Conmebol sorteia grupos da Libertadores

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A Conmebol sorteou nesta terça-feira em sua sede, na cidade de Luque, no Paraguai, os confrontos das fases preliminares e os grupos da Copa Libertadores de 2019. À primeira vista, os clubes brasileiros que terão mais dificuldades são o Inter, que enfrenta River Plate e Alianza do Peru, podendo ainda ter o São Paulo no mesmo grupo.
O Palmeiras também caiu numa chave difícil, ao lado de San Lorenzo e Junior Barranquilla. O Athletico está na mesma chave de Boca Juniors e Jorge Wilstermann. Flamengo e Cruzeiro terão grupos menos complicados.
GRUPO A
River Plate-ARG

Internacional

Alianza Lima-PER

G4 (Palestino-CHI ou Independiente Medellín-COL x Talleres-ARG ou São Paulo)

GRUPO B
Cruzeiro

Emelec-EQU
Huracán-ARG
Deportivo Lara-VEN
GRUPO C
Olimpia-PAR
Sporting Cristal-PER
Godoy Cruz-ARG
Universidad Concepción-CHI
GRUPO D
Peñarol-URU
Flamengo
LDU-EQU
Bolívia 2
GRUPO E
Nacional-URU
Cerro Porteño-PAR
Zamora-VEN
G1 (Danubio-URU ou Atlético x E3 [Bolívia 4 ou Defensor-URU] ou Barcelona-EQU)
GRUPO F
Palmeiras
San Lorenzo-ARG
Junior Barranquilla-COL
G2 (Melgar-PER ou Universidad de Chile x E1 [Delfín-EQU ou Nacional-PAR] ou Caracas-VEN
GRUPO G
Boca Juniors-ARG

Athletico Paranaense

Jorge Wilstermann-BOL
Tolima-COL
GRUPO H
Grêmio
Universidad Católica-CHI
Rosario Central-ARG
G3 (Bolívia 3 ou Libertad-PAR x E2 [Deportivo La Guaira-VEN ou Real Garcilaso-PER] ou Atlético Nacional-COL) 

O perfeito idiota diplomático latino-americano

Por Luis Nassif

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Peça 1 – Um tosco na corte de Rio Branco

O titulo do artigo foi tomado emprestado de um clássico do continente, o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”.

As sandices ditas por Eduardo Bolsonaro no Twitter seriam apenas isso: sandices de um palpiteiro de rede social, não fosse a circunstância de que se trata do responsável, de fato, pela política externa brasileira, por herança paterna. É um completo sem-noção, inclusive sobre o peso da palavra de quem se tornou o chanceler de fato.

Coube a Eduardo Bolsonaro indicar o novo Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Para conseguir o cargo, Araújo aceitou endossar todo o besteirol que nasce da cabeça de Eduardo. O último feito dessa dupla luminosa foi afastar o chefe do cerimonial do Itamarati por ter incluído Cuba e Venezuela nos convites para a posse de Jair Bolsonaro.

Peça 2 – as regras da diplomacia

A diplomacia obedece a regras universais, regidas por Convenções sobre Relações Diplomáticas que vêm desde o Congresso de Viena, de 1815.

A última atualização é a convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961. O país assinou o documento e regulamentou em pleno governo Castello Branco, em 8 de junho de 1965, através do Decreto no. 56.435.

 Os Estados Partes na presente Convenção,

Considerando que, desde tempos remotos, os povos de todas as Nações têm reconhecido a condição dos agentes diplomáticos;

Conscientes dos propósitos e princípios da Carta das Nações unidas relativos à igualdade soberana dos Estados, à manutenção da paz e da segurança internacional e ao desenvolvimento das relações de amizade entre as Nações;

 Estimando que uma Convenção Internacional sobre relações, privilégios e imunidades diplomáticas contribuirá para o desenvolvimento de relações amistosas entre as Nações, independentemente da diversidade dos seus regimes constitucionais e sociais;

 Reconhecendo que a finalidade de tais privilégios e imunidades não é beneficiar indivíduos, mas, sim, a de garantir o eficaz desempenho das funções das Missões diplomáticas, em seu caráter de representantes dos Estados;

Afirmando que as normas de Direito internacional consuetudinário devem continuar regendo as questões que não tenham sido expressamente reguladas nas disposições da presente Convenção;

Essas regras são universais e todos os países as seguem não importa qual sua ideologia.

Na posse de um novo governante, todos os Chefes de Estado de países com os quais o Brasil tem relações diplomáticas são convidados. Funciona assim em todos os países assim reconhecidos do planeta. Até a Alemanha do Terceiro Reich seguia essas regras escrupulosamente, assim como a URSS, antes e durante a Guerra Fria.

As regras diplomáticas são valiosas mesmo em tempo de guerras e embargos. E todos os países as seguem, mesmo sendo inimigos. Essas regras regulam a extraterritatoriedade das Embaixadas, a segurança física do pessoal diplomático mesmo em situação de rompimento de relações e com raríssimas exceções sempre foram observadas.

No caso brasileiro, as regras do cerimonial estão consolidadas no decreto no. 70.724 de 9 de março de 1972, em pleno governo Médici.

Diz o artigo 48:

Art. 48. O Presidente da República enviará Cartas de Chancelaria aos Chefes de Estado dos países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas, comunicando-lhes sua posse.

§ 1º As referidas Cartas serão preparadas pelo Ministério das Relações Exteriores.
Peça 3 – a diplomacia dos EUA e Cuba

Vamos conferir como a nação modelo dos Bolsonaro se comporta no plano diplomático.

Debaixo do guarda-chuva da Convenção de Viena, os Estados Unidos mentem uma vasta estrutura diplomática em Cuba, chamada de Seção de Interesses dos Estados Unidos em Cuba, debaixo da bandeira da Suíça. Como se pode conferir na página “Embaixada dos EUA em Cuba” o aviso:

Por favor, observe que a Embaixada dos EUA em Havana permanece aberta.

Os cidadãos americanos têm acesso a toda a gama de serviços consulares na Embaixada dos EUA em Havana.

Como está em vigor há algum tempo, a Embaixada não está emitindo vistos de não-imigrantes, exceto para emergências com risco de vida. Os cidadãos cubanos continuam sendo bem-vindos para solicitar vistos de não-imigrantes, incluindo renovações, em qualquer embaixada ou consulado dos EUA que processe vistos, fora de Cuba.

(…)  A Embaixada dos EUA em Havana é a fonte final e indiscutível de nossas próprias operações. Para mais informações, visite nosso site em  cu.usembassy.gov  e os canais de mídia social (Facebook e Twitter) em  @USEmbCuba .

Essa SEÇÃO DE INTERESSES é chefiada por um Chargé d´Affaires, um nível baixo de Embaixador e tem todos os serviços de uma Embaixada: concede vistos, autentica faturas e dá proteção a cidadãos americanos que visitam Cuba. São 8.000 por mês, em voos regulares diários entre EUA e Cuba.

Independentemente das idiossincrasias de Donald Trump, a diplomacia sempre busca formas de cooperação, como no acordo bilateral sobre busca e resgate marítimo e aeronáutico, merecendo uma saudação do encarregado de negócios, embaixador Jeffrey Delautentis:

Felicito as autoridades de busca e resgate dos EUA e de Cuba por essa conquista histórica. Desde que cheguei em agosto de 2014, passei a apreciar a coordenação entre a Guarda Costeira dos EUA e o sistema de busca e salvamento marítimo e aeronáutico de Cuba.

Por isso, é um grande prazer assinar este acordo de busca e salvamento em nome do governo dos EUA.

Recentemente, os EUA enviaram para Cuba um diplomata sênior, Philipe Goldberg, que assumiu o cargo em fevereiro deste ano.

No site do Departamento de Estado, há uma página explicando as relações com Cuba.

“Embora as sanções econômicas permaneçam em vigor, os Estados Unidos são um dos principais fornecedores de alimentos e produtos agrícolas de Cuba, com exportações desses bens avaliadas em US $ 247 milhões em 2016. Os Estados Unidos também são fornecedores significativos de bens humanitários para Cuba, incluindo medicamentos. e produtos médicos. As remessas dos Estados Unidos, estimadas em US $ 3 bilhões em 2016, desempenham um papel importante na economia controlada por Cuba”.

Assim sendo, o Itamaraty enviar convites para a posse a Cuba está estritamente dentro das regras diplomáticas de países civilizados. Os perfeitos idiotas latino-americanos, aboletados no poder, desconhecem qualquer regra de nações organizadas.

Peça 4 – Negócios à parte

Nas páginas do Office of United States Trade Representative informa-se que:

Desde 2000, certas exportações americanas de produtos agrícolas e dispositivos médicos foram permitidas. Outros itens autorizados para exportação mais recentemente incluem certos materiais de construção para construção residencial privada, bens e serviços para uso por empresários cubanos do setor privado e equipamentos agrícolas para pequenos agricultores. 

  • Cuba foi o 127º maior mercado de exportação de bens dos Estados Unidos em 2015.
  • As exportações de bens dos EUA para Cuba em 2015 foram de US $ 180 milhões, uma queda de 40% (US $ 119 milhões) em relação a 2014 e uma queda de 51% em relação a 2005.
  • As principais categorias de exportação (HS de 2 dígitos) em 2015 foram: carne (US $ 78 milhões), ração animal (US $ 44 milhões), grãos diversos, sementes, frutas (US $ 22 milhões), produtos químicos diversos (US $ 13 milhões) e produtos químicos inorgânicos (US $ 9 milhões).
  • As exportações americanas de produtos agrícolas para Cuba totalizaram US $ 150 milhões em 2015. As principais categorias incluem: frango (US $ 78 milhões), farelo de soja (US $ 55 milhões), soja (US $ 10 milhões), milho (US $ 5 milhões) e laticínios (US $ 412 mil).
  • Em 2017 subiram para US$ 217,3 milhões e para US$ 239,6 milhões até outubro de 2018 (clique aqui).

Os carregamentos de grãos são transportados por navios de bandeira americana que aportam em Havana toda semana. Os preços de commodities agrícolas são subsidiados pelo governo norte-americano. Logo, indiretamente Cuba é subsidiada pelo Tesouro dos EUA. As remessas dos Estados Unidos para Cuba são estimadas em US $ 3 bilhões em 2016.

Peça 5 – os riscos para o país

Não se trata de mera curiosidade, essa nova forma de genealogia do poder no Brasil. A diplomacia tem impacto profundo no comércio exterior, nos acordos de cooperação, na compra e venda de produtos sensíveis. Além disso, é responsável pela segurança do cidadão brasileiro em todos os países com os quais o Brasil mantem relações diplomáticas.

No entanto, montou-se uma seleção de recursos humanos pelo avesso. A indicação de cada Ministro depende exclusivamente de sua capacidade de endossar o besteirol da família Bolsonaro. Nem se culpe os Bolsonaro por essa desmoralização internacional. Eles ao menos têm o álibi da ignorância rotunda. Culpados são os que permitiram que o país chegasse nesse nível de “refundação”, através da desmoralização dos partidos políticos e das instituições.

O triunfo da antinotícia

POR GERSON NOGUEIRA

O futebol ocupa espaços midiáticos cada vez mais expressivos no Brasil. Programas se espalham pelas grades da TV aberta, a cabo e de canais na internet. Jornais impressos, que sempre foram generosos com a modalidade, seguem mantendo páginas e páginas dedicadas à cobertura de jogos e torneios.

Quando chega o período de férias dos atletas, os veículos sucumbem à escassez de notícias. O problema é que o público não tira férias do futebol e cobra informações, principalmente sobre reforços para os times.

Entra em cena, então, a vocação que muitos boleiros demonstram ter para o marketing de guerrilha, usado em doses cavalares para saciar a sede da mídia esportiva por fatos novos. Ironicamente, como se sabe, quase nada é factual e verdadeiro na boataria sobre contratações e transações entre clubes e atletas.

Sem maior brilho no Palmeiras campeão nacional, o volante Felipe Melo aproveitou a estiagem para surfar em cima da curiosidade e da desinformação. Disseminou a história de que pode deixar o Verdão (com quem tem contrato até o final de 2019) para voltar ao Flamengo, onde iniciou a carreira.

Os rubro-negros se dividem, mas boa parte da massa torcedora vai às redes sociais discutir se a contratação seria ou não interessante. Gera uma bolha de comentários, favoráveis ou não, tornando o nome do jogador o assunto mais comentado da semana que passou.

A explosão de curtidas no Twitter serve aos interesses de empresários e dos próprios profissionais da bola, pois dimensionam o grau de visibilidade que podem agregar ao clube contratante. Em resumo, uma lorota vira lucro nas mãos espertas de quem sabe manipular as plataformas digitais, produzindo factoides que acabam virando tema de noticiário pretensamente sério.

É improvável que o negócio entre Palmeiras e Flamengo se confirme, pois o contrato teria que ser rompido, com consequente pagamento de multa rescisória, mas o objetivo de Felipe e seu estafe já foram alcançados plenamente. É o que se pode chamar de triunfo da antinotícia.

A história se repete com Rever, Pablo, Ricardo Goulart e Diego Tardelli. Em escala menor, monopolizam o noticiário, sendo especulados por vários clubes.

Quase todos são atletas que têm em comum o fato desconcertante de que não integram a chamada linha de frente do futebol no Brasil. Não entram em listas de convocados para a Seleção e – no caso de Tardelli, Melo e Rever – estão na chamada fase descendente da carreira, acima dos 34 anos.

Daqui a alguns dias, a maioria das conversas e sondagens se revela inconsistente e sem qualquer base na realidade, mas a badalação já ocorreu para satisfação e glória dos marqueteiros intuitivos.

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Melancolia de circo nos lampejos do grande craque

Outra tendência de fim de ano é o movimentado circuito de eventos beneficentes, nos quais velhos boleiros se juntam a algumas estrelas atuais para partidas de brincadeirinha, que ajudam a fomentar e a alimentar também o noticiário de fofocas.

Belém sediou no fim de semana um jogo especial de futsal com a presença de Ronaldinho Gaúcho, cuja agenda pessoal ficou mais flexível depois que se viu impedido de deixar o país por ordem judicial – responde a processo por crime ambiental no Rio Grande do Sul.

foto ronakldinho

A forma física está mais para o perfil de pagodeiro, mas os dribles e canetas continuam quase impecáveis. É visível, porém, que R10 entrou em modo Buffalo Bill se sujeitando a virar alvo da curiosidade dos que aplaudiam seus momentos gloriosos como jogador do Barcelona, do Atlético-MG e da Seleção.

Caso o atleta tivesse sido mais disciplinado e focado, Ronaldinho certamente ainda poderia jogar decentemente no Brasil, ajudando a compor elencos na Série A.

Acontece que os rolês e festas frenéticas minaram a resistência física, permitindo que se apresente de vez em quando – como na programação no ginásio Mangueirinho – exibindo lampejos daqueles tempos áureos, sem disfarçar a atmosfera melancólica dos artistas decadentes de circo.

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O livro de Tommaso, um cara bacana

As quatro décadas de jornalismo esportivo de Giuseppe Tommaso estão condensadas nas páginas de “Tommaso, um cara bacana”, livro escrito por Mauro Tavernard devassando a trajetória profissional do carioca-paraense.

O lançamento será amanhã, às 19h, com noite de autógrafos na Livraria Fox da Dr. Moraes. A venda dos exemplares tem caráter beneficente.

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Estratégia do Papão aguça curiosidade da galera

Há quem reclame da estratégia adotada pela diretoria do Papão em relação ao anúncio de contratações para 2019. Ocorre que Ricardo Gluck Paul prefere que os reforços sejam apresentados de uma vez só ou quando os acordos estiverem sacramentados. É uma atitude profissional e respeitosa, mas o torcedor mal contém a ansiedade, principalmente por acompanhar a sucessão de notícias sobre os contratados pelo maior rival.

De toda sorte, a partir desta semana, serão conhecidos os nomes que irão compor o novo elenco alviceleste. Nos últimos dias sobre Giaretta, Léo Itaperuna e até Ameixa, ex-Remo, mas não há qualquer indicação segura de que esses jogadores estarão no grupo de aquisições.

Até mesmo algumas sinalizações quanto ao retorno de atletas que foram liberados, como Pedro Carmona e Nando Carandina, não têm confirmação por parte da diretoria. Não há jeito. Os curiosos terão que refrear a angústia por mais alguns dias.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 17)