Lições básicas a aprender

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POR GERSON NOGUEIRA

Espero que os técnicos de Leão e Papão tenham visto o desassombro do Bragantino ao enfrentar o Vila Nova-GO, em Goiânia, anteontem. O time treinado por Samuel Cândido saiu derrotado, mas não abriu mão de suas valentes características. Quem esperava cautela e medo, viu o contrário.

Em nenhum momento, o Tubarão se intimidou com o fato de jogar longe de seus domínios. Começou e terminou o jogo tocando a bola, explorando triangulações curtas e rápidas, sem cair na tentação da ligação direta.

Almas escravas da objetividade irão dizer que esse destemor não foi suficiente para impedir a derrota. Garanto que se ficasse lá atrás, encolhido, o time de Bragança teria sido vencido com mais facilidade pelo Vila. Isso porque, além da previsível boa vontade da arbitragem, os donos da casa ficariam o tempo todo trocando bolas dentro do campo de defesa paraense.

Já cansei de acompanhar jogos da dupla Re-Pa como visitante e chega a constranger a covardia tática, que às vezes só é deixada de lado quando o adversário faz um gol. Aí, como que por encanto, tudo se transforma em ofensividade. O Bragantino deu uma pequena lição sobre como jogar em campo inimigo, com coerência e valentia.

Tivesse um atacante de referência e pelo menos alguém mais próximo a Fidélis pelos lados, é provável que fizesse pelo menos um gol, o que já representaria alto lucro numa partida marcada por interferência direta da arbitragem, que inventou uma falta sobre Danilo no lance do primeiro penal e depois foi na corda do atacante dublê de ator de teatro.

O sistema organizado e a maneira tranquila de atuar deveriam servir de dever de casa para os comandantes dos grandes de Belém. Com elenco inferior em quantidade e qualidade, o Tubarão consegue render bem mais do que os atrapalhados e erráticos times da capital.

Não se está cobrando que imitem os timaços da Europa, mas um modesto time do interior paraense. Humildade faz bem, quase sempre. Há muito tempo que não se vê lá fora um time paraense jogando bonito, como o Bragantino jogou em vários momentos da partida em Goiânia.

Vejo a dupla Re-Pa entregue a treinos secretos e enxurradas de análises estatísticas, sem que nenhum efeito prático resulte disso durante os jogos. Erros de fundamento se repetem aos montes. Cruzamentos a esmo e finalizações defeituosas.

Algo precisa ser mudado para que não mergulhemos de vez na fantasia delirante de tentar explicar futebol medíocre com planilhas de números e expressões técnicas que não disfarçam a pobreza técnica dos nossos times. Nossas apaixonadas torcidas merecem mais que isso.

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Futebol de verdade, para matar de inveja o resto do mundo

Deu inveja. Parecia até basquete, mas era só futebol – futebol bem jogado. A comparação tem a ver com a infernal movimentação no placar. Aos 21 minutos, o escore já estava 3 a 2!

Manchester City e Tottenham, disputando vaga na semifinal da Champions League, fizeram em menos da metade da primeira etapa mais gols do que se viu em três clássicos decisivos do Campeonato Paulista.

Dá bem a medida da indigência do futebol praticado hoje no Brasil. E não estou comparando investimentos em craques e poderio dos clubes envolvidos. A questão é de qualidade do jogo praticado.

Enquanto isso, no Porto, o Liverpool sapecava 4 a 1 no time azulino de Portugal, que começou melhor e fustigando seguidamente. No entanto, prevaleceu o mais letal contra-ataque do planeta. Salah, Mané e Firmino se encarregaram de reverter um panorama inicial ruim.

Mas o confronto mais sensacional foi mesmo City x Tottenham. Lances espetaculares, grandes defesas, transições perfeitas e dribles – sim, muitos dribles, como não se vê mais no país que inventou a finta desmoralizante.

No fim, o VAR deu as cartas. O gol de Lorente, terceiro do Tottenham, após a bola resvalar em seu braço, decidiu a parada. O olho eletrônico, avalizado por retinas humanas, validou o lance. Para este cético contumaz aqui, gol irregular contra a esquadra de Pep Guardiola.

O suspense (e o VAR) ainda cercaria a última jogada da noite. Naquele que seria o quinto gol do City, o monitoramento externo flagrou impedimento na construção do lance. Gol invalidado, desta vez corretamente.

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Blog campeão faz 10 anos e atinge 8 milhões de acessos

O Blog do Gerson Nogueira completou 8 milhões de acesso na madrugada de ontem, após 10 anos no ar. Lançado em abril de 2009, o espaço se dedica a noticiar e discutir livremente esportes, política, comportamento, música e artes em geral. Até ontem foram mais de 39 mil matérias postadas, com 322 mil comentários.

Com orientação ideológica e princípios bem claros, o blog exige trabalho árduo, cuja maior recompensa é poder exercitar, modestamente, um jornalismo autoral e comprometido com ideias libertárias, oferecendo informação qualificada e bem apurada.

Como responsável pelo blog líder absoluto em leitura e acessos na região, só tenho a agradecer o envolvimento de autênticos baluartes, tanto os 13.600 seguidores fixos como aqueles que dedicam alguns minutos de seu tempo para visitar o boteco virtual mais roqueiro da web.

Que venha mais uma década de ideias, debates, som e fúria.

Como diria mestre João Saldanha, vida que segue. Vamos em frente!

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 18)

3 comentários em “Lições básicas a aprender

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