Com fé, coragem e coração

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POR GERSON NOGUEIRA

A conquista dos três pontos importantíssimos em Campinas, sábado à noite, contra o Guarani, deveu-se acima de tudo à atitude vitoriosa por parte do time do Papão. Era tudo o que o torcedor pedia desde o começo da Série B. Jogar com raça e empenho, todo mundo joga. Difícil é canalizar para o campo confiança e positividade, sem medos ou bloqueios, principalmente em situações de extrema pressão.

Desde o começo, o time se mostrou focado no objetivo de vencer. Não tomou conhecimento do adversário. Tratou de propor seu jogo e tomar as iniciativas. Acima de tudo, parou com aquela baboseira de ficar se defendendo com duas linhas de marcação, que na Série B representam o caminho mais fácil para o empate ou a derrota.

Foi possivelmente a melhor apresentação do Papão na competição, superior até à atuação contra a Ponte Preta na primeira rodada, lá mesmo em Campinas. Desta vez, o time não apenas se defendeu e usou a arma do contra-ataque. Fez muito mais. Avançou suas linhas, esteve quase impecável na retomada de bolas no meio e na elaboração dos ataques.

Vibrante e superior fisicamente, o PSC podia ter vencido por um placar até mais dilatado, caso Hugo Almeida acertasse o disparo da entrada da área, já na reta final do confronto. Pedro Carmona também perdeu boa chance ainda no primeiro tempo, após cruzamento de Magno, que foi o mais participativo da equipe juntamente com Perema.

E pensar que a diretoria trouxe quase uma dezena de atacantes e não acertou a mão em nenhuma das apostas, tendo que se render ao futebol esforçado e objetivo do atacante revelado no futebol regional.

Autor do primeiro gol aproveitando passe de Perema e saída precipitada do goleiro, Magno teve frieza para mandar a bola para as redes. A vantagem inicial, consignada logo aos 18 minutos, deu tranquilidade para que o PSC cumprisse o roteiro desenhado para a partida.

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Quando as coisas são bem conduzidas, o acaso também contribui. O Guarani, com algumas mudanças no time, mostrou-se intranquilo na defesa e errático no meio-campo. O gol de Perema logo aos 3′ do 2º tempo deixou o jogo sob absoluto controle do PSC, que teve a calma necessária para controlar as ações sem correr praticamente nenhum risco.

O próximo desafio vai exigir doses ainda mais fortes de competência, pois envolve um time (Figueirense) ainda matematicamente sob risco na classificação. De toda sorte, o comportamento sábado confirma o espírito de reação que o time não mostrava há muito tempo.

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Vitória contra a baixaria e o atraso

Fábio Bentes, 41 anos, é o novo presidente do Remo após votação consagradora na eleição realizada sábado, 10. Com 627 votos (52%) recebidos, superou a soma obtida pelos dois candidatos concorrentes – Manoel Ribeiro (329 votos) e Marco Antonio Pina (230). Um triunfo incontestável, como há muito tempo não acontecia em pleitos azulinos.

A vitória é ainda mais significativa porque Fábio suplantou inimigos poderosos, que não hesitaram em lançar mão de artifícios sujos ao longo da campanha, lançando mão inclusive de leviandades e ataques pessoais. Fica óbvio, pela larga vantagem, que associados e conselheiros repudiaram a prática da baixaria como instrumento de captação de votos.

O resultado pressa também o desejo de mudança nos rumos da administração do clube. Sabiamente, o colégio eleitoral deu um basta no continuísmo representado pela chapa da situação, encabeçada por Manoel Ribeiro, um dos mais longevos “coronéis” do futebol brasileiro.

Mais importante ainda: Fábio apresentou o projeto mais minucioso e inovador. Pretende priorizar a austeridade financeira, os investimentos no programa de sócio torcedor, a recuperação do Baenão e a valorização da conexão entre o Remo e sua imensa torcida – a 15ª em presença nos estádios na temporada 2017, envolvendo todas as divisões nacionais.

O Remo precisa se reinventar em todos os aspectos, desde a administração até a condução do futebol profissional, adotando princípios básicos de transparência e seriedade. Chega de improvisos e afrontas aos estatutos.

Fábio, o mais jovem presidente do Remo na era moderna, tem o perfil certo para liderar o processo de reformulação. Sua missão será duríssima porque inclui desafiar gente encastelada no poder há décadas, superar as sabotagens típicas da viciada engrenagem do clube e conquistar vitórias em campo, pois sem elas nenhum dirigente sobrevive no Pará.

Um trunfo pessoal certamente ajudará na caminhada do novo presidente: a profunda identificação com a torcida, pela longa militância e convivência nas arquibancadas. Poucos que detêm poder no clube conhecem tanto a alma da torcida quanto ele, o que só aumenta sua responsabilidade.

Ressalte-se o gesto democrático de Marco Antonio Pina, que, ao final da apuração, fez questão de cumprimentar o vencedor, prontificando-se a ajudá-lo, se necessário. Saber perder, como se sabe, é virtude rara. No fim das contas, o Remo foi o grande vitorioso do pleito.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 12)

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