Uma facada e seus muitos mistérios

Bolso

A ‘facada’ sofrida por Jair Bolsonaro em Juiz de Fora, decisiva para sua vitória eleitoral, ao criar um clima de comoção e permitido que ele não participasse dos debates, permanece envolta em mistério. É o que revela reportagem de Ranier Bragon na edição deste sábado da Folha de S. Paulo.

“Mais de cem dias após sofrer um atentado a faca em Juiz de Fora (MG), o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), ainda não apresentou à Câmara dos Deputados um pedido de ressarcimento de gastos médicos e hospitalares com seu atendimento”, informa a matéria.

“A própria equipe de Bolsonaro havia dito em setembro, dias após a tentativa de assassinato, que estava conversando com a Câmara e que iria recorrer ao reembolso a que os congressistas têm direito por eventual uso da rede privada de saúde. Pelas regras da Câmara, para receber reembolso Bolsonaro terá que apresentar uma série de documentos comprobatórios dos gastos, incluindo declaração de que os custos foram quitados por ele.”

O Albert Einstein é um dos hospitais privados mais caros do Brasil, onde Bolsonaro ficou internado por quase um mês. “A assessoria do hospital — onde o então candidato ficou internado por 23 dias — afirmou que não comenta valores ou se pronuncia sobre quem pagou os custos, por questão de sigilo dos dados do paciente”, diz a reportagem.

 

Sobre a posse

Por Lilia Diniz

Além de não levar a mim mesma para sua posse, informo que dona poesia também não irá! Ela estará em delírio gozoso com Gullar, Mercedes Sosa, Violeta Parra, Brecht, Maiakovski e Neruda cantando para o proletariado.

Não irá a boniteza do povo indígena que rasgueia a floresta e resiste ao trator da ganância com urucum, jenipapo e cocares de uma sabedoria inatingível pelos senhores da devastação e da monocultura.

Não irá a alegria do povo negro. Nesse dia o Rei de Aruanda descerá a terra para defumar os terreiros e desmanchar demanda dos portadores da desesperança. Também, não participará da farsa toda aquela gente que samba, canta e sabe que “amanhã será outro dia”.

Não irão as mãos cavouqueiras que acariciam o milharal florido nos campos da reforma agrária, como se fosse os cabelos da mulher amada. Não serás presenteado com a felicidade dos casais homoafetivos que sabem amar e desarmam a hipocrisia e o medo com beijos e afetos.

Tampouco o artista que constrói sua arte com leveza, suor, trabalho e horas de êxtase para o gozo sublime dos que sabem gozar. A empregada doméstica e sua carteira assinada não desfilarão no tapete da mentira. Não irá a dignidade do cotista que honra sua própria história e sabe de onde veio e para onde vai.

As mulheres libertárias estarão muito ocupadas tecendo a liberdade com os fios de ouro da igualdade, da justiça e da fraternidade. Não irão! Contudo os sussurros delas chegarão aos seus ouvidos, como o vento cortando o tempo: #elenão

Certamente, somente os que andam desacompanhados de si mesmos ao teu lado estarão.

O passado é uma parada

Mendonça, um dos maiores meias da história do futebol brasileiro, brilhou no Botafogo dos anos 80. Não conquistou nenhum título, mas, surpreendentemente, jamais foi esquecido pela apaixonada torcida. Na reportagem acima, o próprio jogador relembra o controvertido episódio do Brasileiro de 81. São Paulo e Botafogo disputavam uma das vagas na decisão. Na outra semifinal, estavam Grêmio e Ponte Preta.
No jogo de ida, no Maracanã, o Fogão do goleiro Paulo Sérgio, do lateral Perivaldo, do volante Rocha e do meia Mendonça havia batido o Tricolor por 1 a 0, com um gol de Marcelo Oliveira. Para chegar à final, só precisava de um em um empate no Morumbi, diante do timaço tricolor – Waldir Peres, Getúlio, Oscar, Darío Pereyra e Marinho Chagas; Almir, Heriberto e Renato; Paulo César, Serginho e Zé Sérgio.

No primeiro tempo, o São Paulo, ainda favorito, foi inteiramente dominado pelo rápido e jovem time botafoguense. Em 16 minutos, dois gols. O primeiro, do ponta-esquerda Jérson, e o outro de Mendonça, num belíssimo arremate de primeira. A classificação parecia estar indo para o brejo até o último minuto do primeiro tempo, quando Serginho, de pênalti (contestadíssimo), conseguiu diminuir para o Tricolor.
No intervalo, os dois times deixavam o campo quando um segurança do São Paulo e seu ajudante resolveram dar uma prensa no juiz paranaense Bráulio Zanotto, chegando a agredi-lo publicamente. Os repórteres informaram o episódio e o segundo mostraria os efeitos da pressão imposta ao fraco árbitro.
Sem pulso, permitiu que o São Paulo distribuísse pontapés à vontade, inverteu faltas e intimidou o time do Botafogo. Sem o craque Mendonça, substituído inexplicavelmente pelo técnico Paulinho de Almeida, o Fogão passou a ser muito pressionado. Com dois gols de Éverton, um deles em belo bate-pronto da entrada da área, virou o jogo para 3 a 2, classificando-se para a decisão contra o Grêmio.

Os clássicos mais desiguais do Brasil em 2018

Do blog Fazendo Número

Em menos de um mês, recomeçarão os campeonatos estaduais, reacendendo o fogo da rivalidade. Em 2018, alguns clássicos não tiveram a paridade que costumam ter.

Pesquisamos quais foram os clássicos mais desiguais do Brasil em 2018. Os critérios:

– Duelos municipais ou regionais que tenham envolvido ao menos 1 clube das Séries A, B ou C do Brasileirão;
– Que tenham acontecido, no mínimo, 3 vezes;
– Que um dos lados não tenha vencido;
– Que um dos lados tenha vencido, ao menos, duas vezes.

classicos-desiguais

Destacamos seis duelos:

6º lugar – Vasco x Fluminense

4 clássicos: 2 vitórias do Vasco e 2 empates
07/03 – VAS 0x0 FLU – Estadual (Est. Nilton Santos)
29/03 – FLU 2×3 VAS – Estadual (Maracanã)
19/07 – VAS 1×1 FLU – Brasileiro (São Januário)
03/11 – FLU 0x1 VAS – Brasileiro (Maracanã)

4º lugar (empate) – Ceará x Fortaleza, Vila Nova x Goiás

Ceará x Fortaleza
4 clássicos (não inclui a Copa Fares Lopes): 3 vitórias do Ceará e 1 empate
04/02 – FOR 0x2 CEA – Estadual (Castelão)
04/03 – FOR 1×1 CEA – Estadual (Castelão)
04/04 – CEA 2×1 FOR – Estadual (Castelão)
08/04 – FOR 1×2 CEA – Estadual (Castelão)

Vila Nova x Goiás
4 clássicos: 3 vitórias do Vila e 1 empate
21/01 – GOI 0x1 VNO – Estadual (Olímpico)
04/02 – VNO 1×1 GOI – Estadual (Olímpico)
05/05 – GOI 1×3 VNO – Série ‘B’ (Serra Dourada)
25/08 – VNO 3×0 GOI – Série ‘B’ (Serra Dourada)

3º lugar – Bahia x Vitória

5 clássicos: 4 vitórias do Bahia e 1 empate
18/02 – VIT 0x3 BAH* – Estadual (Barradão)
01/04 – BAH 2×1 VIT – Estadual (Fonte Nova)
08/04 – VIT 0x1 BAH – Estadual (Barradão)
22/07 – BAH 4×1 VIT – Brasileiro (Fonte Nova)
11/11 – VIT 0x0 BAH – Brasileiro (Barradão)
*O primeiro dos 5 clássicos do ano estava empatado, quando foi interrompido por uma confusão generalizada, em um jogo de 9 expulsões. Posteriormente, o Bahia ganhou os pontos do jogo, ficando o placar oficial como 3×0.

2º lugar – Palmeiras x São Paulo

3 clássicos: 3 vitórias do Palmeiras
08/03 – PAL 2×0 SPA – Estadual (Allianz Parque)
02/06 – PAL 3×1 SPA – Brasileiro(Allianz Parque)
06/10 – SPA 0x2 PAL – Brasileiro (Morumbi)

1º lugar – Remo x Paysandu

4 clássicos: 4 vitórias do Remo
28/01 – PAY 1×2 REM – Estadual (Mangueirão)
11/03 – REM 1×0 PAY – Estadual (Mangueirão)
01/04 – PAY 1×2 REM – Estadual (Mangueirão)
08/04 – REM 1×0 PAY – Estadual (Mangueirão)

Houve desequilíbrio, também, em alguns clássicos secundários, aqueles que não envolvem os dois maiores rivais de uma cidade ou de um Estado. Confira o balanço de 5 deles:

Cruzeiro x América
3 clássicos: 3 vitórias do Cruzeiro

Atlético x América
5 clássicos: 4 vitórias do Atlético e 1 empate

Figueirense x Criciúma
4 clássicos: 3 vitórias do Figueirense e 1 empate

Botafogo-PB x Treze
4 clássicos: 3 vitórias do Botafogo e 1 empate

Athletico x Paraná
3 clássicos: 2 vitórias do Athletico e 1 empate

https://fazendonumero.com

Cisco Kid é aqui

Aliados de Bolsonaro relatam que, na reunião dos futuros ministros, quinta (27), Sergio Moro (Justiça) sugeriu como medida prioritária para os cem dias de governo a edição de um decreto que flexibilize a posse de armas, o que tiraria o debate do Congresso.

No início de novembro, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) defendeu a adoção da medida que agora é encampada por Moro. Em 2016, Michel Temer baixou um decreto presidencial que ampliou a validade do registro de armas de três para cinco anos. (Da Folha SP)

Para descentralizar a Cultura

Em carta publicada no Facebook, o jornalista e ativista cultural santareno Jota Ninos parabeniza a escolha de Úrsula Vidal para a Secretaria de Cultura e apresenta, a título de sugestão, uma proposta de descentralização das atividades do órgão:

Querida Úrsula Vidal,

Inicialmente lhe parabenizo pela escolha para assumir a condução da Cultura no Pará, embora tenha causado muita polêmica nos bastidores políticos por conta da filosofia de seu partido, o PSOL, de não aceitar sua postura considerada individualista e levando ao seu desligamento da legenda.

É bem verdade que a filosofia nos partidos de esquerda é a de priorizar o debate coletivo antes da decisão individual, e nesse sentido você pode ter pecado.

Mas como integrante da direção local do PCdoB, um partido de esquerda e que tem uma militância cultural reconhecida nacionalmente, e já tendo sido aliado dos camaradas do PSOL local, quero deixar esse debate de lado e acreditar que sua postura tenha sido por uma causa maior que você acredita, como bem salientou em seu primeiro pronunciamento em sua fanpage. A história dirá se foi um passo acertado ou não.

Por eu ser jornalista e militante das causas culturais aqui em Santarém, cidade pela qual você passou várias vezes nos últimos anos, seja como profissional da comunicação ou como política, quero aproveitar a oportunidade de apresentar-lhe uma proposta de trabalho em prol da cultura paraense regional.

É sabido que nos últimos anos de governo Tucano, a cultura foi relegada a uma política centralizada em grandes eventos que privilegiaram muito mais o público da capital. Para o interior, o investimento sempre foi pífio, como acontece, historicamente, em todos os departamentos e que já levou a população a se organizar para criar dois novos Estados no oeste e no sul do Pará: o Tapajós e o Carajás.

Se você quiser marcar sua gestão com uma política cultural que tenha um olhar mais sensível para a cultura que pulsa nos grotões, proponha ao governador Hélder Barbalho a efetivação de um processo maior de DESCENTRALIZAÇÃO da gestão, retomando a criação dos Núcleos Regionais da Secult, que existiam na década de 1980, quando o pai do atual governador era o mandatário.

À época, a Secult se chamava Secdet, porque abrangia também o desporto e o turismo, hoje desmembrados em secretarias diferentes. Em Santarém, o Núcleo Regional para o Oeste do Pará funcionava na Casa da Cultura Historiador João Santos, que inclusive recebeu grandes investimentos e foi reinaugurado já com esse nome, por ser o principal espaço de eventos culturais da região.

Hoje, a situação do espaço é a foto 3 x 4 dos investimentos em cultura na região, com um palco deteriorado e que pode transformar um belo evento numa vergonha lastimável, por conta de goteiras, problemas de iluminação e som, etc.

A descentralização da gestão da cultura, creio eu, facilitaria a interlocução com os agentes culturais em cidades com uma cultura tão rica quanto Santarém e os outros 20 municípios dessa região.

Aguardamos ansiosos por uma concepção mais abrangente no âmbito territorial do estado, por uma pessoa como você que sempre se mostrou sensível a isso.

O Pará cultural está nos quatro cantos do estado. Basta você conectá-los com uma gestão que privilegie a descentralização.

Abraços e boa sorte.

Jota Ninos, jornalista, dirigente do PCdoB e ativista cultural.

Conversa de fim de ano: Adriano quer voltar a jogar no Flamengo

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Adriano não joga futebol profissionalmente há alguns anos. Isso, no entanto, não o impede de continuar a sonhar alto. O atacante não só descarta a aposentadoria, como tem o objetivo de voltar a vestir a camisa do Flamengo. O problema é que o clube da Gávea já virou a página e um possível retorno é completamente rechaçado pela diretoria.

Após o evento conhecido como Jogo das Estrelas, comandado por Zico na última quinta, Adriano concedeu entrevista e não escondeu o desejo de voltar ao Flamengo. “Vamos ver o que realmente vai ser. Conheço o presidente que vai entrar e enfim… É esperar o ano que vem”, disse Adriano à TV Globo.

Adriano quer esperar até o ano que vem para saber o que vai acontecer, mas o Flamengo já sabe a resposta para esse assunto. Não há qualquer possibilidade de o atacante voltar a vestir a camisa do clube. Não profissionalmente.

A diretoria até se mostra disposta a fazer um jogo de despedida, mas isso é algo que ainda não passa pela cabeça do Imperador. Ele ainda se vê em condições de voltar a jogar futebol profissionalmente, mesmo que os números não estejam ao seu lado. O último time de Adriano foi o Miami United, dos Estados Unidos, em 2016.

Ele atuou em apenas uma partida e, mesmo assim, sequer jogou os 90 minutos. Antes, em 2014, o Imperador teve passagem tímida pelo Atlético-PR: foram somente quatro partidas e um gol marcado. Os poucos jogos em uma temporada começaram no Corinthians, em 2011. Ele sofreu uma lesão no tendão de aquiles e perdeu muito tempo na recuperação, acumulando algumas polêmicas. Foram apenas quatro jogos e um gol assinalado.

No ano seguinte, ainda no Timão, três jogos. Adriano, portanto, soma 20 jogos ao longo dos últimos oito anos em quatro diferentes clubes. No mesmo período apenas quatro gols foram marcados. Para voltar a ser chamado de Imperador, ele teria que mudar e muito o que ocorreu em quase uma década.