Chance para rever conceitos

POR GERSON NOGUEIRA

O anunciado desligamento do armador Wallacer, que vai jogar no futebol asiático, é daquelas notícias para a comissão técnica do Remo saudar intensamente. Titular absoluto nas duas partidas pelo Campeonato Estadual, o jogador teve atuações fracas e sem inspiração. O técnico João Neto, que considerou sempre satisfatório o seu desempenho em campo.

A função desempenhada por Wallacer era a de contribuir para a articulação do time, ao lado de Samuel. Não conseguiu nem chegar perto disso. Pode até ser bom jogador, mas no Remo não mostrou qualidades que justificassem a titularidade.

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Com a saída de Wallacer, o Remo passa a ter Diogo Sodré, Samuel e Etcheverría para a criação de jogadas. É provável que um substituto seja buscado ainda para a disputa do Parazão, mas a situação abre espaço para uma revisão de conceitos, talvez ampliando o papel dos volantes no esquema.

Por ora, o técnico terá que recorrer às peças disponíveis, o que deverá forçar uma reformulação do setor. As duas atuações (contra São Raimundo e Tapajós) resultaram em vitórias, agradaram a torcida e garantiram ao Remo a liderança em seu grupo.

Os resultados trazem tranquilidade para o começo da campanha, mas não deixam de suscitar alguns questionamentos sobre o rendimento dos jogadores de meio. Talvez pelo pouco tempo de adaptação ao clima e ao próprio esquema, Sodré e Samuel ainda não se mostram à vontade.

Dedeco, que atuou mal na estreia e foi barrado na segunda partida, até tentou jogadas de infiltração, mas os passes errados comprometeram a boa intenção. Etcheverría segue como grande enigma deste começo de trabalho do Remo na temporada.

Contratado com status de principal jogador do elenco, símbolo da campanha publicitária do programa de sócio torcedor, foi deixado de lado nas primeiras rodadas. Segundo Netão, o meia não está nas condições ideais, provavelmente no aspecto físico, o que é surpreendente, visto que os jogadores escalados também renderam pouco.

De qualquer forma, o campeonato está na fase inicial e os times ainda buscam o melhor ajuste. O Remo terá o Independente pela frente, no próximo sábado, e o time deve sofrer alterações para segurar a pressão que o Galo Elétrico costuma impor aos visitantes no estádio Navegantão.

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Uma ilha da fantasia envolve o futebol no Brasil

Antero Greco, comentarista da ESPN, puxou o assunto ontem no Twitter. Observou, espantado, o valor da punição aplicada pelo Palmeiras ao atacante Deyverson, pela expulsão no clássico com o Corinthians.

“Leio que Deyverson recebe multa de 350 mil reais do Palmeiras. Vocês entenderam? 350 mil reais! De multa!!! Não tenho nada com a vida de ninguém, e que Deus ajude a todos. Mas se isso é multa, quanto o cara recebe?!?! Quanto recebe um “craque”, então? O futebol é uma bênção”, escreveu Antero.

É claro que a punição deveria ocorrer. Deyverson tumultuou o final do jogo dando uma cusparada em adversários, depois de sofrer falta violenta. Foi expulso e prejudicou seu time, merecendo a sanção disciplinar.

Além do gesto antidesportivo do atacante, a questão que desperta espanto é a assombrosa multa, talvez uma das maiores já aplicadas a um jogador profissional no Brasil. Permite imaginar o valor da fortuna paga a um jogador semidesconhecido, que despontou na vitoriosa campanha palmeirense em 2018 e até agora .

Já abordei o tema das gestões delirantes várias vezes aqui. O futebol no Brasil ultrapassou há tempos o limite de sanidade no que diz respeito à remuneração de atletas e técnicos. Vive-se um mundo de fantasia, que desafia a realidade a cada temporada.

Na comparação com os demais países do continente, os clubes nacionais praticam uma política de salários descabida e extravagante. A bolha artificial, criada pelos mais ricos, aquinhoados com verbas de patrocínios e grandes arrecadações, arrasta para o olho do furacão agremiações que não têm o mesmo capital e poder aquisitivo. Significa que, em breve, teremos uma quebradeira geral na Série A.

Alguns exemplos revelam a absurda gestão de futebol no país, onde técnicos medianos recebem acima de R$ 300 mil e os chamados top de linha chegam a ganhar até R$ 600 mil. O argumento de que o futebol de alto padrão tem que pagar bem não encontra eco na desoladora situação de pindaíba vivida pela maioria dos clubes.

O salário que o Cruzeiro paga a Fred, veterano que passou 2018 em recuperação de cirurgia, é superior a R$ 800 mil. Manoel, zagueiro mediano, chega ao Corinthians ganhando R$ 500 mil. O Flamengo abre o cofre por Arrascaeta, meia uruguaio pouco valorizado em seu próprio país. Ricardo Goulart, que ganhava cerca de R$ 3 milhões na China, custa ao Palmeiras R$ 1 milhão por mês (o restante do salário é pago pelo clube chinês). Disparates que irão cobrar um duro preço.

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Um gesto simples que pode significar muito

Repercutiu muito bem nas redes sociais a troca de mensagens amistosas entre os perfis de PSC e Remo no Twitter em face do 114º aniversário de fundação do Leão, comemorado ontem.

A saudação postada no perfil alviceleste foi prontamente respondida pelos azulinos, retribuindo a amabilidade. Que a vida siga assim, acima das futricas impostas pela rivalidade.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 06)

4 comentários em “Chance para rever conceitos

  1. Ontem parabenizei pelo facebook o Remo pelos seus 114 e o fiz com sinceridade, o que não significa que virei casaca. Foi apenas um gesto de convivência civilizada na direção de vários e queridos amigos remistas, tão necessário nesses tempos de excessiva boçalidade.
    Mas, gostaria de falar mesmo era da ilha da fantasia em que se transformou o salário de jogadores de ponta no futebol brasileiro, tema de debate depois do lúcido questionamento do Antero Grecco.
    Penso que todo essa fartura de dinheiro faz parte da cena marcada pela desigualdade que nos persegue há 500 anos, mas penso também que a Receita Federal é omissa na fiscalização desse ‘caviar’ que a gente só ouve falar.
    Recentemente, vimos Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar Jr terem que prestar contas ao fisco espanhol por conta do “esquecimento” em dar satisfações ao leão. E aqui? Alguém vai chamar o Deyverson, o Arrascaeta, o Fred, o Dudu ou qualquer um desses milionários que fazem mil estripulias financeiras sem qualquer incômodo? Será sempre assim, enquanto fizerem parte de um sistema desobrigado de prestar contas de seus ganhos e gastos e que envolvem outros interesses?

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  2. Acho mais saudável a gozação respeitosa. Sou remista e minha esposa é torcedora do rival. Tenho amigos que torcem pelo rival e no ganha ou perde gozamos ou temos que aturar as gozações. Faz parte.

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