Galo põe a mão na taça

independente1x0remo-1

POR GERSON NOGUEIRA

Um gol de Marcão, contra, logo aos 5 minutos, definiu o placar do primeiro confronto da decisão do Parazão 2019. Mesmo beneficiado pelo lance fortuito, de pura lambança do defensor, o Independente teve méritos na vitória. Sofreu alguns sustos no primeiro tempo, quando o gramado estava enlameado, mas foi amplamente superior na etapa final, trocando passes e sabendo controlar e envolver o Remo.

Antes do jogo, o Remo detinha certo favoritismo pela pontuação melhor no campeonato e o apoio da torcida, mas o gol logo de cara modificou radicalmente – para pior – a postura em campo. Tendo que buscar o empate a qualquer custo, o time expôs seus piores defeitos: falta de aproximação entre os setores, transição ruim e erros graves de finalização.

Com Emerson Carioca sozinho na briga com os zagueiros Dedé e Charles, o Remo tentava se aproximar da área com Gustavo Ramos e Douglas, mas ambos cometiam um erro primário na condução da bola. Insistiam com o jogo rasteiro, parando seguidamente nas poças do campo.

O ataque do Remo conseguiu furar o bloqueio em dois momentos, perdendo duas oportunidades claras: aos 23 minutos, com Dedeco se atrapalhando diante do goleiro Redson; e, aos 26’, quando Emerson levou a melhor sobre Dedé e bateu cruzado à direita do gol.

O Independente se acomodou com a vantagem no placar e até permitiu espaços que o Remo, por falta de articulação e competência, não aproveitou.

A questão é que na segunda etapa, com o campo mais seco, ficou evidente a baixa qualidade do futebol do Remo. O time de Márcio Fernandes simplesmente não jogou. Sem transição, precisou apelar para os chutões e com isso facilitou o trabalho do Independente, onde Araújo comandava a meia-cancha, distribuindo passes e lançamentos, fazendo o jogo fluir.

Sem pressa, tocando a bola com objetividade, bloqueando bem com Jari e Chicão, o Independente foi minando a resistência do Remo, que não encontrava jeito de conduzir a bola pelo meio, nem pelos lados.

Além disso, o Remo perdia todos os rebotes ofensivos e defensivos. Pelos lados, a situação não era melhor. Jansen defendia bem, mas pouco ia à frente. Geovane errava passes e cruzamentos. Dedeco, além do incrível gol perdido, não imprimiu a velocidade que o time precisava para investir sobre as linhas defensivas do Galo. Custou a sair e Alex Sandro, seu substituto, teve pouco tempo para se movimentar.

Para explorar bolas aéreas, Edno entrou no lugar de Gustavo Ramos, passando a jogar junto com Emerson na área. O problema é que inexistiam jogadas para os dois centroavantes. Logo em seguida, para qualificar o meio-campo, Fernandes substituiu Emerson por Echeverría. A decisão se mostrou equivocada, pois não melhorou a construção de jogadas e ainda deixou o ataque mais fragilizado. Piorou quando Echeverría foi expulso.

Bem vigiado por Dedé, Edno teve poucas chances. Sua única participação foi aos 28’, quando desviou de cabeça para uma bela defesa de Redson. Logo em seguida, Araújo disparou de fora da área e Vinícius desviou com a ponta dos dedos, evitando o segundo gol.

O jogo se arrastou até o fim, enquanto o Remo se arrastava em campo ante a superioridade técnica e emocional do time de Tucuruí, que ditava o ritmo, com tranquilidade. Além de todos os outros problemas, o Remo voltou a conviver com a queda de rendimento físico, agravada pelo contingente de jogadores na faixa acima de 30 anos.

É enganoso culpar as condições de campo pela má atuação do Remo. O problema maior é de ordem técnica, e não é recente – no domingo anterior, o Bragantino deu sufoco e quase venceu a partida.

A decisão está em aberto, mas é inegável que o Galo deu um grande passo para conquistar o bicampeonato, oito anos depois.

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Tubarão joga sério e conquista 3º lugar

Não podia dar outro resultado. O Papão foi o Papão de sempre no sábado à noite, na Curuzu, contra o Bragantino. Jogou sem velocidade, força ou inspiração. Marcou mal e se postou pior ainda nas ações ofensivas. Parecia desmotivado, entediado. Ainda empatou nos 90 minutos, mas terminou derrotado na cobrança de penalidades.

O terceiro lugar fica em boas mãos. O Braga fez por merecer, aplicando-se à disputa, consciente da importância da vaga na Copa do Brasil 2020.

Desde o começo, o time de Samuel Cândido foi superior, buscando sempre o gol. Fidélis sofreu marcação dura, violenta até, mas levou vantagem sobre a defesa do PSC. Mota andou fazendo alguns pequenos milagres. Bruno Limão acertou o travessão.

Depois de muito insistir, já no 2º tempo, o Bragantino chegou ao gol, em jogada de habilidade de Fidélis, que driblou três antes de mandar para as redes.

Léo Condé resolveu botar Paulo Henrique em campo e o empate veio no desespero. O centroavante cabeceou livre, aproveitando cruzamento de Vinícius Leite.

Na série de penais, a justiça se estabeleceu. Bragantino 5 a 3.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 15)

5 comentários em “Galo põe a mão na taça

  1. Também tenho essa percepção. O lance infeliz do Marcão deixou o Independente com a mão na taça.
    Se for assim, o título estará em boas mãos.

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  2. Meu caro Valentim, diga-se futebol infeliz do tal Marcão, que desde a estreia mostra ser um zagueiro medíocre. Talvez, o treinador devesse colocá-lo no banco, voltar com o Jansen pra posição original e colocar o Tiago Félix na lateral-esquerda. Só isso.

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  3. Por detalhes a final do estadual não foi entre os interioranos Galo Elétrico e Tubarão do Caeté. Como o blogueiro comentou, galo põe a mão na taça.

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  4. Mesmo com um futebol inferior tecnicamente falando, ainda aposto minhas fichas no rival.
    O lance fortuito que deu a vitória ao Galo e acredito que não fosse isso o jogo seria empate, não mostra que o Independente seja o favorito.
    O placar mínimo não garante nada.
    Apesar de ser Bicolor, não vejo nenhuma razão para que o rival não saia do Mangueirão festejando o Bicampeonato.

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