Como recompensa por serviços prestados na campanha, Moro será ministro de Bolsonaro

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Depois de uma reunião com o presidente eleito Jair Bolsonaro, o juiz Sérgio Moro aceitou o convite para assumir o Ministério da Justiça. Afirmou que vai consolidar avanços contra a corrupção. Responsável pela Lava Jato em Curitiba, Moro foi sondado para compor o ministério de Jair Bolsonaro (PSL) ainda durante a campanha. E teve influência no desenrolar do pleito ao resgatar as delações de Antonio Palocci, fazendo fazer trechos de depoimento do ex-ministro a 6 dias do primeiro turno da eleição, atingindo diretamente a candidatura petista de Fernando Haddad.

Eleito presidente no domingo, Bolsonaro recebeu Moro na manhã desta quinta-feira (1o), no Rio de Janeiro. A sinalização de Moro, de aceitar ser ministro, já é alvo de críticas. O candidato a presidente derrotado Ciro Gomes (PDT) chegou a dizer que Moro era ‘aberração de toga’.

Especialistas em Direito afirmam que Moro passa a ser suspeito para julgar o ex-presidente Lula. Alguns dizem, sem se identificar, que ao assumir um cargo ministerial no novo governo Moro assina a confissão de parcialidade no caso Lula, acusação que o PT e aliados do ex-presidente sempre fizeram.

Moro marcou audiência para interrogar Lula no dia 14 de novembro no caso do sítio de Atibaia. O juiz também deve julgar no próximo mês a ação penal na qual o ex-presidente é apontado como beneficiário de suborno da Odebrecht na compra de um imóvel em São Paulo que seria destinado ao Instituto Lula.

Ao jornal Folha de S. Paulo, o advogado Andrei Zanker Schmitt, professor de processo penal da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Porto Alegre, diz que Moro precisa se afastar já dos casos envolvendo Lula.

“A atuação de um juiz não pode ser pautada por interesses pessoais. Um juiz que confessa possuir aspiração política colidente com casos a ele submetidos não pode julgá-los, sob pena de colocar em dúvida a imparcialidade de sua atuação”, afirma. “Suspeição significa suspeita. O cheiro de parcialidade já é motivo para o afastamento de um juiz”.

Segundo o deputado Paulo Pimenta (PT) o sim de Moro ao convite de Bolsonaro, “é prova testemunhal da relação criminosa e perversa entre a Lava Jato e Bolsonaro”. “Quando Moro vazou a delação de Palocci, já sabia que se Bolsonaro fosse eleito ele seria ministro”.

Moro chegou à casa do capitão reformado por volta das 9h30 desta quinta (1). Ele deixou o local cerca de duas horas depois, acompanhado de Paulo Guedes. O magistrado não quis falar com o grupo de jornalistas e manifestantes que estavam no local, e foi embora em um carro escoltado pela Polícia Federal.

A pasta vai somar as estruturas da Justiça, Segurança Pública, Transparência e Controladoria-Geral da União e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), este último hoje ligado ao ministério da Fazenda.

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada por Moro:

“Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Pública na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito a Constituição, a lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior. A Operação Lava Jato seguirá em Curitiba com os valorosos juízes locais. De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes”.

A Operação Lava Jato seguirá com os juízes de Curitiba. Moro afirmou que se afastará das novas audiências e que mais detalhes serão fornecidos em coletiva de imprensa na próxima semana. Ele já não participará de audiência com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no próximo dia 14, que deverá ficar a cargo da juíza substituta Gabriela Hardt.

Segundo o vice do presidente eleito, general Hamilton Mourão, a primeira abordagem a Moro aconteceu há algumas semanas. “Isso já faz tempo, durante a campanha foi feito um contato”, afirmou, em conversa nesta quinta-feira (31), no Rio. (Com informações de Nocaute, Folha de S. Paulo e Sul21)

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