Furacão passa pelo buraco da agulha

FBL-SUDAMERICANA-PARANAENSE-JUNIOR

Por Alberto Helena Jr.

Ufa, enfim, o futebol brasileiro beliscou uma taça internacional, depois de ter caído fora da Copa do Mundo antes da hora e de o campeão brasileiro sequer chegar à final da Libertadores, o que exprime bem o momento em que vivemos.

E olhe que foi pelo buraco da agulha que o Furacão passou para meter a mão na Copa Sul-Americana, diante do Junior de Barranquilha – no último pênalti cobrado, por Tiago Heleno, depois de tantos desperdícios dos adversários.

O curioso é que, no começo, parecia que o Atlético PR iria se fartar diante do adversário, pois, aos 27 minutos, Pablo recebeu exato passe de Veiga, girou sobre o adversário e bateu no canto: 1 a 0.

Bastou isso, porém, pra que, a exemplo do que fazem nossos times no geral, o Furacão se recolhesse atrás da montanha, permitindo ao Junior avançar suas linhas, movimento que só foi surtir efeito aos 13 minutos do segundo tempo, quando Téo Gutierrez colheu cabeçada firme em cobrança de córner para empatar a partida:1 a 1.

Empate que seguiria prorrogação adiante, mesmo quando o juiz deu pênalti de Santos e Barrera, o craque dos colombianos, bateu por cima. Era o gol da conquista jogado fora, pois o Junior estava melhor e criando as maiores chances desde a segunda  fase do tempo regulamentar, enquanto o Atlético dava claros sinais de fadiga..

Sobreveio então a decisão por pênaltis quando os colombianos desperdiçaram dois e os brasileiros um.

Se esse resultado não basta para dar ao nosso futebol a dignidade perdida há tantos anos, ao menos serve para premiar o Furacão, que tem sido um clube exemplar na construção de suas sólidas bases e que, neste ano, conseguiu se recuperar muito bem ao longo do segundo turno do Brasileirão. Processo que se consolida na primeira conquista internacional de um dos grandes do Paraná. Não é pouco.

CBF define jogos da 1ª fase da Copa do Brasil

20181003174250_988

A CBF sorteou, nesta quinta-feira à noite, os jogos da primeira fase da Copa do Brasil 2019. A competição começará no dia 6 de fevereiro. O Remo enfrenta o Serra-ES, o São Raimundo recebe o Criciúma e o Bragantino encara o ASA de Arapiraca-AL.

Os clubes sorteados disputam as quatro primeiras fases iniciais da Copa do Brasil. A fase inicial tem jogo único e mando de campo do clube pior ranqueado, com o visitante jogando pelo empate.

Na segunda fase, continua o sistema de jogo único, mas com o mando definido através de sorteio. O empate leva a decisão para as penalidades. Os clubes sorteados disputam as quatro primeiras fases da Copa.

Depois, 11 equipes irão entrar diretamente nas oitavas de final: Palmeiras, Flamengo, Internacional, Grêmio, São Paulo, Atlético-MG, Cruzeiro e Atlético-PR (todos vindos da Libertadores), Sampaio Corrêa (campeão da Copa do Nordeste), Paissandu (campeão da Copa Verde) e Fortaleza (campeão da Série B).

CALENDÁRIO

Na quarta-feira, a CBF divulgou mudanças no calendário para 2019. A principal alteração, para os clubes, jogadores e torcedores, é o horário nobre dos jogos de quarta, de 21h45, passou para 21h30.

As finais da Copa do Brasil acontecerão em setembro, nos dias 4 e 11. A competição tem início previsto para o dia 6 de fevereiro. O início do calendário do futebol brasileiro será no dia 2 de janeiro, com a pré-temporada, que terá 18 dias, quatro a mais em relação ao ano passado. Os estaduais iniciarão em 18 de janeiro, até 21 de abril.

Já os campeonatos nacionais, começarão em abril. Com a Série A, iniciando em 28 de abril, indo até 8 de dezembro e a Série B, tendo o pontapé inicial no dia 27 de abril, finalizando em 30 de novembro.

O calendário, no entanto, será afetado pela disputa da Copa América de 2019, no Brasil, entre os dias 14 de junho até 7 de julho. Todas as competições nacionais serão paralisadas no período.

Sendo assim, a mudança distribui ao longo do ano as principais decisões. Em abril, os campeonatos estaduais acabam. Em setembro, o campeão da Copa do Brasil será conhecido. E em novembro e dezembro, os campeões brasileiros, além das copas continentais, Libertadores e Sul-Americana.

O que seria proibido se o AI-5 ainda estivesse em vigor?

protesto-ditadura-militar-brasil-1968

Em 1968, enquanto a população protestava nas ruas sob o lema “é proibido proibir”, os generais do regime militar brasileiro (1964-1985) se preparavam para endurecer ainda mais a ditadura. Em 13 de dezembro daquele ano, o presidente Artur da Costa e Silva emitiu o Ato Institucional de número 5, o AI-5, que restringiu os direitos da população e instaurou a censura.

“Durante o AI-5, não existiam garantias e direitos civis mínimos para nenhum cidadão, de nenhum grupo ou estrato social”, comenta Marcos Napolitano, professor do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo historiadores, o fato mais obscuro atribuído ao AI-5 foi o de dar poder de exceção aos governantes, que tinham carta branca para punir qualquer um que fosse considerado uma ameaça ao regime.

“Os atos praticados pelas autoridades com base no AI-5 não podiam ser questionados ou examinados nem mesmo nos tribunais. Foi uma espécie de retorno ao poder absoluto do governo”, explica o historiador Rodrigo Patto Sá Motta, autor de livros sobre a ditadura e membro da Comissão da Verdade em Minas Gerais.

O AI-5 vigorou até dezembro de 1978. Cinquenta anos após sua instauração, Sá Motta afirma que a presença de um pensamento repressivo ainda pode ser observada no Brasil.

“Ainda não conseguimos superar efetivamente o autoritarismo da época do AI-5, inclusive no plano da memória social, já que muitos negam ter havido uma ditadura no Brasil”, diz o historiador.

“A ideia de criminalização da política e do ativismo social, que é uma das essências do AI-5 e do regime militar como um todo, ainda seduz muitas correntes da opinião pública da extrema direita e setores ultraconservadores, alguns deles com presença no sistema jurídico”, completa Napolitano.

A lista abaixo mostra direitos e ações hoje considerados cotidianos que seriam proibidos no Brasil e passíveis de punição caso o AI-5 ainda estivesse em vigor:

Votar e ser votado

“Se o AI-5 ainda existisse, não haveria eleições no Brasil e nem debates políticos acalorados”, aponta Napolitano, já que votar e ser votado não era um direito fundamental durante toda a ditadura.

Naquela época, as eleições eram indiretas. Seis presidentes governaram o Brasil sem serem votados pelo povo. Três deles foram escolhidos pelo Congresso Nacional, e três, pelo Colégio Eleitoral.

Criticar o governo

“Um dos nossos ‘esportes nacionais’ preferidos atuais, falar mal do governo e dos políticos na internet, não só seria proibido, como seria crime”, explica Napolitano. Vale lembrar que jornalistas e demais críticos do regime militar foram exilados do Brasil ou foram assassinados pelo governo durante a ditadura.

O caso mais emblemático foi o do jornalista Vladimir Herzog, torturado e morto pelos militares enquanto ocupava o cargo de diretor de jornalismo da TV Cultura. O atual atestado de óbito do jornalista traz: “a morte decorreu de lesões e maus-tratos sofridos durante o interrogatório em dependência do II Exército – SP (DOI-Codi)”.

Redes sociais e internet

Provavelmente seria proibido ter um blog caso o AI-5 ainda estivesse em vigor, já que o ato “ampliava a criminalização das opiniões e atividades políticas dos cidadãos”, explica Napolitano. Ter um perfil nas redes sociais também poderia ser muito perigoso, pois provavelmente se transformaria em mais um mecanismo de vigilância do Estado. Todo cuidado seria pouco, e até uma foto ou uma curtida poderia ser considerada um ato de subversão contra o regime militar.

“Conversas nas redes sociais certamente seriam monitoradas e poderiam abrir caminho para ações repressivas. Teríamos que manter cuidado na internet, pois o AI-5 dava ao governo poder discricionário para punir tudo o que ele considerasse subversivo. Como o entendimento sobre subversão pode ser elástico, a sensação de insegurança seria obviamente grande”, afirma Sá Motta.

Sem direito de dar opinião

As liberdades de expressão e manifestação são direitos fundamentais garantidos a todos os brasileiros desde 1988. Durante o AI-5, contudo, nem mesmo a imprensa tinha liberdade para noticiar coisas que a cesura do governo não aprovasse.

“Seria improvável que pessoas consideradas inimigas do Estado tivessem chance de se comunicar com o público por meio de reportagens, comunicados etc, bem como seria pouco provável que a situação de violação dos direitos, como presos e desaparecidos políticos pudesse ser denunciada”, exemplifica Sá Motta.

Do mesmo modo, seria crime organizar, participar ou apoiar greves de trabalhadores – como a greve dos caminhoneiros deste ano –, manifestações populares e protestos políticos – como os protestos de junho de 2013.

Ler jornais na íntegra

Encontrar na mídia, assim como ler ou compartilhar informações sobre escândalos políticos, denúncias, corrupção, entre outros problemas do cenário brasileiro seria impossível, uma vez que os jornais, antes de irem para as bancas, passavam pelo censor do governo. Se algo não agradasse, a notícia era retirada da página.

Para tapar o buraco, eram colocados trechos de livros e até receitas de bolo. Segundo levantamento do jornal Estado de São Paulo, entre agosto de 1973 e janeiro de 1975, versos de Os Lusíadas, de Luís de Camões, foram colocados 655 vezes nas páginas do jornal. Tema hoje recorrente nos jornais, a atual Operação Lava Jato, além de não ser noticiada, sequer existiria se o AI-5 vigorasse, pois “não haveria Justiça independente para investigar a corrupção dos agentes públicos”, aponta Napolitano.

Cantar músicas de MPB

A censura feita pelo governo durante o AI-5 se estendia à toda manifestação artística e cultural. Diversos artistas da MPB tiveram que alterar letras de músicas ou deixar de cantá-las para não serem presos. Foi o caso de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, entre outros.

Se o AI-5 ainda existisse, cantarolar versos como “caminhando e cantando e seguindo a canção”, trecho de Pra Não Dizer que Não Falei das Flores, poderia resultar em perseguição política, já que o próprio autor da canção, Geraldo Vandré, foi exilado pelo AI-5 em 1969.

Assistir à novela Roque Santeiro

Um dos elementos da censura era cortar cenas e proibir produções consideradas “atentados à moral e aos costumes” ou que “manchassem a imagem” do Brasil. Era proibido, por exemplo, criticar a polícia, a segurança pública, o governo, assim como cenas de nudez, de cunho sexual, de drogas e violência. Foi por esses motivos, por exemplo, que a novela Roque Santeiro, da Rede Globo e hoje considerada um clássico da TV brasileira, foi censurada pelo AI-5 em 1975. A trama pôde ir ao ar somente com o fim da ditadura, em 1985.

No campo do cinema, o clássico Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, que conta a história de adolescentes transgressores europeus, teve sua exibição proibida no Brasil durante o período em que vigorou o AI-5. Atualmente, filmes como Cidade de Deus e Tropa de Elite, com cenas de pobreza, drogas e violência, assim como 50 Tons de Cinza, que traz cenas de nudez, provavelmente seriam censurados no Brasil.

“Inocente” até que se prove o contrário não existiria

A máxima “inocente até que se prove o contrário” seria invertida se o AI-5 ainda vigorasse. Uma simples denúncia anônima poderia colocar em risco a liberdade de uma pessoa antes mesmo do seu julgamento. “Como tudo funcionava à base de suspeitas, as pessoas poderiam ser presas e torturadas antes de provarem sua inocência. Além disso, o governo tinha o poder de suspender os direitos políticos de quem considerasse inimigo do Estado”, explica Sá Motta.

Servidor público sob perigo

Provavelmente não seria um bom negócio ser funcionário público com o AI-5 em vigor. Com o decreto, “os funcionários públicos perderam as garantias constitucionais e podiam ser exonerados ou aposentados de acordo com a vontade do Poder Executivo, ou seja, o Presidente da República, a qualquer momento”, explica Sá Motta.

(Da CartaCapital)

Bolsonaro teve acesso ao relatório do Coaf antes do 2º turno da eleição

Fernando Haddad (PT), que disputou o segundo turno com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), disse que o seu adversário teve acesso ao relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ainda durante as eleições. “Ele teve acesso ao relatório do Coaf, no mais tardar, no dia 15 de outubro. Data em que demitiu o motorista e a filha. Por que teve acesso ao relatório e a sociedade não?”.

Haddad

O “motorista” é o policial militar Fabrício José Carlos Queiroz, que trabalhava como assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho de Bolsonaro. Já a “filha”, Nathalia Melo de Queiroz, trabalhou como assessora de Jair Bolsonaro. Ambos foram demitidos em 15 de outubro, oito dias após o primeiro turno das eleições.

“Por que o Coaf liberou para Bolsonaro e não para a sociedade questões que são de interesse público? Esse expediente, que ao que parece é de peculato, o de usar seu gabinete para fazer vaquinha para si mesmo, é um expediente muito comum no baixo clero. Inexplicável é que só tenhamos sabido agora”, questionou Haddad, em entrevista ao jornal Valor nesta quarta-feira (12).

Segundo o Coaf, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão em sua conta, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Essa movimentação incluía uma série de saques de médio valor (em torno de R$ 5 mil) que eram antecedidos de depósitos na conta de Queiroz com valores equivalentes.

Nove assessores do gabinete do filho de Bolsonaro realizaram transações em nome de Queiroz, que coincidiam com os dias de pagamento da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Haddad chama a atenção que as investigações sobre a participação de Bolsonaro no escândalo serão bloqueadas.

“Daqui a alguns dias toda investigação por atos praticados antes de sua posse estará suspensa. A Constituição estabelece isso. Depois só por atos praticados a partir da posse e por consentimento do Congresso.”

A suspeita é que o motorista seria responsável pelo recolhimento de parte dos salários desses assessores e encaminharia os valores à família Bolsonaro.

Uma das transações realizadas pelo motorista, citadas no relatório do Coaf, é um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama Michelle Bolsonaro. A família diz tratar-se do pagamento de um empréstimo que haviam concedido a Queiroz.

O Coaf também detectou que o motorista e a filha movimentaram R$ 84 mil, em transações não identificadas. Também foi revelado nesta quinta-feira (13) que um dos ex-assessores de Flávio Bolsonaro que realizou depósitos na de Queiroz, o tenente-coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro Wellington Sérvulo Romano da Silva, passou 248 dias em Portugal no período de ano e quatro meses em que estava contratado para trabalhar no gabinete do deputado. (Do Viomundo)

Que país é este!

Na íntegra, a nota oficial da Força Sindical intitulada “Que país é este!”, a respeito de declarações feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, defendendo a informalidade no trabalho como meta a ser atingida:

Como se não bastasse a recente declaração do presidente eleito, Jair Bolsonaro, que “é horrível ser patrão no Brasil”, nesta quinta-feira (13) os principais órgãos de imprensa divulgaram entrevista do presidente eleito defendendo o aumento da informalidade.
Declarações como estas reforçam, ainda mais, a sua falta de consideração e demonstra seu total desconhecimento da situação causada pela reforma trabalhista, que resultou em perda de direitos e, ao contrário do prometido, não gerou empregos no País.
É lamentável que, em uma nação com treze milhões de desempregados, e com a informalidade ganhando cada vez mais espaço e apresentando rendimento médio 38% menor do que o dos trabalhadores com carteira assinada, o presidente eleito faça tais declarações para agradar apenas aos empresários, que financiaram e apoiaram sua eleição.
O fim do Ministério do Trabalho é uma medida nefasta para a sociedade. A intenção do novo governo é ter um País com todos os trabalhadores informais, enfraquecer e perseguir o movimento sindical.
 
Miguel Torres
Presidente da Força Sindical

Admirável mundo louco

Terra Plana

Movimento anti-vacina

Nazismo de esquerda

Kit Gay

Médicos cubanos guerrilheiros

Professor doutrinador

Jesus em goiabeira

Nordeste virar Dubai

Todas essas incríveis teses são propagadas diariamente pela direita brasileira.

A questão é: como conseguimos viver até agora sem saber dessas importantes descobertas?

Aposentado após AVC, Alexandre Santos diz ter criado 179 bordões

DlyozG-XcAE-P6b

“Apontou, guardou!”. Esse foi apenas um dos bordões utilizados na TV Bandeirantes pelo ex-narrador Alexandre Santos, 72 anos, atualmente aposentado e que apenas acompanha a nova geração e os antigos companheiros da poltrona de sua casa. “Meu tempo já foi. Agora estou velhinho, velhinho. Agora fico vendo os caras trabalharem. Quero paz, tranquilidade. Quando o jogo está ruim, até mudo para um filme. É só um passatempo agora”, brincou.

Alexandre Santos começou em 1958 na Bandeirantes e só trabalhou nesta empresa. Passou pela rádio e pela TV por assinatura BandSports. Narrou os mais diversos esportes. Há 12 anos, teve um AVC e precisou ser afastado das transmissões. Chegou a ficar rouco durante um tempo pela sequela provocada. Passou a aparecer em pequenas gravações, mais para matar a saudade. Mas hoje diz estar muito bem de saúde e sem nenhum problema. Ainda continua a prática da natação.

“Há uns 12 anos eu nadava de segunda, quarta e sexta e não tinha nada. Jantava e comia bem, mas tive um AVC. Fiquei rouco uns quatro anos e a Bandeirantes ficou me ajudando com tudo. Fiquei um tempo sem muito equilíbrio e passei a andar com uma bengala. Engordei 18 kg. Mas voltei a dirigir e de fim de semana vou ao meu sítio nadar. Hoje não tenho problema nenhum, nenhum. Faço natação e levantamento de peso”, comentou.

Alexandre foi o idealizador do programa “Gol, o grande momento”, ainda exibido até hoje pela TV Bandeirantes e que tem apresentação de Milton Neves. “Foi o meu grande momento, claro, com o Brasil inteiro. Passa um gol que eu narro, da turma passada, e sempre me falam. Produzi e apresentei por 33 anos e depois passei os direitos autorais para a Bandeirantes. Agora está em boas mãos, com o Milton, que é muito meu amigo. Ele tem uma condição de apresentador, improviso e disposição de trabalho que nunca vi”.

Além de “Apontou, guardou!” e “Cutucou, guardou!”, Alexandre diz ter idealizado outras 177 expressões ao narrar os mais diversos esportes. “Eu gostava de criar frases. Tem também ‘Ele e a bola, o goleiro e o gol’. Tem o ‘Um gol maior, vai que a festa é sua’, ‘está deixando a bola quadrada’. Nem consigo lembrar todas mais. Mas eu tenho elas todas escritas e guardadas comigo. Eu tenho 179 frases que usava nas transmissões. Gostava de ousar e pensar em jargões novos”.

Alexandre Santos se chama, na verdade, Antônio Hélio Spimpolo. Mas preferiu usar este nome artístico porque acreditava que faria mais sucesso. Disse que refutou usar seu verdadeiro sobrenome pois temia que virasse alvo de brincadeiras. “Há 46 anos, na TV Tupi, tinha um jornalista que já se chamava Antônio Hélio. Então eu tinha que usar outro, porque esse nome já existia. E o pessoal me falava: ‘Spimpolo não pega, Spimpolo não pega. Com nome de Spimpolo você vai acabar virando Pimpolho. Isso ia render apelido”, falou.

“Eis que então pensei em usar um outro. Coloquei Alexandre porque era  o nome de um irmão. E quis fazer uma homenagem ao dia de todos os santos, que foi quando tive uma poliomielite e acabei me recuperando. Matou um monte, na época, essa doença. Mas eu escapei”, continuou. (Por José Ricardo Leite, no UOL)

Janio e as dúvidas históricas sobre os 50 anos do AI-5

_WEKJ-bI

Em sua coluna Folha de S.Paulo Janio de Freitas aborda as cinco décadas desde a criação do AI-5. “Os 50 anos do AI-5 foram percorridos, de ponta a ponta, por um problema de incorreção histórica ou, no mínimo, de dúvida. Sua intocada existência em nada influencia a visão estabelecida do Ato brutal, mas importa para a caracterização do que o antecedeu e o seguiu. O entendimento de que o AI-5 foi um golpe dentro da ditadura ainda é, apesar de sua fundamentação, secundário na interpretação do episódio. Desde o primeiro momento, prevaleceu a dedução de que o endurecimento do regime refletia o ditador Costa e Silva. Assim foi, ou porque se sucediam contestações à ordem ditatorial, e o AI-5 repunha a primazia da força, ou porque Costa e Silva ficara identificado como chefe da linha mais dura. Motivos que, aliás, se completavam”.

O jornalista desenvolve seu raciocínio sobre o ditador: “muitos fatos não se encaixam nas duas explicações. A começar da reunião, nos primeiros dias pós-golpe, de alguns governadores chamados por Costa e Silva ao então Ministério da Guerra, no Rio. A Presidência estava com o interino de sempre, Ranieri Mazzilli, e o Congresso vivia as vésperas de indicar o presidente para complementar o mandato interrompido. Disso o general queria falar. Para advertir os governadores de que se enganavam no apoio ao chefe do Estado-Maior do Exército, general Castello Branco, da corrente militar contrária à devolução do poder aos civis, no tempo previsto. Não foi explícito, mas a insinuação de um civil para o cargo não era imperceptível na exposição. Carlos Lacerda, pré-candidato nas eleições presidenciais do ano seguinte, insurgiu-se contra as informações e argumentos de Costa e Silva, que traduziu como manobra para prejudicá-lo: Castello também era udenista, e Costa e Silva tinha proximidade com o PSD de Juscelino. O general insistiu em vão. Os udenistas Magalhães Pinto e Ney Braga, também aspirantes à Presidência, reforçaram Lacerda. Ao final dos três anos seguintes, que Castello presidiu com a supressão das eleições presidenciais, Costa e Silva venceu a dura batalha interna para sucedê-lo. Seu primeiro ano de presidente foi tranquilo, com plena liberdade de imprensa, nenhuma cassação, Congresso livre de pressões, a oposição ativa a ponto de Lacerda, Juscelino e Jango se juntarem em Frente Ampla pela redemocratização. O chefe da linha dura fazia o país entrever liberdades e direitos. Os estudantes aproveitaram”.

Ele aborda o problema da época: “os indícios de inquietação dos extremistas militares se sucediam. Costa e Silva, sob pressões múltiplas, em março foi falar na Escola Superior de Guerra. E, para irritados e aliviados, defendeu a oposição como necessária para vigiar o governo. A morte do estudante Edson Luís provocou um movimento de massas sem precedente. Houve choques numerosos com as PMs em vários estados. Os apoiadores civis da ditadura, como se pôde ver na imprensa, estavam atônitos. O recurso a ato institucional, arma de Castello, voltava a ser cobrado. A proposta de estado de sítio logo aparecia. Ambos eram assuntos diários. Costa e Silva os abordou um mês depois da fala na ESG: ‘Não pensei, não penso e não pensarei’ nessas medidas. E, para pasmo de todos os lados, se dispôs a conversar com uma comissão representativa das manifestações. A ditadura estava dividida entre Costa e Silva e uma titubeante articulação contra a linha do governo. Em dezembro, o AI-5 foi levado a Costa e Silva, um texto produzido por seu ministro da Justiça, Gama e Silva. Traição? Sendo, não foi única no ministério. Costa e Silva jogou o jogo. Assinou o Ato. O que lhe restava era repetir o que fez para derrotar a obstrução dos castelistas e chegar à Presidência: levantar forças a seu favor. Morreu antes disso. Seu acidente vascular cerebral foi dado por muitos como efeito do golpe que sofrera. Quando divulgou sua equipe para o governo, entre jornalistas, escritores e políticos houve uma surpresa: Heraclio Salles, intelectual de alto nível, machadiano, crítico brilhante de literatura, jornalista de política extraordinário, democrata inabalável, seria o secretário de imprensa do ditador Costa e Silva. Emitido o AI-5, Heraclio Salles se demitiu. Na preparação do governo, Costa e Silva convencera-o de que mudaria o regime, e precisava do seu auxílio”.

Jânio então finaliza: “Costa e Silva como governante e seus anos na Presidência esperam ser estudados, para que o país saiba o que foram, afinal: o do AI-5 ou da redemocratização que o golpismo retardou por mais de 15 anos”.