Abraji repudia ofensiva contra jornalistas nas redes sociais

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Desde a última terça-feira (25.set.2018), a repórter Marina Dias (Folha de S.Paulo) é alvo de exposição indevida, assédio e difamação em redes sociais após a publicação da reportagem “Ex-mulher afirmou ter sofrido ameaça de morte de Bolsonaro, diz Itamaraty”. Apoiadores do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), impulsionados por figuras públicas como o humorista Danilo Gentili e o escritor Flavio Gordon, expõem a imagem da jornalista e se referem a ela de forma pejorativa e agressiva.

O ataque afeta também outros profissionais: Rubens Valente, que assina a reportagem com Dias, foi alvo de agressões verbais e exposição da imagem associada a frases pejorativas. A foto e dados pessoais de uma jornalista homônima de Dias, que atua na revista Encontro, de Belo Horizonte, circula como sendo da repórter da Folha. Diego Escosteguy, ao repercutir a reportagem, foi atacado pelo jornalista e apresentador Allan dos Santos.

Contando com estes casos, a Abraji já registrou 58 ocorrências de assédio a jornalistas em meio digital no contexto das eleições. O levantamento não é exaustivo; pode haver casos não documentados pela associação.

A frequência e a intensidade de ataques deste tipo motivou a Abraji a criar a cartilha “Como lidar com assédio contra jornalistas nas redes”, lançada em agosto deste ano.

A Abraji condena com veemência a ofensiva contra os jornalistas. O assédio direcionado a uma profissional de comunicação por causa de seu trabalho atingiu desta vez um novo — e pior — patamar, ao expor de maneira criminosa dados pessoais de terceiros, alastrando as agressões.

Promover a perseguição a jornalistas por discordância em relação ao que publicam é atentar diretamente contra a democracia.

Diretoria da Abraji, 26 de setembro de 2018.

4 comentários em “Abraji repudia ofensiva contra jornalistas nas redes sociais

  1. Também seria bom que muito jornalista tivesse a humildade de pedir desculpas ou dizer que errou. Poucos fazem isso. A maioria se acha um deus entre pobre mortais.

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  2. O erro cometido por um repórter ou veículo é normalmente assumido como norma profissional. O não cumprimento desse princípio tem consequências na esfera judicial.

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  3. A comunicação tem sempre dois pólos, o emissor, que conta uma mensagem, e o receptor, que recebe a mensagem. Entre eles pode haver um suporte, como o papel. Quando eu escrevo um bilhete, sou um emissor que precisa do suporte porque não posso adiar a necessidade de comunicar uma mensagem a alguém, então sobra adiar a comunicação para o futuro, mas não a mensagem, quando não estarei presente para comunicar diretamente a mensagem ao receptor. O papel é o suporte para a mensagem chegar ao futuro sem que eu esteja presente. O papel como suporte também é um meio de reproduzir a mensagem em massa. E é preciso sempre desconfiar da mensagem quando se é um receptor. É preciso avaliar a mensagem quando se recebe uma, mesmo quando se recebe a mensagem diretamente. A mentira sempre tem fins nefastos. E é por isso que o receptor da mensagem deve ser independente e crítico. Alguns dos primeiros indícios para se desconfiar da mensagem são a espetacularidade e a gravidade dela. As notícias de corrupção de Lula são graves e espetaculares. Desconfie. As de Bolsonaro também, e a dica é a mesma, desconfie.

    Mas, vamos lá. Quem desconfiou das notícias sobre Lula descobriu que Moro o condenou sem provas. Portanto, Lula é inocente. Quem vem acompanhando as notícias sobre Bolsonaro sabe que elas estão baseadas em processos antigos, cujas provas estão nos autos. Não são nenhuma novidade. Bolsonaro esconde alguma coisa. As denúncias de João Filho sobre Joice Hasselman são sérias e temos logo a notícia de que Joice já foi inclusive punida por plágio. Esse tipo de informação sobre um jornalista expõe o caráter da atuação profissional de Joice, ou a falta de caráter. Importante também observar a espetacularidade com que se criou a caricatura de Bolsonaro como patriota, como se o patriotismo brasileiro tivesse a ver com racismo, machismo, homofobia e outros atrasos. Tem? Se tiver, regredimos aos tempos das cavernas…

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