O que importa na pesquisa Ibope: avanços de Haddad, Ciro e rejeição de Bolsonaro

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Por José Roberto de Toledo, na Piauí

As muitas oscilações dos candidatos no Ibope tiraram o foco dos dois movimentos mais importantes ocorridos na disputa presidencial após o início da propaganda eleitoral no rádio e na tevê. Quais foram? O crescimento rápido de Haddad e a marola que quebra à direita de Alckmin, com Amoêdo e Meirelles juntando-se a Bolsonaro e Alvaro Dias para limitar o potencial do tucano. Em conjunto, as duas ondas reforçam a impressão de polarização da eleição e de tamponamento de uma candidatura de centro.

Se dividirmos o eleitorado em dois grandes blocos, o lado petista e adjacências soma os 12% de Ciro com 12% de Marina, mais 6% de Haddad, 1% de Boulos, 1% de Vera e 1% de João Goulart Filho, totalizando 33%. Ou seja, todos os candidatos da banda esquerda do espectro político não chegam a quanto tinha Lula quando ele ainda aparecia nas pesquisas de intenção de voto.

É de se supor, portanto, que uma parte dos lulistas enviuvados ainda esteja oculta nos 28% de eleitores que declararam voto em branco, nulo ou não souberam responder ao Ibope em quem votarão. Esse é o eleitorado de reserva no qual Haddad mostra facilidade para crescer. O faz rapidamente, à medida que os lulistas se dão conta de que o nome de seu candidato preferido não aparecerá na urna eletrônica em 7 de outubro e de que Haddad é Lula.

(…)

É cedo para conclusões, porque a pesquisa pegou poucos dias de propaganda na tevê, mas o Ibope não registrou qualquer sinal de que a campanha negativa de Alckmin esteja provocando o efeito planejado. Não apenas Bolsonaro oscilou dois pontos para cima: Amoêdo e Meirelles também foram na mesma direção. Juntos, capturaram cinco pontos entre eleitores antes indecisos contra dois conquistados pelo tucano. O saldo é, portanto, negativo.

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Ciro aparece onze pontos à frente de Bolsonaro na simulação de segundo turno entre eles, e Marina tira dez pontos de distância sobre o ex-militar. Não é difícil entender o motivo. Bolsonaro é, disparado, o candidato mais rejeitado que sobrou na corrida presidencial.

De acordo com o Ibope, 44% dos eleitores dizem que não votariam no defensor da ditadura de jeito nenhum. Em comparação a agosto, sua rejeição aumentou. A taxa era 37% há menos de três semanas. Há duas explicações possíveis para esse crescimento: pode ter sido fruto da campanha negativa contra ele na propaganda eleitoral ou – mais provável – se deve à retirada do nome de Lula da lista de candidatos na pergunta sobre rejeição.

Do jeito que é formulada a questão, com o eleitor estimulado a apontar na lista de candidatos mais de um nome que rejeita, faz diferença se alguém com alta rejeição, como o ex-presidente, sai do rol. Quem rejeitava Lula acima de todos, mas também rejeitava Bolsonaro agora tem uma chance ampliada de apontar o nome do segundo que menos gosta pela simples falta de concorrência. (…)

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