Um fio de esperança

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POR GERSON NOGUEIRA

Nada que se possa dizer a esta altura do campeonato, no aspecto técnico da coisa, dará esperanças concretas ao torcedor bicolor. Em termos de futebol, o time não consegue aliar esforço com resultado, patinando nas últimas colocações da Série B desde que despencou vertiginosamente desde o começo do returno.

As entrevistas dos jogadores seguem a linha do otimismo forçado, pois não há mesmo o que dizer, além de prometer empenho e raça na busca por uma segunda vitória fora de casa – a primeira aconteceu lá na primeira rodada, diante da Ponte Preta, em Campinas.

Eram momentos completamente diferentes dos atuais. O time vinha da conquista da Copa Verde, que amenizou a perda do Parazão para o maior rival, e tinha Cassiano no comando do ataque. Inspirado, o artilheiro compensava a ausência de jogadas trabalhadas com oportunismo, boa colocação na área e eficiência nas finalizações.

Aliás, a perda de seu principal jogador – transferido para o futebol chinês – jamais foi reparada pelo PSC, apesar das muitas contratações feitas desde sua saída ainda no primeiro turno.

Cassiano era fundamental porque disfarçava o deserto de ideias no meio-campo do time. Com ele sozinho lá na frente, brigando entre os zagueiros ou arriscando chutes da entrada da área, o Papão conseguiu vitórias importantes e enganadoras.

Dado Cavalcanti teorizava aos borbotões sobre a dinâmica da equipe, mas o segredo era a fase iluminada de Cassiano. Quando embarcou rumo à terra de Mao e Confúcio o time desabou inapelavelmente, não conseguindo mais se levantar.

Os maus passos levaram à encruzilhada atual: conquistar 12 pontos nos próximos 15 a disputar. Em qualquer circunstância, o desafio é gigantesco. Fica mais assustador ainda quando se leva em conta a fragilidade exibida pelo PSC no torneio, com desempenho que desautoriza previsões otimistas.

Para surpreender o Vila Nova goiano em seu campo e ao lado de sua torcida, o técnico João Brigatti não projeta grandes alterações. O meio deve ter Renato Augusto e William na marcação e Felipe Guedes mais adiantado. À frente, Hugo Almeida ladeado por Mike e Thomaz.

Concentro minha atenção no setor ofensivo porque a situação exige ofensividade. Não há mais razão para jogar acuado, excessivamente cauteloso, como tem feito João Brigatti desde que assumiu o comando.

A permanecer com a estratégia de fechar as linhas para não tomar gol, a tendência é que o time siga na trajetória de derrotas pelo escore mínimo, minando a cada jogo as chances de sobrevivência na Segunda Divisão.

Durante a semana, um ouvinte da Rádio Clube ponderou que talvez fosse a hora de jogar radicalmente no ataque, utilizando as peças mais talhadas para isso no empobrecido elenco alviceleste.

Mesmo levando em conta a falta de alternativas para um time tão ousado, cabe notar que Magno e Alan Calbergue são jogadores de maior pegada ofensiva que Mike, Thomaz ou Felipe Guedes.

Brigatti, porém, não parece disposto a mudar de atitude. Tem o perfil dos técnicos que preferem o conservadorismo à audácia. Risco zero. Pior para o Papão, que depende desesperadamente de uma vitória hoje para manter vivo o fio de esperança.

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Polêmica vazia em cima da tecnologia irreversível

O penal marcado contra o Grêmio e a dúvida quanto ao rapidíssimo lance do primeiro gol do River Plate no mesmo jogo, válido pela semifinal da Libertadores, têm estimulado discussões infindáveis e inconciliáveis nas mesas-redondas.

Há uma forte tendência a embarcar nas diatribes de Renato Gaúcho, para quem a Conmebol prejudicou o Grêmio com a não verificação eletrônica do lance pró River. Para azar do técnico-boleiro, as imagens disponíveis para a cabine de árbitros avaliadores não permitiam ver o lance em toda a sua clareza.

Definido em questão de segundos, o cabeceio do atacante argentino só foi captado em sua plenitude pelas imagens de uma exclusiva câmera do canal SporTV atrás do gol. A transmissão oficial da Conmebol não mostrou essas minúcias aos avaliadores.

A teoria da conspiração certamente será alimentada nos próximos dias, fazendo obscurecer o debate que realmente deveria ser travado: a decadência do futebol brasileiro espelhada no desempenho de seus melhores times.

Nem Grêmio e nem Palmeiras foram superiores aos rivais argentinos, que conquistaram o direito a disputar a final impondo-se dentro do Brasil. No caso do River, jogando bem e encurralando os gaúchos na maior parte do tempo. O Palmeiras de Felipão jogou também à moda gaúcha, distribuindo pontapés e chutões de área a área.

Mais do que amaldiçoar o VAR, seria mais inteligente reavaliar nossos planos de jogo e corrigir erros que se perpetuam há décadas.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 02)

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