No Uruguai, Roger Waters elogia Mujica e chama Bolsonaro de “neofascista”

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O cantor e ativista inglês Roger Waters, que foi nomeado visitante ilustre de Montevidéu nesta sexta-feira (2), após uma gloriosa passagem pelo Brasil, se declarou fã do ex-presidente José Mujica e das políticas do Uruguai. “É maravilhoso estar aqui em Montevidéu porque o Uruguai tem um valor importante para os demais cidadãos do mundo”, declarou ele, que faz seu primeiro show no país neste sábado(3).

O músico e compositor disse que, apesar da pequena população do país, de 3,3 milhões de habitantes, a nação é “enorme em termos de influência”.

“Agradeço a Pepe Mujica, entre outros, por ter tido a inteligência e o coração para sugerir que há outros caminhos”, disse o roqueiro de 75 anos, explicando que a outra via à qual faz referência é “o caminho da comunidade”.

“Todos temos que aprender a atuar como uma comunidade global de humanos”, acrescentou. Deveria ser reduzida a “extremamente feia lacuna” que existe entre os “imensamente ricos e o resto dos seres humanos”. O Uruguai foi capaz de “rejeitar as políticas neoliberais que se espalharam por quase todo o mundo ocidental”.

Numa palestra em que criticou duramente Israel e pediu a existência de um Estado Palestino, Waters conclamou os cidadãos a “não votar em neofascistas como Bolsonaro e Trump”. Segundo ele, Israel “não vai parar até eliminar o último palestino da terra histórica da Palestina”.

Tudo em casa

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O homem da direita é deputado do DEM, que confessou ter recebido Caixa 2. O homem que aperta a mão dele é juiz, e dizia fazer de tudo pra acabar com corrupção.

O juiz chegou a dizer que Caixa 2 corrompe a democracia.

Os dois agora serão colegas de ministério.

(by Rodrigo Vianna, no Twitter)

Policiais estupraram meninas durante intervenção no Rio, aponta relatório da Defensoria Pública

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Por Arthur Stabile (Ponte Jornalismo), no El País

Moradores de favelas do Rio de Janeiro apontam uma série de violações praticadas por militares desde o início da intervenção federal na segurança pública do Estado, assinada pelo presidente Michel Temer (MDB) em 16 de fevereiro de 2018. No relatório parcial Circuito de Favelas por Direitos, elaborado pela Ouvidoria Externa da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, os relatos registram roubos, invasões de casa, agressões físicas e até estupros.

Em uma dessas invasões, teriam ocorrido os estupros, conforme conta um morador: “Eles entraram numa casa que era ocupada pelo tráfico. Lá tinha dois garotos e três meninas. As meninas eram namoradas de traficantes. Era pra ser todo mundo preso, mas o que aconteceu é que os policiais ficaram horas na casa, estupraram as três meninas e espancaram os garotos. Isso não pode estar certo”. O relatório não indica data ou local em que os crimes teriam ocorrido.

Esse não é o único caso de abuso sexual. Uma adolescente descreveu ter sido revistada com duas amigas por PMs homens, o que contraria a lei — o artigo 249 do Código de Processo Penal afirma que a busca em mulher será feita por outra mulher, se não importar retardamento ou prejuízo da diligência. “Ele vem revistar a gente, já gritando, chamando a gente de piranha, mulher de bandido, drogada. Vem empurrando e mexendo na gente. Eu sei que só mulher que pode revistar mulher, mas se nós não deixar [sic] leva tapa na cara”, relembra a jovem.

Em outro caso, um casal passou por uma abordagem e o militar revistou a garota “de forma abusiva”. Segundo ela, o policial a respondeu quando questionado sobre a ação. “Se você fizer alguma coisa você vai presa por desacato, mas pra mim não pega nada porque eu sou autoridade”, relatou sobre a revista, feita em frente ao seu namorado.

Segundo Pedro Strozenberg, ouvidor-geral da Ouvidoria Externa da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, o resultado não surpreende pela violência em si, mas pelas pequenas violações se tornarem comuns. “Não é a novidade, uma surpresa em termos do que encontrou, a surpresa são os componentes de crueldade, a dinâmica e sistemática dos fatos. Até discutimos sobre diferenciar as comunidades, mas o que mais acontece é que em qualquer um dos 30 tipos de violações acontecem em qualquer uma delas”, aponta. “Esses casos mais violentos são em geral os mais destacados, um dos resultantes que falamos do trabalho é que a letalidade, o maior e mais grave problema, ela encobre e sombreia essa quantidade de violações cotidianas”, comentando sobre o caso de estupro citado no documento.

O estudioso exemplificou como a rotina das pessoas está comprometida pela violência estatal e vira algo natural. “Conversamos com meninas de 8, 10 anos e elas narram as situações de tortura, de feridos, das mortes, onde se escondem em tiroteios com uma naturalidade… Vamos nas casas das pessoas, vemos onde ela está, as condições, é uma intrusão que fazemos. Hoje visitamos um casal jovem com dois filhos, o mais velho com 4 anos e a menina de 2 anos, e perguntei sobre tiroteio: ‘ah, a gente vai para o banheiro onde tem mais parede, menos risco de ser atingido’. Pedi para ver o banheiro: um ambiente minúsculo, eles ficam espremidos e, quando tem tiroteio de madrugada, os pais chegam no banheiro e o filho de 4 anos já está”, explica Strozenberg.

Agressões, roubos e militares drogados

O relatório da Ouvidoria Externa traz o roubo e abordagem violentas como outros abusos sofridos por moradores, além da própria letalidade policial, como o caso de um garçom morto ao ter o guarda-chuva confundido com fuzil. Segundo o documento, a ação violenta mais comum dos militares é ofender ou dar “tapa na cara” das pessoas.

“O café da manhã do trabalhador que sai de madrugada às vezes é um tapa na cara”, explica um morador. “Aqui na rua que eles torturam o menino. Do lado da minha casa. Meus vizinhos foram ver o que tava acontecendo e um deles policiais disse: ‘por isso que vocês morrem’”, conta outra.

Alguns dos relatos dão conta de uma série de violências, como a entrada de militares em uma casa para usar o ar-condicionado, tomar iogurte da geladeira e o roubo de R$ 1 mil. Outros contam que os roubos ocorrem com itens caros. “Eles [exército] ficam fiscalizando as motos, aí se tem alguém que tá sem o documento certinho eles pegam, as vezes jogam no rio. Às vezes ficam usando as motos de lá pra cá e depois a moto desaparece”, descreve.

Mais grave é o uso de drogas em trabalho, conforme registrado. “O caveira [militar] parou e colocou uma carreira de pó no capo do carro e mandou ver. Nunca vi ninguém cheirar e ficar endemoniado como aquele polícia. Antes ele estava passando sério e sem dá nem um tchum pra nós. Depois parecia um capeta”, conta um dos moradores, seguido de outro flagrante. “Ele [militar] ficava com uma garrafinha de guaraná e toda hora ficar colocando no nariz. Guaraná não se bebe pelo nariz, né, dona?”, disse.

Procurado pelo EL PAÍS, o Gabinete de Intervenção Federal afirmou que “todas as operações e ações realizadas visando combater a criminalidade são feitas dentro da legalidade objetivando proteger cidadãos e respeitar seus direitos”.

Reportagem originalmente publicada no site Ponte Jornalismo.

Papão empata e agora depende de milagre

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POR GERSON NOGUEIRA

Caso a situação na tabela fosse outra, sem o tempero cruel do desespero, o Papão teria todo o direito de sair comemorando o empate (0 a 0) obtido diante do Vila Nova na noite de sexta-feira, no estádio Serra Dourada, em Goiânia. Com a corda no pescoço, o pontinho ganho representa pouco em termos de classificação.

O time segue na parte inferior da tabela, dependendo de quatro vitórias em quatro jogos. Não tem mais chance de errar. Todas as projeções matemáticas indicam que, para escapar à degola, será necessário alcançar 46 pontos.

Em campo, o Papão foi cauteloso e fechado no primeiro tempo, evitando correr riscos. Abriu mão de qualquer tentativa ofensiva, optando pelo sofrimento como arma para aguentar a pressão do Vila Nova.

Com duas linhas de marcação, o time de João Brigatti se defendia bem. Tão eficiente foi o bloqueio que o Vila desfrutou de apenas duas chances, chutando de fora da área. Aos 12 minutos, Geovane mandou um disparo forte na trave direita de Renan Rocha. Aos 40’, Mateus Anderson bateu da entrada da área e Renan desviou para escanteio.

Mesmo com a posse da bola (60%) durante a primeira etapa, o Vila atuava mal, sem inspiração e dependendo muito dos laterais para cruzamentos inofensivos em direção à área. Alan Mineiro, principal peça da equipe, não apareceu para o jogo.

O segundo tempo começou com uma inversão interessante. Cansado de ficar atrás rebatendo bolas, o Papão resolveu arriscar um pouco mais. Logo no primeiro ataque causou uma confusão na defesa do Vila, que teve dificuldade para se livrar da bola.

Aos 15 minutos, uma bola espirrada da zaga caiu nos pés de Renato Augusto, que lançou William na direita. O volante entrou como um atacante e arrematou à meia altura. O goleiro Mateus espalmou no susto.

O Vila Nova sofria com as cobranças da torcida e errava passes curtos quando tentava ir ao ataque. O PSC partia então em contragolpes puxados por Magno e Mike, mas falhava nas finalizações.

Aos 25’, a zaga goiana voltou a sair no chutão e Magno ganhou rebote. Partiu em velocidade, mas chutou pela linha de fundo. A decisão correta era o passe recuado em direção ao centro da área, onde Mike chegava livre de marcação.

A impressão é de que a estratégia defensiva inicialmente adotada por Brigatti acabou por travar os atacantes. Quando as oportunidades começaram a surgir, não houve o apuro necessário para aproveitar.

Quase o Vila chegou ao gol aos 37’. Após cruzamento na área, Rafael Silva desviou e a bola foi beijar a trave de Renan Rocha pela segunda vez na noite.

A última grande chance coube ao Papão. Magno recuperou bola na entrada da área e tocou para Lúcio Flávio, que havia substituído a Hugo Almeida. O centroavante ajeitou e arrematou sem força, nas mãos do goleiro.

Chega a ser inadequado cobrar alto rendimento de um time foi sempre inconstante ao longo da competição. Agressividade no ataque, apoio eficiente dos laterais e ousadia na distribuição de jogo pelo meio são virtudes que uma equipe só adquire quando planejada (e treinada) para se comportar assim, tendo as peças necessárias para executar as jogadas.

Na reta final da competição, com o afunilamento da disputa, quando força e transpiração se destacam como itens de luta, as valências técnicas ficam em segundo plano. O estágio atual do PSC evidencia essa condição. Apesar do esforço, falta jeito e habilidade para aproveitar as poucas chances que surgem. A partir de agora, a situação entra

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Chapa oficial ganha batalha de bastidores na eleição remista

Depois de enfrentar pedidos de impugnação com base no conceito de “ficha limpa”, o longevo presidente Manoel Ribeiro, candidato à reeleição na eleição de novembro, conquistou nova vitória nos bastidores.

A presidência da Assembleia Geral depois de longo e inexplicável período de análise, rejeitou o recurso interposto pelo associado Alexandre Monteiro. Com isso, confirmaram-se as suspeitas de pizza em formatação.

Os riscos embutidos nesse desfecho ficam por conta de uma provável tentativa junto à Justiça comum, o que tornaria ainda mais tumultuado o processo eleitoral no clube.

Mesmo que essas questões sejam superadas, o Remo poderá ter a partir de 10 de novembro uma diretoria desgastada por suspeitas de favorecimento.

Um cenário que parece definitivamente atrelado à história moderna do clube, cujas vaidades excessivas e divisões internas parecem insuperáveis.

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Bola na Torre

Valmir Rodrigues apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV. Na bancada, Saulo Zaire e este escriba de Baião participam dos debates.

Em pauta, a Série B nacional e os jogos da Segundinha do Parazão.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 04)