Natal de renovação e fé

dest21122011_01

O Natal tem diferentes significados para as pessoas. 

O meu é sempre uma renovação de propósitos, crenças e esperanças. 

Prestamos contas a nós mesmos quando o ano termina. Tradição cristã, bastante valorizada na fé católica. 

Costumamos ser duros nessa autocrítica, mas é necessário que assim seja. 

Por tudo que passamos ao longo de 2018, creio que a redenção virá aos poucos, já a partir de 2019.

Jamais perco a fé. Mesmo quando a derrota parece líquida e certa, meu pensamento é: “Venceremos!”

Que assim seja. 

Feliz Natal a todos os amigos que frequentam o blog campeão, ajudando a mantê-lo de pé. O voto natalino se estende às respetivas famílias. Valeu, pessoal!

E se fosse você?

manuela-1-600x426

Por Manuela D’Ávila, no Facebook

Eu estava grávida quando fui vítima de minha primeira experiência de grande rede de distribuição de notícias falsas/fake news (certamente financiada). Inventaram uma viagem pra Miami e um enxoval. Nem conheço Miami, nem fiz enxoval para Laura. À época achei graça. Mentiras sem sentido. Como alguém acreditaria numa viagem que não fiz para compras que não fiz? Fui ingênua e quando percebi o debate já era sobre meu direito ou não de viajar e fazer compras, ou seja, já era sobre a mentira. Quando Laura fez 45 dias viajamos juntos: eu, Duca e ela.

Estávamos muito felizes pois era a primeira viagem dela para um hotel para assistir a um show do Pai. Quando Duca estava no palco uma mulher se aproximou e deu dois tapas em laura (que estava presa pelo Sling) porque disse que o pano era comprado em Miami e deveria tê-lo comprado em Cuba. Laura apanhou aos 45 dias de uma pessoa desequilibrada a partir de uma mentira que circulou nas redes.
Assim me preparei para enfrentar 2018. Poucas coisas piores do que aquilo poderiam me acontecer. É verdade que quase fui linchada com ela dormindo por uma mulher que incitou a multidão, é verdade que fui agredida muitas vezes na frente dela e de outras pessoas de minha família. Mas eu me preparei naquela agressão, há mais de 3 anos, para enfrentar esse comportamento fascista (de me tornar não humana, de me desumanizar como define Hannah Arendt, de me tornar e a Laura também apenas um inimigo a ser combatido).

Em 2018 fui alvo de todo tipo de montagem. Destruíram meu corpo, manipularam minhas palavras, fizeram com que conhecidos rompessem relações comigo por acreditarem em notícias falsas. Chegamos ao fundo do poço e tentaram me levar lá pra baixo.
Há quem diga que vivemos o fim da era do humanismo, o fim do ciclo das conquistas da Revolução Francesa e, com isso, o fim de um sentimento construído historicamente com a revolução: a empatia, o colocar-se no lugar do outro, o sentir que o outro é um igual.
Mas eu não fui para o fundo do poço, nós não iremos e eu decidi, no próximo ano, dedicar parte de minha vida para combater redes de notícias falsas e de conteúdos de ódio porque para mim a empatia seguirá existindo e nós não soltaremos nossas mãos.
Para mim, cada um de nós tem um compromisso: refletir sobre si mesmo antes de apertar o botão de compartilhar ou de gritar na rua.
E se fosse você que tivesse suas palavras manipuladas, seria engraçado?
E se fosse você que fosse agredido com seu filho no colo, seria casual?
E se fosse você que defendesse uma ideia que acredita e tentassem lhe constranger, agredindo sua família, como você se sentiria?

Existe um combate macro, um combate a quem financia aos robôs, um combate ao dinheiro sujo que financia a baixaria.
Mas existe uma mudança individual, a mudança que nos é exigida para que mantenhamos a internet um ambiente livre e democrático. Essa mudança passa pela ideia de que o outro é igual a nós e, portanto, merece nosso respeito, nossa EMPATIA.

Por um mundo cada vez mais diverso e livre, por um mundo em que a gente sempre pense antes de agir: “E se fosse comigo?”

A maior revolução é o amor.
O amor por si mesmo, o amor ao próximo.
Como já nos disse, há quase dois mil anos, o aniversariante do dia 25 de dezembro: “amai ao próximo como a ti mesmo”.

Feliz 2019!

Caso Fabrício Queiroz deixou o arbítrio nu

bretasgate

Por Ricardo Capelli, no Contexto Livre

O implacável Ministério Público do Rio, que convidou o menino bobalhão, “Phd em não sei o quê” do MBL para palestrar num de seus encontros, assiste agora calado as ausências seguidas de Queiroz aos depoimentos.

O motorista milionário não está condenado, tem direito a ampla defesa, afinal, “plantar laranjas” com dinheiro público não é um crime em si, cabe explicação, obviamente.

O problema é que por muito menos o MP do Rio pediu e o nobre juiz Marcelo Bretas prendeu, humilhou, invadiu casas, pintou e bordou. Tudo sem o trânsito em julgado.

Queiroz faltou duas vezes seguidas. Não caberia uma condução coercitiva? Alguns foram submetidos a este artifício sem nunca terem sido convocados. Quando será a busca e apreensão nos endereços da família Queiroz?

Um novo projeto de poder está em curso no país reunindo uma extrema direita raivosa e ressentida, o capital financeiro abutre e uma parcela da burocracia estatal antinacional e antipovo.

Perseguirão implacavelmente todos que se colocarem no caminho do sequestro do orçamento público pelas corporações e da venda dos interesses estratégicos da nação. Aí de quem resolver questionar auxílio moradia e outras mordomias, os penduricalhos pagos com o dinheiro da viúva são sagrados.

A condução do caso Queiroz fala por si. É a consagração inconteste do Estado de Exceção no Brasil. Parece só o começo da perseguição desenfreada e parcial que será comandada por “Hoover” e sua trupe a partir do dia 1°.

O caso Queiroz está deixando o arbítrio nu. Liberais autênticos começaram a se levantar, sabem que cedo ou tarde entrarão na fila do “Reich”.

Construir uma Frente Democrática não é uma simples opção tática. É uma necessidade histórica. Tomara que não precise piorar mais para que os progressistas brasileiros compreendam isto.

Ricardo Cappelli, é secretário da representação do governo do Maranhão em Brasília e foi presidente da UNE

Por que Lula virou uma assombração?

0v4hWiBY

Por Helena Chagas

O estranho fenômeno que enlouquece o establishment e leva a República a se mobilizar com rapidez impressionante a cada vez que alguém ameaça tirar da cadeia o ex-presidente Lula certamente será objeto de muitos estudos por parte dos historiadores futuros. Que tantos poderes assim terá Lula, condenado por corrupção, declarado inelegível e derrotado nas últimas eleições, para influir nos destinos da nação?

Essa é a pergunta que não quer calar. Não foi desta vez, já que Dias Toffoli cassou a liminar de Marco Aurélio, mas é razoável supor que, mais dia menos dia, o ex-presidente será solto. Afinal, ele não foi condenado à prisão perpétua pela Justiça – ainda que o tenha sido na cabeça de alguns.

Ainda que o colegiado do STF amarele no dia 10 de abril, quando vai julgar a prisão após condenação na segunda instância, há tendência, na segunda turma, a reduzir a pena de 12 anos a ele infligida, considerando que não houve crime de lavagem de dinheiro. Sem falar na possibilidade de, em algum momento, ser mandado para prisão domiciliar. E aí?

Pelas reações do mundo político, jurídico e militar que vimos ontem, há quem pense que será um Deus-nos-acuda. Mas o que fará Lula, sem mandato e com uma estrutura partidária abalada, de tão revolucionário assim? Lula não tem exército, e sua única arma é a voz.

Aí é que está. O desfecho das eleições de 2018 deixou o establishment numa situação de tal fragilidade e insegurança que Lula – derrotado, condenado e inelegível, não custa lembrar – virou uma espécie de assombração para o novo governo e todos que o apoiam. Acima de tudo, isso mostra uma tremenda falta de confiança em quem elegeram.