Uma arapuca para o Japiim

POR GERSON NOGUEIRA

O técnico fez certo suspense quanto à escalação, coisa meio sem sentido nos dias de hoje, mas o Papão deve manter contra o Castanhal a mesma formação vitoriosa das últimas partidas. Contra um adversário que precisa se reabilitar, os bicolores podem se dar ao luxo de usar a estratégia de aproveitamento de contra-ataques e exploração de espaços.

A dúvida na escalação está no meio-campo, onde Caíque e Johny Douglas disputam titularidade. Alan Calbergue também tem chance de entrar jogando. Na articulação, Leandro Lima deve recuperar lugar no time após duas atuações pouco convincentes de Tiago Primão.

O Papão vive momento de total tranquilidade, só possível porque a equipe mostra-se cada vez mais consistente e em conformidade com os limites de um campeonato reconhecidamente nivelado por baixo.

Ninguém se adaptou tão bem à disputa quanto o time de João Brigatti. Os problemas de instabilidade vistos nos jogos iniciais contra Bragantino e Castanhal foram inteiramente superados a partir do Re-Pa, que pode ser considerado um divisor de águas na trajetória bicolor.

A partir da vitória categórica sobre o rival, o Papão deslanchou, passando a atuar com desenvoltura e segurança, com direito a funcionamento quase perfeito do sistema defensivo. Com expressivo índice de aproveitamento (81%), o PSC tem 17 pontos ganhos, 14 gols marcados e apenas dois sofridos. E o goleiro Mota não leva gol há cinco rodadas.

Do outro lado, o Castanhal de Artur Oliveira tem apenas 6 pontos no grupo A1. Alimenta ainda o sonho de ir às semifinais, desde que vença seus próximos compromissos. Por isso, terá que adotar postura mais agressiva, mesmo como visitante no alçapão da Curuzu.

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Overdose de futebol gera uma contradição

A tecnologia oferece plataformas, canais e janelas que transmitem jogos de quase todas as competições disputadas no planeta. Nos últimos tempos, o telespectador ou internauta passou a ter a comodidade de acessar, com um simples toque no celular, TV ou tela de computador, a partida que for de seu interesse, esteja o torcedor onde estiver, a qualquer hora.

Maravilha moderna, a facilidade proporcionada pelos diferentes meios de comunicação é algo novo e revolucionário. Não há dúvida de que o acesso a campeonatos de diferentes países dissemina informação e oportuniza conhecimento técnico, levando ao surgimento de muitos novos craques em lugares improváveis, onde o futebol nunca teve maior tradição.

Isso tudo causa um tremendo rebuliço no universo do esporte, cujos efeitos ainda não estão suficientemente mensurados. Sob qualquer ponto de vista, o privilégio de ver jogos disputados ao vivo do outro lado do mundo é extremamente benéfico para todos os envolvidos.

A liberdade de escolha e a praticidade das ferramentas que mostram espetáculos de alto nível tendem a aumentar, com consequente redução de custos e crescente melhoria na qualidade das transmissões.

Até 10 anos atrás era tecnicamente impossível, para quem vive na América do Sul, ver o que se passava em tempo real nas ligas europeias. Hoje, até jogos da segunda divisão da Inglaterra, Itália e Espanha estão disponíveis e ao alcance dos olhos de fãs mais empedernidos.
Mas, em meio à tamanha amplitude de opções, há um aspecto que não pode ser ignorado. A enxurrada de jogos, dos mais glamourosos aos menos badalados, desperta um discreto enfado em almas mais sensíveis.

Cria-se, então, um cenário contraditório, onde a evolução nos processos de comunicação amplia a plateia mundial do futebol e, ao mesmo tempo, representa também a banalização dos grandes espetáculos.

É tão corriqueiro ver Messi, Cristiano Ronaldo, Pogba, Hazard, Neymar e outros em campo a todo instante que até eventos de gala, como a Copa do Mundo e a Liga dos Campeões, já não despertam o frisson de antes.

Algo mais ou menos parecido com o que ocorre com astros da música, cujos shows repetidos sistematicamente acabam por esvaziar a ansiedade e o prazer de vê-los ao vivo.

Sem qualquer pretensão científica, a constatação serve para reforçar a máxima de que o homem é um eterno insatisfeito.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração, a partir das 21h, na RBATV. Na bancada de debatedores, Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião. Em pauta, gols e análises dos jogos da 8ª rodada do Parazão.

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Primeira regata tem a volta da Tuna e ausência do Leão

Começa hoje oficialmente a temporada de remo, com a primeira regata do 104º Campeonato Paraense da modalidade. A prova contará com a participação de 72 atletas, representando Tuna, PSC e Associação Guajará. Cinco etapas serão realizadas durante o ano, sempre na Baía do Guajará.

Se, por um lado, há a grata notícia do retorno da Tuna à competição, por outro o campeonato terá a baixa sentida e inédita do Remo, um dos mais tradicionais clubes da modalidade, que, por sinal, é origem de seu próprio nome. Por divergências com a federação, o Leão não participa da disputa.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 17)

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