Ibope: Haddad dispara, chega a 19% e se isola na segunda colocação

haddad-presidente-e1537180052779

Nova pesquisa eleitoral do Ibope para a presidência divulgada nesta terça-feira (18) confirma a curva ascendente de Fernando Haddad (PT), oficializada há exatamente uma semana. O novo levantamento mostra, novamente, que o petista foi o que mais apresentou crescimento com relação à última pesquisa, chegando aos 19% e se isolando na segunda colocação.

O primeiro colocado, Jair Bolsonaro (PSL), oscilou 2 pontos com relação à última pesquisa e agora aparece com 28%. Ciro Gomes (PDT), que estava tecnicamente empatado com Haddad em segundo lugar, apresentou se manteve estável e, agora, diante do crescimento do petista, figura na terceira colocação, com 11%. Geraldo Alckmin (PSDB) aparece na nova pesquisa em quarto lugar com 7% e Marina Silva (Rede) em quinto, com 6%.

Confira a lista completa.

Jair Bolsonaro – 28%

Fernando Haddad – 19%

Ciro Gomes – 11%

Álvaro Dias – 2%

Henrique Meirelles – 2%

João Amoedo – 2%

A tendência de evolução na candidatura de Fernando Haddad (PT) já havia se manifestado no último levantamento Datafolha, divulgado na sexta-feira (14). O petista tinha sido o candidato que mais cresceu nas intenções de voto. Ele tinha pulado de 9% para 13%, chegando ao mesmo índice de Ciro Gomes (PDT), que, no entanto, se manteve estável.

A pesquisa foi feita entre quinta (13) e sexta-feira (14), com 2.820 eleitores, e a margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos.

Felipe Melo pode ser julgado no STJD por por manifestação política

destaque-438567-felipemelo-1024x664

Folha de S.Paulo informa que o volante Felipe Melo, do Palmeiras, poderá ser julgado no STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) por ter apoiado em entrevista à Rede Globo na saída de campo, após o jogo entre Bahia e Palmeiras, no domingo (16), o candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL). “Esse gol vai para o nosso futuro presidente, o [Jair] Bolsonaro. É muito importante seguir nessa sequência de não perder”, disse o jogador depois da partida em Salvador, na qual marcou o gol palmeirense no empate por 1 a 1.

De acordo com a publicação, não há no CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva) um artigo que determine punição por manifestação política como a do palmeirense, que dedicou o gol marcado na partida ao candidato. Contudo, por se tratar de um caso novo no futebol brasileiro, a Procuradoria do STJD  estuda levá-lo ao tribunal para que se julgue uma possível punição ao atleta. A preocupação do órgão é que a atitude de Felipe Melo possa abrir um precedente e se torne “moda” no futebol brasileiro. “Não lembro de nenhum caso similar. Talvez fosse o caso de avaliar a denúncia e deixar que o tribunal veja se foi uma conduta correta ou não. Confesso que disciplinarmente deve ser cautelosamente avaliado. Imagina se vira moda”, disse à Folha o procurador-geral do STJD, Felipe Bevilacqua.

Na ausência de artigo específico, o STJD poderia incluí-lo no 258 do CBJD. Amplo, o artigo prevê penalidade a condutas disciplinares ou antiéticas não esclarecidas no código. “Assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código”, diz o texto. Ainda segundo o texto, a pena pode variar de uma a seis partidas de suspensão se praticada por atleta (mesmo suplente) ou membro da comissão técnica da equipe, completa a Folha.

Fiscais resgatam trabalhadores em situação análoga à de escravo no Pará

20180917-sao_felix_trabalho_escravo_1

Por Pedro Peduzzi, da Agência Brasil

Fiscais do Ministério do Trabalho resgataram três trabalhadores em situação considerada análoga à de escravo, em uma fazenda no Pará. Atuando como vaqueiros e auxiliares de serviços gerais, eles estavam em um empreendimento em São Félix do Xingu, sudoeste do estado, em um alojamento em condições precárias, infestado de ratos, no meio da mata, sem água nem instalações sanitárias.

Ao todo, foram identificados 14 trabalhadores sem registro e um menor, a quem cabia a tarefa de aplicar veneno nas plantações. Foram feitas 57 autuações por descumprimento de obrigações trabalhistas e de segurança do trabalho.

De acordo com a coordenadora da ação auditora-fiscal Andreia Donin, o número de resgatados poderia ser maior, uma vez que ao presenciar a chegada do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), foram dadas, pelo empregador, ordens para que os trabalhadores abandonassem os alojamentos.

“As condições eram impactantes. As paredes de área de vivência não tinham vedação e um grupo vivia no meio da mata, em barracas de plástico. O banho e necessidades fisiológicas eram realizados no meio da vegetação. A água para higiene e para o consumo pessoal era extraída, por baldes, de cisterna descoberta, havendo contaminação por folhas, sapos e insetos. O local de preparo de refeições era a céu aberto”, disse a coordenadora por meio de nota.

Foto: Ministério do Trabalho

Segundo ela, as irregularidades foram as mesmas verificadas em outras ações do ministério. Em 2016, o proprietário da área foi autuado pelos mesmos motivos, em outras fazendas da família. Na oportunidade, outras 12 pessoas foram resgatadas na mesma situação. Diante da situação, a Defensoria Pública Federal ajuizará uma ação trabalhista a fim de obter, para os trabalhadores, reparações por danos morais.

Segundo o ministério, a fazenda está situada em uma área de difícil acesso e com restrição de comunicações. “Existe apenas acesso a telefone celular e internet num vilarejo situado a mais de 20 quilômetros, que devem ser percorridos a pé pelos trabalhadores, e cujo uso sai por R$ 10 por hora do sinal wi fi”, informaram as autoridades. Também não havia no local qualquer iluminação artificial ou energia elétrica.

As ações de fiscalização ocorreram entre os dias 3 e 13 de setembro. O grupo contou com a participação de cinco auditores-fiscais do Trabalho, um procurador do Ministério Público do Trabalho, e um defensor público federal. A escolta foi feita pelo Batalhão de Polícia Ambiental do Pará.

Pesquisador alemão estranha opiniões da direita brasileira sobre o nazismo

kai-michael-kenkel-2-600x337

Da DW

“Os alemães não escondem seu passado”, diz a frase inicial de um vídeo com legendas em português publicado pela Embaixada da Alemanha em Brasília publicado no Facebook há pouco mais de dez dias.

O que era para ser mais um vídeo institucional para divulgar como a sociedade alemã lida hoje com o nazismo e o Holocausto acabou virando, em meio à polarização pré-eleições, palco de ataques de militantes de direita brasileiros que não gostaram do conteúdo da peça.

Tudo porque um trecho classifica o nazismo como uma ideologia de extrema direita e cita uma frase do ministro do Exterior alemão, Heiko Mass, que diz: “Devemos nos opor aos extremistas de direita, não devemos ignorar, temos que mostrar nossa cara contra neonazistas e antissemitas”.

Para militantes brasileiros que passaram a escrever na caixa de comentários do vídeo, a embaixada e o ministro alemão estão errados em classificar o nazismo como um movimento de “extrema direita”.

“Extremistas de direita? O partido de Hitler não se chamava Partido dos Trabalhadores Socialistas? Onde tem extrema direita?”, disse um usuário, apelando incorretamente para o nome oficial da agremiação nazista, que se chamava Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, ou NSDAP.

Outro disse: “Vindo do país de origem do Marxismo, tendo a Alemanha sido infestada por vermelhinhos no pós-guerra (…) é claro que eles vão distorcer tudo e jogar na conta da direita”. Uma rápida olhada nos perfis dos usuários que associaram o nazismo com a esquerda mostra que vários divulgam propaganda do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL).

(…)

“Se essa for a lógica, então eles também têm que afirmar que a República Democrática da Coreia (Coreia do Norte) é uma democracia e que o mesmo valia para República Democrática Alemã (antiga Alemanha Oriental comunista)”, afirma o cientista político alemão Kai Michael Kenkel, professor do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio e pesquisador associado do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga).

Outro argumento usado pelos propagadores da ideia do “nazismo de esquerda” também aponta para o caráter antiliberal na economia do Terceiro Reich e as características estatistas de setores do regime. A comparação ignora que regimes de direita como a ditadura militar brasileira (1964-1985) ou o antigo governo franquista da Espanha também eram estatistas, antiliberais e favoreciam uma espécie de capitalismo a serviço dos interesses nacionais, assim como o nazismo.

“Nunca tinha visto essa discussão sobre o nazismo ser de esquerda na Alemanha”, afirma Kenkel. “Lá é muito simples: trata-se de extrema direita e pronto. Essa discussão sobre ser de esquerda ou direita parece existir só no Brasil. Se você perguntar para um neonazista na Alemanha se ele é de esquerda, vai levar uma porrada”, continua. “Essa falsa polêmica demonstra que o ensino de história é profundamente falho no Brasil. Também mostra uma profunda manipulação dos fatos e um desprezo pela verdade entre alguns setores no Brasil.”

(…)

“Brasil parece uma ficção com roteiro inacreditável”

Por Mayara Paixão, no Brasil de Fato

O olhar sobre a política daqueles e daquelas que protagonizam a cultura sempre é diferenciado. Alguns atribuem essa característica à sensibilidade, ao olhar aguçado sobre os mínimos detalhes que, por vezes, passam desapercebidos ao olhar comum. Talvez, junto a isso esteja o compromisso social que se escolhe fazer, e existem aqueles que optam por uma aliança com as classes populares e o regime democrático. A conversa com Tata Amaral para a Rádio Brasil de Fato é exemplo disso.

tata-amaral-600x364

Aos 57 anos, a cineasta integra o grupo de brasileiros que, no conjunto da vida, viu de perto dois rompimentos democráticos: o golpe militar de 1964 e o golpe parlamentar midiático que retirou a presidenta eleita Dilma Rousseff (PT) em 2016 e empossou o golpista Michel Temer (MDB). Mas também viu a redemocratização, em 1985, e sabe que é da luta popular e política que renasce o direito do povo.

A seguir, você confere a entrevista com Tata Amaral, concedida pouco após o Partido dos Trabalhadores (PT) anunciar o ex-ministro da Educação Fernando Haddad como candidato à Presidência pela legenda, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retirar de Lula o direito à candidatura nas eleições gerais de 2018.

Brasil de Fato – No momento que estamos vivendo, parece que olhar para a história brasileira é cada vez mais importante. Você assistiu a momentos marcantes pro nosso país, entre eles as greves operárias no ABC paulista no final da década de 1970. Como foi esse momento? Qual resgate histórico você faz?

Tata Amaral – Eu era uma jovem militante do movimento estudantil no final da década de 1970, e o movimento começou a se reorganizar no momento que nos acostumamos a chamar de ‘abertura política’, ao final da ditadura. Como militantes, quando começaram as greves do ABC, a gente falava ‘bem, a coisa agora é séria, porque são os trabalhadores que estão em greve’ e, principalmente em 1979, eu fui com o meu companheiro na ocasião para prestar meu apoio, estar ali, assistir às assembleias.

Foi uma coisa muito impressionante, primeiro porque a repressão era muito maior do que para com o movimento estudantil da época; muita bomba, cavalaria em cima dos manifestantes, o Sindicato dos Metalúrgicos sofrendo intervenção, o presidente, que era o Lula, se afastando. E eu tive a oportunidade de vê-lo na volta e testemunhar uma imensa assembleia que, posteriormente, foi registrada pelas lentes de Leon Hirszman no filme ABC da greve.

Nesse filme, Lula fala sobre a necessidade de se criar um partido dos trabalhadores para travar a luta política, porque a luta sindical está circunscrita a luta de uma categoria por melhores condições de salário e uma série de outras reivindicações.

No dia 11 de setembro, houve o lançamento do livro Luiz Inácio LUTA da Silva: nós vimos uma prisão impossível, que reúne testemunhos de pessoas presentes em São Bernardo do Campo nas 48 horas que antecederam a prisão política do ex-presidente Lula. Um desses relatos é seu. Queria que você nos contasse um pouco sobre o livro e sobre como foi viver esse momento histórico tão delicado de perto… 

No livro, conto um episódio que de fato aconteceu comigo quando fui prestar solidariedade ao movimento dos trabalhadores que estavam em greve em São Bernardo. Eu estava grávida e, como tal, vi aquelas agressões da polícia. Quando minha filha nasceu, poucos dias antes da anistia ser decretada, eu e o pai dela constatamos que não havia no Brasil ninguém que tivesse vivido 50 ou 60 anos exclusivamente em democracia, porque sempre a elite interrompia o processo democrático com um momento de repressão, de ditadura sangrenta, de arbitrariedade, de proibição dos partidos e sindicatos. Ali, como jovens militantes, sonhadores, a gente fez um desejo: que a nossa filha, nascida em 1979, vivesse uma longa vida em um país democrático.

Depois do impeachment da Dilma, com o qual fiquei bastante tocada porque não havia crime de responsabilidade – inclusive depois disso tivemos várias comprovações da ilegalidade daquele processo –, eu mesma começo a me preocupar com a democracia brasileira e achar uma coisa completamente absurda a gente não conseguir sustentar a democracia no nosso país. Escrevo sobre isso no livro e essa reflexão é detonada a partir do momento que estou lá, em São Bernardo, no dia que fui prestar minha solidariedade ao Lula, que estava sofrendo esse mandato de prisão, na minha opinião completamente injusto e arbitrário.

Como você enxerga o momento político que vivemos – a corrida eleitoral, a prisão política do ex-presidente Lula e a grande farsa judicial em torno da sua figura para impedi-lo de ser candidato à Presidência?

É uma situação absurda, de um filme de ficção que, se você escrevesse esse roteiro, ninguém ia acreditar. Parece inverosímil. Enxergo essa situação como um roteiro muito errado, mas é real: uma pessoa está presa, vários eleitores estão sentindo que o seu voto, mais uma vez, está sendo sequestrado – a primeira vez foi no impeachment da ex-presidenta Dilma. Vejo com muita consternação sobre essa fragilidade das nossas instituições. Por outro lado, vejo também pessoas, movimentos, partidos e acho admirável o que o Partido dos Trabalhadores está fazendo no sentido de nos mostrar, didaticamente, como a Constituição não está sendo respeitada. Vejo com muita preocupação e, por outro lado, com muita admiração por aqueles que estão lutando por um país melhor.

Você era uma jovem militante do movimento estudantil e hoje é uma cineasta reconhecida no nosso país. Como enxerga a importância de manifestações políticas por parte de figuras como você, que produzem arte e protagonizam o campo da cultura? 

A gente sempre fala de um lugar. Sempre achei que não existe a imparcialidade do discuso. Você vê a grande imprensa, que se diz imparcial, e é a mais parcial de todas, mas esconde isso dos seus leitores e telespectadores. Tenho muita clareza que falo a partir de um lugar e de qual ele é. Sou uma mulher, da classe média, nunca fui rica, mas, evidentemente, vivo em uma situação privilegiada de mulher branca de classe média. E é desse lugar que eu falo e percebo coisas: a minha sociedade, o meu país, vejo como as injustiças acontecem e pessoas, políticos, instâncias trabalhando para corrigir essas injustiças históricas. Por mais que eu sempre esteja produzindo entretenimento, cinema, é inevitável, eu não sei fazer filmes sem uma reflexão e sem expressar a minha visão, ainda que isso aconteça no campo das emoções.