Givanildo estranha troca de batedor de pênalti do América contra o Fluminense

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Aos 24’ do primeiro tempo no Maracanã, a esperança de que o América se manteria na Série A aumentou. O pênalti sofrido por Aderlan contra o Fluminense era a tão esperada chance de ficar à frente no marcador. Minutos depois, entretanto, a surpresa: o cobrador seria Luan. E essa decisão surpreendeu até mesmo ao técnico Givanildo Oliveira.

“Não (Luan não é o batedor oficial). Eu, inclusive, tenho visto sempre, depois dos treinos, o Rafael (Moura) bater. Então, não me preocupei com isso. Quando aconteceu o pênalti, e aí estavam arrumando (para bater) e os caras do Fluminense estavam reclamando, eu vim falar com o Felipe (Conceição, auxiliar). Quando eu me virei, eu vi que estava o Luan posicionado para bater. Aí não tinha mais jeito. Mas, pelo que me passaram, o Rafael é o batedor oficial. Então, em cima disso aí, o que chegou para a gente da comissão foi que ele (Rafael Moura) passou para Luan fazer o gol. Não sei o porquê. Mas ele que passou para Luan”, admitiu o treinador em entrevista coletiva após a derrota americana por 1 a 0 neste domingo, em jogo da última rodada do Campeonato Brasileiro.
Durante a temporada, o cobrador oficial de pênaltis do América realmente foi o centroavante Rafael Moura. No Maracanã, Luan assumiu a responsabilidade. Mas perdeu. O chute rasteiro foi defendido pelo goleiro Júlio César, que caiu no canto direito e evitou o gol que abriria o placar.
E as críticas sobre o desempenho de Luan não se restringem à perda do pênalti. Minutos depois, o atacante desperdiçou uma clara chance de gol cara a cara com o goleiro. No finalzinho do primeiro tempo, foi dele o erro de marcação que deixou Richard livre para marcar o gol que garantiu a vitória dos donos da casa no Rio de Janeiro.

Procurado por repórteres no intervalo e ao final da partida, Luan não deu entrevistas. Se vencesse, o América estaria livre do rebaixamento.

Conmebol rebate River e garante que jogo na Espanha é “irreversível”

Após a confusão no jogo de volta da final da Taça Libertadores entre River Plate e Boca Juniors, na Argentina, o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, disse neste sábado (1º) que a nova data para definir o campeão do campeonato, dia 9 de dezembro, na Espanha, é ‘irreversível’.

Domínguez afirmou que propôs a ideia de fazer a final da Libertadores no estádio Santiago Bernabéu ao presidente do Real Madrid, Florentino Pérez.

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“Eu dei a ideia e Pérez me pediu um tempo para pensar e que iria me ligar em dois minutos”, disse o presidente da Conmebol. Pérez retornou e disse: “Não é somente boa, mas o Santiago Bernabéu está à disposição sem custo para este jogo”. Sobre a confusão na Argentina, Domínguez disse não sabe quando se confundiu a paixão com violência. “Desde quando futebol é matar ou morrer”.

O presidente da Conmebol destacou também que a escolha da Espanha se deve ao fato do país ser onde há mais argentinos vivendo fora do seu território. River Plate e Boca Juniors fazem a final da Libertadores no dia 9 de dezembro, às 17h30 (horário de Brasília), na casa do Real Madrid, no estádio Santiago Bernabéu.

CONFUSÃO

Na partida de volta da final da Taça Libertadores, o ônibus com os jogadores do Boca Junior foi apedrejado por torcedores do River na chegada ao estádio Monumental de Nuñez. Na ocasião, o capitão do Boca Juniors, Pablo Pérez, e o jogador Gonzalo Lamardo chegaram a ser encaminhados a um hospital com ferimentos nos olhos sofridos no ataque na chegada.

A diretoria também alegou que muitos jogadores passaram mal com o gás de pimenta que a polícia jogou para conter o ataque dos torcedores. O jogo estava marcado para 18h, mas com a violência, a Conmebol adiou o jogo para 19h logo após a confusão. Depois, voltou a adiar o jogo, dessa vez para 20h15. Por fim, a entidade decidiu pelo adiamento para o próximo domingo (25).

No dia, o presidente da Conmebol afirmou que a decisão pelo adiamento da final aconteceu mais uma vez para que não houvesse “desigualdades esportivas”. Após reunião no Paraguai terça (27), o estádio do Real Madrid foi anunciado como palco para a final. Com informações da Folhapress.

Com protestos na porta do estádio, Bolsonaro chega para ver jogo do Palmeiras

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Por Fernanda Cruz, da Agência Brasil.

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, desembarcou hoje (2) às 13h40 no aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo. Ele posou para fotos com uma camisa do Palmeiras e deixou o aeroporto às 14h25 sem passar pelo saguão de passageiros, evitando a imprensa que o aguardava do lado de fora. Bolsonaro saiu em um veículo escoltado por 14 motocicletas da Polícia Militar e viaturas da Tropa de Choque.

O futuro presidente viajou em voo comercial do Rio de Janeiro para a capital paulista onde verá jogo entre Palmeiras x Vitória, pela última rodada do Campeonato Brasileiro. Será neste domingo às 17h, no Allianz Parque.

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Palmeirense, Bolsonaro foi convidado para assistir ao jogo no camarote da diretoria do clube paulista. Perguntado ontem (2) sobre seu palpite, ele apostou em 2 x 0 para o Palmeiras. O Palmeiras – por antecipação – se sagrou domingo passado campeão contra o Vasco (1×0), conquistando o décimo título do Campeonato Brasileiro, e joga hoje apenas para cumprir tabela. Ao final, a equipe receberá um troféu.

Como pinto no lixo

Por João Filho – The Intercept_Brasil

Joice Hasselmann, a plagiadora geral da nação, disse durante a eleição que o PT forjaria um falso atentado contra Haddad para criar comoção em seu favor. Era só mais uma das inúmeras mentiras jogadas no ar pelo bolsonarismo para manipular a a opinião pública. Mesmo após a eleição, toda hora cria-se um bicho-papão diferente para manter o clima de medo e a tropa alerta. Sempre há uma força obscura conspirando contra o pobre coitado de Jair Bolsonaro. A nova onda da trupe agora é cobrar nas redes sociais os nomes dos reais mandantes da facada sofrida pelo então candidato.

Segundo as investigações até aqui, Adélio Bispo, o autor da facada em Juiz de Fora, agiu sozinho e não há nada que indique haver outros atores na tentativa de assassinato além das vozes da sua cabeça. Mesmo assim, Joice e os filhotes de Bolsonaro seguem alimentando a conspiração de que há gente muito poderosa empenhada em acabar com a vida desse homem simples que come pão com leite condensado.

Nessa semana, os pescadores de ilusões trouxeram uma novidade fresquinha para o mercado da boataria. Carlos Bolsonaro lançou uma suspeita gravíssima no Twitter, afirmando que há gente no seio do governo eleito que deseja a morte do presidente. Ele insinua que há forças ocultas querendo ver seu pai no caixão, mas dessa vez o inimigo é outro.

Se há alguma suspeita de que se conspira contra a vida do presidente eleito, é obrigação do vereador, que por um acaso é o seu filho, denunciar à Polícia Federal e esclarecer a população. Quem seriam esses inimigos internos que desejam secretamente a morte do presidente? Carlos não dará nome aos bois porque tudo leva a crer que nada disso é verdade. A mentira já virou um cacoete da família Bolsonaro.

O histórico de Carlos confirma a suspeita. Ele, que é considerado o grande estrategista de Bolsonaro na internet e chegou a ser cogitado para o ministério da Comunicação, não usa as redes sociais apenas para fazer seu proselitismo chulé, mas também para espalhar boatos que ajudem a impulsionar as narrativas bolsonaristas. Durante a campanha, ele manipulou o processo eleitoral com pelo menos três grandes mentiras: divulgou um cartaz falso que associava gays à pedofilia; publicou uma notícia falsa que dizia que o TSE enviou os códigos das urnas eletrônicas para a Venezuela; compartilhou a informação falsa de que Haddad escreveu um livro defendendo o incesto. Alertado sobre essas mentiras, Carlos não apagou os tweets imediatamente (alguns não foram apagados até hoje) e não fez qualquer retratação.

A fabricação do novo boato parece ter o objetivo de enviar um recado para aliados que viraram pedras no sapato da família Bolsonaro. Pode ser para o vice Mourão ou pode ser para Bebianno — ambos estão em conflito com os filhos do presidente desde a campanha.

A eleição acabou, mas o filho do mandatário máximo do país continua brincando de teoria da conspiração. Só que dessa vez ele está jogando uma grave suspeita sobre o próprio governo. Não estamos mais falando de mamadeiras de pirocas que prejudicam o adversário, mas da vida de um presidente que acabou de ser democraticamente eleito. A denúncia irresponsável não teve maiores consequências porque Carlos não é levado a sério por ninguém. Mas até onde o vereador será capaz de chegar?

O presidente eleito, em vez de tentar amenizar o estrago, deu asas à irresponsabilidade do filho e confirmou que realmente é um cabra marcado para morrer: “Minha morte interessa a muita gente”.

O outro filho de Bolsonaro, Eduardo, também protagonizou suas presepadas nessa semana, mas com o agravante de serem internacionais. Com muita raça e pouca técnica, Bolso-filho foi aos EUA representar Bolso-pai e se saiu muito mal. Não se portou como o representante da Câmara mais votado da história do país, mas como o filhinho cheio de autoridade para falar sobre tudo o que envolve o governo de papai. Segundo ele, o objetivo da viagem era o de “resgatar a credibilidade do Brasil”, o que certamente ficou longe de acontecer.

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Eduardo vestiu o boné da campanha de reeleição de Trump e ainda pediu para ser fotografado, ignorando que o próximo presidente americano com quem Bolsonaro irá tratar pode ser um democrata. Além de cumprir esse papelão de cabo eleitoral, Eduardo confirmou diversas bobagens que o seu pai já tinha desconfirmado, como a transferência da embaixada de Israel para Jerusalém. “A questão não é perguntar se vai, é perguntar quando vai”, decretou Eduardo.

Na prática, a mudança serve apenas para bajular Trump e Israel e colocar a nossa vantajosa relação comercial com os países árabes em risco. O alerta do general Mourão, que havia recomendado cautela sobre esse tema, foi ignorado. É que Eduardo acredita que não teremos nenhum problema com os países árabes. Ele acha que ao se posicionar contra o Irã– para ele, é a maior ameaça à região –, o país deixará claro a sua intenção de manter bom relacionamento com o resto das nações árabes. Essa análise não faz o menor sentido e não passa de mais uma infantilidade puramente ideológica. O Brasil teve um superávit de US$ 4,5 bilhões com Irã neste ano, tendo crescido 77% em relação a 2017. É o maior importador de milho do Brasil. É o nosso sexto maior cliente no mundo e representa o segundo maior superávit, só perdendo para a China.

E por falar em China, Eduardo também resolveu criar atrito com nosso principal parceiro comercial, imbuído de uma necessidade canina em demonstrar fidelidade ao governo Trump. Mas latir para a China e abanar o rabo para os EUA é uma estupidez retumbante para um país que pretende se recuperar de uma crise econômica. Mais uma vez, General Mourão, que é, vamos dizer assim, o homem mais sensato do bolsonarismo, havia avisado que “não podemos nos descuidar do relacionamento com a China”. Mas quem segura o ímpeto de Eduardo?Ele afirmou para os investidores americanos que o país asiático “é o maior parceiro do Brasil não por causas naturais, mas porque nossos ex-presidentes quiseram fazer isso. Se trabalharmos para deixar o mercado livre e com políticas liberais, os EUA estarão de volta como principal parceiro comercial do Brasil” — uma idiotice que fala por si só.

Apesar de ser um importante parceiro comercial, nossa relação comercial com os EUA nos últimos 10 anos tem sido desvantajosa. Os americanos tiveram um superávit neste período de US$ 90 bilhões. Há dois meses, Trump reclamou dos negócios com o Brasil: “Eles cobram de nós o que querem. Se você perguntar a algumas empresas, eles dizem que o Brasil está entre os mais duros do mundo, talvez o mais duro”.  O perfil protecionista de Trump e o histórico recente da balança comercial não deixam dúvidas de que a China é um parceiro comercial muito melhor para o capitalismo brasileiro. Que raio de capitalistas são esses que vão nos governar?

Mas teve mais presepada nessa viagem. Em um almoço com investidores americanos, Eduardo quis bancar o sincerão e disse que seria difícil aprovar a reforma da previdência. Era tudo o que investidores não queriam ouvir. Ele chegou até a se desculpar de antemão por um possível fracasso do governo na aprovação da reforma. Em vez de transmitir otimismo e confiança a quem está disposto a investir seu dinheiro no Brasil, transmitiu desconfiança e pessimismo. A declaração repercutiu na imprensa, e Eduardo correu para as redes sociais para negá-la:

Ver imagem no Twitter

O deputado tentou desmascarar a imprensa, mas saiu desmascarado. Como a declaração foi feita em um encontro fechado, Eduardo nunca imaginou que alguém poderia tê-la registrado. Caiu do cavalo. O Estadão publicou o áudio, que contém exatamente a frase que ele nega ter dito. Mesmo assim, não apagou o tuíte e nem se retratou, como já é um costume de família. Bolso-pai, dessa vez, repreendeu Bolso-filho em público e disse que foi um “equívoco do garoto”. O garotinho de quase 40 anos tomou bronca do papai, apesar de representá-lo no exterior com o seu aval.

Quando é que Bolsonaro irá colocar suas crias dentro dos seus respectivos quadrados? Esse governo vai ser mesmo um projeto de monarquia da família Bolsonaro? São homens, representantes do povo com enormes responsabilidades, mas se comportam como crianças mimadas que tratam o Brasil como se fosse a nova empresa do papai. Está na hora de mandá-los refletir no cantinho do castigo.

Dupla que trabalhou no Vila Nova-GO vai comandar o futebol do Papão

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A diretoria do Paissandu anunciou, neste sábado, os nomes dos responsáveis pelo futebol profissional do clube em 2019. Felipe Albuquerque será o diretor de futebol. Éder Delarice será o gerente. A dupla trabalhou no Vila Nova-GO nesta temporada. A chegada de Felipe e Éder acontecerá nos próximos dias para a apresentação oficial. Com a contratação de Felipe e Éder, o PSC deixará de ter a figura do executivo de futebol.

Felipe Albuquerque é goiano, tem 32 anos e é graduado em processos gerenciais, além de ter feito diversos cursos no futebol. O novo diretor conheceu o presidente do clube, Ricardo Gluck Paul, durante um curso de especialização promovido pela CBF no Rio de Janeiro.

Felipe conheceu a estrutura do PSC por ocasião da passagem do Vila Nova por Belém na Série B. Em entrevista ao site oficial do clube, Felipe adiantou que já busca reforços para o elenco da próxima temporada.

“Eu estou muito feliz de poder ir trabalhar em Belém. Tenho uma identidade com a cidade, acompanho o clube há muitos anos, sei da sua grandiosidade. Acredito que o Éder e eu vamos fazer um grande trabalho, para colocar o Paissandu no lugar onde o clube merece estar, sendo um protagonista no futebol brasileiro”, afirmou.

O paulista Éder Delarice, 40 anos, foi jogador, auxiliar-técnico e trabalha com gerência de futebol há cinco anos. Sua função será gerenciar o futebol, trabalhando diretamente com a comissão técnica e funcionários vinculados ao departamento. Vai acompanhar os treinamentos e fazer análise de rendimento junto com os integrantes da comissão técnica.

Salamaleques traiçoeiros

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POR GERSON NOGUEIRA

A conquista do título brasileiro, sacramentada na penúltima rodada do campeonato, dá a Luís Felipe Scolari a condição de mais idoso técnico a levantar a taça da Série A. Tem 70 anos e uma carreira invejável quanto a resultados. Ganhou quase tudo no futebol, inclusive uma Copa do Mundo. Como nem tudo é perfeito, perdeu (feio, muito feio) a única Copa que não podia perder, a de 2014, no Brasil.

Felipão acumula ao longo da caminhada muitos méritos e virtudes, além de exibir a invejável capacidade de formar bons times e extrair o melhor de cada jogador. Em suma, por todos os quesitos e itens de avaliação, é um bom técnico. Merece todos os elogios pela conquista do Brasileiro após a campanha quase entediante do Palmeiras, fazendo parecer fácil o que normalmente seria uma jornada cheia de obstáculos.

Ainda assim, me surpreendo repetindo mentalmente uma pergunta insistente e chata: por que é ruim, para o futebol, que Felipão tenha conquistado o título brasileiro de 2018?

A resposta para pergunta tão instigante quanto provocadora não pode ser – e não é – fácil. Tentarei explicar, em minúcias.

Em primeiro lugar, Felipão representa um retrocesso quanto ao planejamento de jogo, com seu esquema à moda dos pampas, rico em trombadas no meio-campo e cruzamentos em direção à área. Era assim com Jardel e Oséias, lembram? Agora é exatamente a mesma coisa, só que o camisa 9 é Deyverson.

Tudo bem, até dá certo no Brasil, mas não funciona mais em competições de bom nível lá fora. É, portanto, nocivo ao desenvolvimento de clubes e jogadores que a principal competição nacional seja vencida por um treinador da velha guarda com noções táticas igualmente barrocas.

Aspas: preciso dizer, para evitar interpretações errôneas, que o conceito mencionado não é etário, mas de ideias, práticas e ambições.

Felipão passa a impressão de já ter nascido envelhecido, não só quanto a conceitos futebolísticos. É turrão, inflexível na defesa de alguns princípios e pouco dado a assimilar as mudanças que o mundo – não só da bola – sofreu nessas quatro décadas de sua carreira como treinador.

Na entrevista que concedeu após ter assegurado o título, fez questão de ressaltar os valores castrenses da disciplina, sinalizando profunda identificação com as ideias defendidas pelo presidente eleito. Nada contra. Afinal, muita gente crê firmemente que disciplina é começo, meio e fim de tudo. Ledo (ivo) engano.

Disciplina é apenas parte do ferramental de coisas que se pode exigir de atletas e, de maneira geral, de qualquer outro trabalhador. Existem aspectos muito mais relevantes a serem aplicados sem que um grupo de boleiros possa ser confundido com um pelotão de soldados.

Em segundo lugar, é deletéria a onda de salamaleques em torno de Felipão porque o veterano técnico não demonstra um pingo de autocrítica em relação à pífia campanha do Brasil na Copa de 2014, que culminou com a trágica goleada frente à Alemanha, naquela que é a pior das humilhações já sofridas por uma seleção mandante e integrante do chamado primeiro mundo da bola.

Pior ainda, para nós, é que não há a menor perspectiva de que o constrangimento seja devolvido, agora ou nunca.

Para Felipão, porém, aquela goleada de 7 a 1 é algo como um acidente da natureza, um sinistro, um tsunami. Algo que não podia ser previsto, o que, obviamente, não é verdade.

Por isso, quem convocou mal e escalou pior ainda jogadores de segunda linha, demorando uma semana e meia para tomar atitude em relação a uma tragédia que se desenhava à sua frente, não pode servir de exemplo para nenhum outro treinador nascido neste país inzoneiro e tropical.

Por fim, como terceiro item de minha desaprovação, vem a pouco verdadeira imagem de um treinador paizão de todos, amigo dos amigos e jeitão de titio em férias. O Brasil da Copa de 2018 lembrou perigosamente esse perfil “familiar” tão caro a Scolari.

Apóstolo da teologia gaúcha de compreender futebol, Tite parece rezar pela cartilha scolariana. Chegou ao cúmulo de evitar substituir o errático Fernandinho no intervalo daquele Brasil x Bélgica, com falhas nos dois gols que tiraram a Seleção do mundial, por entender que estaria agindo de “maneira desumana” com o atleta – como se a insistência em mantê-lo não fosse uma crueldade com o resto do país.

Felipão talvez não chegasse a tanto, mas foi permissivo em excesso com as falhas grotescas de Dante, Davi Luiz, Fred e do próprio Fernandinho em 2014. Quero dizer, sem a pretensão de ser original, que exemplos negativos são mais tentadores e assimiláveis do que propostas inovadoras.

Boleiros adoram treinadores que cultuam a tese da família como primado máximo da hierarquia interna. É conveniente e seguro, mas a glória só é possível se o grupo contar com alguns craques fora-de-série, como em 2002 – Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho. Em resumo: família de perna-de-pau jamais encontra a felicidade.

O Palmeiras campeão representa a culminância de um projeto robusto de investimento em contratações. Ao substituir Roger, Felipão teve a sabedoria de não inventar moda. Seus méritos são esses. Daí a entender o feito como um marco histórico já significa um brutal desserviço ao já ultrapassado futebol que se pratica por aqui há algum tempo.

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Bola na Torre

O programa começa às 21h, na RBATV, com apresentação de Guilherme Guerreiro e participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. O torcedor-telespectador pode participar com perguntas dirigidas à mesa e ainda concorre a brindes ofertados pelo programa.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 02)