rádio internacional RFI informa que “muitos transtornos são esperados nos transportes nesta primeira greve geral contra o governo de Jair Bolsonaro”. Ao se referir às razões da greve, especialmente a reforma da Previdência, a rádio diz que “os sindicatos temem que os mais pobres paguem o preço pela reforma”, e fez comentários curiosos sobre a postura de Bolsonaro sobre o tema: “eleito notavelmente graças aos votos dos aposentados, o presidente está envergonhado. Ele negou parcialmente seu ministro da economia, o principal arquiteto dessa reforma”.

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Já o portal russo RT destaca uma declaração do presidente da CUT, Vagner Freitas, em que ele avalia que “a greve geral é de todos. Nesta sexta não é para ir ao trabalho, é dia de ficar em casa, de cruzar os braços e dizer que nós não aceitamos ataques aos nossos direitos, à soberania nacional e à democracia”.

Finalmente, o canal venezuelano TeleSur lembra que a greve geral ocorre no dia da abertura da Copa América, e mostra o temor de que “a paralisação poderia afetar a mobilidade dos torcedores ao estádio do Morumbi, em São Paulo, onde acontecerá a partida entre as seleções do Brasil e da Bolívia”.

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Jornalismo brasileiro perde Clóvis Rossi

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Do Comunique-se

O jornalismo brasileiro acaba de perder um experiente e premiado representante. Colunista e conselheiro editorial da Folha de S. Paulo, Clóvis Rossi morreu na madrugada desta sexta-feira, 14, na capital paulista. Ele estava em casa, recuperando-se de um infarto sofrido na última semana, conforme divulgado pelo jornal em que trabalhava. Aos 76 anos, deixa a mulher, com quem estava junto há mais de 50 anos, três filhos e três netos. Reconhecido pelo público e por seus pares da imprensa, era um “Mestre do Jornalismo” devido às vitórias conquistadas no Prêmio Comunique-se.

Ao informar o falecimento do premiado profissional, a equipe da Folha destacou o fato de Clóvis Rossi ser o decano da redação. Ele trabalhava para o veículo de mídia desde 1980. Para o impresso, atuou como repórter e chegou a ser correspondente internacional. Trabalhou em Buenos Aires (Argentina) e Madri (Espanha). Nos últimos anos, integrava o time de colunistas da publicação. Até sofrer infarto, escrevia novos textos seis vezes por semana — o jornal paulistano só não tinha artigos dele aos sábados. Com sua bagagem na cobertura dos bastidores do poder, analisa especialmente questões internacionais e da política nacional.

Justamente a editoria política lhe rendeu o título de “Mestre do Jornalismo” do Prêmio Comunique-se. Ele venceu a categoria ‘Nacional – Mídia Escrita’ em cinco oportunidades: 2004, 2006, 2009, 2011 e 2013. Foi, inclusive, o primeiro vencedor da categoria, que quando criada se chamava ‘Jornalista de Política’. Além do “Oscar do Jornalismo Brasileiro”, Clóvis Rossi foi contemplado com outros troféus ao longo de sua carreira, tendo até destaques internacionais. Entre outros, ganhou o Maria Moors Cabot, promovido pela Universidade de Columbia. Também conquistou o evento organizado pela Fundação para um Novo Jornalismo Iberoamericano.

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Carreira

Antes de chegar à Folha de S. Paulo e manter com ela parceria profissional por longos 29 anos, Clóvis Rossi passou por outros veículos de comunicação. Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, de São Paulo, iniciou a sua trajetória na imprensa em 1963. Foi funcionário dos diários Correio da Manhã, Estadão (onde chegou a ser editor-chefe), Jornal do Brasil e Jornal da República. Em revista, trabalhou para a IstoÉ e para a AutoEsporte, demonstrando que seu talento ia para além da editoria sobre política. Em tempos de internet, já contratado da Folha, o “Mestre do Jornalismo” do Prêmio Comunique-se chegou a ser blogueiro da versão em espanhol do El País.

Seus trabalhos, porém, não se resumiram à imprensa hard news. O mercado editorial também contou com a sua escrita. Teve dois livros publicados. O primeiro foi comercializado pela Brasiliense em 1980. O título do conteúdo assinado por Clóvis Rossi é auto explicativo: afinal, explica ao leitor O que é o Jornalismo. A segunda obra, de 1999, é uma espécie de autobiografia. Em Enviado Especial – 25 anos ao Redor do Mundo (Editora Senac), ele relata suas principais experiências jornalísticas fora do Brasil. Tudo isso fez com que o profissional fosse o grande homenageado na edição de 2015 do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Clóvis Rossi desempenhou sua função de colunista da Folha de S. Paulo normalmente até a última sexta-feira, 7. Em meio à recuperação do infarto sofrido na última semana e à recuperação no Hospital Albert Einstein, o jornalista escreveu aquele que foi o seu último texto. Em “Boletim Médico”, ele fala sobre a ausência de novos artigos. Era, conforme brincou, “uma satisfação devida ao leitor, se é que há algum”. Leitores que, sim, existiam, mas que faltaram com a verdade, segundo a descontração característica do colunista. “Até mentiram dizendo que estavam sentindo a minha falta”, escreveu.

Queridinha do ranking da Fifa, Bélgica amplia vantagem sobre a França

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A seleção belga aumentou sua vantagem sobre a França no Ranking da Fifa, divulgado nesta sexta-feira, onde a seleção brasileira, que à noite estreia na Copa América contra a Bolívia, em São Paulo, segue na terceira colocação. As vitórias sobre o Cazaquistão e Escócia consolidaram a primeira colocação da equipe dirigida pelo técnico espanhol Roberto Martínez. Campeã da primeira edição da Liga das Nações, a seleção portuguesa subiu duas posições, ficando em quinto.

1. Bélgica 1.746 pontos.

2. França 1.718 pontos.

3. Brasil 1.681 pontos.

4. Inglaterra 1.652 pontos.

5. Portugal 1.631 pontos.

6. Croácia 1.625 pontos.

7. Espanha 1.617 pontos.

8. Uruguai 1.615 pontos.

9. Suíça 1.605 pontos.

10. Dinamarca 1.589 pontos

#VazaJato: Folha pode anunciar parceria com Intercept

A cobertura da “Folha de S.Paulo”, francamente favorável às revelações do “The Intercept Brasil”, as entrevistas exclusivas do editor do site, Glenn Greenwald ao UOL e os elogios que ele tem feito à “Folha” estão sendo interpretados nos meios jornalísticos como sinais de que o jornal de maior tiragem do Brasil negocia acordo para publicar simultaneamente as próximas reportagens baseadas no enorme arquivo obtido por Greenwald. Especula-se que a parceria será inaugurada na edição de domingo, dia de maior tiragem do jornal.

Lula livre é o maior pavor do governo Bolsonaro

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Por Helena Chagas – Os Divergentes

Sergio Moro vestiu a camisa do Flamengo e Jair Bolsonaro vestiu a camisa de Moro. O presidente da República levou três dias para apoiar de forma clara seu ministro da Justiça no episódio Vaza Jato, que revelou as conversas impróprias entre o ex-juiz e o procurador chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol. Por quê? O Planalto avalia que sua única estratégia agora é politizar a questão – ainda que, com isso, Bolsonaro vá se abraçar a um Moro enfraquecido para o que der vier. A outra opção, que seria abandonar Moro e deixá-lo fritar no óleo do desgaste, traria sérios arranhões ao discurso anticorrupção.

O presidente foi aconselhado por seu entorno militar – o primeiro a apoiar Moro – a adotar mais uma vez a tática do confronto e assumir o discurso de Moro de que a divulgação das conversas que mostram sua imprópria proximidade com Dallagnol pelo The Intercept faz parte de uma orquestrada operação de ataque à Lava Jato. Ao jogar as coisas nesse terreno, o governo se exime de julgar o comportamento para lá de suspeito de seu ministro quando era juiz e também se coloca sob o suposto ataque dos “corruptos”, que em tese querem acabar com a Lava Jato.

O que está em jogo, neste momento, é saber se essa versão – adotada por parte da mídia – vai colar ou não. Há um esforço, por parte de seus defensores, para “naturalizar” os diálogos impróprios e desviar o foco dos procedimentos internos da Lava Jato para o ataque hacker aos integrantes da força-tarefa. Com isso, tentam escapar às consequências políticas e jurídicas da divulgação dos diálogos. Ou, ao menos, criar um clima contra eventuais desdobramentos. E quais seriam eles?

O principal deles, a liberdade do ex-presidente Lula, que em poucos meses já teria direito a um regime de prisão aberto e, diante das revelações, pode ganhar a qualquer momento um habeas corpus do STF. O governo Bolsonaro, militares à frente, tem tanto medo de ver Lula solto que prefere engolir (e propagar) qualquer explicação esfarrapada para os diálogos impróprios de Moro e Dallagnol na Lava Jato.

Se a greve geral dessa sexta-feira tiver tamanho e impacto, num prenúncio de efervescência social, a situação no governo – que perde agora um personagem militar equilibrado, o general Santos Cruz – ficará mais tensa ainda. As pressões sobre o Supremo serão enormes nos próximos dias. Vão resistir?

Warriors perdem Klay Thompson, o jogo e o tri

Por Juca Kfouri

Normalmente o título desta nota deveria ser “Toronto Raptors grandes campeões!”.

Porque o time canadense é mesmo o grande campeão da NBA, os primeiros não estado-unidenses.

Venceram, mais uma vez na Califórnia, por 114 a 110, e fizeram 4 a 2.

E por que o título chama para os derrotados? Porque os derrotados seguem sendo o melhor time do mundo.

Não bastasse não poder contar com Kevin Durant, perderam Klay Thompson quando ele já havia marcado nada menos que 30 pontos e levava o GSW para o sétimo e último jogo, garantindo uma vantagem, àquela altura, de cinco pontos.

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Não se trata de injustiça, até porque o Toronto Raptors fez a melhor campanha na temporada normal e ganhou na casa do rival nada menos que quatro vezes na temporada.

Mas a saída de Thompson facilitou demais a vida dos campeões, mesmo que o jogo tenha sido decidido apenas nos últimos segundos.

Hoje, Kyle Lowry fez um primeiro tempo fantástico e marcou 26 pontos no jogo.

E Fred VanVleet fez um segundo tempo ainda melhor para marcar 22 pontos, 12 no último quarto, com chutes impensáveis de três pontos.

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Discreto, Kawhi Leonard, marcou “apenas” outros 22 e ficou com o título de MVP das finais, com todos os méritos.

Um monstro no garrafão, Pascal Siakam marcou 26 pontos.

Sem Thompson e com Steph Curry evidentemente esgotado (21 pontos), Andre Iguodala se superou, com 22, embora tenha dado um passe maluco quando faltavam apenas nove segundos e a diferença era de apenas um ponto, 111 a 110.

A lesão de Thompson caiu como um balde gelado na decisão. Menos no Canadá, é claro.