Mesmo material usado na Boate Kiss pode ter causado tragédia no CT do Flamengo

Os peritos que investigam o incêndio que matou 10 atletas no Centro de Treinamento do Flamengo, o Ninho do Urubu, querem saber se havia poliuretano na estrutura dos contêineres. O poliuretano é o mesmo material – altamente inflamável – usado na Boate Kiss, que pegou fogo em 2013, com 242 pessoas mortas e quase 700 feridos.

Os peritos que trabalharam neste sábado (9) no centro de treinamento se concentraram no material utilizado no acabamento dos contêineres por dentro. Uma fonte ouvida pelo Jornal Nacional contou que os peritos encontraram espuma em parte dos painéis – instalados como se fossem paredes.

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Em sua página na internet, a NHJ, empresa que instalou o contêineres no alojamento do Ninho do Urubu, informa que usa poliuretano injetado no meio dos painéis que, segundo a empresa, são de chapas de aço, dos dois lados. Até a noite deste sábado (9), no entanto, a empresa não respondeu se o módulo que pegou fogo era assim.

O poliuretano é uma mistura de produtos químicos que se transformam em espuma rígida após a aplicação, impedindo a passagem de ruídos e do calor.

Material inflamável
A Boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, usava placas com espuma de poliuretano. No incêndio em 2013, o fogo se alastrou em minutos e causou a tragédia. Especialistas explicam que o poliuretano é altamente inflamável e que a fumaça carrega gases tóxicos.

No caso do CT Ninho do Urubu, os peritos querem saber se houve uso de poliuretano e, principalmente, de que material eram as placas que revestiam a espuma – se eram mesmo placas de aço, como diz o site da empresa, ou de algum outro material como plástico ou compensado de madeira.

O engenheiro Gerardo Portela diz que o poliuretano não é adequado para o uso em alojamentos. “Esse tipo de estrutura em sanduíche tem um limite de suportar calor, então enquanto é um princípio de incêndio e as pessoas estão acordadas para reagirem com rapidez, OK, ele ainda pode ser utilizado, no caso de um escritório, por exemplo. Com pessoas dormindo, como projetista eu não especificaria esse material.”

A tragédia pode ter sido agravada pelo fato de a estrutura ter apenas uma porta de saída, segundo os peritos. “Faltou fazer uma análise do arranjo daquela instalação para ver se tinha rotas de fuga suficiente pras pessoas saírem, mais de uma opção, faltou um sistema de alarme, de detecção de fumaça, de detecção de fogo (…) pra pessoas terem uma opção de saída antes de chegar no ponto que chegou.”

Ausência de licenças
O Ninho do Urubu pertence ao Flamengo desde a década de 1980, mas só em 2010 o time profissional passou a treinar lá definitivamente, ainda em estruturas provisórias. No ano passado, o clube investiu R$ 26 milhões para modernizar o CT. Mas essa megaestrutura, de cinco mil metros quadrados, não tinha certificado de aprovação do Corpo de Bombeiros.

Segundo a corporação, o Flamengo deu entrada no projeto de segurança contra incêndios em 2010. Desde então, os bombeiros dizem que têm feito vistorias para checar o cumprimento das exigências – nunca completamente atendidas. (Do G1)

Nosso amigo Rafael deve achar que isto é jornalismo apelativo… te dizer.

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