Mais um craque que se vai

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POR GERSON NOGUEIRA

Ricardo Boechat tornou-se jornalista conhecido de todo o país a partir de sua aparição na TV já quase um veterano ali no final dos anos 90, mas era repórter respeitado e admirado desde que pilotou a lendária e saborosa Coluna do Swann, em O Globo.

Boechat chegou ao colunismo sob a batuta de Ibrahim e conseguiu se firmar quando Zózimo Barrozo do Amaral já era estrela do colunismo de tom diversificado, não necessariamente focado no alto mundo social. Conviveu com ele no próprio Globo, em pé de igualdade.

Gosto da ênfase dignificante que ele sempre deu ao seu trabalho, descrevendo-se como um eterno repórter. Penso da mesma forma, pois o ofício de garimpar notícias será sempre a parte mais nobre do jornalismo.

As notas curtas e mordazes se tornaram um padrão Boechat. O estilo, cultivado ao longo de décadas, virou um poderoso elemento de sua fase eletrônica. E aí entra o lado mais curioso da vitoriosa carreira de Boechat: a reinvenção através do radiojornalismo televisivo.

Na Band News FM fazia um programa diário (retransmitido nas redes sociais e no canal a cabo) de fina análise política e social com competência, muito sarro, discernimento, raciocínio sempre ferino e informação bem calibrada.

Ironicamente, o rubro-negro Boechat apropriou-se das ondas do rádio, um veículo usualmente apontado como decadente, para se diferenciar do rádio anacrônico, cheio de intolerância rabugenta, clichês baratos e ideias toscas. Ancorava com a categoria própria dos que sabem o que dizem.

Na linha dos grandes nomes do rádio norte-americano, sempre desassombrados e até desbocados, Boechat manteve impressionante equilíbrio em meio ao tiroteio de reputações em voga no país. Mas não ficava no muro, longe disso. Foi particularmente certeiro ao mandar às favas um desses picaretas que assaltam a fé das pessoas.

Sem diploma acadêmico, autodidata com orgulho, dizia-se um apaixonado pelo rádio. Custou a se habituar às novas plataformas digitais, mas se manteve sempre no topo na internet justamente pelo perfil singular e extremamente atualizado.

O acidente de ontem em São Paulo interrompe uma trajetória campeã, cheia de triunfos e prêmios, sob a admiração de um país que parou para prantear a morte de um de seus maiores repórteres. Honra e orgulho para todos nós, jornalistas e fãs-discípulos de Boechat.

Enfim, como ele costumava falar, segue o barquinho.

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Para os pachecos, o Re-Pa já começou

Nos programas esportivos do rádio e da TV, os torcedores abrem o tradicional aquecimento para o Re-Pa com a pergunta inevitável: quem chega melhor preparado para o clássico?

Ontem, no Linha de Passe, na Rádio Clube, a participação dos ouvintes se concentrou nessa indagação de difícil resposta. Penso que, como em tantas outras vezes, não há a menor sombra de favoritismo no duelo de domingo entre os rivais.

Ambos fazem boa presença no Estadual. O Remo mantém campanha 100%, o Papão segue invicto, apesar do empate em Castanhal.

São elencos integrados majoritariamente por jogadores importados, o que exige mais tempo de convívio e entrosamento. João Neto teve mais tempo para organizar o Remo, com jogos amistosos na pré-temporada.

De sua parte, João Brigatti viu-se na contingência de ajustar a equipe ao longo do campeonato, com os percalços naturais que a situação impõe. Está naquela fase de tentativa e erro, e o torcedor precisa compreender isso.

No Papão, alguns jogadores precisarão de mais tempo para respostas efetivas em campo. No Leão, boa parte do elenco já mostra a que veio, por melhor adaptação ao plano de jogo desenhado pelo técnico.

Nem mesmo a semana cheia que o PSC terá para refazer energias e preparar estratégia constitui vantagem em relação ao rival, que disputará uma decisão contra o Serra-ES pela Copa do Brasil. Como poupou titulares diante do Independente, sábado, João Neto atenuou possíveis consequências do desgaste físico no meio da semana.

Em resumo, não há vantagem visível.

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Cartolagem chucra não perde chance de dar vexame

Que papelão do tal Bandeira de Melo, esquivando-se de responsabilidade pela tragédia do Ninho do Urubu e tendo a pachorra de considerar “confortáveis” as instalações do alojamento montado em contêineres conjugados.

Duvido que o ex-presidente tivesse coragem de mandar um filho ou parente morar (ou apenas dormir) naqueles caixotes metálicos.

A cara-de-pau é ainda mais acintosa porque a ele cabia responder e esclarecer os motivos de o Flamengo ter se recusado a regularizar a situação do alojamento dos garotos, mesmo sob a saraivada de autuações (30 só em 2017).

Por essas e outras é que a fiscalização dos órgãos públicos não pode ser sazonal. Deve ser constante e rigorosa, priorizando a proteção a menores em situação de vulnerabilidade.

E, obviamente, sendo implacável com a cartolagem irresponsável e arrogante.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 12)

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