Trivial variado do país que cultiva a farsa jurídica como arma política

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“Se Bolsonaro estivesse preocupado em combater o crime, imediatamente demitiria Moro”. Marcia Tiburi

“Em quase 30 anos como deputado, Bolsonaro só apresentou dois projeto. Era melhor assim. Os projetos que tem apresentado como presidente são infinitamente piores do que nada”. Lula Falcão

“Ninguém pode ter dúvida de que os processos contra o ex-Presidente Lula estão corrompidos pelo que há de mais grave em termos de violações a garantias fundamentais e à negativa de direitos. O restabelecimento da liberdade plena de Lula é urgente, assim como o reconhecimento mais pleno e cabal de que ele não praticou qualquer crime e que é vítima de lawfare, que é a manipulação das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política”. Cristiano Zanin Martins, advogado de Lula

“Para quem não entendeu a gravidade das reportagens do : um juiz não pode manter relação de proximidade com a a parte acusadora. Só isso já é mais do que suficiente para o STF anular a condenação de Lula. Só isso, embora tenha muito mais maracutaia nessa farsa”. Rogério Correia

“ESCÂNDALO de grandes proporções: procuradores da Lava Jato agiram para impedir entrevista de Lula à Folha, mostram mensagens trocadas entre eles e reveladas por . Uma procuradora diz que rezava todos os dias para o PT não ganhar as eleições. Poder do Estado, MPF deve ser imparcial”. Mônica Bergamo

“Agora entenderam a importância da pauta “Lula livre”? Ela não é uma pauta petista, ela é a luta pela democracia. O ministro da justiça do Brasil fraudou o sistema de justiça para condenar o Lula e manipular as eleição de 2018. Lula é um preso político vocês gostando dele ou não”. Biazita Gomes

“Furos do sobre o modus operandi dos principais atores da Lava Jato são relevantes. STF, PGR, CNJ, CNMP e cortes superiores devem punir eventuais ilegalidades e erros de conduta. Imprensa tem papel a cumprir. Judiciário e MP não podem combater crime desobedecendo lei”. Kenney Alencar

“Maior escândalo da República”, diz Haddad sobre conversas vazadas de procuradores da Lava Jato

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Um dos alvos das conversas da força-tarefa da Lava Jato que foram vazadas neste domingo (9) pelo The Intercept, Fernando Haddad considerou o conteúdo “maior escândalo institucional da história da República”. O grupo de procuradores traçou planos para impedir entrevista de Lula à Folha porque poderia “eleger o Haddad” ou permitir a “volta do PT”.

“Podemos estar diante do maior escândalo institucional da história da República. Muitos seriam presos, processos teriam que ser anulados e uma grande farsa seria revelada ao mundo. Vamos acompanhar com toda cautela, mas não podemos nos deter. Que se apure toda a verdade!”, disse o candidato à presidência pelo PT em 2018.

Nas conversas, os procuradores traçaram planos para impedir a entrevista de Lula à Folha de São Paulo, liberada pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski, por acreditarem que ela poderia impulsionar a candidatura de Fernando Haddad e fazer com que o petista ganhasse as eleições de 2018.

A procuradora Laura Tessler foi uma das que mais comentou. “Que piada! Revoltante! Lá vai o cara fazer palanque na cadeia. Um verdadeiro circo. E depois de Mônica Bergamo, pela isonomia, devem vir tantos outros jornalistas… E a gente aqui fica só fazendo papel de palhaço com um Supremo desse… Sei lá… Mas uma coletiva antes do segundo turno pode eleger o Haddad”, disse Tessler em diferentes mensagens.

No mesmo momento, um contato salvo como Carol PGR (não identificado pelo The Intercept), em conversa privada com o procurador Deltan Dallagnol, demonstrou “solidariedade”. “Deltan, meu amigo, toda solidariedade do mundo à você nesse episódio da Coger, estamos num trem desgovernado e não sei o que nos espera. A única certeza é que estaremos juntos. Ando muito preocupada com uma possível volta do PT, mas tenho rezado muito para Deus iluminar nossa população para que um milagre nos salve”, disse Carol. Dallagnol, em resposta, disse que o Brasil precisava dessas orações (contra o PT). “Valeu Carol! Reza sim. Precisamos como país”, respondeu.

Segundo a reportagem, a conversa entre procuradores foi longa e apresentou diversos planos para o impedimento da entrevista. Com a liminar concedida pelo ministro do STF Luiz Fux, o clima mudou e virou comemoração.

Em lua de mel com a torcida, Gustavo comemora vitória e identificação com o clube

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Autor do gol que garantiu a vitória do Remo a poucos minutos do fim do jogo contra o Volta Redonda, sábado, no Mangueirão, o atacante Gustavo Ramos valorizou o espírito de competição e a raça da equipe. Segundo o jogador, a viagem de Tombos (MG) para Belém foi muito desgastante, mas os jogadores superaram o cansaço. “Sou acostumado a fazer esse tipo de jogo, mas hoje (sábado) fomos bastante na raça. Porque foi uma viagem complicada para Tombos (MG) e voltamos já concentrando, dois dias antes do jogo, porque sabíamos que o Volta Redonda (RJ) é um grande time”, disse.

O atacante viveu no Remo momentos de altos e baixos, algumas vezes contestado pela torcida e questionado pelo estilo “peladeiro”, mas nas últimas partidas na Série C se tornou um dos mais importantes do time. Na temporada, Gustavo fez 20 partidas pelo Remo e marcou 4 gols, sendo 2 na Série C.

Depois da vitória de sábado, ele afirmou que todos os jogadores estão identificados com o clube “porque todos querem o mesmo objetivo”. Acrescentou que “no vestiário, cantamos a mesma música que a torcida canta. Isso é auto-estima. No vestiário, a gente brinca e diz ‘vamos, meu Leão’. A gente chega para trabalhar e chega feliz”.

Áudios vazados mostram atuação ilícita de Moro e Dallagnol contra Lula e o PT

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Uma série de três reportagens publicadas neste domingo (9) pelo The Intercept Brasilexpõe áudios do ex-juiz federal Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallagnol que mostram atuação conjunta dos dois para impedir vitória eleitoral de Fernando Haddad, antecipar a prisão de Lula e até mesmo apresentar provas consideradas inconsistentes.

Material obtido com exclusividade pelo The Intercept há cerca de um mês após vazamento de hacker que teve acesso ao telefone do atual ministro da Justiça aponta que a força-tarefa da Lava Jato atuou no caso Lula motivado por questões políticas. Nos áudios fica evidente colaboração inconstitucional entre o então juiz Sérgio Moro e o procurador do Ministério Público Deltan Dallagnol.

As reportagens destacam que os procuradores não são atores apartidários e apolíticos e atuaram por convicções ideológicas e preocupados em evitar o retorno do PT ao poder. A série também aponta que Moro buscou inverter as fases da Lava Jato para favorecer a condenação de Lula.

Outro ponto destacado é a própria descrença da força tarefa nas acusações feitas contra o ex-presidente, escancarando uma manobra jurídico-política.

Repórter da Globo seria sócio de advogado que trabalhou no caso Neymar

Publicado originalmente no Blog do Paulinho

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Jornalista mantém relação comercial, também, com cartolas e jogadores de futebol

Na última semana, o jornalista Mauro Naves foi afastado da cobertura esportiva da Rede Globo, com direito a esculacho público no Jornal Nacional.

A versão oficial, corroborada pelo repórter, é a de que teria sido punido, apenas, por fornecer ao advogado José Edgard Bueno o telefone do pai de Neymar, com anuência do próprio. Nos bastidores, comenta-se que Naves, em verdade, tentou abafar o escândalo.

O Blog do Paulinho revelou, nos últimos dias, fatos e documentos que parecem confirmar essa história.

Advogado que traiu Najila Trindade é sócio de Neymar

Neymar (o filho) foi sócio de Zé Edgar (como é tratado pelos boleiros) no bistrô “Paris 6” de Miami e, ainda hoje, recebe, aproximadamente, R$ 50 mil, ao ano, da venda de um doce, que leva seu nome, nas demais filiais (o advogado é sócio em todas).

É remotíssima a chance de não possuírem um o contato do outro.

Soubemos, também, que foi José Edgar que apresentou a modelo Najila Trindade a Neymar (para depois traí-la), diferentemente da versão de que o casal se conheceu através de aplicativo de namoro.

Ontem, fomos procurados por ex-investidor do grupo Paris 6, que, sob anonimato, revelou-nos proximidade ainda maior entre Mauro Naves e Zé Edgard:

(…) estou acompanhando toda essa repercussão do caso Neymar”

“(…) o Mauro Naves não é só amigo do Zé Edgard, ele era sócio do P6 Campinas, alem do P6 Valdeville, na Haddock Lobo, em São Paulo”

“Ele (Mauro Naves) é sócio do grupo, não apenas amigo”

“Você foi que mais detalhou o caso, mas o buraco é mais profundo”

A fonte revela, também, a sociedade de Mauro Naves com o presidente do Corinthians, Andres Sanches, além dos jogadores Paulinho e Muriqui, todos seus entrevistados, na condição de jornalista:

“Sei que o Andres Sanches é o verdadeiro “chefe” do negócio… mas existem inúmeros investidores”

“Em Campinas, os sócios são Andres Sanches, Mauro Naves, Muriqui (Ex-Vasco da Gama), Paulinho (ex-Seleção Brasileira e Corinthians), além de Théo, filho da Marília Gabriela”.

Confrontado com a informação de que Zé Edgard seria sócio do grupo Paris 6, o afamado proprietário do negócio, Isaac Azar, tentou minimizar sua relevância, dizendo que cuidava apenas de questões burocráticas.

Porém, recente matéria da revista Exame, datada de 12/10/2018, traz o seguinte trecho, até então não desmentido pelas partes:

“(…) e foi isso que ajudou Azar a pensar na expansão dos negócios, a cargo do sócio e CEO do grupo, José Edgar Bueno, que ainda cuida da parte financeira”

Outro famoso sócio do Paris 6, o ex-jogador Emerson Sheik, de estreita ligação com o principal empresário do grupo, o ex-deputado federal Andres Sanches, a ponto de estar, atualmente, empossado em diretoria de futebol alvinegra, “abriu o bico”, em entrevista ao site EGO (da Globo.Com), no dia 15/12/2016, quando da inauguração da filial de Miami, da qual era um dos associados ao lado do presidente alvinegro:

“Sou sócio do Isaac, que cuida das operações. Nosso outro sócio, Zé Edgard, cuida da gestão financeira. Mensalmente são emitidos boletins de acompanhamento para todos os sócios e investidores. Estou em Orlando curtindo férias com meus filhos”

Ao ser tratado como responsável pela gestão financeira do grupo, Zé Edgard não apenas demonstra relevância no negócio, como torna ainda mais improvável a versão de que não possuía os contados dos Neymar, a quem pagava percentual sobre produto e participação em sociedade nos EUA.

Paris 6 – Vaudeville (Haddock Lobo)

A casa Paris 6, localizada à Rua Haddock Lobo nº 1244, está em nome da A3 – Vaudeville, comercio de alimentos e bebidas Ltda, constituída 08/05/2014 (próximo da Copa de 2014), oriunda de compra do CNPJ da Olive Oil Comercio de Alimentos Ltda, fundada em 2009.

Entraram como sócios, no papel, a empresa A1 (ligada a amigos de Azar) e o advogado José Edgard Bueno. Oficialmente, apesar de proprietário, o nome de Mauro Naves foi ocultado do negócio.

Porém, no mesmo mês, Isaac Azar postou foto da assinatura de contrato, possivelmente “de gaveta”, deste “Paris 6” com o jornalista da Globo, contendo os seguintes dizeres:

“Agora é oficial ! Contrato assinado ! Bem vindo Mauro Naves ao futuro e em breve novo P6, o Paris 6 Vaudeville”

No dia 30 de março de 2015, o presidente do Corinthians, Andres Sanches, mentor do negócio, inseriu no contrato a “H1 Restaurantes”, empresa em nome de seu advogado, retirando a fundadora “A1”. O advogado de Najila Trindade, permaneceu na sociedade.

Em 13 de dezembro de 2018, em manobra realizada , também, nas demais filiais, Zé Edgar foi “destituído” da sociedade, enquanto Azar, incorporado.

Porém, José Edgard Bueno, na mesma data em que teria “saído do negócio”, nele permaneceu, assinando como representante da H1, de Andres Sanches.

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Em 2016, Mauro Naves postou, em seu Instagram, a presença de Neymar na filial do Paris 6 de Miami, do qual o atleta era sócio oculto (como vários) de Andres Sanches, Emerson Sheik, Murilo Rosa, entre outros.

Nessa manifestação, o jornalista da Globo, com informação privilegiada, disse que o atleta, em breve, poderia estar de malas prontas à Paris, em trocadilho com o nome do restaurante. Isaac Azar não resistiu, e comentou: “O cara que sabe de tudo, meu amigo e sócio, Mauro Naves”.

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Os sócios Murilo Rosa, José Edgard e Mauro Neves, no restaurante Paris 6

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Em 2016, Mauro Naves postou, em seu Instagram, a presença de Neymar na filial do Paris 6 de Miami, do qual o atleta era sócio oculto (como vários) de Andres Sanches, Emerson Sheik, Murilo Rosa, entre outros.

Portugal supera Holanda e vence a primeira edição da Liga das Nações

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Portugal continua reinando nas competições europeias. Três anos após vencer a Euro, Cristiano Ronaldo e companhia conquistaram também a primeira edição da Liga das Nações, o novo torneio lançado pela UEFA no ano passado. Diante da sua torcida no Estádio do Dragão, o time português venceu a Holanda por 1 a 0, com gol de Gonçalo Guedes, e ergueu mais uma taça.

Após uma primeira etapa repleta de pressão e chances perdidas, o time português teve sua persistência premiada somente aos 15 do segundo tempo. Gonçalo Guedes recebeu de Bernardo Silva e chutou com força para marcar o único gol da vitória lusitana.

Caso Neymar confirma a falência das instituições

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Por Rodrigo Perez, no Facebook

“Tem tanta coisa envolvida nesse caso do Neymar que fica até difícil pinçar uma pra comentar. É um tipo de evento síntese capaz de reunir os principais dramas abertos nestes nossos tempos tão complexos e difíceis. Vamos lá, por partes.

O fato é: uma moça jovem e bonita diz que um astro do futebol mundialmente conhecido a estuprou.

De um lado, o machismo estrutural aciona seus operadores, que deslegitimam o testemunho da mulher usando os mais vulgares argumentos de desqualificação pessoal. Ela seria prostituta, interesseira, estaria endividada. Neymar, o milionário ingênuo e refém da própria testosterona, foi vítima de um golpe. Nem precisa de processo legal. É óbvio o que aconteceu: Adão se deixou levar pelo ardil de Eva e por isso é inocente. Temos aí a atualização de uma narrativa tão velha quanto o próprio mundo.

Do outro lado, algumas vozes do ativismo feminista, sedentas de punitivismo, transformam o testemunho da moça em prova cabal de culpa. Nem precisa de processo legal, perícia e investigação, pois quando uma mulher diz que foi violentada ou agredida, ela está dizendo a verdade, sempre e em qualquer circunstância. É como se sujeitos historicamente oprimidos nao fossem capazes de mentir, de dissimular, de chantegear. É óbvio que Neymar é culpado e deve ser preso. Não! Mais que isso. Deve ser linchado, com suas vísceras arrancadas em praça pública.

Por sua vez, o próprio Neymar, acreditando ter em mãos a prova de sua inocência, utiliza uma rede social para se defender junto à opinião pública. Pra que o processo legal? Pra que organizar o material em um dossiê e apresentar às autoridades competentes, no legitimo e sagrado exercício de defesa?

As instituições não estão mais funcionando mesmo. Presidenta eleita é golpeada, liderança política é presa sem provas e contrariando os preceitos constitucionais. Governador de Estado sobe em helicóptero pra dar teco de arma de fogo em favela. O Presidente da República, acompanhado do filho mais velho acusado de corrupção, se encontra a portas fechadas com o corregedor de justiça.

Por que o Neymar deve seguir os protocolos institucionais e apresentar sua defesa apenas em juízo? Mais vale é expor conversas e fotos íntimas na internet. É crime? É sim. Mas tem problema não. Ninguém liga mais pra essas coisas.

O advogado de defesa da moça, que tem a função, imprescindível para o Estado democrático de direito, de representar os interesses de sua cliente, é cooptado pela outra parte e trai sua causa. Uma pessoa que não pode confiar no seu advogado foi assassinada em sua cidadania. É uma morte civil.

A mídia hegemônica escolhe assumir um lado, desconsiderando completamente sua função social de reportar informações de maneira sóbria, neutra e imparcial. Função social? O que é isso? É de comer?

Definitivamente, não é apenas mais uma treta envolvendo jogador de futebol. É a tradução perfeita da nossa contemporaneidade: as instituições e os valores que deveriam mediar o contrato social e garantir a convivência harmônica entre as pessoas não são mais reconhecidos, não são mais respeitados. Por ninguém, por absolutamente ninguém.

Estamos todos afundados no mesmo mar de merda, bebendo o mesmo chorume. Ninguém tá livre. A crise é muito grave, muito grave mesmo. A crise é civilizatória.

Brasil já teve gênio antes de Marta. E a rejeitou por um cabelo raspado

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Por Renata Mendonça – blog Dibradoras

Não faz muito tempo que o Brasil teve outra camisa 10 brilhando dentro de campo no futebol feminino. Antes de Marta surgir, houve uma outra brasileira que encantou os olhos do mundo costurando no meio-campo, driblando quem aparecesse pela frente e fazendo golaços de fora da área com uma canhota poderosa. Sisleide Lima, que ficou conhecida desde sempre como Sissi, fez parte da primeira seleção brasileira de mulheres já formada, em 1988, e atuou com a camisa amarela até 2000. Só não jogou mais porque não deixaram.

O futebol foi um esporte proibido para mulheres no Brasil de 1941 a 1979 por um decreto-lei que dizia: “Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país.” E, mesmo quando a proibição caiu na teoria, na prática as mulheres continuaram sendo impedidas de jogar por uma “convenção cultural” que sempre ensinou: bola é coisa de menino, boneca é coisa de menina.

Para Sissi, isso não foi exatamente um problema. Porque se não podia brincar com a bola do irmão em Esplanada, pequena cidade do nordeste baiano onde nasceu, ela “degolava” suas bonecas para fazer a sua própria. E foi assim, chutando cabeça de boneca, que a garota foi, aos poucos, mostrando ao pai que tinha talento. Ele bem gostaria que o filho fosse jogador de futebol. Restou contentar-se com a filha seguindo essa carreira. E olha que ela brilhou e, por muito tempo, foi a melhor 10 que esse país já viu entre as mulheres. O problema é que, hoje em dia, pouca gente sabe dessa história. E isso tem muito a ver com um simples corte de cabelo.

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Já era uma rebeldia suficiente uma mulher da década de 1980 e 1990 querer jogar futebol. Mas raspar o cabelo? Aí já era demais. E foi justamente no auge de sua carreira, como artilheira da Copa do Mundo de 1999, quando o Brasil conquistou um terceiro lugar histórico, que a camisa 10 voltou para casa de cabeça lisa – literalmente. Ela tinha feito uma promessa de raspar o cabelo se a seleção conseguisse um bom resultado, e aí teve que cumprir. O que Sissi não imaginava era o efeito que seu mero corte de cabelo teria para a sociedade da época.

“O que eu passei, não foi fácil, não. Sofri preconceito de todos os lados, da CBF, das pessoas. Os olhares, os comentários. Mas chegou um momento que eu falei: não tô nem aí. Não é isso que vai me definir como pessoa. O importante é que eu me sinta bem comigo mesma”, disse Sissi às Dibradoras.

O cabelo raspado passou a ser uma característica dela por muito tempo. Não por uma questão de “teimosia” em romper com os padrões que a CBF e a sociedade esperavam dela naquele tempo, mas porque a jogadora passou por um momento que marcaria para sempre sua vida. Quando atuava nos Estados Unidos, em 2000, Sissi atendeu o pedido de uma dirigente do clube para visitar um garoto de uma escola local que tinha câncer e sofria bullying por ser careca. O encontro dos dois gerou uma conexão eterna e, quando o menino faleceu, algum tempo depois, a jogadora decidiu usar sempre o cabelo daquele jeito para homenageá-lo.

“Aquela experiência mudou completamente minha vida. Parecia que a gente se conhecia há anos. Foi na base do espanhol, porque eu não falava inglês direito na época. Eu me senti realmente tocada com o que estava acontecendo com ele. Convidei a família dele pra ver os jogos, ele entrou no campo com a gente. Ele tinha 11 anos, muda a maneira como você vê as coisas. Depois que eu saí de lá, eu só chorava. Como pode um garoto com 11 anos, com a vida pela frente, estar passando por tudo aquilo? Até hoje eu falo para as minhas jogadoras: não voltem para casa nenhum dia sem terem conquistado algo. Porque amanhã vocês podem nem estar aqui.”

Foi Zagallo que se consagrou com essa frase, mas ela resume muito o que foi a passagem de Sissi pela seleção brasileira. Craque com a bola nos pés e contestadora, sem papas na língua, a presença da camisa 10 na seleção brasileira incomodava. Ela cobrava ali dentro o mínimo que as atletas não recebiam da CBF. E em campo entregava gols, assistências e uma categoria jamais vista no futebol das mulheres. Artilheira da Copa do Mundo de 1999 com 7 gols, artilheira do Campeonato Sul-Americano com 12, a camisa 10 foi o primeiro nome do futebol feminino do Brasil a ganhar o mundo.

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Mas para a confederação, não ficava bem vender a imagem daquela seleção com uma mulher de cabelo curto, raspado, que fugia aos padrões considerados “femininos” na época. “Na CBF, acho que chegou uma época que eles falaram ‘a gente tem que aturar’. Por ser a Sissi, eles tiveram que engolir o fato de eu ser daquele jeito. Eu lembro muito bem que outras pessoas eram selecionadas para dar entrevista por serem mais femininas. Mas em 1999, eles tiveram que me engolir. Porque eu estava jogando bem, fazendo gols, aí os jornalistas vinham e queriam entrevistar a Sissi, eles não tinham como falar não”, conta.

É dessa época também um episódio que hoje ela quer apagar da memória. Em uma sessão de fotos para uma revista que Sissi não se lembra qual era, a jogadora precisou se transformar. Maquiagem, roupas desconfortáveis, até batom, e um momento que ela descreve agora como “o pior da sua vida”.

“Na seleção, tive que fazer umas fotos para uma revista, aí tive que botar maquiagem. Depois eu falei: nunca mais vou fazer isso. Fazer essas coisas pra ser aceita. Falei: nunca mais vou deixar alguém me dizer o que eu tenho que fazer. Na hora, eu fiquei chocada. Foi a pior coisa que eu fiz na minha vida. Pra ser aceita. Ter um lado feminino. Eu perdi vários convites pra fazer outras coisas nesse sentido depois, porque não aceitei mais”, relata.

O esporte sempre teve esse lado com as mulheres. Em vez de se exigir resultado, performance, exige-se beleza. Por muito tempo, essa ideia de “atletas-musas” predominou e o auge disso provavelmente foi quando o Campeonato Paulista de futebol feminino inseriu a beleza, literalmente, no regulamento em 2001. A regra falava em “enaltecer a beleza e sensualidade das jogadoras para atrair o público masculino”. E ali, cabelo curto para mulheres estava completamente proibido.

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“Em 2001, teve o Campeonato Paulista e aí fizeram essa regra da beleza. Tinham me convidado antes para voltar a jogar no Brasil. Eu falei: dane-se, não preciso disso. Será que é tão difícil entender que o que a gente quer fazer é jogar e não mostrar beleza? A gente tem que mostrar talento. Eles achavam que iriam colocar público no estádio só com beleza, mas acho que o tiro saiu pela culatra”, afirmou Sissi.

Sissi construiu uma história linda no futebol brasileiro. Foi craque do São Paulo nos tempos de auge do futebol feminino por aqui, entre 1997 e 2000, levando o time a conquistar tudo, incluindo dois títulos no Campeonato Paulista e um do Brasileiro e chegou a fazer a torcida tricolor gritar para o o técnico do time masculino na época, Muricy Ramalho: “ei, Muricy, coloca a Sissi”.

Na seleção, esteve no Mundial experimental de 1988, na Copa de 1995 e de 1999, e nas Olimpíadas de 1996 e 2000. Tem três títulos sul-americanos, um terceiro lugar no Mundial e dois quartos lugares nos Jogos Olímpicos. O que, se considerar o não investimento e o descaso com o futebol feminino à época, já é muito. Em 2017, foi considerada a quinta maior jogadora século pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS) – Pretinha e Roseli são as outras brasileiras da lista de 33 nomes.

Mas a decepção maior é ver toda essa história ser esquecida e ignorada, sem qualquer reconhecimento por quem a construiu. “Nunca houve reconhecimento. Nada. O que eu vejo agora, as meninas que fizeram parte, elas estão abandonadas, não têm reconhecimento, oportunidade de trabalhar pelo futebol feminino. O que a gente fez, foi por amor, não tinha dinheiro nenhum na época. Eu não sei se vai ter uma seleção igual aquela. A gente passou por um bocado. Minha geração comeu o pão que o diabo amassou”, resume.

“São poucos os que reconhecem o que a gente fez no passado. Hoje a seleção está onde está por causa das gerações que vieram do passado. Quem fez parte daquela geração sabe o que a gente teve que passar pra fazer o que a gente amava. Foi aquele grupo que batalhou pra caramba. Eu fico puta quando não vejo esse reconhecimento. Aqui nos Estados Unidos é muito diferente. Essa geração nova, elas não esquecem o que a geração da Mia Hamm, da Brandi Chastain fez. Tá aí a diferença.”

Sissi hoje é técnica de uma equipe de futebol feminino de base nos Estados Unidos. Ela estará na França para acompanhar a Copa do Mundo – mas não a convite da CBF. A eterna camisa 10 tem pouquíssimo contato com a atual seleção, chegou a ser assistente pontual em um amistoso da equipe nos Estados Unidos em 2015, mas nem teve oportunidade de contar sua história para as meninas. “Eu só pude ouvir, não pude falar”, descreve.

Um dos maiores nomes do nosso futebol nunca teve sequer um jogo de despedida.

No reino do mais do mesmo

POR GERSON NOGUEIRA

Quando não tinha nada a perder, Tite mostrou que conhecia intuitivamente os caminhos para ganhar. Assumiu a campanha pífia da Seleção nas Eliminatórias para a Copa 2018 e empreendeu uma guinada histórica. Radical a ponto de prestigiar Gabriel Jesus, um menino ainda, o técnico provou que a ousadia é sempre necessária no universo acomodado do futebol.

Na sexta-feira, Willian foi chamado para substituir Neymar. Tite carimbou ali o conservadorismo que virou marca registrada de suas atitudes desde o Mundial da Rússia. Cerca-se cada vez mais de jogadores manjados e veteranos, de sua estrita confiança, mas que a menção de seus nomes causa urticárias no torcedor.

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Como poucas vezes se viu na história das seleções, Tite prestigiou jogadores veteranos e que fizeram Copas ruins, casos de Willian (30 anos), Fernandinho (34), Miranda (34), Daniel Alves (36) e Tiago Silva (34). Fernandinho é um exemplo clássico de teimosia. Falhou nos momentos decisivos, ajudando a eliminar o time em 2014 e 2018.

Tiago Silva é outro caso perdido. Tem muitas qualidades, mas sua história na seleção é um festival de coincidências felizes. Dani Alves alinha-se na mesma faixa. Não esteve na Rússia, mas foi mal em 2014. Já se passaram cinco anos e ele continua intocável nas convocações.

Todo esse grupo de veteranos está descartado do Mundial do Catar em 2022. Se fosse uma geração extremamente vitoriosa pela Seleção até seria aceitável a insistência para uma última Copa América. Seria uma despedida em grande estilo.

Com os nomes que reuniu, Tite perde nesta Copa América a oportunidade única de lançar um selecionado renovado, como fez a Alemanha em 2006, sob o comando de Klinsmann.

Sob ataque desde a pífia passagem do Brasil pela Rússia, no ano passado, Tite tinha argumentos bastante robusto para justificar uma aposta nos jovens: a própria má jornada no Mundial de 2018, a chance de dar rodagem a boleiros promissores e a irrelevância discreta do torneio sul-americano. Seria um risco calculado, espécie de avant-première para os novos centuriões.

Dava para testar o seguinte time, capaz de fazer furor na competição e reconquistar a galera mesmo sem Neymar: Ederson (25 anos); Éder Militão (21), Dedé (30), Marquinhos (25) e Alex Sandro (28); Casemiro, 27 (Fabinho, 25), Artur, 22 (Everton Ribeiro, 30) e Philippe Coutinho, 26 (Jean Mota, 25); Vinícius Jr., 18 (Pedrinho, 21), Roberto Firmino, 27 (João Pedro, 17) e David Neres, 22 (Rodrigo, 18).

O técnico preferiu seguir à risca a cartilha de Parreira, Dunga, Felipão e tantos outros treinadores de cabeça mergulhada no passado, apegados a sistemas cautelosos. Para esses profissionais, de quem Tite parecia estar filosoficamente distanciado, a seleção precisa sempre ter um bloco de jogadores cascudos e poucas apostas. Preferem segurança, odeiam arriscar.

Tite caiu no gosto da torcida justamente porque era diferente de seus antecessores. Está cada vez mais parecido com eles. Seu planejamento de jogo é óbvio e previsível. Não mostra nem sinal de ter aprendido com os erros que levaram ao fracasso na Rússia. E segue agarrado ao mesmo grupinho de jogadores. Uma pena.

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Bola na Torre

Giuseppe Tommaso apresenta o programa, excepcionalmente às 23h30, na RBATV. Rui Guimarães e este escriba de Baião compõem a bancada de debatedores. Em pauta, a rodada do fim de semana das Séries C e D.

Sócio torcedor pode alavancar finanças do Leão

Depois de atingir a marca de quase 12 mil sócios torcedores na gestão de André Cavalcante, o Remo perdeu todo esse contingente nos anos seguintes. O enfraquecimento do programa teve várias motivações, mas o principal fator foi a má jornada do time nos gramados. Sem vitórias, o torcedor perdeu o ânimo de contribuir.

Aos poucos, a caminhada vitoriosa na Série C, depois da conquista do Parazão, o ST volta a dar sinais de vitalidade. No momento, já chega ao patamar de 3.800 adimplentes. E a expectativa é de que essa importante receita seja amplificada nos próximos meses. Tudo, é claro, dependendo diretamente do desempenho do time de Márcio Fernandes.

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Copa do Mundo feminina não se resume a Marta

Para quem acha que a 8ª Copa do Mundo de futebol feminino é aquela competição meio esquisita, que vai se limitar a alguns momentos proporcionados por Marta, a premiadíssima ave solitária do time dirigido por Vadão, o torneio pode oferecer boas surpresas.

Além das fortes seleções dos Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, França, Austrália e Espanha, que têm futebol organizado e bem jogado, há um pequeno grupo de boleiras de altíssimo nível, capazes de cativar o interesse dos telespectadores.

Martens, meia-atacante que lidera a forte Holanda, campeã europeia, é forte candidata a estrela da competição. Aos 26 anos, é destaque do Barcelona, vice-campeão europeu. Faz gols e trata a bola com intimidade.

Carli Lloyd, 36 anos, meia da seleção dos EUA, já ganhou o troféu de melhor do mundo e é especialista em lançamentos e arremates de fora da área. Marozsán, camisa 10 da Alemanha, também é craque. Foi dela o gol que deu à seleção germânica a medalha de ouro na Olimpíada do Rio.

Alex Morgan, atacante americana de 22 anos, é outra figura que merece atenção. Outra artilheira de alto nível é Sam Kerr, 25, atacante australiana que joga na liga norte-americana e tem alta média de gol por jogo.

Olho nelas.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 09)