Grafite de beijo entre Bolsonaro e Trump é apagado 48 horas após a pintura

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Por Larissa Carvalho – O Povo
Um grafite representando beijo entre o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi apagado 48 horas depois ter sido pintado pelo artista urbano Yuri Sousa, 21, mais conhecido como Bad Boy Preto. A arte estava em um muro de uma alameda entre as ruas 9 e 10 no bairro Jereissati I, em Maracanaú (CE), e foi feita no último domingo, 25.
Yuri diz que o grafite era “uma resposta ou um contra-ataque por meio da arte”. “Não para constranger os que foram pintados, mas para colocar eles (Trump e Bolsonaro) na mesma posição de quem (eles) são contra. No caso, os homossexuais”, analisa. Bolsonaro já demonstrou ter ideias alinhadas à política adotada por Trump nos Estados Unidos.
Bad Boy Preto é de Maracanaú e faz grafites em todo o Estado há três anos. Ele diz que nunca tinha tido uma obra apagada. “Dessa vez teve uma interpretação política, logo foi contra a visão de algumas pessoas”, considera. Conforme relatos de amigos, Yuri acredita que o grafite foi apagado por algum apoiador de Jair Bolsonaro. “Pode ter sido o mesmo que chegou me filmando e me perguntando porque eu estava fazendo esse grafite, enquanto pintava”, lembra o artista.
Quando percebeu que a pintura foi apagada, Yuri Sousa disse que sentiu muita raiva “pelo trabalho que tive e porque queria que as pessoas vissem ainda no muro”. Sabe que a foto da obra não tem o mesmo impacto de ver a pintura ao vivo. “No muro, é muito mais excitante, posso dizer assim. Surpreende mais também”. Concluir a obra levou cerca de nove horas.
Na última quinta-feira, quando o grafite já tinha sido coberto, Yuri compartilhou a imagem original questionando o motivo de a pintura ter sido apagada. Ele lamentou não ter fotografado mais a obra.
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A obra de Yuri lembra uma pintura de 1990, do artista russo Dmitri Vrubel, que pintou um beijo entre o russo Leonid Brejnev (1906-1982) e o alemão Erich Honecker (1912-1994), no Muro de Berlim. A arte ficou conhecida como Meu Deus, ajuda-me a sobreviver a este amor mortal e faz alusão a uma fotografia de 1979, em que Brejnev beija Honecker na boca em um gesto de fraternidade.
Mais recentemente, em 2016, um beijo entre Trump e o presidente russo Vladimir Putin também foi retratado em grafite. A obra foi feita pelo designer gráfico lituano Mindaugas Bonanu. A arte urbana permanece em um mural de um restaurante, na cidade de Vilnius, capital da Lituânia.

Portugal é eleito o ‘Melhor Destino do Mundo’ pela segunda vez

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Portugal foi eleito pelo segundo ano consecutivo o ‘Melhor Destino do Mundo pelo World Travel Awards, considerado os mais importantes prêmios do turismo a nível mundial. A cerimônia acontece neste sábado (1º), na Praça do Comércio, em Lisboa.

Nesta 25ª edição Portugal fez frente a países como África do Sul, Brasil, Espanha, EUA, Grécia, Índia, Indonésia, Jamaica, Malásia, Maldivas, Marrocos, Nova Zelândia, Quênia, Ruanda, Sri Lanka e Vietnã e foi ainda reeleito o ‘Melhor Destino da Europa’.

O prêmio resulta da votação do público, mas também da que é feita por 200 mil profissionais da indústria do turismo, representantes de 160 países. Os World Travel Awards foram criados em 1993 para distinguir «os melhores exemplos de boas práticas no setor do turismo, à escala global» e para “estimular a competitividade e a qualidade do Turismo”.

Globo fecha contrato da Libertadores e clubes querem fatia de mercado

Por Rodrigo Mattos, no UOL

A Globo, enfim, acertou o contrato de transmissão da Libertadores-2019 na semana passada depois de negociação que durou cerca de seis meses. Outros veículos como Fox Sports, Sports e Facebook que têm direitos sobre jogos no Brasil também fecharam detalhes de seus acordos. Em paralelo, clubes brasileiros já fecharam plano para reivindicar mais dinheiro pela competição justamente baseados nos contratos polpudos gerados pelo mercado brasileiro.

A concorrência pelos direitos dos jogos da Libertadores para o Brasil foi iniciada em evereiro e finalizada em maio de 2018: a Globo venceu para a TV Aberta, Fox Sports e SporTV para pacotes da TV Fechada, e o Facebook com jogos de quinta-feira. O processo foi tocado pela FC Diez Media, empresa criada pela Perform e pela IMG para negociar os direitos da competição que tinham adquirido da Conmebol.

A questão é que, depois disso, iniciou-se uma longa negociação sobre detalhes dos contratos. Até porque foram estabelecidas mudanças nas condições de transmissão: a Conmebol assumiu poder sobre a tabela, horários e a produção das imagens.

Pelo que o blog apurou, foi mantido o horário de 21h30 para jogos nas quartas-feiras, isto é, 15 minutos antes do atual, como previsto na concorrência. Não foi possível obter outros detalhes dos acordos que agora serão assinados. Em paralelo, nesta semana, clubes brasileiros se reuniram com a CBF e fecharam que farão uma reivindicação à Conmebol de que parte do dinheiro da emissora seja distribuído por critério de mercado.

O modelo é inspirado na Liga dos Campeões que separa 40% do total do dinheiro da TV para ser dividido de acordo com o que cada país gera de renda em direitos de transmissão. O sistema funciona assim: determina-se a renda obtida com televisão de um país e esse percentual é dividido entre os clubes daquela nação. Times ingleses, por exemplo, levam mais do que os outros na Liga dos Campeões.

Dentro da CBF, há o entendimento de que será difícil obter todo esse ganho para os clubes brasileiros, mas poderia se negociar pelo menos uma fatia para ser aprovada no Conselho da Conmebol. A reunião que vai estabelecer as novas cotas para clubes da Libertadores deve ocorrer na véspera do sorteio da Libertadores, marcado para o dia 18 de dezembro, em Assunção.

Football Leaks: novos documentos contradizem advogados de Ronaldo

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Cristiano Ronaldo foi acusado de ter abusado sexualmente de Kathryn Mayorga durante umas férias em Las Vegas, em 2009, mas nega veementemente as acusações. Esta sexta-feira, o “Der Spiegel” revelou novos documentos sobre o caso.

De acordo com a publicação, surgiram e-mails que comprovam a existência de um questionário que os advogados de Ronaldo utilizaram para averiguar os acontecimentos daquela noite, do ponto de vista do craque da Juventus. Esses documentos alegam que o português afirmou que a norte-americana lhe pediu para parar a relação sexual em várias ocasiões.

O jornal alemão afirma que as conversas sobre o referido questionário começaram no dia 3 de agosto de 2009 e que o questionário, de 41 páginas, foi elaborado pela Lavely & Singers, empresa de advogados de Los Angeles. Mais tarde, o documento foi enviado para o advogado de defesa em Londres e para Carlos Osório de Castro, também representante de CR7. Segundo o “Der Spiegel”, as respostas de Ronaldo diferem na primeira e na última versão do questionário. (De O Jogo) 

Ex-auxiliar de Nuzman vai comandar secretaria de Esporte

O presidente eleito Jair Bolsonaro escolheu o general Marco Aurélio Costa Vieira para comandar a secretaria de Esporte em seu governo. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (30). De acordo com o blog Olhar Olímpico, do UOL, Marco Aurélio chegou a comandar a área de operações dos Jogos Rio 2016, contratado pelo comitê organizador. Ele, que foi responsável pelo revezamento da tocha, era subordinado direto de Carlos Arthur Nuzman, ex-presidente do COB e que chegou a ser preso por corrupção.

O general Marco Aurélio Costa Vieira é doutor em Ciências Militares com ênfase em Logística e Gestão, ocupando o cargo de diretor de Educação Superior do Exército entre 2009 e 2012.

Moro saiu do armário em que escondia natureza política, diz Lula em carta

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o ex-juiz Sergio Moro “saiu do armário em que escondia sua verdadeira natureza” e dissipou qualquer dúvida sobre seu engajamento político contra o PT no momento em que aceitou comandar o Ministério da Justiça de Jair Bolsonaro (PSL).

Em carta enviada ao Diretório Nacional do PT nesta sexta-feira (30), em Brasília, Lula disse que o superministério dirigido por Moro vai aprofundar a perseguição ao PT e aos movimentos sociais, valendo-se de “métodos arbitrários e ilegais da Operação Lava Jato”.

“Se alguém tinha dúvidas sobre o engajamento político de Sergio Moro contra mim e contra nosso partido, ele as dissipou ao aceitar ser ministro da Justiça de um governo que ajudou a eleger com sua atuação parcial. Moro não se transformou no político que dizia não ser. Simplesmente saiu do armário em que escondia sua verdadeira natureza”, disse o ex-presidente no texto lido por Luiz Dulci, diretor do Instituto Lula.

Moro anuncia comandantes do Coaf e da Secretaria de Políticas de Drogas

PGR pede que PT devolva valores usados com candidatura de Lula

“[…] Bolsonaro tem um único propósito em mente, que é continuar atacando o PT. Ele não desceu do palanque e não pretende descer. Temos de nos preparar para novos ataques, que já começaram, como vimos nas novas ações, operações e denúncias arranjadas que vieram neste primeiro mês depois das eleições”, completou.

Preso desde abril em Curitiba, Lula agradeceu à militância por ter sustentado sua candidatura ao Planalto “até as últimas consequências” -o petista foi barrado pela Justiça Eleitoral em setembro, com base na Lei da Ficha Limpa, e teve seu nome substituído pelo de Fernando Haddad- e afirmou que a sigla precisa se reconectar com o povo.

“Temos de voltar às ruas, às fábricas, aos bairros e favelas, falar a linguagem do povo, nos reconectar com as bases, como disse o Mano Brown”, escreveu o ex-presidente.

Durante o segundo turno da eleição presidencial, o rapper fez duras críticas ao PT durante um comício em apoio a Haddad no Rio e afirmou que o partido merecia perder por “não conseguir falar a língua do povo”.

A avaliação de Lula é que esta “não foi uma eleição normal”, mas que o PT conseguiu vitórias importantes ao eleger uma bancada de 56 deputados -a maior da Câmara-, além de quatro senadores e quatro governadores.

“Como diz a companheira Gleisi [Hoffmann, presidente da sigla], não temos de pedir desculpas por sermos grandes, se foi o eleitor que assim decidiu”.

No momento em que partidos de centro-esquerda exigem uma autocrítica do PT e articulam blocos de atuação sem a sigla do ex-presidente, Lula disse que é preciso “atuar em conjunto com todas as forças da esquerda, da centro-esquerda e do campo democrático, num exercício cotidiano de resistência”.

Leia abaixo a íntegra da carta de Lula:

“Companheiras e companheiros,

Do fundo do meu coração, agradeço por tudo o que fizeram neste processo eleitoral tão difícil que vivemos, absolutamente fora da normalidade democrática. Quero que levem meu abraço e minha gratidão a cada militante do nosso partido, pela generosidade e coragem diante da mais sórdida campanha que já se fez contra um partido político neste país.

Agradeço à companheira Gleisi Hoffmann e a toda a nossa direção nacional, por terem mantido o PT unido em tempos tão difíceis; por terem sustentado minha candidatura até as últimas consequências e por terem se engajado totalmente, com muita força, na candidatura do companheiro Fernando Haddad.

Agradeço ao companheiro Fernando Haddad por ter se entregado de corpo e alma à missão que lhe confiamos. Ele enfrentou com dignidade as mentiras, a violência e o preconceito. Saiu das eleições como um líder brasileiro reconhecido internacionalmente.

Agradeço à companheira Manuela D’Ávila e aos partidos que nos acompanharam com muita lealdade nessa jornada.

Saúdo os quatro governadores que elegemos, em especial a companheira Fátima Bezerra, e também os que não conseguiram a reeleição mas não desistiram da luta nem dos nossos ideais. Saúdo os senadores e deputados eleitos e todos os que, generosamente, se lançaram candidatos, fortalecendo a votação em nossa legenda.

A luta extraordinária de vocês nos levou a alcançar 47 milhões de votos no segundo turno. Apesar de toda perseguição, de todas as tramoias que fizeram contra nós, o PT continua sendo o maior e mais importante partido popular deste país. E isso nos coloca diante de imensas responsabilidades.

O povo brasileiro nos deu a missão de manter acesa a chama da esperança, o que significa a defesa da democracia, do patrimônio nacional, dos direitos dos trabalhadores e do povo que mais precisa. Tudo isso está ameaçado pelo futuro governo, que tem como objetivo aprofundar os retrocessos implantados por Michel Temera partir do golpe que derrubou a companheira Dilma Rousseff em 2016.

Esta não foi uma eleição normal. O povo brasileiro foi proibido de votar em quem desejava, de acordo com todas as pesquisas. Fui condenado e preso, numa farsa judicial que escandalizou juristas do mundo inteiro, para me afastar do processo eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral rasgou a lei e desobedeceu uma determinação da ONU, reconhecida soberanamente em tratado internacional, para impedir minha candidatura às vésperas da eleição.

Nosso adversário criou uma indústria de mentiras no submundo da internet, orientada por agentes dos Estados Unidos e financiada por um caixa dois de dimensões desconhecidas, mas certamente gigantescas. É simplesmente vergonhoso para o país e para a Justiça Eleitoral que suas contas de campanha tenham sido aprovadas diante de tantas evidências de fraude e corrupção. É mais uma prova da seletividade de um sistema judicial que persegue o PT.

Se alguém tinha dúvidas sobre o engajamento político de Sergio Moro contra mim e contra nosso partido, ele as dissipou ao aceitar ser ministro da Justiça de um governo que ajudou a eleger com sua atuação parcial. Moro não se transformou no político que dizia não ser. Simplesmente saiu do armário em que escondia sua verdadeira natureza.

Eu não tenho dúvida de que a máquina do Ministério da Justiça vai aprofundar a perseguição ao PT e aos movimentos sociais, valendo-se dos métodos arbitrários e ilegais da Lava Jato. Até porque Jair Bolsonaro tem um único propósito em mente, que é continuar atacando o PT. Ele não desceu do palanque e não pretende descer. Temos de nos preparar para novos ataques, que já começaram, como vimos nas novas ações, operações e denúncias arranjadas que vieram neste primeiro mês depois das eleições.

Jair Bolsonaro se apresentou ao país como um candidato antissistema, mas na verdade ele é o pior representante desse sistema. Foi apoiado pelos banqueiros, pelos donos da fortuna; foi protegido pela Rede Globo e pela mídia, foi patrocinado pelos latifundiários, foi bancado pelo Departamento de Estado norte-americano e pelo governo Trump, foi apoiado pelo que há de mais atrasado no Congresso Nacional, foi favorecido pelo que há de mais reacionário no sistema judicial e no Ministério Público, foi o verdadeiro candidato do governo Temer.

Não teve coragem de participar de debates no segundo turno, de confrontar conosco suas ideias para a economia, o desenvolvimento, a geração de empregos, as políticas sociais, a política externa. E vai executar um programa ultraliberal, de entreguismo e privatização, que não foi apresentado aos eleitores e muito menos aprovado nas urnas.

Ele explorou o desespero das pessoas com a violência; a indignação com a corrupção e a decepção com os políticos. Mas não tem respostas concretas para nenhum desses desafios. Primeiro porque a proposta dele para segurança é armar as pessoas, o que só vai aumentar a violência. Segundo, porque Sergio Moro e a Lava Jato premiaram os corruptos e corruptores da Petrobrás. A maioria está solta ou em prisão domiciliar, gozando as fortunas que roubaram. E por fim, Bolsonaro é, de fato, o representante do sistema político tradicional, que controla a economia e as instituições no país.

As mesmas pessoas que elegeram Bolsonaro vão julgá-lo todos os dias, pelas promessas que não vai cumprir e pelo que vai acontecer em nosso país. Temos de estar preparados para continuar construindo, junto com o povo, as verdadeiras soluções para o Brasil, pois acredito que, por mais que queiram, não vão conseguir destruir nosso país.

O PT nasceu na oposição, para defender a democracia e os direitos do povo, em tempos ainda mais difíceis que os de hoje. É isso que temos de voltar a fazer agora, com o respaldo dos nossos 47 milhões de votos, com a responsabilidade de sermos o maior partido político do país.

E como diz a companheira Gleisi, não temos de pedir desculpas por sermos grandes, se foi o eleitor que assim decidiu. Queremos e devemos atuar em conjunto com todas as forças da esquerda, da centro-esquerda e do campo democrático, num exercício cotidiano de resistência.

Temos de voltar às ruas, às fábricas, aos bairros e favelas, falar a linguagem do povo, nos reconectar com as bases, como disse o Mano Brown. Não podemos ter medo do futuro porque aprendemos que o impossível não existe.

Até o dia do nosso reencontro, fiquem com um grande abraço do

Luiz Inácio Lula da Silva”

Com informações da Folhapress

Pastora cotada para ministério de Bolsonaro é a mãe da fraude do ‘kit gay’

Por Joaquim de Carvalho

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A advogada Damares Alves, assessora do senador Magno Malta e da Frente Parlamentar Evangélica, é o que se pode considerar a mãe da farsa do “kit gay”. Magno Malta é o pai e Jair Bolsonaro o maior beneficiário da fraude. Damares, que também ostenta o título de pastora, está sendo cogitada para assumir o Ministério da Cidadania, no governo de Bolsonaro.

Foi vazada a informação de que ela teria sido convidada para o cargo, convite que levou à reação de lideranças evangélicas, como Silas Malafaia. Essas lideranças entendem que o cargo deve ser destinado ao chefe de Damares. Como Malta, Damares tem um histórico de divulgação de dados e histórias que não guardam nenhuma relação com a verdade.

Magno Malta, por exemplo, é acusado de imputar uma falsa acusação de pedofilia contra um cobrador de ônibus, torturado pela polícia depois de ser preso. A prisão teve como base a afirmação de que Malta, presidente da CPI da Pedofilia, endossou a denúncia.

O delegado que defendeu a medida cautelar extrema contra o cobrador considerou que o senador tinha credibilidade para fazer a acusação. Se Magno Malta falou, é porque deveria ser verdade. Mais tarde, com o processo criminal, constatou-se que a manifestação de Magno Malta não passava de calúnia.

Damares foi precursora do discurso de que as escolas públicas brasileiras teriam se tornado centros de perversão nos governos do PT. Em 2013, um ano antes da eleição em que Malta apoiaria Aécio Neves, ela já percorria as igrejas evangélicas de todo o Brasil, para palestras com conteúdo mentiroso.

A professora Magali Nascimento Cunha, que é da Igreja Metodista e doutora em Comunicação, analisou uma dessas palestras, realizada no dia 13 de abril de 2013.

“Ao se assistir integralmente a palestra de 1h13m, percebe-se que a seleção de materiais da qual a advogada faz uso são extratos adaptados artificial e forçosamente à sua pauta de abordagens. Os extratos são apresentados como se fossem a íntegra das cartilhas e livros e a explicação oferecida traz, além de elementos críticos genéricos e imprecisos, inverdades e manipulação explícita de dados para dar veracidade às abordagens”, escreveu ela.

Damares começa sua palestra com uma falsa acusação contra Marta Suplicy, que se elegeu prefeita de São Paulo em 2000 pelo PT. “Esta mulher, quando era prefeita da cidade de São Paulo, irmãos, ela gastou 2 milhões de reais com aquele grupo, o grupo GTPOS, para ensinar sobre ereção e masturbação em bebês nas escolas”, disse.

A palestrante faz biquinho, ajeita os óculos, com ar de indignação, e reforça com o indicador e o dedo médio da mão direita o valor que supostamente teria sido gasto: “Dois milhões de reais”. E então teoriza sobre esse suposto projeto de erotização das crianças nas escolas:

“Chegou à conclusão (ela omite o sujeito da frase) a um grupo de especialistas, e esse grupo começou lá na Holanda, lá na Europa e já está influenciando que nós precisamos a aprender a masturbar os nossos bebês a partir dos sete meses de idade.”

Em seguida, conta que na Holanda os especialistas defendem a masturbação em bebês, com o objetivo de que, na idade adulta, sejam saudáveis sexualmente. Damares não apresenta a fonte desta informação, mas o registro que apresenta é fraude pura.

A reportagem a que se refere, publicada no Estadão, não faz nenhuma referência ao ensino de masturbação em crianças. É, na verdade, a notícia de que Marta teria contratado uma ONG da qual foi presidente para consultoria sobre educação sexual na rede pública, sobre como fazer a abordagem correta sobre o tema, na educação de adolescentes.

No que diz respeito a creches, não há nenhuma referência, mas contratos anteriores da Prefeitura com a mesma ONG indicam que houve, sim, consultoria no ensino infantil, mas com objetivo completamente diverso do que o propalado pela pastora Damares.

O objetivo era esclarecer educadores municipais sobre como “lidar com temas como ereção e masturbação infantil”, tema estudado por Sigmund Freud nos anos 20 do século passado. A contratação recebeu críticas da imprensa, mas por outro motivo, a contratação da ONG sem licitação.

O “Estadão” abordou o tema em editorial e chegou até destacar como positiva a preocupação da administração com o tema: a crítica do jornal era em relação ao preço da contratação.

“São inúmeras as boas publicações a respeito do assunto (algumas até obrigatórias para qualquer educador), que poderiam tirar as dúvidas dos profissionais das creches a custo bem menor”, escreveu. Marta respondeu a um processo movido pelo Ministério Público do Estado, mas pela contratação sem licitação. Foi inocentada em 2015.

A história masturbação de bebês só existiu na cabeça de pessoas como Damares. Na mesma palestra, Damares inventa que na Holanda estavam sendo distribuídas cartilhas para ensinar os pais como massagear sexualmente as crianças. E emenda: “Isto está acontecendo no Brasil.”

Ela lança um desafio ao público presente na igreja: “Pais, quando foi a última vez que vocês abriram a mochila dos seus filhos? Qual foi a última vez que você abriu o livro didático e conferiu o que seu filho está lendo e estudando na escola?”

Em seguida, critica os crentes que apoiaram a escola em tempo integral ou a lei sancionada no governo de Dilma Rousseff, que tornou obrigatório o ensino pré-escolar a partir dos 4 anos na escola. Na verdade, segundo os especialistas, quanto mais cedo a criança tiver contato com o mundo letrado, melhores condições ela terá de aprender ao longo da vida.

É científico.

Mas, para Damares, a questão era outra: a escola seria um centro de perversão e os pais, culpados por colocar filhos no mundo e depois transferir a responsabilidade pela educação ao Estado. “Igreja evangélica, Deus está nos chamando para fazer uma revisão de valores, uma revisão de conceitos”, pregou.

A professora Magali, da Universidade Metodista, conferiu um a um os registros apresentados em powerpoint pela pastora Damares. Na palestra, é apresentado o livro publicado no Brasil pela Companhia das letras com informações sobre educação sexual para adolescente, “Aparelho Sexual e Cia.”.

É aquele livro que Jair Bolsonaro mostrou na entrevista ao vivo no Jornal Nacional, na reprodução da farsa de que faria parte do kit gay — que nunca existiu. A professora Magali, já em 2013, analisou a informação e escancarou a fraude.

“O livro foi publicado como obra paradidática em 2007 pela editora Companhia das Letras e é dirigido a pré-adolescentes de 9 a 14 anos, diferentemente da faixa apresentada pela palestrante. A obra, na verdade, não consta nas listas do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e nem do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD)”, esclareceu.

No artigo, a professora publicou os links para o leitor conferir. O artigo completo de Magali Nascimento Cunha pode ser lido aquiUm resumo do artigo também foi publicado no site da Universidade Metodista.

Doutora em comunicação, Magali também é professora da Faculdade de Teologia da Universidade Metodista e, conhecedora das estratégias de comunicação de pastores, explica por que o vídeo havia viralizado, apesar de mentiroso.

“O sucesso do vídeo da palestra entre grupos cristãos (…) pode ser explicado pela linguagem agressiva utilizada e o apelo emocional no discurso, que, ao mesmo tempo em que torna inquestionáveis os argumentos (a palestra é apresentada durante um culto evangélico, colocando-lhe num ambiente de sacralidade e verdade), dá um caráter de credibilidade à palavra de alguém que se apresenta não só como política, mas como mãe, educadora e cristã”, afirmou.

Damares, pelo que demonstra essa palestra, o embrião da farsa do kit gay, não tem nenhuma credibilidade. Em qualquer lugar civilizado do mundo, estaria descredenciada para altos cargos na administração pública. No governo Bolsonaro, o descompromisso com a verdade factual parece algo que conta a favor.

River descarta jogar a final fora da Argentina

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O River Plate emitiu um comunicado através de seu site oficial neste sábado (1), no qual descarta a possibilidade de jogar a final da Libertadores no estádio do Real Madrid. A final entre River Plate x Boca Juniors estava marcada para o dia 9 de dezembro no estádio Santiago Bernabéu em Madrid. No texto o River alega que a decisão de jogar a final na europa prejudica quem adquiriu entradas para assistir ao jogo.

Confira a nota do clube abaixo:

“A partir da apresentação feita ontem, sexta-feira 30 de novembro, antes da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), o River Plate confirma sua recusa em mudar de local. O Clube entende que a decisão distorce a concorrência, prejudica quem adquiriu a entrada e afeta a igualdade de condições da perda do fator local.

Seguem-se as razões pelas quais o River Plate apoia a posição acima mencionada:

– A responsabilidade pelo insucesso da operação de segurança no sábado, dia 24 deste mês, ocorrida fora do perímetro preparado para o evento, foi, além de pública e notória, assumida abertamente pelas mais altas autoridades do Estado. Isso equivale a dizer que os eventos que o River Plate lamenta – e pelos quais simpatizavam de maneira oportuna – não são responsabilidade do clube.

– Mais de 66 mil pessoas no estádio esperaram pacientemente por cerca de oito horas no sábado e voltaram ao estádio pela segunda vez no domingo. A esses mesmos espectadores agora são negados – injustificadamente – a possibilidade de testemunhar o espetáculo, em virtude da evidente diferença de custos e da distância do local escolhido.

– É incompreensível que o clássico mais importante do futebol argentino não possa se desenvolver normalmente no mesmo país que nos dias que correm um G20 se desenvolve. O futebol argentino como um todo e a Associação de Futebol Argentino (AFA) não podem nem devem permitir que alguns torcedores violentos impeçam o desenvolvimento do Superclássico em nosso país.”

Imprensa regional em ruínas

Um ano depois da primeira edição do Atlas da Notícia — uma iniciativa inédita de jornalismo de dados para mapear a imprensa regional e local no Brasil — o Observatório da Imprensa publica a segunda edição do levantamento. Ao longo dos últimos meses, formamos uma rede colaborativa liderada por cinco jornalistas pesquisadores que, por sua vez, contaram com o apoio de 19 escolas de jornalismo e 110 voluntários. O trabalho é supervisionado pelo Projor e desenvolvido pelo Volt Data Lab.

Nesta segunda edição, além de indicar a existência de veículos jornalísticos dos meiosimpresso, digital e de radiodifusão, iniciamos também um levantamento mais profundo, com informações sobre a periodicidade e modelo de negócios. Esse corte na pesquisa foi feito em 1.000 veículos de uma base total de 12.467 catalogados.

A segunda edição revela que cerca de um terço dos municípios brasileiros, representando 34 milhões de pessoas, corre o risco de virar desertos de notícias. Os chamados quase desertos são localidades que possuem apenas um ou dois veículos jornalísticos em seu território, correndo maiores riscos de virar desertos noticiosos.

Através de uma nova análise, constatou-se também que outros 30 milhões de brasileiros, ou quase 15% da população nacional, vivem em desertos de notícia – municípios sem a presença registrada de veículos jornalísticos locais, como jornais, sites noticiosos, emissoras de TV e rádios. Os desertos de notícia representam 51% dos municípios pesquisados, onde vivem 30 milhões de pessoas.

O Atlas da Notícia detectou a presença de veículos jornalísticos em 2.710 municípios. Trata-se de um universo de 177 milhões de pessoas que correspondem a 85% da população brasileira. Quase a metade desses municípios (49%) tem ao menos um veículo jornalístico.

O novo levantamento identificou, ainda o fechamento de 81 veículos jornalísticos, a maioria impressos, desde 2011. Os estados que mais perderam veículos foram São Paulo (31) e Minas Gerais (27). Tais dados se baseiam num levantamento próprio e em informações da Associação Nacional de Jornais (ANJ).

É preciso esclarecer que os dados do Atlas da Notícia 2.0 não são diretamente comparáveis com o primeiro levantamento feito em novembro de 2017. Nossa primeira edição considerava apenas os meios impresso e digital para indicar desertos de notícias.

Numa segunda etapa do Atlas, publicada em julho de 2018, os desertos foram considerados apenas para radiodifusão – rádio e televisão.

Agora, pela primeira vez, o levantamento inclui todas as mídias. Além disso, as análises anteriores usaram dados populacionais do Censo de 2010, ao passo que a versão mais recente utiliza dados de 2017. (Extraído do Observatório da Imprensa)