Roger Waters: “Deveríamos lutar contra os poderosos, não entre nós”

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O cantor e compositor inglês Roger Waters, ex-integrante da banda Pink Floyd, afirma que ficou surpreso com a reação do público em seu show em São Paulo, no estádio Allianz Parque. Waters conta que, neste momento do show, no mundo todo, é o momento em que o público mais aplaude (o momento em que o telão projeta os nomes de líderes neofascistas espalhados pelo planeta). Ele diz: “Eles são os inimigos, eles são quem deveríamos lutar contra, não entre nós”.

O ex-líder fundador da banda britânica Pink Floyd deu uma entrevista ao programa Fantástico da Rede Globo de Televisão. A reportagem explica que “a turnê é cheia de críticas políticas (..) [e que] incluiu crítica ao candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL), e foi respondido com aplausos e vaias. Ele exibiu #elenão no telão e colocou o nome de Bolsonaro em uma lista de líderes mundiais classificados por Waters como neo-fascistas”.

Waters afirmou: “É interessante porque… duas coisas aconteceram. Durante a música ‘Eclipse’ eles colocaram a hashtag que desagradou a todos. Aquilo foi um erro. Era para ter aparecido mais tarde durante a música ‘Mother’, durante a parte ‘Mother should I trust the government?‘ (mãe, devo confiar no governo?). Seria nessa parte que apareceria “Ele não”, aí faria sentido. Mas colocar no meio da eclipse foi um erro dos meu time. Aquela parte da música era para aparecer pirâmides, lasers coloridos. Estávamos amando uns aos outros. No fim é o clímax depois da jornada longa que atravessamos.”

O músico ainda disse: “Foi totalmente inapropriado, seu eu pudesse dizer. Na segunda noite em São Paulo nós não usamos hashtag, mas deixe-me terminar a história. Na primeira noite, eu não soube que tinha aparecido no telão. Achei que todos aplaudiriam, porque era isso que deveria acontecer. Naquele momento do show, em todos os lugares que tocamos no mundo todo, todos ficam tão contentes nessa parte, todos aplaudem. Aí me perguntei. O que está acontecendo?”

Segundo a matéria, “depois, ele disse que o que viu acontecer em seu show o fez lembrar de outros momentos na história de outros povos, como a Inglaterra antes da Segunda Guerra, quando comunistas e fascistas brigavam nas ruas. E disse que, no seu show, a luta não deveria ser entre as pessoas ali presentes, mas contra os poderosos”.

Waters fala que “eles são os inimigos, eles são quem deveríamos lutar contra, não entre nós. Isso é o que eles [poderosos] querem, que lutemos entre nós porque enquanto lutamos entre nós, não focamos no nosso verdadeiro problema”.

E comenta sobre seus fãs que não entendem sua luta contra o totalitarismo: “Se vocês, meus fãs, acharam que músicos devem apenas tocar suas músicas… É obviamente apenas errado. Não, não devemos. Nós temos responsabilidade como políticos e também como músicos. Eu acredito que todos os artistas, não interessa qual tipo de arte você faça, todos tem responsabilidades de usar a arte para expressar ideias políticas, e criar demandar em favor dos direitos humanos para todos”.

Ele ainda diz: “Francamente, para as pessoas que comentaram na minha página do Facebook ‘cala a boca e apenas toca a música’. Se você não gosta, não entre no meu facebook, não vá aos meus shows, ok? Se não gosta, não venha! Tudo isso é ridículo”.

A história vivida por Waters o ensinou que diante do autoritarismo a omissão é conivente com a morte. Assim, a tranquilidade do público se restringe aos 20 minutos introdutórios, em que o telão apresenta uma garota olhando para o mar, ao som de uma melodia relaxante, até que o céu fica vermelho e o cenário muda ao som de “Speak to me”.

Ao longo da primeira parte do show o conteúdo político se expressa por imagens, sobretudo de Donald Trump, e pelas letras que marcam a carreira e o posicionamento político de Roger Waters desde a década de 70.

No intervalo as projeções de mensagens contra as guerras geraram um espontâneo coro de “ele não”, que provocou a reação contrária de parte do público, logo antes de uma lista de neofascistas ser exposta no telão com a primeira menção a Bolsonaro.

A partir daí o conteúdo político ganhou força, até porque o show volta com as músicas Dogs e Pigs, que não falam de animais de estimação. O cenário político brasileiro ficou restrito ao público, que voltou a se acalmar com os clássicos de Dark Side of the Moon.

Roger parece por o estádio em transe com as músicas e o imenso prisma formado por luzes, até tomar partido e projetar #ELE NÃO, para delírio de uns e desespero de outros. A guerra de palavras de ordem, vaias, aplausos e assovios durou cerca de cinco minutos.

Em resposta às vaias, xingamentos e ofensas, o senhor de 75 anos, mais velho que a esmagadora maioria das pessoas no estádio, disse preferir a liberdade dos protestos que as ditaduras do passado.

Quem dedicou toda a carreira a uma causa pode ser lacônico, quem escolheu comprar ingresso e ir ao show pode protestar, enquanto reflete sobre as letras de Animals, The Wall e companhia. (Do Brasil247)

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