Pizza monumental

POR GERSON NOGUEIRA

Uma robusta e gordurosa pizza saiu do forno da junta eleitoral do Remo na sexta-feira, habilitando a chapa 10 a concorrer à eleição de 10 de novembro próximo. Nada que não fosse de conhecimento de todos os que vivenciam a realidade do clube ou mesmo aqueles que apenas observam à distância o desenrolar dos acontecimentos.

No Remo, existem castas que se perpetuam no exercício do poder político. A mais conhecida delas é liderada justamente por Manoel Ribeiro, atual presidente e candidato à reeleição com a Chapa 10, tendo como vice o coronel PM Hilton Benigno, comandante da corporação militar.

Ambos foram alvos de pedidos de impugnação assinados por sócios. Nas duas situações, segundo conhecedores do estatuto remista, as acusações eram irrefutáveis. Tanto Ribeiro quanto Benigno deveriam ter sido impedidos de disputar o pleito. Benigno foi defenestrado tempos atrás do Condel por excesso de faltas, o que o inabilitaria a compor chapa.

Acontece que a Junta Eleitoral, integrada por aliados do longevo presidente, não teve força e independência suficiente para fazer cumprir o que está estabelecido no estatuto, rasgando a Carta Magna da agremiação.

Depois da análise dos recursos, a chapa da situação foi considerada apta a concorrer – e com chances consideráveis de vitória, a considerar a capacidade de mobilização e pressão que Ribeiro ainda consegue amealhar. Pode-se considerar que o resultado da avaliação foi uma medida protocolar, que pouco considerou o conteúdo das denúncias.

A lamentar nisso tudo o fato de que o previsível veredicto da junta eleitoral tenha confirmado as desconfianças quanto ao aparelhamento da eleição, como já ocorreu outras vezes. O coronelismo mostrou toda sua força, expondo as fragilidades institucionais do Remo.

Feudos seguem intocados e intransponíveis, desafiando as tímidas tentativas de mudança de rumos na gestão. Pedro Minowa e André Cavalcante, que presidiram o clube antes do retorno de Ribeiro, constituem exceções dentro da longa tradição de domínio de velhos caciques.

Não por coincidência, ambos foram achincalhados e atacados implacavelmente. Pelo simples fato de terem rompido com o status quo. Não deixaram obras relevantes, mas tiveram importância pela quebra do continuísmo.

Nesta eleição, Fábio Bentes (Chapa 20) e Marco Antonio Pina (Chapa 30) representam a expectativa de ruptura, embora tenham tido participação em gestões recentes. Concentram expectativas porque representam a novidade no cenário mais do mesmo que o Remo insiste em reapresentar a cada nova eleição. Os desafios são imensos e deveriam exigir uma frente político-administrativa que unificasse o clube.

Como de praxe, a eleição deverá ser sequenciada por um processo de isolamento dos eleitos, como é da tradição remista. A divisão só atrapalha e trava iniciativas que visam, mesmo que precariamente, tirar o Remo do atraso secular em que se encontra.

Qualquer manifestação mais ousada é torpedeada pelos derrotados nas urnas, o que transforma o clube numa infatigável usina de intrigas e insurreições. Ironicamente, as ideias danosas acabam aprovadas pela maioria, o que inclui conselhos e assembleia geral.

Um exemplo típico foi a desastrosa aventura envolvendo camarotes sociais no estádio Evandro Almeida, na gestão de Zeca Pirão. A arrecadação evaporou e o Remo ficou com o prejuízo adicional (e incalculável) de não poder utilizar sua praça de esportes desde o segundo semestre de 2013.

A liberação da chapa de Manoel Ribeiro abre o processo eleitoral da pior maneira possível, com uma decisão questionada por quase todos no clube, fazendo crer que outros imbróglios ainda estão por vir.

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Memórias ilustres de um craque do basquete

Recebi convite e estarei presente, na próxima quarta-feira, 24, às 19h, na sede do PSC, ao lançamento oficial da biografia “Mosqueiro a Xangai. Que viagem é essa?”, de Nelson Maués, um dos maiores jogadores do basquete paraense em todos os tempos.

Nelson é ícone de uma geração primorosa, que existiu quando os jogos galvanizavam atenções, as quadras lotavam e os times eram formados por gente talentosa. Como é raro ver literatura sobre esporte amador, o livro é também uma contribuição à história do nosso desporto.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa a partir de 22h, na RBATV. Tudo sobre a Série B e a Segundinha de acesso ao Parazão 2019. Sorteios e participação dos telespectadores. Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião integram a bancada de debatedores.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 21)

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